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Nasci ao amanhecer e sei cantar para dançar.
Saberei cantar para morrer. Sei chorar de
alegria, sorrir de amargura, correr andando,
sair, lépida, como pensamento, voando em
outros planos.
Outro dia, estava a ler Álvares de Azevedo -
"Lira dos Vinte Anos" e lembrei-me daquele
poema - Se Eu Morresse Amanha! - fiquei
imaginando como seria se soubéssemos que no
amanhã já seriamos ontem - e, aí a idéia do
nosso ACONTECEULUNAS.
Morrer...
Sempre imagino esse momento. A morte sempre
esta presente em minha poesia - não como
adeus - mas como recomeço.
Aliás, para todo recomeço, algo teve de
morrer pelo caminho, é o que digo em "
Chegando ao Fim...":
"... Há algo errado,
Um barulho... um galho seco no telhado,
Uma música de morte
No silêncio da noite...
O espelho reage chocado
Com a imagem que reflete
No seu puro cristal..."
Morre-se toda hora, todo momento - e na
continuidade não é a dor, nem o medo do
desconhecido, nada tem de segurar o próximo
passo.
Próximo passo, não pensar em portas
fechadas, nem que todas as pistas são sem
soluções... Todos temos canções para contar,
poesias para escrever, sensações para
sentir...
E neste momento me confronto com a verdade -
a minha verdade:
"... No meu ouvido, ouço
Todos os chamados,
Em meus olhos, vejo
Todas as visões.
Creio já estar pronta!"
(Estou pronta para ir)
Na despedida que traço, fito teus olhos, te
deixo na porta, e, ao voltar-me, já não
estas... Essa é a morte no coração.
"Te ouço, te sinto, te espero
séculos e séculos.
Perdura, em mim, o som de tua melodia,
e me chegas no frescor da manhã,
como uma rosa matutina"
(Despedindo-me do passado...)
Frágil que somos, na aparente força, na
verdade - fino cristal que se despedaça com
a infelicidade de um sonho esquecido... Isso
é morrer!
Se eu morrer amanhã a vida seguirá seu rumo
- nada irá parar. Já escrevi sobre isso -
lembro-me dos versos, pois cantam em mim:
"Todos os dias, todas as horas
Deparo-me com a vida e a morte
Um buraco negro, infinito no infinito...
E me preenche o medo...
Ao olhar para a frente
Imaginando o futuro
Sobre minhas atitudes
Paira uma espada, hirta, fria,
Me lembrando a morte, a saudade, a dor...
O medo é do desconhecido,
Ou deveria ser.
O que me aguarda depois de fechar os olhos ?
Depois de repousar a mente,
De deitar o corpo cansado, canhestro,
rígido,
Quem me abraçara?
Por que tenho medo de deixar o que não sou?
Sim, deixar o que não sou...
Pois, se o corpo que habito,
Pois, se os que eu amo,
Pois, se do que gosto,
Tudo ficará no abandono...
Fecharei os olhos e deitarei meus sonhos
No sono profundo, sem consciência de corpos,
Serei apenas eu, na esfera, sem matéria,
Além das sensações e idéias...
E não morrerei no espírito,
O que deixarei neste mundo
Será apenas o que nasceu comigo.
Eu já existia, vim de outras eras, de outras
vidas,
Sou eterna, sem corpo, sem dinheiro, sem
nome,
Massa disforme, sem volume, sem ego!
Etérea luz, voltarei a ser o que sempre fui,
Eu, apenas eu, areia neste ponto infinito,
Lua, frágil que se levanta e se deita todos
os dias,
E que nunca, nunca, nunca, vai embora!"
(Fecharei os Olhos e Deitarei Meus
Sonhos...)
O que morrerá em mim será apenas a matéria -
mas eu continuarei - seguirei fazendo parte
do movimento criado, tornando-me eterna no
meu elemento, na matéria, ectoplasma, e
ficará o amanhã, perdido,
"E amanhã?!
Amanhã sentirei estes mesmos sabores e
odores?
Não sei... o tempo, inexorável, nada me
diz...
Sofro... Lamento...
Acabo de descobrir a fugacidade da vida,
E tanto escorreu-me pelos dedos..."
(O tempo, inexorável, nada me diz)
Discípula aplicada e amante da poesia de
Álvares de Azevedo, refugio-me na morte pelo
sonho e pela fantasia e decido que:
"Não existe nem ontem nem amanhã.
Só existe este momento,
que deve ser aproveitado,
por ser mais precioso do que pensamos.
Na beira do rio,
lado a lado com as lembranças,
através das lentes escuras,
olhando os círculos que se expandiam
na superfície, estávamos, eu, e o Hoje...
O sol já se despedira,
uma leve brisa afagava meus braços...
Estava pronta para voltar.
(Nem ontem, nem amanhã)
Já escrevi meu desfecho - quero que figure,
mais ou menos assim, no epitáfio:
"Se eu morrer amanhã, que não chore minha
irmã, que não lamente o salgueiro triste,
continue cantando sabiá-laranjeira do
quintal, voe alegre arara-azul, vergue no
vento paineira da praça, filhos voem na vida
o seu caminhar, parceiro não lamente, vou
contente, pois se eu morresse hoje, agora, a
data da minha partida já estava prevista no
livro da vida, e a luz do amor romperia o
véu da tristeza..."
Epílogo
Uma brisa amaina as horas do sol
que deixa tudo na cor bronze.
Os olhos secos e poeirentos
com força e vigor brilham na face
vincada pelo tempo.
Tempo inclemente,
dia a dia esconde o semblante.
E nos rostos dos passantes procuro uma
imagem,
perdida, vaga, farsante,
mas ainda em minha mente.
Lembranças que se esvaem no negrume do vácuo
do silêncio que ameniza as verdades...
Nesta vida tudo é questão de tempo,
nos diferentes tons de branco-saudade.
Escrevo meu epílogo.
Jogo fora os " eus " que carrego.
Sou tantas e são tantos os meus " eus “
que já não os quero, nem recordo.
Eu no espelho vejo
eu-viva,
eu-morta
eu-anônima,
eu-passado;
eu-paixão;
eu-grotesca;
eu-funesta;
eu-arrogante;
eu-errante;
eu-passante, cega, pedinte,
Nenhum eu especial....
Todos a deriva, meus e pequenos " eus"
presentes e presos no meu grito,
escancarados, esparramados, encurralados "
eus ",
eu-sem-saída, trágico epílogo,
eu-sem-final...
Leiam os versos e prosas de nossos
escritores sobre o tema.
Delasnieve Daspet (Luna)
www.delasnievedaspet.com.br (referendado pela
UNESCO)
www.pantanalms.tur.br (referendado pela
UNESCO)
www.lunaeamigos.com.br (referendado pela
UNESCO)
http://br.egroups.com/group/LunaeAmigos
www.ebooklunas.com.br
www.onlinebook.com.br
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E SEU EU MORRESSE AMANHÃ?
Cássia
M. Silva (KaKá)
Viveria como vivo e veria o que ainda
não tenha visto
Sorriria francamente mas com amor e
não por sorrir
Sonharia com o futuro mas como se
fosse o presente
Dormiria menos e acordaria cedo pra
ver o sol nascer
Falaria com desconhecidos como meus
amigos
Reencontraria antigos amigos como meus
irmãos
Ajudaria necessitados como se fosse
meus filhos
Morreria feliz pois a minha vida só
recomeça

*******
Marília
Bechara
morrerei sim não há como escapar.
estando viva já perdi queridos:
há seis dias a IÁRA, minha mana,
mais nova, bonita, seus dias vividos,
sofridos, seu tempo vencido,
feneceu...
não importa o dia, hora em que
partirei.
quisera apenas rever meus amados,
saudade daqui certamente terei.
o que me assombra em grande tormenta?
o não conhecer o que virá se vier...
se amo meu corpo, minh'alma lamenta
lamento certeza única que me aguarda,
destino humano a qualquer quebra da
estrada.

AH! SE EU MORRESSE AMANHÃ...
Penhah
Castro
Se eu morresse amanhã
morreria apressadinha
porque tenho tanto a realizar
e, pouco tempo para tudo arrumar...
Teria que por em ordem meu querer
para comigo levar
todo o amor, a paixão
que trago no meu coração...
Ainda não vivi o meu amor sonhado
Ainda não realizei o meu sonho mais
sonhado
Ainda não mergulhei dentro do meu amor
para sentir como sentem
todos os amantes que vivem
um amor alucinante
que se diz poder morrer
dentro de tanta felicidade...
Quero tempo necessário ter
para enroscar-me em sua vida
e, sentir que o meu tempo
que se tornou infinito
pode ali mesmo acabar...

*******
Belvedere
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Quando uma pessoa se vai,
inesperadamente, seja através da morte ou
por voltas que a vida dá, muitos se deparam
com a consciência gritando em desespero:
"Por que não disse o quanto era importante
para mim? Por que me foi difícil elogiar
aquela gravatinha borboleta que ele
usava?Por que não disse a ela o quanto era
corajosa por cada mês aparecer com o cabelo
de uma cor? Por que nos calamos e omitimos
nosso bem querer?"
Sinto muito, mas não faço parte desse time.
Sempre fui efusiva, de dizer "te amo" aos
que realmente amo, elogiar as qualidades, e
até os defeitos pequeninos das pessoas,
defeitos esses, que, no fundo, têm seu
encanto.
Por isso, quando alguém se vai, sempre estou
em paz comigo mesma. Nunca sinto o remorso a
corroer minhas entranhas. Fica, e forte, uma
saudade boa!
Sempre gostei de exercitar o amor, nas suas
mais variadas nuanças.
Lembro-me de um fato ocorrido há muitos
anos, quando eu ainda era uma mocinha, cheia
de sonhos com finais cinematográficos.
Apaixonada por Edson Alvarenga, e não sendo
correspondida, tive uma briga feia com ele,
prometendo a mim e a todos os amigos que
jamais voltaria a olhá-lo. O mundo parecia
que havia ruído, tamanha a minha dor! Meus
olhos viviam inchados e eu a dizer : - Mil
vezes a morte!
Os anos passaram. Numa tarde de verão,
caminhando no calçadão da praia,
encontrei-o. Fiquei tão feliz que não me
contive e abracei-o, falando da minha
saudade. Vibrava com o encontro! Havia,
ainda, amor dentro de mim, porém diferente,
mais amadurecido, sem possessividade Fiquei
em estado de graça com a felicidade do
amado. Como estava belo, risonho como nos
velhos tempos! Havia casado e tinha um casal
de filhos, me contou cheio de orgulho.
Fiquei absurdamente feliz com a felicidade
dele.
Poucos meses depois, soube da partida de
Edson, vitimado por uma terrível forma de
leucemia, aos vinte e cinco anos.
Fiquei em paz. Na minha concepção, partira
com as asas íntegras, pois eu não as havia
ferido naquele último e inesquecível
encontro na orla. |

E SEU EU MORRESSE AMANHÃ?
Francisco Coimbra
Ficaria a saber o resultado da vida?
Com esta dupla interrogação agora
Posso esperar esse amanhã depois...

E SE EU MORRESSE AMANHÃ?
Paulo
Izael
|
Hoje, escolhi o meu
melhor terno, a brilhantina enfeita os
negros cabelos esvoaçados. Estou preparado
para enfim, selar minha união com o meu
eterno amor. Lustrei as alianças, caprichei
no ornamento da igreja. Verifiquei com
detalhes, cada item pendente! Meu coração
hoje sorriu para mim maravilhado. Os
pássaros, nesta manhã, parecem saber que
amanhã estarei me despedindo deles, mas, não
estão entristecidos, mostram alegria no
evento do matrimonio e me saúdam numa
encantadora flexão de asas. Hoje, eu sinto
que a felicidade me abraçará amanhã. E se eu
morresse amanhã? |

*******
Helena
Armond
assim seria se ...eu
morresse
amanhã...
advento adversário
e necessário-ponto.
poemas mudos óbvio advir
pessoas assim assim dizendo
nossa! como ela era estranha
engraçada
bem humorada
ridiculamente otimista
realista...e crítica...
um tanto agressiva
outro tanto artista
plásticos
eventos
e...
ordem aos sinos ..nesse dia
que nada me acorde !!!
essa jornada é finda
estou indo ao primeiro vento
que transformarei em ventania

SE EU MORRESSE AMANHÃ
Lisieux
Se eu morresse amanhã
muito feliz eu seria
e voaria, com afã,
para o céu, sem nostalgia.
Porque morrer, todos vão
mais um dia, ou menos dia...
e o meu pobre coração,
de descansar, gostaria.
Na terra sofremos tanto!
De morrer não tenho medo.
Ao contrário, não me espanto
se desvendar o segredo:
Que a vida que nós levamos
é a morte, que tememos...
E a morte, que abominamos,
é a vida que nós queremos.

SE EU MORRESSE AMANHÃ?
Maria
Ivone Pandolfi
Levaria comigo o sabor de ter vivido
A intensidade de cada momento.
Levaria a delicadeza das lembranças
Que acalmam e não machucam.
Levaria a inocência da criança
E a sensualidade da maturidade.
Em minha bagagem caberia
Todo o amor do mundo
E naqueles cantinhos escuros,
escondidos,
Colocaria as mágoas, as decepções
De alguns amores, de alguns amigos.
Levaria roupa leve e colorida
E também óculos escuros
Pois espero encontrar muita luz.
Se eu morresse amanhã
Teria enfim a grande certeza
De que não seria um fim
Mas um recomeço.

SE EU MORRESSE AMANHÃ
Zélia
Balbina
Se eu morresse amanhã
levaria sua imagem gravada
em minhas retinas
na pele, seu cheiro inconfundível
na alma, as marcas do nosso amor
Se eu morresse amanhã
meu ser se libertaria
das amarras do destino
e alçaria vôo ao encontro
do desconhecido
onde certamente
esperaria por você
Se eu morresse amanhã
comigo iria apenas
os momentos de felicidade
os prazeres
e as alegrias que aqui vivi
não teria espaço para as
dores e as tristezas
pois com elas,
pude dimensionar a felicidade
de poder contigo viver!!!

*******
Marília
Bechara
inexplicável a despedida.
de uns tempos para cá,
dei de despedir...
que dor maior haverá?
importante demais,
somos obrigados a realizá-la.
o sabor é o doído da saudade...
quando comecei dar meus adeuses,
mudou-me a vida.
topei de cara, nova era.
os meus que começaram a partir
apesar do sentimento e dor,
vi que seguiram, se foram mesmo!
momento que não tem explicação,
de maior importância:
divino, real, nosso destino.
há os até logo,
prefiro e os adoto como meus,
mesmo quando eu me for!
quem não sabe deixar quem vai,
não dá licença, segura, quer prender,
guarda no peito aflição danada:
desumana carga para prosseguir!

MINHA PARTIDA?
Day
Moraes
Que pergunta descabida,
eu faria a mim mesma:
Quantas coisas gostaria,
de fazer ante a partida?
Ah...se fosse permitido,
conhecer meu passamento,
gostaria de cumprir, livre e leve,
este momento...
Gostaria que um sorriso,
fosse marca no meu rosto,
e mostrasse todo gosto,
como um manuscrito, riso...
Que meus olhos não mostrassem,
quando haviam entristecido,
nem a tudo revelassem,
dos segredos não vividos...
Aos amigos que ficassem,
deixaria só lembranças,
todas boas, que contassem,
muito e além, as esperanças...
Deixaria para o Tempo,
como herança, os meus poemas,
versos soltos, sentimentos,
meus amores e dilemas...
E por fim, sem mais demora,
gravaria a minha lápide:
Fui, infelizmente, embora,
mas confesso, sem vontade!

E SE EU MORRESSE AMANHÃ?
Tahyane
Rangel
Sem aviso de despedida,
sem hora para a partida,
sem lágrimas e sem adeus?...
Saudades imensas eu levaria
das crias, amigos e família
que talvez antes de ir
faltasse o beijo de adeus
E quanto mais faltaria
apreciar o nascer do dia
o sol da tarde ao se pôr
o céu da noite em seu esplendor
o último banho de chuva
o cheiro da terra molhada
das lindas flores perfumadas
que só agora de lembrar
dá vontade de chorar
Será então que eu diria
meu Deus, deixa mais eu ficar?
Se eu morresse amanhã
agora não quero saber,
deixo a vida acontecer,
sem ver o tempo correr,
sem na morte certa pensar.
Nesta fúnebre poesia,
digo apenas com certeza
a qualquer dia que se morra
por mais que a hora se adie,
ficará um muito incompleto,
um muito por terminar.
E o que mais há de faltar?
Afagos, sorrisos e lágrimas.
Saudades ah... vão transbordar!
Será que dá para voltar?

SE EU MORRESSE AMANHÃ
Lara Cardoso
Hoje, olharia mais demoradamente para
as crianças...
Me deteria em seu olhar,
esqueceria as dores,
trataria de limpar as lembranças,
plantaria outras flores...
Ia me lembrar de mais amar!
Se eu pudesse escolher
uma data para morrer,
nem deixaria para amanhã...
Iria um pouco mais cedo,
morreria de medo
de passar a vida vã;
Tudo eu faria...
No final de todas as horas,
a paz eu buscaria
e, aqui a deixaria,
quando tivesse que ir-me embora

NUNCA SE MORRE...AMANHÃ.
Luiz Poeta - Luiz Gilberto de Barros
|
Se eu morresse amanhã, seria
inevitavelmente de saudade...
E eu não morreria sozinho, iriam comigo,
silenciosas, as memórias de todos os
momentos felizes que tive e as pessoas que
amei e que me amaram sem compromisso e sem
cobrança - simplesmente por se perceberem no
brilho do meu olhar e diluírem seus olhos
nos olhos do meu espírito mais sublime...
Se eu morresse amanhã, uma terna
perplexidade se diluiria nas asas do meu
silêncio e o meu mais lírico amor se
soltaria do meu corpo como um pássaro de
asas leves e ficaria pairando solene e
afetuoso na terna lembrança das pessoas mais
sinceras, mais amigas, mais irmãs do meu
amor.
Ah... se eu morresse amanhã... milhares de
versos inacabados acetinariam meu leito de
saudades, com a suavidade das pétalas mais
macias e com a essência das flores mais
inebriantes... minhas canções ecoariam
tímidas e cada uma de suas notas musicais se
soltaria como gotas de orvalho diluídas em
lágrimas sobre rostos magicamente
sorridentes...
Se eu morresse amanhã... morreria comigo a
ternura mais cativante e mais sincera, de
cada um dos meus irmãos e irmãs de lirismo e
sentimentos... porque o seu amor mais
delicado se soltaria nos mais ternos abismos
do meu amor...
Então, ressuscitar-me-iam, inevitáveis, o
respeito dos mais velhos, a energia dos mais
jovens e a incontestável a pureza dos mais
sublimes, porque... de tudo que se deixa,
sempre fica um pouco, nem que seja um
restinho delicado... de saudade. |

MORRER AMANHÃ
©Sicouza
É, se eu morresse amanhã
com certeza,
não estaria preparado
para a jornada...
Se eu morresse amanhã
talvez alguém choraria,
Será?
Se eu morresse amanhã
deixaria tudo e todos aqui
os sonhos feneceriam,
os planos se encerrariam,
alguém choraria...
Será?
É, se eu morresse amanhã
não mais teria
o seu no meu olhar
não veria mais a orquídea
lá da sacada florir
e também não mais teria
sua mão na minha deslizar
É, se eu morresse amanhã
não perceberia tristeza
ou alegria vazando do seu olhar...
Será que iria chorar,será?
Se eu morresse amanhã
não escreveria poemas de amor,
não criaria intrigas,não daria
alegrias
não chatearia você cismando
dos olhares onde o seu poderia pousar
Se eu morresse amanhã
certamente lá de onde estivesse
saberia quem conseguiu me amar...
E também veria quem por mim chorou...
Será?

INTERNET TAMBÉM MATA...
Leda Galvão
Dedico a Cláudio
Ferrari Righi, da Academia Taubateana
de Letras
|
Olhou no celular. Dia 13 de outubro.
Meia-noite. Já ia desligar o computador, mas
lembrou que, no dia seguinte, terminaria o
prazo para escrever sobre o tema do Luna´s:
"E se eu morresse amanhã?"
Nossa! A lista de coisas que teria de
colocar, excederia todos os bytes possíveis
e imagináveis. Afinal, só de livros
engavetados, tinha um punhado. E os
passeios, as cidades que ainda desejava
conhecer?
Aí teve uma idéia maluca: faria de conta que
isso iria mesmo acontecer.
Se tenho de ser encontrada morta, pensou,
então vou caprichar. Escolheu entre as
camisolas, a mais linda. Fez maquiagem e
olhou no espelho. A imagem que ele lhe
devolveu, deixou-a satisfeita. Havia mais
umas ruguinhas que desejaria ter, mas os
olhos! ah! os olhos! ainda tinham o mesmo
brilho intenso de sua juventude.
Pensou em escrever seu testamento. Desistiu.
Seria divertido ver do outro lado, a
trabalheira da turma lendo e dando fim na
sua papelada, sua "coleção de ácaros", como
dizia seu filho. E as bijuterias? Tinha uma
montanha delas, todas presenteadas por
amigas em seu aniversário e no Natal, pois
sabiam que esse era o presente que mais
gostava de receber. E os bibelôs? E sua
coleção de ursos?
Como o sono já estava chegando, como
inspiração, resolveu ler as mensagens que
recebia de seu maior amigo internetiano.
Imprimia todas e... nossa! lá estavam elas
em sete pastas. Resolveu pegar a sétima e
ler a última mensagem recebida.
"De 20 em 20 anos os nossos corpos deveriam
soltar estrelinhas multicoloridas por alguns
segundos para nos alertar que já cumprimos
uma parte de nossa jornada por esse mundo de
Deus"... "E a cada 20 anos passados, esse
espetáculo pirotécnico ficaria cada vez mais
intenso". ... "O embarque dessa para outra
vida dar-se-ia à meia-noite em ponto, e
teríamos tempo de oferecer um banquete de
despedida aos parentes e amigos e, ao
aproximar-se o derradeiro momento, nosso
corpo daria um espetáculo luminescente e as
pessoas presentes notariam que o nosso corpo
iria ficando cada vez mais transparente.
Assim caminharíamos em direção à porta até
que, de repente, o nosso desaparecimento se
daria por completo em meio de acenos de
adeus".
Eureka! ela gritou. Correu para o computador
e teclou até o ponto final. Daí olhou
novamente para o celular e respirou
aliviada. Já era bem mais de meia-noite.
Estava livre. Imprimiu o que escrevera e
desligou a internet.
Dormiu e não mais acordou. Encontraram-na
agarrada ao seu ursinho de pelúcia predileto
e, em uma das mãos, o papel todo amarfanhado
com o conto impresso. Todos que a viram
depois, comentavam sobre uma luminosidade
estranha que havia em redor de seu corpo. E
nas pétalas das rosas vermelhas que a
enfeitavam - ela adorava rosas vermelhas -
apareciam pequeninas gotas que brilhavam
como se fossem pequeninas estrelas
multicoloridas. |

E SE EU MORRESSE AMANHÃ?
Susana Mendes
A morte é uma passagem!
Tenho por conceito que,
Aquele lá do alto,
predestinou-me em algum momento do meu
viver,
o meu retorno à outras esferas!!!
O dia certo, a hora exata
e até mesmo em sua forma,
em como ela nos acomete!
E assim será dado o meu alçar vôo à
outras dimensões!!!
Mas... por esta existência,
aqui neste plano,
constituí uma família,
laços afins,
pessoas que me são tão caras que,
confesso,
se eu morresse amanhã....
ah... Como ter em mim
e até com naturalidade tal pensamento,
se a meu ver,
o fluxo do meu viver,
ainda tem muito a ser seguido,
muito a se completar?
A morte mesmo assim esperada,
pelo simples fato de se dizer,
- " E se eu morresse amanhã" -
surpreenderia-me porque,
eu ainda não concluí o que esperava!
A vida, pra mim, é um espaço de um
tempo
que me foi dado para que eu pudesse
dar conta de mim junto
às pessoas que o destino me
encaminhou!
E se eu morresse amanhã?
ah... pobre de minh'alma,
pobre dos meus,
dos meus entes queridos,
aqui na terra, consangüíneos,
que só pelo fio etéreo da saudade,
estariam ligados em mim!
Portanto... Não, não me tome assim,
leva-me na derradeira hora pois que
dentro de minh'alma
trago fome e sede de vida!
Ah... se eu morresse amanhã....
Acredite-me,
seria uma fatalidade,
e até meu espírito se sentiria
assustado e impotente,
pois que és tu ó morte,
que no meu dia a dia me faz ,
além de acreditar,
desafiar e refletir
em meus mais novos horizontes!

SE EU MORRESSE AMANHÃ
Vilma Duarte
|
Só, no ninho companheiro e
aconchegante, nesses dias de começo de
chuva, aqui nas Gerais, reflito sobre os
homens e suas eternas cabeçadas de não ser
feliz.
O tempo vai se embora indiferente, incólume
aos acontecimentos, mostrando que a tristeza
não é do mundo, e sim mais uma carga pesada
a carregar no sinuoso curso de viver
Se o mundo caísse na fossa, o bem-te-vi
amigo não faria o seu show matinal na minha
janela depois que o sol preguiçoso se
levanta, as flores não desabrochariam em
ramalhetes coloridos de primavera, e nem as
milhares de estrelas me piscariam cúmplices
com recados lá do céu.
Se o homem fixasse os olhos no esplendor da
criação... veria que o seu semelhante, com
olhos de amor, poderia ser a Beleza
Número-Um.
Custa nada dar-se conta de tamanha dádiva e
dizer: - Eu te amo - em vez de trancar os
sentimentos a sete chaves.
Sorrir, abraçar e beijar o pai carrancudo, a
mãe apressada , o filho difícil ou afável, o
amigo presente ou desligado, o amor da hora
e da vez ...
Como! É fraqueza libertar as emoções.
Pura sandice adiar os projetos de felicidade
a dois ou com a humanidade.
Por que não saldar as contas dos
desentendimentos , cumprir os compromissos
da felicidade, desamarrar a cara e o
coração?
Nesse tempo de voltas e reviravoltas no
poder, vigiar e repensar é preciso ,antes de
espoliar também recursos duramente,
estocados.
Urge reavaliar decisões, conferenciar com a
prudência, acalmar impulsos desastrosos e
dar-se conta que o amanhã pode não ser para
todos.
É temerário gastar o hoje inteiro, talvez
plantado em pernas trôpegas de um ontem mal
vivido, apostando todas as cartas no amanhã.
Só não vale economizar o amor.
Ele recicla, consola, e salva em qualquer
uma das suas dimensões milagrosas.
Duvida? Gente morre e o amor fica.
O verdadeiro é sensato, enfrenta a
realidade, faz pensar a longo prazo e ensina
a quem ama: o tempo de estar por aqui é
obscuro e deve ser "gasto" com os cálculos
corretos de ser feliz.
Responde com ou teus recursos humanos:
De quem é o amanhã ?
Se eu me fosse no amanhã de ninguém,
enfrentaria o desconhecido corajosamente,
feliz.
Plena, de ter poetizado e vivido cada
instante intenso, na graça de ter vindo à
Luz. |

QUANDO EU ENTRAR EM FÉRIAS
Celito Medeiros
Quando eu entrar em férias...
Não penso fazer isto tão logo,
não sei quando o logo vai chegar.
Então tenho que me precaver,
assim poder algo escrito deixar.
Quando eu entrar em férias...
Penso já ter deixado um bom legado,
por certo nem tudo será por todos
bendito.
Não pelo meu dizer, mas por ser
avaliado,
neste mundo danado, de tantas
enganações.
Quando eu entrar em férias...
Muitos já terão entrado e outros para
entrar,
aos que comigo estiverem, estarão no
mesmo barco.
Alguns podem ter ido antes de seus
desejos,
outros não tinham nada mais a desejar.
Quando eu entrar em férias...
Espero que tentem comigo um contato,
Basta intencionar mentalmente com
algum tato.
Muitos deixaram mais do que apenas
esperança,
e mesmo nesta dança, também procurei
deixar.
Quando eu entrar em férias...
Haverá quem possa reler este poema,
feito com a mais pura gema.
Então aos aqui ainda viventes,
não serem tão reticentes...
Quando eu entrar em férias...
Eu gostaria de reencontrar os amigos,
Afinal, estes sempre se reencontram.
Será o momento de se reconhecer,
dos tantos tempos e de tantos viver.
Quando eu entrar em férias...
Gritem por quem desejarem encontrar,
mas eu também estarei por lá.
Prometo que estarei atento,
para saírem de qualquer desalento.
Quando eu entrar em férias...
Estarei cumprindo mais uma etapa,
por ter sido minha missão escolhida.
Nada estará terminado, será o começo,
antes que haja tropeço, darei meu
recado.
Quando eu entrar em férias...
Por favor, não esqueçam esta leitura,
afinal esta é minha própria jura.
Conter o conhecimento esperado,
para aqueles que estiverem sem corpo.
Quando eu entrar em férias...
Estarei trabalhando muito mais!

SE EU MORRESSE AMANHÃ...
Sônia Maria Grillo (Baby®)
Se eu morresse amanhã
Certamente eu nem atinaria
Eu seria envolvida nos raios de sol da
manhã
Pois a morte, sem aviso prévio, me
chegaria
Com certeza, todos os pássaros
Continuariam com sua bela sinfonia
Acordando a vida e é claro,
O dia normalmente, transcorreria
À tarde, os muros que circundam os
jardins
Continuariam manchados com a luz do
sol de verão
E quando a noite chegasse, enfim,
As estrelas e a lua brilhariam na
negra imensidão
Acordes suaves de canções se
espalhariam
Anunciando o fim do dia
E os meus amigos se ajoelhariam
E me dedicariam preces ao som da
Ave-Maria
Eu seria apenas uma recordação a mais
Na mente daqueles que por mim sentiram
amor
E com certeza, não se esqueceriam
jamais
Que vivi plenamente os meus momentos,
com ardor
O tempo passaria, como tudo nessa
vida,
E eu, já no descanso da eternidade,
Seria apenas uma lembrança querida
Um misto de sombra e saudade!

E SEU EU MORRESSE AMANHÃ
Ido Borges
Se eu morrer amanhã,
minha missão estará comprida
foram bons e mais pedaços
passei por tudo na vida
quantos riscos quantos traços
quantas coisas pude ter
nem tudo foram flores
e isso eu sei
mas os meus amores
eu guardei

E SEU EU MORRESSE AMANHÃ?
Marineide Miranda
Se eu soubesse que morreria amanhã
Viveria cada minutinho das horas que
me restassem
Beijaria todas as pessoas que amasse
Tomaria todo o café que pudesse
Fumaria muitos cigarros
Abraçaria árvores e pessoas
Beberia muita água e me banhava em
cachoeiras,
rios, cascatas, banheiras, chuveiros,
mangueiras...
Ouviria as músicas que mais amo
Telefonaria para quem não estivesse
por perto
Andaria descalça na areia, na grama,
na terra...
Não levaria daqui mágoas ou tristezas
Levaria somente carinhos, amizades,
amores, ternuras e saudades
Numa despedida muda cheia de risos e
lágrimas
Teria a certeza de que vivi o que
podia, fiz o que achei que devia
Sonhei o que podia e o que não...
Hoje, sem demora... Vivo cada momento
como se fosse o último.

*******
Auri Costa
Se eu soubesse que não mais te veria,
aproveitaria o dia de hoje até o
ultimo segundo.
Dançaria pelas ruas, gritaria o teu
nome
daria os mais loucos beijos. Faria de
você a
pessoa mais feliz. Pediria perdão
pelos
os meus erros. Deixaria uma lágrima
cair,
guardaria como prova desse amor.
Se eu soubesse que seria nossa última
noite,
apagaria as marcas deixadas, te daria
a liberdade sonhada. Se eu soubesse
que
seria o teu desejo, arrumaria um jeito
de voltar outra vez para viver com
você.
Viveria diferente, talvez eu seria
menos
exigente.

FRENTE A FRENTE COM A MORTE
Sueli do Espírito Santo
Se no dia de amanhã eu morresse
oraria ao Senhor que graça me
concedesse
mesma sensação naquela real vivência
vinte e três dias desenganada pela
Ciência.
muita calma, sem temor e tranqüilidade
até mesmo paz, enfrentando a morte
esperar ou esperar, mas com serenidade
divinamente me sentindo muito forte
com a morte não entraria em discórdia
pois perante ela sou indefesa
mas, do Senhor, esperaria misericórdia
pela fé, Ele me daria com certeza
de minha vida faria minuciosa
retrospectiva
me confessaria e a todos pediria
perdão
sentindo-me mais leve com a
expectativa
de lá, no além, ganhar um bom galardão
aos entes queridos, tentaria meu
melhor sorriso
com todos unidos, daria muito amor e
carinho
como se estivesse em um lugar como o
paraíso
só luz, sereno, onde ninguém fica
sozinho.

E, SE EU MORRESSE AMANHÃ?
Anna Paes
Hoje acordei cedo com o telefone
tocando!
Atendi:
Alô!Sim, sou eu.
Anna, mamãe morreu!
Meu Deus, eu quase enlouqueci
A minha amiga, poucos anos mais velha,
morreu.
Semana passada estávamos ali, rindo
juntas,
Falando dos filhos!Brincando!
Passei o dia todo encabulada com
aquilo!
Aquela notícia primeira
Deste sábado, foi crucial e me fez
refletir!
E se eu morresse amanhã?
Será que eu teria feito tudo conforme
combinei com Ele,
De um dia fazer?
Será que não deixei ninguém magoado
comigo?
Será que me lembrei de agradecer a
todos pela amizade
Pela dedicação, pela mão estendida?
Se eu morresse amanhã,
(Alguém ligará aos meus amigos e dirá:
Mamãe morreu!),
Eu nunca saberia se não deixei você
magoado comigo!
Por isso, este é o momento, eu te
peço:
Perdão se falhei!
Perdão pelas loucuras!
Perdão se não estendi a mão em hora
certa!
Perdão se não pude ser quem você
esperava que eu fosse!
Então, se eu morrer amanhã, saiba:
Tudo que fiz, fiz por amor e com amor
Pensando que era o correto

*******
Belvedere
E as pessoas partem
tão inesperadamente,
sem nenhum sinal.
Fica apenas
o sabor amargo
do não dito,
e a certeza plena
do nunca mais.

SE EU MORRESSE AMANHÃ
Mellíss
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Se eu morresse amanhã, levaria comigo
uma caixa de relíquias...
Guardaria a paz de um novo dia clareando
branco e calmo, algumas aves migrando lá no
alto, passando em bandos silenciosos...
Restaria o vento tocando levemente a ponta
dos galhos forrados de folhas verde-musgo, o
perfume da terra subindo do jardim, entrando
pelas janelas semi-abertas...
Ecoariam os sons naturais do amanhecer que
desperta a vida, o cheiro do café
fresquinho... (- Ah, que saudade da
algazarra dos passarinhos!).
Cintilariam estrelas na imensidão cor de
ébano, flutuariam barquinhos feitos de
nuvens amarelas, rosas, pálidas e
vaporosas...
No meu olhar, o olhar daqueles que me
amaram, daqueles a quem amei...Toques,
preciosos carinhos, sonhos, palavras que
ficaram na memória e, principalmente aquelas
que nunca foram ditas... (- Ah, que vontade
de pendurar no varal todos os sentimentos!)
Se eu morresse amanhã, tudo ficaria
interrompido, porque não há como preparar
antecipadamente a vida. A cada dia é dada
sua dor e sua parcela de alegria...
Ah, que saudade eu teria de mim mesma e de
todas as coisas que, com certeza, eu ainda
faria...
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MORTE
Delasnieve Daspet
Morrer...
Morre-se então?
Não creio!
Para mim a morte é apenas um instante
da vida
presente em todos os momentos...
A morte não dirime o amanhã,
nem as dificuldades...
Transfere-as, é o que penso.
Na passagem da vida para a morte
os problemas se mudam
para outro prisma, outra realidade.
Se buscas a morte para a fuga - pare!
O único a fugir na morte é o espírito
- ave cativa - que deseja partir!
Morrer não é desaparecer.
Ela não é fim nem meio,
é passagem.
E como um momento distante
de um relacionamento, quando já
desgastado
o verniz externo, desnudando a pessoa
frente a ti, mostrando a pedra
calcinada
que se gerou e se conserva - como o
escorpião que sucumbe ao veneno
que carrega!

SE EU MORRER AMANHÃ...
Neli Neto
Se eu
soubesse um dia
que iria morrer amanhã
desde cedo começaria
a preparar minha viagem
de um jeito bem pomposo
que tivesse a minha cara.
De convidados, os amigos,
não os ocasionais,
mas os que sempre estiveram
permanentes, em todo tempo,
caminhando lado a lado.
Aqueles que me cederam seu ombro
para escutar minhas mágoas
os que se tornaram um porto
no atracar minha carcaça.
Aos desafetos o perdão
num esquecimento do mal.
Faria um lauto banquete
regado a cerveja e churrasco.
No fundo, um arretado pagode
formando a alegria geral.
Abraçaria um a um
mostrando agradecimento
selando a grande amizade
que existiu por todo o tempo
da vida que tive na terra
e o seu entendimento.
Nada de choro e nem velas
eu quero na minha partida.
O que foi feito está feito
sem ter arrependimentos.
Quero sair desta vida
da mesma forma que entrei
em cantos de primavera
encerrando uma colheita
que só foi feita pro bem.

Edição: Neli Neto
22.11.2005
Música: Dolannes Melody
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