AconteceuLunas

&

Especial Carnaval

MIL E UMA NOITES....
Delasnieve Daspet


Não tem como fugir
Da fantasia
Quando é carnaval.
Escapo do frágil limite do tempo,
Embarco, - cúmplice -
Num mundo de sonhos!

Máscaras tombam.
Todos somos princesas,
Reis e palhaços,
Na efemeridade do momento.

Tanto brilho. Tanta pluma.
Tantos paetês,
Um raro momento do viver...

Quando o mundo de fantasia
Supera a realidade
É o imaginário quem conduz!

Como explicar esta euforia?
Ou seria uma fuga, Colombina?
Uma fuga da fragilidade dos minutos
E que dura a eternidade das emoções?!

São os sonhos de mil e uma noites!
Como alquimista da vida vejo
As tristezas transformarem-se
No ouro resplandecente das ilusões....

Origem do Carnaval

Ao som de marchinhas de carnaval...
Adriana Ruella


...O primeiro beijo foi assim...
ao som de marchinhas de carnaval,
no meio do salão...
quando eu menos esperava...
Ali, de repente,
um sentimento...
muito forte...
Talvez amor ao primeiro beijo...
ao segundo,
ao terceiro...
Amor?
Mas amor de carnaval
acaba na Quarta-feira de cinzas...
Mas o nosso não acabou...
Ainda perdura...
Entre beijos
Poesias,
Canções
E muitos bailes...
Um amor que começou com um beijo
no meio do salão...
ao som de marchinhas de carnaval...

ANDANÇAS
Arlete Maria

Nas andanças do meu coração
Encontrei teu olhar miúdo
Negro como a noite
Sorrindo pra mim
Chamando-me
Ao teu eterno querer
De me fazer mulher
De me deixar felina
De me sentir messalina
De ser a tua colombina

Aprendi a conhecer você
A ler em teus olhos todo o teu querer
Teus desejos mais íntimos
A conhecer teus caminhos
A percorrer tua estrada
A desvendar tua alma
A te espreitar os segredos
A me entranhar em teu tempo
Feito peregrina, em busca da
Tua sedução, tua emoção
E como um pierrô,
Com uma máscara
À esconder-te o rosto,
Sinto o desejo
Em teus lábios guardado
De querer- me um beijo roubar,
E me abraçar, e me fazer feliz,
E quando as luzes se apagarem
E o nosso baile finalizar
Estarei fugindo do teu olhar
E apenas o meu perfume
Irei deixar para
Que o ar que respiras
Do meu perfume vá se impregnar...

CARNAVAL
Aldo Cordeiro

Que lembranças você tem do carnaval? De um cheiro...? "Hoje não tem dança, não tem mais menina de trança, nem cheiro de lança no ar". De um beijo...? "Vou beijar-te agora, não me leve a mal, pois é carnaval". De uma loucura...? "Vestiu uma camisa listada e saiu por aí. Em vez de tomar chá com torrada, ele tomou parati". De um porre...? "Eu sou da turma do funil, todo mundo bebe mas ninguém dorme no ponto...". De um desencontro...? "Este ano não vai ser igual aquele que passou, eu não brinquei, você também não brincou".
Você lembra de uma cidade...? "Voltei Recife, foi a saudade que me trouxe pelo braço". De uma solidariedade? "Todo mundo entendeu quando Zelão chorou. Ninguém riu, ninguém brincou, mas era carnaval".

Carnavais de todos os tempos, dos lampiões a gás, da volta pra casa, de madrugada, feliz..."A estrela Dalva, no céu desponta, e a lua anda tonta, com tamanho esplendor...". Carnavais dos terreiros, dos blocos, do bonde. Carnaval que continua trazendo emoções, surpresas, fantasias.
Carnaval que sobrevive. Teimoso.
Carnaval que resiste aos sambódromos, à publicidade, à falta de poesia. Os terreirões, o samba na Cinelândia, os blocos de rua. Marchinhas que insistem em ser cantadas, mesmo ensurdecidas com os tigrões e outros arrastões sem ritmo.
Carnaval que resiste à dengue, emblema maior do descaso, do desgoverno, da incompetência, que nos faz parecer um país medieval (lembra quando os estrangeiros perguntavam se aqui havia cobras em Copacabana e índios pelados na praia?). Carnaval que resiste à tristeza ou existe também com ela. "Mas chegou meu carnaval e ela não desfilou. Eu chorei, na avenida eu chorei..."
É a nossa festa, a mais brasileira, a mais pontual, a que nos promete mais calor e possibilidade de encontros e alegria.

Alguns de nós fogem, se refugiam numa praia, na montanha. Mas, lá de longe, onde os tambores não ecoam, escondido dos confetes, encontra alguém, reencontra, descobre um sentimento escondido. E volta feliz com o seu carnaval diferente, inesperado. Outros mergulham na paz da procura de si mesmo.
Mas, quando volta ao cotidiano e alguém pergunta: o que você fez neste carnaval? O nosso ermitão responde: neste carnaval, eu...

A todos os que ficam - no bloco, nos desfiles, na praia, na rua, no sossego da poltrona em frente à TV. A todos os que preferem outras viagens - na cozinha, na música, num cantinho a dois, longe da multidão. A todos que viajam em busca de um oásis no meio da tempestade de batuques... a todos os amigos: um feliz carnaval e um retorno sem engarrafamentos ou maiores ressacas. Tragam boas histórias, pra gente trocar pelo resto do ano.

"Pedi" licença aos compositores das músicas citadas: Edu Lobo, Chico Buarque, Assis Valente, Sérgio Ricardo. Aos que não lembro (ou não sei), peço perdão.

Carnaval do Rio de Janeiro

CARNAVAL
Amaso Nib Nedal

Duram três dias ou até uma semana
Se não é o ciclo da vida renovando
É o circo sem pão ou a deliciosa festa profana
Apenas o carnaval que está se aprochegando

CARNAVAL
Angela Lara

E vamos esquentar as avenidas
com nosso pique, suor e fantasia...
Colocar a melhor alegoria
e sair desfilando
com toda a nossa euforia...

CARNAVAL
Marineide Miranda

Folia, alegria, cantorias...
Blocos na rua, estandartes... amores loucos...
Gritos roucos... animação, pura loucura ou loucura pura!!!
Samba no pé... rufar de corações e tambores...
Ou de corações amores!!!
Carnaval... onde quer que seja
Celebração da vida!!!
 
 
fé-erico a mais não poder
não vale a palavra : PARE!
à venda ou doação
em "pacotes' de cor e arte
nada mais pode valer
somente
a carne-vale
=======
helena armond
carnaval 2004
 
 
CARNAVAL
Roberto Cursino de Moura

carnaval
festa sideral refletida
no espelho da avenida
 
"Todos cantam sua terra
também vou cantar a minha..."

Eva Aune

Hoje é festa!
É dia de São Sebastião do Rio de Janeiro.......
Dia maravilhoso, muito sol luz e calor....
Dizem que quando faz um lindo dia no dia de S. Sebastião,
o Carnaval será de bom tempo...
 
 
CarNaval
Celito Medeiros

Lunático Carnaval
Rufam os tambores
Na telinha genial
Desfilam nossos autores.
Seus versos serpenteiam
No toque de seus dedos
Alegres todos vagueiam
Soltando seus torpedos.
Desnudam tal Sapucaí
Animam a moçada
E eu estando aqui
Sambo nesta parada.

Os Primeiros Carnavais

SEM RITMO
assis

Todo mundo ama
Todo mundo sonha
Todo mundo samba

Deu vontade de cantar
E o meu peito sofrido
Estufou feito um balão de gás
Pequenino,
Colorido!

Anda
Sinta
Viva
Morra

Todo corpo é uma experiência
Fora do ar
Todo mundo tem o seu dia
De peixe
E de pescador!

Ama
Corra
Sorria
Canta

E sai por ai
Nada faço alem de caminhar
Passo a passo
Olhando as casas
As caras novas do bairro!

Todo mundo ama
Todo mundo sonha
Todo mundo samba!

SONETO DA DIONÍSICA FESTA
THA©KYN

Coloco o meu Lunar bloco na rua
Canto em solo o seu alegre samba enredo
Varal que abre alas desafio sem medo
Cordão que se junta na rima tua

S'és tu ó dançante poesia nua
diva passista em festa dionisíaca
que convida para bailar sem música
porque sabes que a faço em rima sua

E de ouvido aprendo em bumbo a melodia
no arranjo em compasso da bateria
desfile d'atros que brilham nes' dia

Mestre-sala e Porta Bandeira DD
carrega o estandarte da lunar arte
quando em fria tela o carnaval invade

Mythus est quod superens cum non se explanat homo.
Mito é o que sobra quando o homem não se explica

CARNAVAL
by baby®

É carnaval, é folia,
É batucada, é alegoria
E samba no pé, é muita alegria,
É amor, paixão e poesia

É o povo na avenida desfilando,
Extravasando felicidade e amando
É a platéia admirando e cantando
O enredo da escola e sambando!

É vestir a fantasia colorida
De poeta, trovador ou passista,
Arlequim, colombina ou futurista,
Contando ninguém acredita.

É ver para crer, o grande circo em festa
O maior espetáculo da terra,
Todos sendo felizes na brincadeira
Sem lembrar que existe quarta-feira!

Carnaval
Zeca Pestana

Samba
o ar e o mar
até cansar
confundindo os azuis
realçados
multicores confetes
espalhados
sambando e levando
a vida se atrela
gingando e cantando
batuca a panela
sem feijão mas com pressa
passar na passarela
Suor Álcool
afro-afrodisíaco
pagã mistura exalada
contagiando de alegrias
entre fantasias

Baile de carnaval
by-Caio Lucas

Sua máscara ficou na lembrança,
no final da noite só um leve beijo,
deu saudade dos seus olhos,
senti seu corpo, sem tocar,
apesar do brilho, vidrilhos coloridos
marcaram sua pele quente,
meu desejo ficou no olhar.

Desfilava seu corpo com malícia
enquanto ouvia máscara negra,
na manhã despertei sem fantasia,
não beijei sua boca,
nem ao menos sei seu nome.

Hoje é terça-feira de carnaval,
fico parado na beira do salão,
procuro uma foliã conhecida,
preciso ao menos saber seu nome,
outra vez tocam máscara negra
e ela não apareceu,
ficou apenas uma lembrança de carnaval.

NOSSO CARNAVAL
Míriam Torres

Enquanto as águas rolam
Nosso amor acontece...
Caem as serpentinas, tiramos as fantasias
E, amanhece...
Esse amor de Carnaval
Veio e foi como um vendaval
Rápido e rasteiro
Fizemos nossa folia
Nos amamos o tempo inteiro
Agora você se foi
MAS SEI QUE VOLTARÁ
Pierrot sem Colombina não existe
Carnaval não é uma festa triste
Vou reencontrá-lo!!!

De Fantasia e De Cinzas
Clivânia Teixeira

Antes que soasse o primeiro grito
De uma folia interior
Quis eu fantasiar-me de noite
Iluminada de estrelas a tua espera
Quisera eu despir a noite de paixão
Luxúria ou raio de luar
Desfilar nos movimentos insinuantes
Das sereias odaliscas
Olhares negros amendoados
Ondular em ventres tremidos
De pura hesitação sob confetes
Serpentinas nos recantos jardineiras
De flores colombinas
A delirar de saudades
Do pierrô apaixonado
E antes que o último grito agonizasse
E olhares perplexos, atônitos
Contemplassem as fantasias pretendidas
Adormeci envolta de noite e saudades
A quarta amanheceu cinza
E o sonho vestido de sol
Despertou em mim.

Carnaval
Vyrena


Carnaval... Carnaval!
A grande festa da folia!
Vou cantar... vou sambar
Até o raiar do dia!

Escolhi já minha fantasia:
para esses dias de magia
Vou vestir-me
de paz...felicidade
e muita alegria!

Farei adormecer a tristeza...
meus medos e incertezas.
Esquecerei a violência
e a covardia.
Levarei
nos lábios o sorriso...
nos olhos... a alegria...
no coração o batucar
da harmonia!
Em lugar de confeti
muitas pétalas de rosas
perfumadas e macias.

Quero a todos contagiar
com meu riso...
minha felicidade...
minha paz...
minha alegria!

Folia
Dayse Maria Moraes

Carnaval é alegria, que a muitos contagia,
tem batuque, tem confete, tem um "que" de nostalgia.
Fantasias que embelezam, muitas plumas, muitas penas,
nos desfiles das escolas, seus enredos e seus temas.

Colombina apaixonada, pierrô entristecido,
bate-bola que assusta, todo aquele distraído.
Carnaval dos velhos tempos, dos cordões e arrastão,
muitos blocos pelas ruas, alegrando o folião.

Tantos sonhos pelos bailes, na paixão inesperada,
entre brilhos e pinturas, muita coisa é declarada,
como o amor de carnaval, quase sempre passageiro,
que abafa a solidão, no repique do pandeiro.

A avenida é o palco, as escolas vão sambando,
entre cores e bandeiras, as tristezas vão passando.
Estes dias esperados, de fantasia e belezas,
pena acabar em saudade, na quarta-feira de cinzas...

CONFETE&SERPENTINA
Diógenes Davanzo

Vem amor estou a te esperar
Vem amor preciso de seu brilho
Vem amor sem você não sei cantar
Vem amor sem você saio do trilho

Sem teu sorriso não tem animação
Sem você sou arlequim abandonado
Sem teu carinho eu não vivo não
Sem tua alegria fico muito arrasado

Venha vamos pular até o sol raiar
Venha vamos cantar e animar a festa
Venha vamos brincar até cansar
Venha isto é tudo que nos resta

Jogue confete em todo salão
Você é a alegria do meu coração
Pule e brinque sem arrumar confusão
E com você eu brinco até a exaustão

Vida a vida e seja minha colombina
Alegria, alegria és a rainha do meu coração
Pule, dance e jogue muita serpentina
Extravase, cante e sinta a emoção

Sinta o calor e o amor deste seu arlequim
Confete e serpentina jogue só em mim
Neste carnaval é só de você que estou afim
Viva este momento e ame sem fim

Vem amor agora sou pura explosão
Vem amor só contigo quero pular
Vem amor já me sinto rei deste salão
Vem amor já não estou a te esperar

 


Carnaval
Cristina Pilan Oliveira

Pérola

Minha fantasia em pedra bruta
Lapidada por seu amor
Minha alma, meu ser, em paixão pura...



Vermelho

Sua fantasia mais pesada
Adornada por marcas
de batom dos meus beijos...



Dourado

Mascarado misterioso
Fantasiado de sol...
Meu coração em esplendor de amor...

 

REMINISCÊNCIAS DE CARNAVAL EM DOIS ATOS
Rubenio Marcelo

1º Ato:
MINHA EX-COLOMBINA

Passados alguns carnavais,
ontem novamente a encontrei;
ontem novamente a fitei;
ontem novamente conversamos;
ontem, só não mais a desejei!

E até fiquei desgostoso ao saber
que ela não ama seu atual Pierrô
(aquele que me substituiu
num carnaval que passou,
com suntuosos colares no pescoço,
e, no corpo, imensa sede de amor).

Que pena! -Lamentei no íntimo.
Enquanto meu coração,
risonho em surdina,
não relembrava nem um pouco
da minha ex-colombina!

2º Ato:
SONETO PARA ESQUECER

Minha amiga, esqueçamos nosso recente passado.
Esqueçamos aquele tempo em que entre nós havia
Uma mútua atração, quer tenebrosa noite ou alvo dia,
E aceitemos, sem rancores, o que nos reservou o fado.

Tua ausência já não mais causa-me nostalgia;
Já não trago mais na mente teu semblante retratado.
Minha ausência já não afeta teu coração apaixonado;
Já não recordas minha imagem como antes (com alegria).

E o meu coração contente, nova paixão já sente.
O teu também, quem sabe, já ama novamente.
Por isso esqueçamos, enfim, os dias antigos.

Esqueçamos nosso romance, seu começo, seu final;
Esqueçamos aquele morno sábado de carnaval;
Esqueçamos tudo isso e sejamos bons amigos!

LOUVANDO O CARNAVAL BRASILEIRO
Elane Tomich

O carnaval brasileiro
Tem brilhos e alegorias
Visto no mundo inteiro
Nosso enredo com alegria.

Nosso enredo com alegria
A vida de outra maneira
Meu sonho é fantasia
Mas o meu sangue é Mangueira

O meu sangue é Mangueira
Verde e rosa, sim senhor!
Portela, tem porta bandeira
E Vilma dançou o amor.

O amor que vem do alto
No visual de Salgueiro
Elevando em salto alto
Os sonhos de um povo inteiro

Os sonhos de um povo inteiro
Feridos em dignidade
Treme em clamor primeiro
No rufar da Mocidade.

O rufar da Mocidade.
Chega em Vila Isabel
O povo não tem idade
Em homenagem a Noel

Homenagem a Noel
Em Joãozinho Trinta a certeza
"Rico lê pobre em papel
Pobre mesmo quer riqueza."

Pobre mesmo quer riqueza
de sobreviver em graça
saúde, leitura e a certeza
De ter um lugar na praça

Escolas saindo da praça.
Parecem esgar de serpente,
Lúdica, escorrendo em graça
Tal canto de água corrente.

AMOR NO CARNAVAL
Ibi Macêdo

Era carnaval: cor, suor e samba.
Os olhos perdidos em fantasias
o corpo embalado em danças,
e, meu "eu" esquecendo tudo.

De repente ele surge,
um corpo a mais na multidão,
sem alma, em busca de prazer
na animação, na alegria do carnaval.

Sinto seus braços em meu corpo,
me perco em seu infinito,
entrego-me em forma de samba,
rasgando angústias em forma de gritos.

Ele me beija em cada canção,
me abraça, me aperta, me enlouquece,
numa explosão de desejos recíprocos
e seu corpo suado me aquece.

Somos um só, não existe ninguém,
um mundo nosso, sem palavras.
Seus olhos falam, eu sou alguém,
suas mãos agem, sou ninguém.

Amanhece... estou só,
o corpo jogado ao vento da solidão
tudo transformado em cinzas
lágrimas em forma de quarta-feira.

Abro os olhos, vejo o pó
partículas de um momento infinito
e elas desaparecem lentamente
sufocando-me, impedindo meu grito.

Des... mascarada
Eliza Teixeira de Andrade

Coloquei a máscara da vaidade
E saí a cantar pela Avenida:
Frevo, marchinha, samba enredo,
Que falam de Pierrô e Colombina.

Minha voz ecoou pela cidade
Desvencilhando emoção contida,
Libertando minh’alma do segredo
De amar sem ser amada – triste sina!

Súbito, um vulto cruza meu caminho
E, revelando a sua identidade,
Tira minha máscara, com carinho,
Revelando minha face sem maldade...

E beijando meus lábios com ardor
Foi falando baixinho ao meu ouvido:
- Sou teu poeta, vivo consumido,
Pela flecha de Eros – pelo amor!

...mas é carnaval...
Maria Ivone

Preparei minha fantasia
Tirei da poupança a alegria
Acumulada o ano inteiro
Sem precisar de dinheiro
Afinal, carnaval é festa do povo
Qualquer povo
Qualquer classe, qualquer cor
Desconhecidos lado a lado
Uma só ala, um samba-enredo
Uma só escola...nenhuma dor...
Desfilei, esbanjei samba no pé
Mandei beijos...
Sorriso brejeiro, olhar faceiro
Dei meu sangue, fiz bonito.
Os aplausos como flechas
Machucavam meu corpo
Rasgavam minha alma
Que pensei ter deixado
Recolhida, ensangüentada
Na ladeira lá do morro
Onde vi meu nego caído
Morto por bala perdida.
Nem pude chorar meu nego
Pois o surdo bateu forte
E o enredo falava de vida
E vida é mais forte que a morte.

CARNAVAL!!!!!! TRÊS DIAS DE FOLIA!!!!
Mercedes Silva

Saudades dos bailes de outrora, dos confetes, serpentinas, lança-perfume e dos corsos que animavam o carnaval de rua.
Desapareceram os pierrôs e as colombinas, os palhaços e modinhas que cantávamos durante o ano todo.
Hoje só restam as lembranças de um passado que não volta mais.
Onde se esconderam aqueles amores que começavam no primeiro dia e terminavam na quarta-feira de Cinzas e eram muito bem vividos enquanto duravam?
Guardemos na memória os belos carnavais que eram aguardados durante todo o ano e voltemos nossos olhos nesses três dias para os desfiles das grandes escolas de samba e dos bailes dos clubes que nos brindam com incomparável beleza e luxo pelas ricas fantasias.

ÓPERA BUFA DO CARNAVAL DA BAHIA
Nelson Haroldo

Gatos escalpelados,
gatos na panela!
Tamborins exaltados...

Na maré,
os marezeiros colocam o bloco na rua.
O trio elétrico de Dodô e Osmar tocando
no serviço de alto-falante São Lázaro.
Lá vai o bloco dos miseráveis desfilando
pela passarela da ponte Santo Antonio!
Explode o som do serviço de alto-falante
"Eu sou o carnaval em cada esquina..."
Caretas feitas de sacos de alinhagem,
pano de chita enfeitando as meninas.
Nas pontes, não há batalhas de confetes.
Papéis velhos como serpentinas,
serpenteiam tristezas e pneumonias!
Nesse bloco não tem cordas
e não tem as cores da cidade
é um amontoado de sofrimentos
fazendo festa sem instrumentos...
Farrapos de mortalhas como fantasias,
no enredo desfilam: fome, asma e cirrose
meningite, pneumonia e tuberculose...
No porta-estandarte,
dona morte requebra cheia de alegria
sob a pele de barrigas vazias!

No outro lado da cidade,
dona esperança pula cheia de alegorias!
No porta estandarte,
desfilam: saúde, escolas e educação,
teatro, lazer e boa alimentação!
Do Campo Grande á praça Castro Alves,
batalha de confetes, pierrôs e colombinas,
lança-perfume, cervejas e serpentinas.
Dentro das cordas,
o trio detona o som: "atrás do trio elétrico
só não vai quem já morreu..."
Requebram quadris bonitos e malhados.
A nata dos barões em plena felicidade
descem a Avenida Sete com os desejos aflorados...
Enquanto, por um hot dog a ralé da marginalidade

vai segurando as cordas
para manter o status quo da sociedade!

Na maré, segue o carnaval...
Crianças caras-pálidas,
botam o bloco nas pontes.
Pintam os rostos de índios
e de cuias nas mãos,
os vinténs serão bem vindos!

Nas pontes, o sol chega vestido de arlequim,
espia da esquina e bate uma no botequim.
A lua aparece vestida de colombina,
ela requebra e ele se agarra à sua cintura,
beijam-se e vão desfilar no mar de amaralina...

Colombina
Inês Bicudo

Quando a saudade aperta
E a dor em meu peito invade
A falta de ti me tira o compasso,
Já nem sei mais o que faço
ou se ainda acredito no acaso...

Pois é tempo de Carnaval,
é dia de folia!
É hora de vestir a fantasia
E mascarar a dor com alegria...

Nem sei mais o que faço
Nem se essa dor combina
Com a cor da minha Colombina!

Folia
Mellíss

Nestes poucos dias,
vou ter fantasias,
ensaiar a dança,
me fazer criança,
colorir o rosto,
esquecer desgostos,
batucar um samba,
me fazer de bamba,
vou viver a festa
que a hora é esta,
e depois ... que importa ?,
vou fechar a porta
do meu pensamento,
vou parar o tempo
porque é Carnaval.

Carnaval 450 anos de Sampa
Moacir et Selena

São Paulo...é quatrocentão?
não! falta aí um cinqüentão!
que se arrume a data, então,
pra não seguir na contra-mão!
ao padre Anchieta a saudação
nesse nosso virtual beija-mão;
viva a Paulicéia, meu irmão!
 

"Carnaval"
Nelim Monti

No cordão do Luna's, vou esbaldar
Com minha fantasia de margarida
Vou dançar, cantar, extravasar
Cantar bem alto
Nesse momento de libertação
Abrir as portas cerradas de uma nova visão
Despetalar a margarida
Construir uma nova madrugada
E... na quarta -feira de cinza
Encontrar o amor azul, escondido atrás do
momento cinza
No brilho da estrela no primeiro instante.
Voltar a serenidade
Despetalando a última saudade.

 

Músicas Carnavalescas

Carnaval
José Geraldo Martinez

Oh, carnaval de serpentinas,
das morenas meninas,
de ginga no pé!
Dos pierrôs e colombinas,
confetes e purpurinas,
eu ainda tenho fé!
"Que aquela máscara negra,
que cobre teu rosto ",
ainda possa mostrar...
Nos tempos da mocidade,
na minha cidade,
que por trás dela, há ?
Se minha musa querida,
ou uma outra perdida,
em plena folia...
Essa moça de então,
se perdeu no salão e
nunca mais eu a veria!
Passados os anos,
de sonhos e planos ainda
não me perdoei...
Quantas fantasias eu vesti,
na vida que eu percorri e
a máscara dela, não tirei!
Hoje, com certeza, senhora,
e meus sonhos de outrora,
tão iguais... purpurina!
"Quanto riso! Ó, quanta alegria",
tinha aquela menina !
A estrela D'alva que no céu desponta"
e a lua anda tonta com tamanho esplendor",
Iluminam a Sapuca...
Quantos salões fervilhando,
quantas máscaras tampando
os sonhos que eu não vivi!

Unindo-me ao Bloco Lunas
Sicouza

Tantos carnavais brincamos:
Colombina eras, fui seu Pierrô querido...
Mais um Carnaval chegando
Cheio de ritmos,coros e gemidos
E eu vendo, no canto, apodrecido
A fantasia de “palhaço” que um dia
Deixastes-me vestido!

Não serás uma casual lembrança...és uma permanente saudade!

Ser Carioca
Lalá de Paula

Ser Carioca, é assim!
Sair e ir ao botequim,
Tomar o chope do "Joaquim",
Sentar e ler o "Pasquim".

Ser Carioca, é beleza!
Apreciar a natureza,
Estando na "dureza".
Sempre na maior "firmeza"

Ser Carioca, é total!
Tomar um "Cristal",
Champagne sem igual,
Sendo bem informal.

Ser Carioca, é gostoso!
Ver o malandro garboso,
Sambando todo formoso,
Com a cabrocha no "Carinhoso".

Ser Carioca, é maioral!
Descer do trem da "Central",
Trabalhar e ver a Catedral,
Pendurando a roupa no varal.

Ser Carioca, é ser gozador!
Ri e brinca até com dor.
Gosta sempre do calor,
Distribui tudo com amor.

Ser Carioca, é ser "esperto"!
Ver sempre o Cristo de perto,
Ele de braço aberto,
Abraçando a gente de certo.

Ser Carioca, é ser por inteiro!
Ser profundamente Brasileiro.
Acolher sempre o estrangeiro,
Sendo este, qualquer forasteiro.

Ser Carioca, é ser feliz!
Poder sentir na raiz,
A beleza da "Imperatriz",
Sambando no chafariz.

Ser Carioca, é um estado de graça!
Não há quem negue essa raça,
Venha sentar aqui na praça,
Vamos tomar uma cachaça?

Carioca...
Myriam Peres

Ser carioca
É um estado de espírito
É um cantar permanente
É um amar livremente
É um viajar docemente
Nas ondas doces da mente...

Ser carioca é um clima
De muita satisfação
É um badalar de alegria
É um ribombar de emoção
É um terreiro de ilusão
Que afaga o coração...

É um viver sendo somente
Entre todos, irreverentemente
Nas batidas que alimenta
Dos sambas que representa
Dos batuques que se apresenta
Da vida, alegria sedenta...

Ser carioca é um samba
Muito bem cadenciado
De alegria marcado
No compasso da emoção
Ser carioca é brincar
Brincar de ter ilusão
Nesta vida que é só paixão...

Ser carioca é um cantar
Um eterno recitar
É esconder o que não quer ver
É um sentir e saber viver
O amor dos que terão
Muito ainda que aprender...

Ser carioca é badalar
Os sinos de uma paixão
É ter no peito uma fé
Em dias melhores que virão
É vontade de querer
Da vida, muita badalação...

Ser carioca, é brincar de ser feliz
É fazer da vida uma canção
É rabo de arraia, é confusão
É briga de galo, é assombração...

Carioca é gente correndo
O arrastão comendo
O guarda prendendo
O povo se escondendo
Só venturas querendo
Com muita alegria vivendo...

Escolas de Samba

ONDE ESTÁ O MEU MULATO?
Leda Galvão

"Poema suburbano" - de Luiz Peixoto
Subúrbios, subúrbios/ das moças prendadas,/ que fazem bordados/ e querem casar;/Dos cães vira-lata/que latem à lua,/ enquanto as galinhas/ se deixam roubar.
... "Subúrbios do tempo/ do chá com torradas/ sofás de palhinha/ xadrez e gamão. Subúrbios teimosos/dos trens atrasados/ subúrbios pacatos/do meu coração.
..."Ser noivo no Meyer/ouvindo uma valsa,/o sonho de valsa/ mimoso, sutil./ Ser meio mulato/mulato e foguista/ da Estrada de Ferro/ Central do Brasil."
Não é que o Luiz Peixoto me fez lembrar de um mulato que conheci num carnaval em São José dos Campos?
Ah! tempo bom, em que pulava as quatro noites... Ia para o Clube, me esbaldava a noite toda, chegava em casa, tomava um banho e ia dormir. Acordava, me alimentava, vestia a fantasia e lá ia eu novamente.
A fantasia era o sonho do ano todo. Folheava mil revistas e como era difícil escolher.
Ah! tempo bom do confeti, serpentina e lança-perfume. Havia o de vidro simples e o rodo-metálico. Este muito mais caro, mas como era bonito! Uma vez ganhei um do namorado de minha irmã, porém ao brigar com ele joguei o lança-perfume nos seus olhos. Que briga feia, deu lá em casa!!!
Mas... e o mulato? Eu gostava de pular a noite toda, não bebia, pois realmente era alegre - e sou - por natureza e não precisava de muletas para me divertir. Namorado, já viu. Brigava e... só voltava depois do Carnaval...
Em São José dos Campos, porém, fui com meu irmão ao Clube. De repente, um mulato lindo de morrer, desceu da arquibancada. Ele estava perto da turma de nossos amigos. Cavalheiresco, pediu para brincar comigo. Ai! Jesus! como dançava gostoso, cheio de ademanes como um mestre-sala! Foi um furor no salão. Muitas vezes, fizeram um círculo ao nosso redor, a fim de ver nossas coreografias. As músicas... estas hoje quase não ouço mais, com exceção do "Mamãe eu quero", que é como um hino nacional de nosso carnaval.
Estava tão entusiasmada, que mal senti a torsão do meu pé e quando terminou o baile e me despedi do mulato, ainda saí dançando do salão.
Quando chegamos no carro, meu irmão perguntou: - De onde você conhece esse moço? - Uai! respondi, ele não é amigo de vocês?
Depois de darmos boas risadas, fiquei triste por dois motivos: perdera a chance de reencontrar "meu mulato" e, de repente, meu pé começou a doer e a inchar como um balão. Seis da matina e onde encontrar farmácia aberta?
Ah! reco-reco, cuíca, pandeiro, tamborim! Toquem mesmo que seja a "Camélia que caiu do galho", pois quem sabe assim vocês atraiam novamente o meu mulato, o dono da ginga mais gingada que conheci. Preciso de vocês, pois o perfume do lança-perfume que poderia atraí-lo, agora está proibido. E nem mesmo posso soltar um balão com uma faixa pedindo a ele que volte, pois também é proibido. Ah! mundo malvado!!! Ainda bem que meu pé desinchou e logo mais é carnaval... E poderei sair berrando aos quatro ventos"Quanto riso, quanta alegria, mais de mil palhaços no salão, Colombina está chorando pelo amor do Arlequim, no meio da multidão!...
Cá entre nós: será que encontrarei meu mulato pela Internet???

MEU CARNAVAL
Marisa Cajado

Assim eu quero sambar
e a todos me juntar
no bloco imenso da vida
Colocar a fantasia
bordada em contas, por dia
a cada dificuldade vencida.

E no batuque da luta
enfrentando a labuta
compor o meu samba enredo.
Na marcha deste carnaval
bem vai a frente do mal
e o amor não faz segredo.

E feliz em minha cantiga
desfilo na passarela amiga
da avenida Universo.
Do samba fazendo canção
em feitio de oração
na simples rima do meu verso.

Quiçá lá no fim da estrada
encontre uma veste bordada
de luz, estrelas e ainda mais.
Compondo uma escola de samba
cujo tema se flamba
no fogo eterno da paz.

NA AVENIDA
Patricia Andrea

E chegou o dia...
Deixemos para trás
Todas as desavenças
Todas as tristezas
Soltemos toda a alegria
Até neste momento contida!

As fantasias darão brilho
A bateria marcará ritmada
O compasso de nossos corações
Todas as palavras
Serão feitas canções
A escola de samba será nosso guia...

Tudo será magia,
Tudo será como queiramos seja
Todo um país festeja
Sua grandiosidade e beleza
Nos passos na avenida
Dos passistas e sua realeza

É carnaval, é alegria
É todo um país na avenida
São fantasias, sorrisos
São histórias e alegorias
É o Rio de Janeiro dando passagem
A todas nossas fantasias!

Os Desfiles das Escolas de Samba

Composição de uma Escola

Componentes e significados

É Tempo de Carnaval
Tahyane

É tempo de grande folia
de extravasar a alegria
de vestir a fantasia
e brincar o carnaval

Desfilam com harmonia
cores, brilhos e alegorias
que levam aos olhos beleza
o povo esquece as tristezas
Só porque é carnaval

No ritmo do axé e do samba
vive o povo folião
quatro dias de amnésia
só porque é carnaval!

É Carnaval...
Susana Mendes


E nesta noite será assim,
Somos dois poetas amantes a sonhar,
abraçados e enamorados,
do nosso amor fantasiados,
entre plumas e paetês...
Somos os dois a vestir em cores,
mascarados a sambar...
Vem meu pierrot amado,
quero ser sua colombina,
entra e vem comigo,
nesta marcha carnavalesca...
Deixe que nossos corpos nesta folia
se contagiem na alegria
de todos os arlequins..
E sob ardor deste desejo ,
sobejados e molhados deste calor,
te convido , me convidas,
a adentrar nesta noite,
embebidos pelo aroma,
entre confetes e serpentinas,
num arroubo cantando em beijos,
suando em purpurinas,
estendidos para o luar,
até a noite a findar,
e o dia clarear,
mascarados,
apaixonados..
Mais uma noite de carnaval

As Escolas de Samba

Magia Colorida
Neli Neto

Carnaval,
muita alegria liberta
na magia colorida
que encantam nossos olhares.
Muito amor iniciado
intensamente vivido
nos três dias de folia...

União de raças, de classes
muito amor distribuído
em três dias de algazarra.

Nenhum preconceito assumido
nenhuma revanche encontrada
só fantasias douradas
de sonhos realizados
que não permitem seu término
na quarta feira de cinzas.

E lá vamos nós coesos
adentrando pela vida
É o Bloco do Luna que chega
pra aquecer os corações
levando amor, esperança
a todos os foliões.

Feliz Carnaval
a todos os poetas componentes do Luna´s
bem como seus Amigos e Leitores.
Que a magia colorida oculta em seus dias
possam fazer renascer em todos os corações
a esperança, a paz e a alegria
presente em nossas fantasias.

Neli Neto

janeiro/2004

Música: Ô Abre-Alas

Imagem original "Carnaval" ©Artwork Digital by Angel Estevez
gentilmente autorizada pelo autor para o Aconteceu.

 

 
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