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VALOR DA DEMOCRACIA
Em 31 de março passado comemoramos 40 anos
do golpe que depôs João Goulart da
presidência da republica e inaugurou um
período que convencionou-se chamar de
ANOS DE CHUMBO.
Com Goulart encerrou-se a fase do
nacional-populismo. Com os militares
iniciamos o longo período e contexto da
guerra fria internacional.
No plano interno a instabilidade e a falta
de pulso do presidente (estes fatos lembram
outros que estamos vivendo, presentemente!)
- a falta de pulso do então presidente,
acossado pela direita e pela esquerda, um
governo fraco, sem respaldo e sustentação -
acabou deposto, o que veio iniciar mais um
período de autoritarismo em nosso País.
Nuvens negras cobriam nossos céus.
Nuvens pesadas.
De chumbo.
Eu tinha, na época, 13 para 14 anos. Oriunda
de fazenda. Muito cedo me interessei pela
leitura e pelo Brasil. No mato esse amor é
ainda maior! E cedo, muito cedo, alinhei-me
ao movimento que procurava realinhar,
rearticular, os movimentos sociais.
Filiei-me ao MDB. Era o número 17.
Cerrei fileiras com a história de meu
Estado. Bebi palavras, ensinamentos de amor
às nossas cores, valores de cidadania,
respeito ao meu semelhante com pessoas pelas
quais sempre nutri carinho e respeito:
Walter Pereira, Estácio Eudociak, Nalvo,
Juarez Marques Batista, Plínio Barbosa
Martins, Antonio Carlos de Oliveira, Plínio
Rocha, Wilson Barbosa Martins, e, tantos
outros, de cara memória!
E passou-se a buscar novos horizontes. Novas
posições. De partido único, o Brasil passou
ao bi-partidarismo. E assim ficamos até
meados de 1.980.
Diretas-Já! Era o brado que mobilizou o País
de Norte a Sul. Do mais recôndito sertão
vinha o pedido: DIRETAS-JÁ!
Quantas histórias guardamos conosco... Mas,
Diretas-Já! não deu certo.
Entre avanços e recuos - conseguimos
instalar em nosso País a mais livre de todas
as eleições. Candidatos de todos os lados.
De todas as cores e partidos.
Cabia-nos a salutar escolha.
E, ei-nos quebrando tabus!
Quarenta anos após os ANOS DE CHUMBO a
esquerda chegou ao poder.
Derrubamos mitos.
Fizemos história.
Somos a história.
A liberdade política instalou-se plenamente
no Brasil, mas a luta pela democracia
continua.
Temos de fazer com que ela chegue a
população.
O povo brasileiro é quem necessita viver
essa democracia.
Precisamos de paz social, economia estável,
crianças na escola, saúde, segurança
compatível; enquanto essas necessidades não
forem preenchidas, ainda estaremos em débito
conosco.
O Tema do ACONTECEU LUNA´S aí
estava... instei os amigos, poetas,
escritores, frasistas, (de todas as
correntes) - que nos dessem - na sua visão -
o que foi, o que ainda é, esse período.
Confiram os textos, participem deixando sua
opinião no Livro de Visitas, tudo ao som Pra
Não Dizer Que Não Falei das Flores de
Geraldo Vandré..
Este é o valor da democracia - estarmos
reunidos falando sobre nós, nossa história.
Delasnieve Daspet - Abril 2004
www.lunaeamigos.com.br
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INTRODUÇÃO

TENHO MEMÓRIA!
José Geraldo Martinez
Ah! Não vão fazer-me esquecer,
dos porões da ditadura...
Das sombras, tétricas clausuras!
Tão pouco dos gritos do endoidecer...
Onde estariam os carrascos?
Velhos apáticos?
Cobertos de cínico manto,
senhores de cabelo branco?
Coronéis de um tempo,
hoje vencidos...
Que haja um grito sempre,
despertando os esquecidos!
Que as marcas de sangue
não se apaguem dos tempos idos.
Que se rompam as ocultas
mordaças de um dia...
Que contemplemos as asas
do direito à democracia!
Quiçá ouçam os eternos gemidos,
perambulando por suas mentes!
Até que peçam a morte, clementes...
Não sou deste tempo, tenho memória.
Quiçá mofem todos,
nos porões da nossa história!

JOÃO
GOULART

À DITA DURA...
líria porto
os brucutus os abutres as aves de rapina
mancharam de sangue e excrementos o verde amarelo
e no céu azul plantaram medo e miséria...
nunca mais haja tortura
não chutais as nossas portas
não aprisionais os nossos sonhos
jamais comemos criancinhas
vós sim engolistes nossos jovens
exilastes nossos sonhos
plantastes a vergonha em nosso solo...
ainda clamo por justiça...

PASCOAL RANIERI MAZZILLI

A DITA...FOI DURA!
Rosy Beltrão
Ah! Época boa... antes,
durante e depois...
Com toda repressão
não deixei de crescer,
não deixei de sonhar
ou de sofrer.
Não posso dizer que não senti
não vi, não ouvi, não assisti.
A dita estava sempre no ar...
Sempre alerta,
com ares de quartel.
E, olha, naquela época não se usava
mais chapéu...eram quepes.
Eram eles, os coronéis
de farda, empinando o nariz
e lá se ia um,
salvo do tenente,
muitos,
foram por um triz.
Exilados, assustados
e, nada se podia fazer.
Filhos se foram, alguns nunca voltaram.
Ou porque acharam seus lugares no mundo
ou porque a sorte não lhes foi favorável
e tombaram em prol da luta inexorável!
Doando seu corpo ao ideal,
Não poderia haver dor maior para uma mãe.
Algumas, nem podiam se falar...
Tudo e todos eram inimigos.
Os amigos?
Uma vez ou outra sabíamos
de um ou de outro, mais velhos...
Eu?
Era ainda pequena, tinha só 10 anos mas,
já brigava por justiça.
Assistia às reuniões, às escondidas...
Só me deixavam espiar da porta
e eu no canto,
meio torta,
me espremia para ver e ouvir
tudo era às portas fechadas,
com direito a palestra
e, foto de Che Guevara!
A quem vim a amar
por tudo o que sonhava o Guerrilheiro.
Não tenho dúvida, se mais velha eu fosse...
estaria no mesmo lugar: de bandeira na mão!
Porque sonho,
ditadura nenhuma pode tirar!
Porque ideal é próprio dos justos
e, por eles haveria eu de lutar!
Amigos se foram,
outros se calaram
e, tudo que se fazia
às expensas da "nova ordem"...
O que sobrou...
ficou guardado, amontoado,
muitos em covas rasas,
em lugares desconhecidos
e, pobres indivíduos,
eram mais meninos do que homens
menos homens, agora falecidos.
Tinham um sonho,
hoje realidade!
Não tanto quanto queriam,
Não tanto quanto deveriam
Não muito quanto poderiam
mas, é finda a guerra!
São depostos, todos os postos
e nós, que sempre estivemos apostos,
estamos ora dispostos
a lembrar
para não mais errar,
a comentar
para que saibam todos
que ideal, é para ser vivido
em palavras ditas,
escritas, marcadas
todas elas por nossas atitudes.
Porque ninguém é o que é
só por suas palavras
mas, pelos fatos e atos
que faz ou deixa de fazer.
Ser responsável,
inexorável
em seus sonhos,
eles sobrevivem
mesmo sendo dura...a dita Vida!

REGIME MILITAR DE 1964

há um grande medo
pelo desencanto
e quebra da dignidade
tudo é exposto
exposição
até das vísceras
em podres jogos
que nos induz
a brutal realidade
em nome
da fera que habita o homem
====
e eis que nossa "Cultura"
mostra
no interior do nosso SUL
meninos tirando água do poço
acariciando o gado
pra que não tenham medo !
e um homem que se faz arado
na mais terna atitude
da dignidade e afinidade
homem / terra
nem tudo está perdido em "ondes"
em que haja algo a ser
salvo
em / por
homens
============
helena armond
04 /04/04 = 3
pai filho espírito
SANTO

MAL. CASTELLO BRANCO

PEDRAS SOBRE OS MORTOS
assis
Você teme a espada
Você treme ao ver os federais
Você trama na surdina
Você treina na escola
No sol que queima
Diferente do previsto
Pela loucura doentia
Os filhos do milagre
Não deixaram este plano
Não se levantaram para o paraíso
A dor nos vigia
Generosa
Múltipla
A estabilidade do mundo
No silêncio das enciclopédias
Céu cinzento
Esculpiram nuvens de pavor
Tempestades de fim de tarde
Brutucus nas ruas
Calaram os inocentes
Tudo mentira
Os vivos carregam na carne
A mensagem do passado
Gerações mudas
Engarrafadas nos botequins
O caos me habita
Brônquio cosmopolitano
Gastrite nervosa
Não existe um sábio sequer
Do outro lado do horizonte

MAL. COSTA E SILVA

Dobre o quanto puder
alinhave em vermelho na altura do peito
o alfinete de gancho prende o rombo
corte uma tira bem fina
marque o ponto
feito isso costure em zig-zag
ponto elástico
as aberturas são necessárias
dão folgas
mas tantas pregas
controlam as amplidões
segure firme e costure
a seda é mole
no final fecho-ecler e viés
entre arremates da peça
modelada
espera-se
o romper da urdidura
Zeca Pestana
"TRATADO EM DISFARCE"

PASSEATA
DOS 100 MIL

"31 de Março"
Nelim Monti
Jornais, Revistas, TV, notificando os 40 anos do
"Anos de Chumbo", da década de 1964
Revolução de 31 de março, vista inocentemente como
salvadora,
não passou de um grande golpe militar,
que infelizmente havíamos trocado,
uma possível ditadura da esquerda,
por uma ditadura verdadeira, violenta da direita.
Foi a época do milagre econômico.
Construções foram feitas, Itaipu, Tucuruí e outras
grandes usinas hidrelétricas.
A linda ponte Rio-Niterói e a Transamazônica,
cresceram os portos e aeroportos.
Empregos? Que fartura!
Mas...cresceram também a corrupção, a roubalheira,
o arbítrio
e a prepotência dos apaniguados do regime.
Porém... tudo ilusório.
Empréstimos e mais empréstimos, que sucumbiu como
um Castello de areia.
Ninguém podia nem sonhar em ser oposição que era
preso
e tinha seus direitos políticos cassados.
Muitos foram mortos nos porões do monstrengo
construído
Guerrilha Urbana.
Jovens idealistas sucumbiram na tentativa de ver o
país livre da ditadura instalada
Uma verdadeira estupidez.
O tempo passou e este fato faz parte da história
brasileira, fato que jamais será esquecido.
Hoje vivemos ainda "Anos de Chumbo".
Chumbo que recebemos de todos os lados.
Jovem sonhador,
Idealista
Lutando por seus ideais
Se vê acossado, preso.
Tortura física e mental
Na cela deitado, transpassado pela dor...
Poças de sangue
Pão e água
Suporta o suplício.
Muitas vezes, pensou dar cabo ao martírio
Resisti...chora
Entre sangue e lágrimas
Que misturam-se a rolar em sua face
Divisa uma figura
"-Seja forte, meu filho.Procure suportar, meu
irmão. Sê firme, amigo."
Esta é sua oração dia e noite
Noite e dia

JUNTA MILITAR

ANOS DE
CHUMBO
Lalá de Paula
Não sei bem o que dizer.
Não falo sobre política e religião.
Se quiserem mesmo saber,
Vou dar a minha opinião.
Anos de Chumbo, não sinto enfadonho.
Foi nessa época que melhor vivi.
Estudei, me formei, tive um sonho,
Realizei e a tudo resolvi.
Era um tempo de muita omissão,
Muita gente partiu, sumiu, escapou.
Foi um momento de submissão,
Que com o tempo deteriorou.
A violência era da ditadura,
De tudo ela era culpada.
Hoje essa vida é dura,
Não ha paz nem amor em nada.
Guerra de tráfico, guerra de monopólio,
Tudo com toda a liberdade.
Não há censura, nem espólio,
Tudo pela igualdade.
Falando agora como o "Advogado do Diabo" ,
Pergunto: Valeu a pena essa tal felicidade?
Passar por essas "babas de quiabo" ,
Onde as pessoas não fazem a igualdade?
Continuam na mesma estrada.
Falam e fazem o oposto.
Não vejo vantagem em nada,
Nada mais da gosto.
Anos de Chumbo, se vive atualmente.
Quando se volta do supermercado,
Aquilo que se comprava normalmente,
Esta cada vez mais remarcado.
E não há inflação, nem corrupção,
Tudo esta muito melhor.
Dói ver que nossa aquisição,
É cada vez menor.
Perdoem-me, mas sou sincera.
Não posso "cuspir no prato que comi" .
Estamos numa nova era,
Mas era mais feliz na que vivi.
Passeava na praia à noite.
Ia a boates e festas sem receio.
Hoje temo o açoite,
Dos marginais, povo feio.
Anos de Chumbo, Anos Dourados,
Isso é só nomenclatura.
Anos que foram marcados,
Culpando apenas a Ditadura.

CONSTITUIÇÃO DE 1967

40 ANOS
DA DITADURA MILITAR
Vanderley Caixe
Foi uma longa noite!
Me recordo dela destruindo sonhos,
gentes "desaparecendo",
nos rios, nos porões do DOPS,
depois nos DOI-CODIs de todo o Brasil.
Eu era um menino-desadolescente,
era estudante consciente,
mas tudo acabou de repente,
naquelas fardas repletas de
medalhas e pingentes.
Os novos dirigentes
não precisavam de gente.
Precisavam da pusilanimidade,
dos lambe-botas, da unanimidade,
do ajoelhar daquele dia,
de toda covardia.
Deram o golpe de Estado e
compuseram o que quiseram.
Criaram leis, decretos, institucionais,
atos severos e não banais,
fizeram do Brasil céu de anil,
exemplos da p.q.pariu.
Prenderam e arrebentaram,
massacraram e torturaram.
Do chão a semente plantaram sem dó,
o medo, o degredo,
roubaram até a aliança da minha avó.
(era ouro para o bem do Brasil - do bolso deles.)
O lixo, o restolho,
os rebotalhos das delegacias,
viraram da noite para o dia,
AUTORIDADE!
Estava plantada no planalto
a DITADURA MILITAR - Brasil-EEUU
(leia-se Estados unidos).
Nós aqui: fodidos.
Veio MEC-USAID,
veio Globo (Time-Life),
veio Veja,
vieram ministros-generais,
todos diretores de multinacionais.
Criaram uma nova profissão:
general ladrão.
Andreazza para a ponte Rio-Niteroi,
Costa Cavalcanti, para Itaipu,
Roubo que até hoje dói.
Não é preciso procurar de lanterna,
basta ver a dívida externa.
Era preciso fazer um novo país servil,
mudanças para desmontar o Brasil,
cassar políticos nacionalistas,
prender lideranças estudantis,
operários e sindicalistas.
Um grande plano foi montado,
para a justiça foi reservado,
atividades sem garantias,
para todos os juizes togados:
libertar presos políticos, juízes eram castigados.
Habeas-corpus suprimido e,
os desmandos policiais generalizados.
Inocentes, ou culpados, até prova em contrário,
respondiam no cartorário.
Nem os livros se podia ler,
até conversar era temerário.
Havia sempre um dedo-duro
cumprindo um papel de otário.
Nem os jornais iam dizer
a verdade e o acontecer.
Nas matérias censuradas, podem crer,
iam receitas de bolos e textos literários.
Ó Lusíadas de Camões,
nunca foi tão lidas pelo parvo.
Quem podia, se sumia,
cientistas, cultores do saber,
gente de bem com a Pátria.
Tudo se ia. Uns pra Europa se podia,
Quem não podia, aqui mesmo era enquadrado.(SE
FODIA)
Milico virou poder,
poder degenerado.
Era de se crer,
um poder desmascarado.
Aos jovens não se perdoou a altivez,
as marchas e as passeatas.
Cães, botas, cavalos e cacetadas,
massacrando,ferindo, e, esperando, talvez
uma moçada silenciada.
Ledo engano.
Daquela luta ou se fez,
da força, da luta armada.
Embora com estilingues, outras vez,
lutando pela Pátria amada.
Então, esse Estado usurpado,
aos estrangeiros-imperialistas servindo,
fez da força a carnificina,.
Fez do Estado um pecado:
matou homem, criança e menina,
na tortura, no choque e no machado.
Muitos corpos até hoje, nunca foram encontrados.
Os assassinos de Estado,
serviçais da elite e de nações devoradoras,
aos poucos foram sendo solapados.
A nação se cansou, abriu os olhos democratas.
Uma nova sociedade precisava.
Precisava de um novo Estado.
Uma democracia nova, sem milicos e sem golpistas.
Precisava de um espaço coerente,
uma nova fonte de vista.
A democracia se fez,
com eleições e Anistia.
A ditadura se foi mas,
até hoje seus males persistia.
PERSISTE!
40 ANOS DA DESGRAÇA DESTE PAÍS.
40 ANOS DA DITADURA MILITAR-EEUU.
DITADURA NUNCA MAIS!

GAL. EMÍLIO
GARRASTAZU MÉDICI

NO FIO
DO AÇO
Tahyane
O aço cortou a voz da verdade
Ceifou o direito à liberdade
Gritos ecoaram no ar!
Retumbaram os tambores
num cenário de horrores
anos sem cor, nem dourados
foram anos queimados
A juventude idealista
partiu para envelhecer
no exílio das canções
amargas da saudade
em solo árido de amor
As vozes emudeceram
mas não calou o espírito
não mudou o ideal
o sol derreteu o chumbo
Ficaram somente as marcas
Não mudou o ideal!
A verdade permanece
Eterna!

Anos de Chumbo nem pensar.
To chumbada até hoje.
Chumbo é pra lá de pesado
Chumba até o pensamento nem pensado...
Liane Niremberg

GAL. ERNESTO GEISEL

ANOS DE
CHUMBO... VERSOS DOURADOS
Carvalho Branco
É um descontentar geral...
Qual seria a solução?
Pela raiz cortar mal!
Que venha a Revolução!...
E, na calada da noite,
vibrou-se forte o açoite...
Instalou-se a repressão.
Ninguém mais tem liberdade;
É o caos, a desesperança...
é império da falsidade,
reino da desconfiança...
Entre paredes e muros,
até mesmo os seres puros
foram feridos por lanças!
Brasileiro expatriado...
Não existe segurança:
bom cidadão exilado,
mas patriotismo avança!...
É a lei do ferro por ferro,
do dar o mais alto berro...
Nem mesmo escapa criança!...
Quem era certo ou errado?
Difícil de responder.
Um país desgovernado,
República a fenecer...
Dos lados todos, sangria...
A tortura transcorria
em Ditadura a nascer...
Quem venceu, saiu perdendo,
morria a Democracia...
Pobres e ricos detendo,
abaixo a cidadania...
e, com a potência de um "jumbo",
vivemos "anos de chumbo"!
Violar foi filosofia!
No "faz-de-conta" da vida,
o Brasil se desfazendo;
a duras-penas, sofrida,
nossa História se escrevendo...
E ao escorrer dessa pena,
a Política se envenena,
a mentira vai-se lendo...
Se o ontem era velado
e o viver era escondido,
hoje tudo é camuflado,
na "política do divido":
pobre é rico favelado,
rico é um pobre coitado
- do traficante é adido...
Essa nossa humanidade
não mudou por esses anos:
melhorar sociedade
inda é desejo de arcanos.
Revolução, brasa viva,
volta e meia na ativa.
Ricos e pobres, insanos!
Se são de tristes imagens
os tempos que lá se vão,
colhamos grãos de outras vagens,
queimemos Revolução,
replantemos com a PAZ;
perseguição, nunca mais!
Tenhamos boa intenção.
Sejamos homens honestos,
do operário ao patrão...
As palavras são manifestos
de quem conhece opressão...
Que parta desse Governo
o desejo: levar a termo
o elevar esta Nação!
Que haja boa-vontade,
do Oiapoque até Chuí;
que se dome a veleidade,
que a justiça more aqui!
Através desse meu verso,
que não se leve ao inverso,
desejo desse tupi.
Sou guerreiro, forte, bravo,
branco, negro, guarani...
Não sou senhor, nem escravo,
descendente de zumbi...
Arma branca é a poesia:
Que brado com galhardia
na PAZ que aqui defendi!...
Anos de chumbo... dourados
versos... Nova Redenção!...
Que os velhos tempos passados
sirvam-nos de grã lição;
digam não à violência,
aprendam com a experiência.
Ordem-Progresso é brasão!...

GAL. JOÃO BAPTISTA
FIGUEIREDO

PERPLEXIDADE
Sônia Maria Grillo (Baby®)
Calaram as vozes
Reprimiram os gestos
E como terríveis algozes
Transformaram nossos ideais em restos...
Perplexos diante da crua realidade
Esboçávamos atitudes de revolta
Ante a brutal e incompreensível maldade
Que teimava em girar à nossa volta...
Tudo em vão...
Nossos anseios, nossos gritos, nossos sonhos,
Eram pisoteados e lançados ao chão
Como cães sarnentos sem donos...
Triste cena dramática na história
Vergonha de um povo aprendiz
Mas a luta não foi inglória,
O povo voltou a ser feliz!
Vitória-ES
19.04.2004

DIRETAS, JÁ!

Perdoa-me Senhor
Se é que Tu existes,
Mas amanhã
Eu terei de matar.
Já matei muitas vezes
Senhor
E continuarei a matar,
Até que eu mesmo seja morto,
Ou que se acabe a matança...
Tenho matado Senhor
Para que as mortes acabem,
As torturas terminem
E a esperança possa renascer...
Amanhã, novamente Senhor,
Eu terei de matar.
Perdoa-me portanto Senhor,
Se é que Tu existes
E eu te perdoarei também...
(Do diário de um guerrilheiro...)
Do Livro "Guerrilha, ou o Sonho da Borboleta"
Lenine de Carvalho

REDEMOCRATIZAÇÃO

ANOS DE
CHUMBO - RECUSO!
Maria Petronilho
Recuso ser bola cinzenta inanimada e fria
Enfiada no cano de uma espingarda
Recuso ser a morte enviada por desígnio alheio
Pois me debato desde o instante primeiro
E escolhi com aferro o destino da vida
Serei pólvora e não chumbo; serei raio determinado
Até ao momento do meu próprio crepúsculo
Seguirei discorrendo ainda que no perigo
Na aba do abismo; nas horas negras do espanto
Serei arco de aliança entre a terra e o céu
Fincar-me-ei mansa no olho do furacão
Serei o remanso entre as fúrias rodopiando
Retrocederei no tempo do fim para o início
Aplacando a angústia, pois nada temo
Que atravessei tantas fronteiras exposta
Ao reverso das laminas aguçadas e encobertas
Traço ponto por ponto a minha sina
Arriscada na palma da mão estendida
Impavidamente à espera da última queda
De onde ressurgirei nova seiva
Na infindável consumação da vida!
Lisboa, 23/4/2004

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OS
ANOS DE CHUMBO
Roberto Cursino de Moura
Apesar de você
amanhã há de ser outro dia. (Chico Buarque
de Holanda)
A Guerra Fria atingiu seu auge na década de
60. A estratégia das grandes potências (EUA
e URSS) era fomentar conflitos dentro de uma
nação e submeter os governos alçados ao
poder ao atendimento de seus interesses.
Assim, os Estados Unidos apoiaram o Golpe
Militar de 64 contra João Goulart (Jango)
que supostamente era um simpatizante
soviético. Nesta época, o padre Patrick
Peyton, irlandês naturalizado americano, de
passagem pelo Brasil, lançou a campanha
anticomunista chamada Cruzada do Rosário em
Família, que culminou na Marcha da Família
com Deus pela Liberdade, em manifestação de
repúdio, ao governo vigente.
O período pós-revolução de 30
caracterizou-se por governos populistas,
entre 1946 e 1964 (PTB, UDN e PSD). Em 1960
foi eleito Jânio Quadros, da UDN, que
renunciou em agosto de 1961, após sete meses
de governo, assumindo o cargo o seu vice,
João Goulart (Jango), do PTB, que foi o pivô
da crise final da fase populista.
A posse de Jango foi rechaçada pela direita
e apoiada pela esquerda, o que gerou uma
crise sucessória, contornada depois com uma
medida conciliatória: foi aprovada uma
Emenda à Constituição, criando o
parlamentarismo no país. Desta forma Jango
assumiu o poder, porém não seria o efetivo
governante do país. Este artifício só durou
até 1962, quando o resultado do plebiscito
para referendar o parlamentarismo devolveu a
Goulart os poderes que lhe foram tirados
para assumir o governo (9.457.448 votos pelo
presidencialismo e apenas 2.073.582 a favor
do parlamentarismo).
Com plenos poderes, Jango procurou por em
prática mudanças radicais no sistema
financeiro, educacional, agrário, fiscal e
que eram repudiadas pelos conservadores que
as consideravam de caráter marxistas. A
oposição alertava para a ameaça do
comunismo, que destruiria as famílias,
acabaria com a propriedade privada e
proibiria a prática da religião. Esses
argumentos foram o estopim do golpe de 31 de
março, que depôs João Goulart.
A ditadura militar iniciada em 64, perdurou
por 21 anos. Nesse período o Brasil cresceu,
houve um desenvolvimento relativo, mas a um
custo político muito alto. Os militares
adotaram uma política repressiva para
combater a subversão, a corrupção e a
infiltração comunista na administração
pública, nos sindicatos, nos meios militares
e em todos os setores da vida nacional. A
oposição, formada por intelectuais,
políticos liberais, padres progressistas,
sindicalistas, estudantes e grupos rebeldes
era combatida de forma intolerante e
violenta e a estratégia utilizada para
legalizar essa atitude antidemocrática e
autoritária era criar leis de exceções que,
segundo eles, visavam manter a ordem social
e a disciplina interna. Não acabaram,
imediatamente, com a constituição,
modificavam-na sempre que necessário,
criando os chamados Atos Institucionais que
alteravam a carta magna.
O Governo Castello Branco
Nos primeiros 15 dias da ditadura o país foi
governado por uma junta militar, que editou
uma Emenda à Constituição, chamada de Ato
Institucional, ampliando os poderes do
presidente da república. O marechal Humberto
de Alencar Castello Branco assumiu o governo
em 15 de Abril de 1964 e governou até março
de 1967. Utilizando os poderes concedidos
pelo Ato Institucional, tomou imediatamente
uma série de medidas autoritárias: cassou
mandatos de vários políticos (dentre eles,
JK, Jânio e Jango), demitiu 10 mil
funcionários públicos suspeitos de atos
subversivos, interveio nos sindicatos,
proibiu greves, extinguiu a UNE e várias
entidades estudantis estaduais. Mandou
invadir e fechar a Universidade de Brasília
e outras medidas consideradas saneadoras. Em
junho criou o SNI (Serviço Nacional de
Informação), uma polícia secreta para
fiscalizar e investigar qualquer ato
considerado subversivo em todos os setores
da vida nacional: escolas, universidades,
órgãos públicos, igreja, festivais, teatro,
imprensa, rádio e televisão, etc. No campo,
as ligas camponesas são reprimidas.
Não satisfeito, o governo editou o Ato
Institucional 02 (AI-2) que permitia
decretar estado de sítio sem prévia
autorização do congresso; dissolver os
partidos políticos; cassar mandatos
políticos; estabelecer eleições indiretas
para presidente da república.
Atitudes tão autoritárias granjeava a
antipatia popular. O governo percebendo que
poderia ser derrotado nas eleições para
governador dos Estados, baixou outro Ato
Adicional, o AI-3, (fevereiro de 66)
estabelecendo que as eleições para
governador seriam indiretas. Para tornar
essa medida mais efetiva, cassa inúmeros
mandatos e acaba por fechar o congresso
temporariamente.
Em novembro de 65, Castello Branco outorgou o
AI-4, que instituía o bipartidarismo no
país. Foram criados dois partidos: a ARENA
(Aliança Renovadora Nacional), da situação e
MDB (Movimento Democrático Brasileiro), da
“oposição”.
O governo resolveu reunir todos essas leis
de exceção em uma nova Constituição, que
entrou em vigor em março de 1967, aumentando
o poder do executivo que passa a atuar como
um regime ditatorial.
O Governo Costa e Silva
Após a morte do Marechal Castello Branco, o
general Arthur Costa e Silva assumiu o
governo em março de 1967, permanecendo até
agosto de 1969, quando foi afastado por
motivos de saúde.
Todos os setores da sociedade estavam
insatisfeitos com a política do governo
anterior, por isso, o novo governo enfrentou
logo nos primeiros meses uma onda de
protestos por todo o país. Antigos aliados,
com apoio de JK, Jango e Leonel Brizola,
formaram um grupo de oposição, a "Frente
Ampla", para lutar pelo restabelecimento da
democracia. Crescem por todo o país inúmeras
manifestações de rua, numa das quais o
estudante Edson Luís foi morto em confronto
com policiais. Setores da igreja, antiga
aliada, se uniram ao movimento estudantil,
políticos e membros da sociedade civil e
organizaram a "Passeata dos Cem Mil", uma
significativa mobilização da sociedade
contra o regime militar. Em Contagem,
Osasco, Rio de janeiro pipocaram greves que
demonstravam a insatisfação com a política
do governo e, sobretudo com o arrocho
salarial. Alguns atentados a bomba agravaram
esse quadro. As lideranças esquerdistas
concluíam que a única maneira de tomar o
poder dos militares seria através da luta
armada. Nesse momento, influenciados pelo
aparente sucesso da Revolução Cubana e pela
atuação de Ernesto "Che" Guevara na Bolívia,
surge a primeira organização guerrilheira no
Brasil, a Aliança Libertadora Nacional (ALN)
fundada pelo comunista Carlos Marighela.
Diante de tantas justas manifestações,
desordens e rebeldia, em dezembro de 68 o
governo se radicalizou e outorgou outro Ato
Adicional, o AI-5, mais autoritário que
todos os outros Atos Institucionais editados
anteriormente. Com a anulação de vários
dispositivos da recente constituição de 67,
o país se transformou numa verdadeira
ditadura. O presidente passou a governar com
poderes absolutos. Foi Concedido ao exército
o direito de estabelecer medidas
repressivas, tais como, decretar o recesso
do congresso, das assembléias estaduais e
das câmaras municipais. A censura dos meios
de comunicação que já era praticada foi
intensificada. Permitia ao ministro da
Justiça intervir nas empresas jornalísticas
de radiodifusão e televisão. O congresso foi
fechado. Vários mandatos e direitos
políticos foram cassados sumariamente,
incluindo aí professores, jornalistas,
intelectuais e até artistas como Gilberto
Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso
"convidados" a deixar o país.
Em matéria de realizações, o governo Costa e
Silva não foi produtivo devido ao excesso de
agitações sociais e protestos políticos, que
não deixava margens para um dinamismo
administrativo mais acentuado. Na área
econômica, em relação á política salarial
manteve a estratégia de "arrocho". A
finalidade era conter a inflação – no que
teve sucesso - e atrair capitais
multinacionais interessados em explorar
mão-de-obra barata.
Foi no governo Costa e Silva que foi
promulgada a Constituição de 69. Nela
estavam previstas a pena de morte e a pena
por banimento de opositores e inimigos do
regime. Os direitos políticos e
constitucionais foram limitados; associações
de trabalhadores e outros segmentos sociais
que não estivessem de acordo com o governo
ficavam proibidos; as manifestações
artísticas, culturais e acadêmicas (música,
teatro, literatura, palestras) seriam
censuradas se contrárias á ordem
estabelecida. Essa reforma de 69,
basicamente, incorporava todas as decisões
impostas e constantes nos Atos Adicionais,
principalmente o AI-5, tornando essas
medidas, antes temporárias, agora,
definitivas Ao governo seria concedida a
prerrogativa de editar outros atos
adicionais sempre que necessários.
O Governo Médici
Emílio Garrastazu Médici governou de
dezembro de 69 até 15 de março de 1974,
mantendo um estilo de governo forte e
extremamente centralizado. Este período, por
ter sido de governo conturbado, autoritário
e repressor, ficou conhecido como "os anos
negros da ditadura". A censura à imprensa, a
literatura, ao cinema, música, novelas era
prática comum regulada pela Divisão de
Censura de Diversões Públicas. A repressão
política e policial era intensa forçando uma
diminuição nos movimentos estudantil e
sindical. A oposição esquerdista passou a
atuar clandestinamente e optou pela luta
armada e pela guerrilha urbana. Esses
movimentos, de tendência esquerdista,
radicalizam-se em suas ações: assaltos a
bancos, ataques a quartéis, bombas e
seqüestros se tornaram uma prática
corriqueira. O governo contrapôs com mais
repressão e pela propaganda política. Foi
nesse período que apareceu a campanha:
"Brasil, ame-o ou deixe-o" e que se
divulgava musicas ufanistas como "Eu te Amo
Meu Brasil", "Você também É Responsável",
hino do Movimento Brasileiro de
alfabetização, o Mobral, e "Obrigado ao
Homem do Campo". A vitória da seleção
brasileira, que conquistou o tricampeonato
mundial de futebol em junho de 1970, no
México, foi utilizada para propaganda do
governo. Essa campanha teve resultados
positivos para o governo, pois o Brasil
vivia um momento histórico conhecido como
"milagre Econômico".
O modelo econômico de estímulo às
exportações, aos investimentos privados nas
áreas menos desenvolvidas do país, ao
incremento das poupanças privadas, a uma
intensa busca de capitais externos para
investimentos em infra-estrutura, elevou o
Brasil à categoria dos países que
conseguiram, na ordem econômica mundial, o
crescimento mais rápido da história moderna.
Essa política agradava às elites e à classe
media alta mas não agradava à maioria da
população. A desigualdade social crescia
fruto de uma má distribuição de renda. A
inflação se estabilizou ás custas do arrocho
salarial. Os economistas conservadores
adeptos do governo justificavam que em um
país capitalista era necessário que houvesse
capitalistas o que só seria possível
concentrando renda nas mãos de uns poucos,
ou seja, era importante, primeiro fazer
crescer o "bolo" antes de reparti-lo.
A relação entre a Igreja e o Estado era
crítica. Havia cobranças em relação aos
direitos humanos e justiça social. Nesse
clima, a polícia e as forças armadas
redobraram seus esforços no combate às
organizações armadas, criando a Operação
Bandeirante (Oban) e os DOI-CODI com a
função exclusiva de repressão e prisão de
"terroristas e subversivos". Em novembro de
1969, Carlos Marighella da Aliança
Libertadora Nacional (ALN), um dos líderes
da luta armada foi morto em São Paulo. Um
foco de guerrilha promovido por Carlos
Lamarca no Vale da Ribeira em São Paulo será
debelado pelas forças de segurança e pouco
depois o próprio Lamarca será morto durante
uma operação da Polícia Federal no interior
da Bahia. Em 1972, o Exército desencadeou
uma operação contra a guerrilha do Araguaia
(entre Pará, maranhão e Goiás) que havia
sido organizada PCdoB Cerca de 70
guerrilheiros foram mortos ou presos.
As eleições do presidente e do
vice-presidente da República estavam
previstas para janeiro de 1974, feita por um
colégio eleitoral. Médici indicou
oficialmente o nome de Geisel como candidato
á sua sucessão. O MDB, embora ciente da sua
derrota, optou por concorrer às eleições
presidenciais. Indicou como candidato o
presidente do partido, Ulisses Guimarães
para concorrer com Geisel. O colégio
eleitoral elegeu por maioria esmagadora, o
candidato arenista. Em meados de março,
Médici transmitiu a chefia do governo ao
general Ernesto Geisel.
O Governo Geisel
No governo Geisel, a crise internacional do
petróleo desencadeada em 1973, que colocou
em xeque o "Milagre Econômico" do governo
Médici, afetou o desenvolvimento industrial
brasileiro, gerando uma crise de desemprego,
valorizando o dólar e conseqüentemente
aumentando a dívida externa. Apesar das
dificuldades econômicas e outras de ordem
geral, o governo continuou investindo no
crescimento econômico sustentado por mais e
mais empréstimos externos, fazendo com que a
dívida atingisse uma situação preocupante.
Geisel Investiu no setor energético, criando
o Programa Nacional do Álcool (Proálcool), o
Procarvão e o projeto de construção de
usinas nucleares. Construiu a usina de
Tucuruí e concluiu a usina de Itaipu.
Em seu governo a crise e as críticas ao
governo cresceram e a oposição começou a
ganhar terreno. Em outubro de 75 e janeiro
de 76, dois presos políticos foram mortos
nas dependências do DOI-CODI: o jornalista
Wladimir Herzog e o operário Manoel Fiel
Filho. Este fato alimentou o furor
oposicionista. Geisel foi obrigado a demitir
o general da "Linha Dura", Eduardo D'Ávila,
responsável por aquele órgão.
Posteriormente foi exonerado o ministro do
Exército, general Sylvio Frota, também da
linha dura, por sua oposição a liberalização
do regime. É bom lembrar que Frota
articulava sua candidatura para sucessão de
Geisel, o que desagradou determinados
setores do exército. Nas eleições de 1974, a
oposição aumentou a sua participação no
congresso.
A situação era preocupante para os
militares. A possibilidade de a oposição
sair vitoriosa nas próximas eleições (78),
fez o governo tomar algumas medidas de
acautelamento: promulgou a chamada Lei
Falcão, pela qual os candidatos não poderiam
debater na televisão suas metas de governo,
podendo apenas veicular pela TV um retrato,
o cargo e o nome do candidato. Fechou o
congresso e decretou o "Pacote de Abril"
(abril de 77), mudando as regras eleitorais:
mantém as eleições indiretas para
governadores e cria a figura do senador
biônico: um em cada três senadores passa a
ser eleito indiretamente pelas Assembléias
Legislativas de seus estados.
Mas oposição não dá trégua. Geisel orientado
pelo General Golbery do Couto e Silva e
percebendo o enfraquecimento dos militares,
logo, propõe um projeto de abertura política
"lenta, gradual e segura", que se estende
até o final de seu mandato.
O Governo Figueiredo
João Baptista Figueiredo assumiu a
Presidência em março de 1979, com a difícil
tarefa de transformar um regime militar
autoritário e absoluto numa democracia.
Cresceu no congresso o número de cadeiras da
oposição, intensificaram-se as críticas ao
governo militar e o processo de abertura
política, iniciado por Geisel, ganhou força.
A classe política, sindicatos de
trabalhadores, estudantes, organizações
populares, OAB, ABI e a Igreja, exigiam
mudanças mais consistentes. Pressionado,
Figueiredo aprovou a Lei da Anistia logo no
início de seu governo, em agosto de 1979.
Esta lei foi conveniente aos militares, pois
não só perdoava os opositores do regime,
como também os militares acusados de
assassinatos e torturas.
Em novembro desse mesmo ano foi sancionada a
Lei Orgânica dos Partidos, que extinguiu o
bipartidarismo e restabeleceu o
pluripartidarismo no país. Nessa data também
foi aprovada a eleição direta para
governadores e a revogação do dispositivo
que permitia a escolha de senadores
biônicos. A economia ia de mal a pior, com
inflação de 200% ao ano. O mercado se
retraiu afetando as empresas, aumentando
conseqüentemente o desemprego. O Brasil
entrou em recessão.
Movimentos sociais urbanos reinvidicando
melhorias nos serviços como transporte,
saneamento básico, saúde, educação e
justiça, eclodiam em todo o território
nacional. Os militares da "Linha Dura",
iniciaram uma série de atentados
terroristas, com ataques a banca de revistas
que vendiam publicações consideradas
esquerdistas; o ataque a bomba na sede da
OAB e na Câmara Municipal do Rio de Janeiro,
na tentativa evitar o processo de abertura
política. A explosão de uma bomba no
festival de música organizado por grupos de
esquerda no Riocentro, acabou, ironicamente,
por vitimar os próprios militares
responsáveis.
Partidos políticos começavam a se proliferar
e procuravam sustentação eleitoral nessa
massa insatisfeita. A ARENA deu origem ao
Partido Democrático Social (PDS) e o
oposicionista MDB tornou-se o Partido do
Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). O
antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)
renasceu e os operários paulistas se
reforçaram com a adesão de grande parte do
Movimento sindical rural e urbano,
intelectuais, parte da igreja e da esquerda
emedebista, oficializam o Partido dos
Trabalhadores (PT), sob a liderança de LULA,
Luís Inácio Lula da Silva.
Leonel Brizola, na impossibilidade de
comandar o PTB, reúne outros setores
trabalhistas e cria o PDT. Novas lideranças
trabalhistas se destacam. Um movimento
sindical leva a criação da CUT com o
objetivo de unir as várias tendências do
movimento trabalhista congregando
trabalhadores do campo e da cidade.
O governo tenta, ainda, reagir e manter o
controle do poder proibindo as coligações
partidárias e estabelecendo a vinculação do
voto - o eleitor só poderia votar em
candidatos do mesmo partido. Aos trancos e
barrancos, o regime mantém o controle do
processo de democratização e articula a
sucessão de Figueiredo que ocorreria em
novembro de 1984.
Mas no Congresso há uma pressão muito forte
para aprovação da emenda do Deputado Dante
de Oliveira restabelecendo as eleições
diretas para presidente.
Manifestações de rua são organizadas pelos
diversos partidos. Duas em particular se
sobressaem: em São Paulo comparecem 200 mil
pessoas reivindicando as "Diretas-Já". O Rio
de Janeiro consegue reunir um milhão de
pessoas, porto Alegre, 150 mil, Belo
Horizonte, vitória e vários outros Estados
também participam. Ulysses Guimarães é a
grande liderança desse movimento e fica
conhecido como o "Senhor Diretas".
O projeto das eleições diretas de Dante de
Oliveira é derrotado no congresso. As
eleições presidenciais se aproximavam. A
eleição seria indireta. Com apoio de Ulysses
Guimarães, o governador de Minas, Tancredo
Neves é escolhido como candidato da
oposição. Políticos situacionistas e
militares lançam pelo PDS, a candidatura de
Paulo Maluf. Como não é o candidato de
consenso da maioria, parte dos políticos
situacionista aproximam-se do MDB e propõe a
indicação de José Sarney para vice de
Tancredo.
As eleições são realizadas em 19 de janeiro
de 1985 e a chapa Tancredo-Sarney derrota
Paulo Maluf.
Tancredo é, então, eleito o primeiro
presidente civil depois de 21 anos de
ditadura.
Texto
condensado por Roberto Cursino de Moura
Bibliografia
http://www.eduquenet.net
Eustáquio Lagoeiro Castello Branco
 |
a
cada uma vez...
quando animais racionais
se aglomeram
( animais racionais são gregários )
em algumas ocasiões
uivavam aos gladiadores
é a cada vez...
em touradas
gritam uníssonos vermelho escuro
a uma exibição de sangue
pessoas
se aglomeram
olhos fixos numa tela
em que
figuras
se movimentam
(em nome da chamada sétima arte)
animais racionais
se fartam
de si mesmos
atual lenda lenda futura
semi gregários
ou solitários
se atormentam
de olhos fixos
espiam
numa tela
passo a passo
passando
pelo passado
passagem
Cristo
2004 vezes crucificado
a cada ano a cada vez
em maior requinte
todos se agregam...
de olhos fixos
e babam
na satisfação do fatal
evento
que
satisfaz
o irracional
de cada tempo
07-04-04= 15=06
e viu DEUS que isso é mau
===========
helena armond

ANOS DE
CHUMBO
umvelhomenino
Dia cinzento, nublado...
Poder de expressão,
do povo, cerceado.
Lembranças de um mundo cão.
Anos de terror plantado...
Fuzis comandavam a nação.
Poeta com verso mutilado
sem direito, sem voz, sem ação.
Artistas, cantores e poetas exilados,
são alijados de pisar neste chão.
Mas gritam os poetas inflamados:
Democracia e Liberdade de expressão!
Queremos em coro assim saldar nossa nação.
Viva a liberdade!
Viva a Poesia e a Canção!

TEXTOS
INTERESSANTES SOBRE O TEMA
LIBERDADE
Carlos Marighela
Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em fervido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por mais risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.
São Paulo, Presídio Especial, 1939

Anos de Chumbo!
Anos terríveis, inesquecíveis
onde muitos lutaram, sucumbiram,
desaparecendo até, em nome de seus ideais.
Ideais de uma vida melhor, de justiça,
de muita esperança,
de amor, pela sua Pátria.
Ideais sepultados há 40 anos
que hoje, já não existem mais.
Anos não diferentes do dia de hoje
onde lutamos bravamente
para realizar nossos sonhos
e encontrarmos nossa liberdade, nossa paz.
Quantas vozes se calaram
por motivos de torturas
por gritarem sem temor seu amor
sua vontade de ver seu país crescer livre
sem que o jugo do poder
fizesse calar suas vozes.
Venha!
Venha
cantar conosco, com muito orgulho
venha clamar por ela, bem dentro d´alma
façamos com que nossas vozes
se unam num só canto
e que este canto poderoso
possa exterminar com a violência,
a miséria, o desemprego,
a fome, as drogas, a guerra, a corrupção...
Venha LIBERDADE
não nos abandone
afinal de contas,
aqui ainda é o seu lar!
Vem vamos embora
que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
não espera acontecer.
Neli
Neto
abril/2004
Música: Pra não dizer que não falei das flores -
Geraldo Vandré |