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Queijos&Vinhos&Fondue&Poesias

 

Inverno no Brasil...

Este ano até que fez um bocado de frio em algumas regiões.

Neve caindo... que imagens lindas acompanhamos pelas TVs... Graças a Deus, aqui em Campo Grande-MS, faz frio, mas nem tanto...

A sugestão da lunática Luiza C. Albuquerque, a Agatha-JF - veio acender o nosso lúdico... e por que não fazer poesia ao som de uma boa música, um bom queijo, um vinho de boa safra e uma fondue?

Lançamos a idéia e a sugestão para poetarem uma noite de vinho, queijo, fondue ao lado de sonhos e amores...e, é claro, sabíamos que a boa poesia, prevaleceria, sempre!

E, eis aqui o nosso ACONTECEU - espero que as receitas, as imagens, a neve, e em especial, as prosas e versos te proporcionem belos e únicos momentos de Amor!

Delasnieve Daspet( Luna )
www.delasnievedaspet.com.br
www.pantanalms.tur.br
www.lunaeamigos.com.br
http://br.egroups.com/group/LunaeAmigos

O INVERNO...

VINHO TINTO, CINCO QUEIJOS,
PASSADO, PRAZER

Delasnieve Daspet

Fogo crepitando,
vinho tinto, temperatura certa,
fondue de cinco queijos,
você distante de um beijo,
e eu brincando de roleta russa!

Preparei os queijos:
Gorgonzola, Roquefort, Chamois Bleu, Crem´Azur,
Pra dar o toque coloquei, também, o Parmesão,
O vinhos indicado é um tinto encorpado,
O azeite do mais pura estirpe,
E o pão
(companheiro tanto do queijo quanto do vinho)
Acendi a lareira,
Pus-me a espera.

Lambuzada dos sonhos,
Do fogo que acendi,
Faço-me florir em suave cetim
Eternizando este momento
Na chama que acende e acalma.

E recordo os vaidosos que li esta semana...
E a poeta sem rima e com cisma,
Pseudo-intelectual,
Como disse o tal professor universitário
(será que é mesmo e dai que seja?),
Ficará na dúvida de saber quem sou,
E isso atiça e diverte!

A esses tais aculturados e que infestam
O livre mundo do cyber-espaço
Na Contemporaneidade, na Arte e no Prazer,
E que sentem saudades das máquinas de escrever,
Digo: vade retro, professor,
O tempo urge, e, para quem fica na lembrança,
Já não existe espaço!

O mundo é ágil e colorido
Na ponta dos dedos que teclam,
O "noir" tão belo dos filmes dos anos 40 e 50,
Tão complicado e cheio de voltas,
Ficou para trás, retro!

Eis que chegas,
Abandono os pensamentos,
E te sirvo tinto e derretido,
No pão de meu querer!



BRINDES
Belvedere

Hoje, brindo
com vinho rascante,
um tanto incomum
em celebrações.
Horas de suavidade,
de borbulhantes...
Preciso voar
e sei, de antemão,
que meu vôo
é rasante.

*****
Roberto Passos do Amaral Pereira

Noite de inverno, na mesa, vinho, queijos e fondue.
Enfim, o nosso sonhado encontro..
Você chega num lindo vestido...
Seu caminhar encanta
Uma música , nossa dança.,nosso envolvimento alcança a lua.
Nesse lugar.a poesia não está nos versos
Mas no gesto e no universo do seu olhar.



Lábios voluptuosos
banhados
em vinho
sem pecado
nossas taças unidas
trocadas
no sagrado aguar bacântico


Zeca Pestana
"VINO VERITAS"

O INVERNO E A POESIA



GOSTO DE VINHO TINTO
Marineide Miranda

Gosto de vinho tinto seco
Acompanhado com queijinho
Com uma boa companhia
Converso até raiar o dia.

Se eu pudesse,
Eu bebia
Como não posso,
Como o queijo,
Converso e me embebedo de poesia.


*****
Aldo Cordeiro

Tecendo um final de tarde de inverno:
Uma garrafinha de vinho francês,
pacotinhos de amendoim e castanha de caju,
pedacinhos de queijo
e muito muito carinho.




POESIA TEMPERADA

Mellíss

O sabor do queijo estalando na língua,
o tinto escorregando na garganta,
o peito latejando de poemas,
os olhos sonhadores transbordando ...
Aromas misturados pela noite,
as mãos entrelaçadas sobre a mesa,
sabores entre beijos e perfumes,
e o frio, lá fora, a farejar ciúmes ...
Nós dois, a festa feita de um momento,
o queijo, o vinho
e o amor...
além do tempo.




FONDUE
Roberto Cursino de Moura

Lá fora um frio gelado, um vento cortante,
Aqui dentro, na mesa, sorrimos contentes,
O fondue na panela, nos aguarda, bailante,
O bom vinho da safra nos abre as mentes.

Da bandeja evola o aroma do pão italiano,
Na lareira a lenha estala, aquecendo o ar,
Suave ouve-se ao fundo um solo de piano,
Pela janela invade a sala a bela luz do luar.

É nosso momento mágico, de onírico enlevo,
De mãos enlaçadas e olhares que se cruzam,
De lábios sorridentes a cada naco de queijo.

Bem devagar, ao amor vamos dando relevo,
Já somos apenas, amantes que se endeusam
Trocamos a mesa por um abraço e um beijo!


QUEIJOS E VINHOS



O SABOR DO MEU CORAÇÃO
©Arlete Maria

Preparei delicadamente uma noite de sonhos
para nós dois, cuidei das flores
da toalha bordada por minha avó
amorosamente ofertada,
que ao se despedir presenteou-me...
dispus os guardanapos de linho branco finamente bordado...
imaginei que você gostaria das rosas champanhe
de cor delicada e matizes contrastante com meu sorriso
de felicidade... tirei a louça com borda de fio de prata
e arrumei cuidadosamente sobre a mesa,
para compor a harmonia do momento
busquei na adega o vinho requintado
que guardei para esta ocasião
um Cotê´s Du Rhone safra do nosso coração...
ah! sobre a mesa redonda ornamentei com variados queijos
e guloseimas cuidadosamente escolhidos
mas o sabor que aquecerá este momento será
um suíço bem maturado, sabor apurado,
a lareira acesa iluminará e decorara este momento divino
tudo envolvido a meia luz que desenha os sonhos
escritos e em performance, em monossílaba
um monólogo ensaiei para declamar
a poesia que embriagada de romantismo
eu fiz para presentear-te neste momento
de fino requinte, um perfeito casamento...




QUEIJO, VINHO E CIA

Gena Maria

Hoje fazemos um ano de namoro
Você se lembra como começamos?
Era uma noite fria e você me encontrou
em um clube da cidade com minhas amigas.
Ficou de longe meio sem jeito, só nos olhando
Ficamos também sem coragem de nos aproximar
Uma perguntando á outra:
- Para quem será que este gato está a olhar?
Foi quando saímos para dançar, que você se aproximou:
Ficou entre nós, dançando e sorrindo para todas
Eu meio sem jeito, por ter gostado muito de você,
afastei-me e voltei para a mesa.
Qual não foi minha surpresa, ao vê-lo se aproximando
Disse-me meio que sorrindo:
- Por que parou, não gostou de minha companhia?
Não é isto, disse-lhe, apenas estou cansada!
- Você quer que eu a leve para casa?
Aceitei e saímos pela madrugada fria!
Foi quando recebi um convite:
Tomarmos um vinho
e saborearmos um delicioso fondue,
num gracioso restaurante ali perto.
Não vimos às horas passarem!
A um gostoso som de piano,
tomamos um delicioso vinho
saboreando aquele queijinho derretido...
A noite foi pequena para nós!
Repetimos o programa várias vezes...
Aquele foi o inverno mais romântico que passei!
Música, queijo, vinho e um lindo gato como companhia!
Hoje ao completarmos um ano juntos
Estamos no mesmo restaurante comemorando
Com Queijo, Vinho e Cia




PROMESSA
Tahyane

Uma lembrança me vem de tempos longínquos.
Era uma noite de luar, o céu era de veludo e
milhões de estrelas davam brilho a esse manto
ornamentando-o com o seu cintilar.
Corria uma leve brisa e um perfume de jasmim
vindo da árvore em flor do jardim, impregnava o ar.
Na varanda a mesa posta, à luz de velas prateadas,
com diáfana toalha branca em filigrana bordada.
Das taças em cristal com vinho tinto francês
emergia o buquê que ao brinde convidava.
Olhando esta tela do tempo, vejo em clima romântico
um casal apaixonado.
Os olhos faiscavam de amor e paixão,
as mãos trocavam carícias trêmulas de emoção.
Uma rosa vermelha é ofertada a ela, e nesse momento
uma promessa é selada: "Nosso amor será eterno
atravessará todas as estações, tempos e eras."
Eles se beijam e ela aperta em suas mãos a rosa,
sem perceber que um espinho faz emergir
um filete de sangue.
E assim a vida selou essa promessa de amor
tendo por testemunhas a noite, o luar,
a rosa e o vinho tinto.
Muitos anos se passaram, viveram tempos felizes
e também muitos obstáculos e separações.
Hoje eles não estão juntos e ela ficou
com a lembrança da rosa vermelha.
O símbolo da vida com suas pétalas
de veludo e os seus espinhos.




O ENCONTRO

Inês Bicudo

- Que tempinho gostoso....

Lá fora, o anoitecer faz cair ainda mais a temperatura deste atípico inverno do Rio.

Da janela, Suzana observa o jardim, a grama ainda úmida pela chuva fina que teimou em cair durante todo o dia. Aos poucos, porém, as nuvens cinzentas vão se dissipando, o céu torna-se mais límpido, deixando que, finalmente, a lua cheia desponte, iluminando a noite da cidade.

Ao percebê-la, Suzana abriu um largo sorriso de felicidade, afinal estava preparando há vários dias a casa, o serviço de queijos e vinhos - que Ele adora! - , enfim, tudo para aquela noite tão especial. E, nada melhor que a lua para emoldurar com seus raios de prata o momento tão sonhado!

Ao longe, a atmosfera cheirava a uma deliciosa mistura de cravo e jasmim dos óleos aromatizantes, comprados especialmente para a ocasião e que, segundo a vendedora, tinham propriedades afrodisíacas.A trilha sonora de Djavan entoava baixinho ao fundo, completando o cenário.

Tirou o vinho branco da geladeira, separou duas taças, colocando-as sobre a mesinha em frente à lareira, já devidamente acesa. Com o olhar fixo na lenha que crepitava, lembrou-se de quantas noites passou ali, sentada, sonhando com aquele momento, ansiando por aquele encontro, que já não tinha mais esperanças de que acontecesse.....

De repente, o barulho do motor de um carro quebrou o silêncio. Neste momento, Suzana sentiu um leve arrepio a atravessar-lhe o corpo, o coração disparou. Enfim, Gustavo havia chegado!

Suzana mal podia crer que, afinal, depois de tantos encontros ansiosamente esperados e muitas vezes desmarcados,à última hora, aquela noite estava destinada a um encontro dos dois, a sós.

- Me abraça, Amor!! Me aperta......

Ainda no hall de entrada, já enlaçados um no outro, Gustavo interrompeu as súplicas da amada e, sem dizer palavra, beijou-a com sofreguidão, como se quisesse com urgência saciar o desejo de ambos os corpos, matar as saudades de ambas as almas.

Agarrado à cintura de Suzana, Gustavo puxou-a pelo braço e os dois se encaminharam para a sala. Com as mãos ainda frias do sereno lá de fora, mas ágeis pelo desejo, começou a percorrer o pescoço , as coxas e as curvas da namorada. Novamente, um arrepio cortou o corpo e alma de Suzana, e o desejo tomou conta dos amantes. Suas pernas subitamente amoleceram, como se já estivesse entorpecida pelo vinho, ainda fechado. Ela se deixou levar e os dois caíram ali mesmo, em frente à lareira crepitante, acariciados pelo tapete macio e felpudo, entre beijos, carícias e abraços.

Aconchegada entre os braços de Gustavo, teve a impressão de que o relógio havia parado, a Terra cessara sua rotação apenas para que pudessem eternizar esse momento de entrega do Amor e do Desejo.

E assim, o sonho materializou-se num instante mágico, há tanto ansiado, por tantas vezes adiado.Momento em que, despidos de seus disfarces, são agora apenas homem e mulher, livres e sós, num só. Hoje e para sempre. Tendo apenas os raios prateados da lua emoldurando a cena.

FONDUE



VIDRAÇA
lisieux

Por trás do vidro
olhos vidrados

inverno
frio
fondue...

vinho       
            verde
olhos       
             verdes

verdejantes pastos


*****
Nelim Monti

Olhos turvos
A chama do desejo crepita...
Lareira no arder das chamas
Alma vazia
Sonho encolhida de tristeza e frio.
Na sala sobre a mesa
Taças e vinho...
Queijo que esperava ser derretido
O tempo passa...
Minh'alma primitiva
Antes tranqüila, agora acesa a chama
de um desejo fugaz.
Desperto do meu longo e profundo desvairo
Pelo muito que te amei
É que transformo em versos
esta noite que seria de poesia,
vinho e fondue.


RITUAL DE ESPERA
Neli Neto

O céu escureceu em seu encanto
é o inverno que chega...

Sinto o frio em nossa cama
enregelando minha alma,
sinto falta da vida
que tinha junto a você.

Pensei, relembrei, vivi
todos os nossos momentos de amor.

Criei laços e os desfiz
deixando a saudade chegar.

Taças de vinho tinto,
nosso preferido manjar
fondue de queijo, no ponto,
estou pronta a te esperar.

A lareira ainda acesa
esquentando nosso quarto
no crepitar do fogo te vejo
correndo para os meus braços.

E o inverno mais uma vez se aproxima
fazendo-me viver do passado
do nosso amor tão puro e louco
dos nossos queijos e vinhos
meticulosamente inspirados.

Do aconchego, do carinho,
do dormir frente ao fogo, abraçados;
dos sussurros, das promessas,
das carícias sedutoras,
do perder-se em mil desejos,
só por estar ao seu lado.

A noite longa, bem fria
custa a passar por meus olhos
a dor de sua perda aumenta
causando-me um certo cansaço.

É amor meu, você partiu
sem tempo de se despedir
sem nem poder dar adeus
viajando no horizonte, no espaço
pra bem pertinho de Deus.

No ritual de espera me encontro
na esperança de que um dia
quem sabe? em outra galáxia
possa outro inverno viver
no calor dos seus abraços.

ÚLTIMO ATO
Carvalho Branco

Noite alta... É madrugada...
e as estrelas, da lua se esconderam...
entre as cobertas, me sinto resguardada...
Em cada canto, taças de vinho que beberam
meus pensamentos, a ti todos dedicados...
pratos de queijos, restos esfarelados,
roídos por ideais que se perderam...

Coberto por lençol e colcha,
enregelado corpo de poeta...
enquanto me treme a alma, roxa,
não de frio, mas de paixão secreta!...
Que me adianta do mundo me esconder,
se, ao leito, não tremerei no gozo do prazer,
se, de Cupido, em outro altar, quedou-se a seta?!...

Ah, pobre de mim, velha senhora,
antes, por mil homens cobiçada...
sem, entretanto, importar-me o outrora,
por apenas um, desejo hoje ser amada...
Esvaem-se os sonhos, alcançam as calçadas...
carícias vãs... ternuras ultrajadas...
Tal desamor, pouco a pouco, me degrada...

Hoje sou ninguém... e o meu verso
já perdeu compasso, acompanha a marcha
deste marasmo em que ficou imerso...
Neste meu rosto, um sorrir disfarça
a dor pungente desse teu descaso...
No abster-me de amor, nesta paixão me abraso...
Nas asas do vento, esta afeição se esparsa...

A solidão sempre foi o meu caminho...
Mensagens de amor em cada beijo,
lábios molhados sem ter sido pelo vinho...
O amor é néctar e sexo é... é queijo...
serve de isca, atiça o carinho...
Enamorados, dois amantes em seu ninho,
o amor total, completo... é o que sempre almejo!

Tempo passado, o presente é desalinho...
Nada me resta... resto de festa...
Fazer verso... beber mais taça de vinho...
a última, testemunha modesta
da dor que a saudade me imputa...
dizer adeus... sorrir... tomar cicuta...
Último ato... Boca de cena... Aplauso atesta...
Fecha a cortina... luzes acesas... Entra a seresta!...


OUTRAS RECEITAS SABOROSAS

AMOR E FONDUE
Sônia Maria Grillo (Baby®)

As taças borbulhantes
O brinde ao amor
O fogo reconfortante
Crepitando na lareira, sem pudor

As faces rosadas
Coloridas pelo vinho
As roupas espalhadas
O seu toque de carinho

Frio e chuva lá fora
Dentro de nós o calor da paixão
O fondue de queijo na mesa posta
Batidas descompassadas do coração

Momentos de ternura na pele nua
Palavras sussurradas com emoção
Lá fora a chuva continua
Aqui dentro, amor e calor de verão!

O  inverno chegou...
Estação de recolhimento,
de se pensar, de se sonhar...
Do aconchego gostoso,
do crepúsculo rosado.

Do encontrar os amigos
em reuniões salutares.
Dos queijos e vinhos,
das sopas bem quentinhas,
do fondue apetitoso,
do charme com o visual.

Do ficar juntinhos num abraço
sentados frente à lareira
aquecendo o seu romance
deixando o amor falar alto.

Do saber conscientemente
que após o cair das folhas
novos brotos sempre surgem.
É o renascer da vida
vencendo os nossos algozes.

Neli Neto

agosto/2004

Música: Blues

 
 
 


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