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Alphonsus de Guimaraens

Biografia

Afonso Henriques da Costa Guimarães. Ouro Preto - MG, 1870 - 1921. Obras Principais: Setenário das Dores de Nossa Senhora, 1899; Dona Mística, 1899; Kiriale, 1902; Pastoral aos Crentes do Amor e da Morte, 1923.

Alphonsus de Guimaraens
(1870 - 1921) Afonso Henriques da Costa Guimarães nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais. Depois de uma ligeira fase boêmia e dandy na juventude, inicia o curso de Engenharia, mas logo o abandona e forma-se em Direito. Colabora com jornais diversos, e, após casar-se e ingressar na magistratura, vai residir em Mariana, de onde raramente sai, até falecer, aos 51 anos de idade. Sua poesia busca traduzir a musicalidade e a sutileza de Verlaine para a atmosfera religiosa que respirava. Seus livros mais importantes são Dona Mística (1899) e Kyriale (1902).

http://www.secrel.com.br/jpoesia/al.html

 

 
DIA DA NACIONAL DA POESIA
 

Dia 20  - segunda feira - é dia nacional da Poesia.

Eu acho que todo dia, toda hora, todo momento, cada segundo, sibilar do vento, canto do passarinho, um triste olhar d´um menino, uns olhos rasos d´água, coração cheio de mágoa, rumorejar do regato, misha  -, minha poodle branquinha, mico leão dourado, jacaré do pantanal, onça pintada, mulata sambando, um gato sarado, um bom computador, amigos virtuais, o bem amado, filhos, suspiros, sustenidos,  gente que chega, gente que vai, um lápis, melodia, um gemido, um ai, uma lágrima, um afago, uma saudade, um bem-querer,  um sonho, - nos evocam sensações, impressões que nos transformam em poesia.

O homem é, na essência, um sonhador. Transforma seus desejos - aqueles inenarráveis, irrealizáveis - em poesia - e nos convida a vir chorar e rir com seus versos de dor ou de alegria - pois nos versos dos poetas as nossas verdades - as ditas e não ditas!

Venham pois, Lunáticos de todas as querências, de todas as plagas, de todas as letras, de todas as canções, de todos os versos, de todos os ventos, de todos os sois, de todas as luas, de todas as lágrimas, comemorar com o Luna&Amigos: deixem hoje, amanhã e sempre o teu sangue em palavras que não morrerão jamais, pois sempre encontrarão eco em algum sentir.

Venham, poetas do Luna´s - artífices da palavra, arco-íris dos sonhos , a festa é nossa.

Para vocês -  dedico este meu poema: 

 

Escultora.
Delasnieve Daspet
 

É tanta solidão que carrego.
É tanta saudade em meu peito.
Minhas noites sem nexo.
Amorfa existência.

Mas na condição humana
Na inspiração que me foi dada
Sou instrumento.

Minha arte é única.
Sofrível,
Dispare,
Inútil,
Escultora que sou
De palavras!

Trabalho pensamentos brutos,
Como pedras não lapidadas,
Inseguros sentimentos,
Tão humanos quanto eu!

Pensamentos de dores,
Minhas, de todos,
De todos os dias,
Esquecidas palavras.
Verbos perdidos na multidão
De sentimentos sem nome!

Esculpindo sonhos,
Lapidando vidas,
Entalhando utopias,
Nas formas brutas d'alma,
Vou distribuindo paixão
Na voz que não quer calar!

Confira alguns poemas de Alphonsus de Guimaraens:
Ossa Mea
Terceira Dor
Cisnes Brancos
A Catedral
Ismália
Hão de Chorar por Ela os Cinamomos...
Soneto
Cantem outros a clara cor virente

A Poesia 
 
Falar em poesias
é falar em sonhos
é a vida em fantasias
É com palavras adornar sentimentos
Emoções da alma que extasiam
 
A natureza é poética
Em tudo há poesia
no perfume que da flor exala
no canto do pássaro a melodia
 
A poesia das cores,
está na arte dos pintores
A poesia do céu está no luar
em prateados raios no mar
que inspiram seresteiros
para as estrelas cantar
 
A Poesia da alma
é a chama de Luz
que Deus Poeta Criação
acendeu em todo coração
 
Tahyane
© RJ 2003
 Poesia
                by B@by®

 Gôtas de emoções derramadas
Aleatòriamente por folhas encontradas,
E rabiscadas às vezes distraìdamente
Mas que traduzem sentimentos latentes.

Expressão do amor e da saudade,
Da tristeza, alegria ou felicidade,
Nostalgia, loucura e sofrimento
Ou dôres, dissabores e tormentos.

Pedaços importantes de vidas,
Fragmentos de lembranças mal vividas,
Lamúrias por alguém distante,
Contentamento pela presença constante.

O mundo não seria tão cheio de beleza,
Sem os poetas e suas poesias, com certeza,
E se não existissem tantos lindos versos,
Deus criaria um outro universo!

O Cinamomo Floresce...

O cinamomo floresce
Em frente do teu postigo
Cada flor murcha que desce
Morre de sonhar contigo.

E as folhas verdes que vejo
Caídas por sobre o solo,
Chamadas pelo teu beijo
Vão procurar o teu colo.

Ai! Senhora, se eu pudesse
Ser o cinamomo antigo
Que em flores roxas floresce
Em frente do teu postigo:

Verias talvez, ai! Como
São tristes em noite calma
As flores do cinamomo
De que está cheia a minh'alma!

Alphonsus de Guimaraens

Coração está Ocupado
Mônica F.Camargo
 
União de metades
completa a emoção
Supera as saudades
acariciando coração

Quando brilha encanto
no reflexo dos desejos
Som de sensual canto
traz à boca teus beijos

Assumem corpos sensações
embriaga néctar derramado
Prazer suave das concessões
absorve carinho apaixonado

Com amor conduzindo 
solidão permuta endereço
Gestos fluem seduzindo
e em teu amor me esqueço

Amor
complexidade divina

traz
sentir iluminado
se
distante aproxima
perto é o almejado
 
Pensamentos
captam tua energia
junto à melodia
e
no outdoor
que
olhar transporta
é
em destaque anunciado
...não insista...
Coração está Ocupado
 
e
sensivelmente enamorado
 
com amor ao lado
segue em frente
feliz
por amar e ser amado

Onde a Poesia Está
(Mellíss)
 
No fundo dos meus olhos,
quando eu não puder reconhecer
o brilho de outros sonhos
ou mesmo quando o riso
não trouxer ternuras e esperanças,
ainda há de restar a sedução do verbo,
aquele que me toma a alma em sobressalto,
aquele que arrebenta  algemas do passado,
que estilhaça o painel da realidade
e me oferece
 a taça inebriante do apenas imaginado ...
No fundo do meu peito,
quando o coração quiser calar
todas as vozes que me encantam,
emudecer canções que me acalentam,
silenciar acordes que me embalam,
ainda hei de escutar
uma orquestra de estrelas cristalinas,
miríades de graças ,luzes, cores, vidas,
pois onde a poesia está,
ali, eu vivo ... .
 
Eu e os Poetas

Priscila de Loureiro Coelho

Dos belos poemas que já li
Ficou-me a sensação de pertencer...
Como se tudo o que eu vivi
Já existisse antes de eu nascer!

A identificação com os poetas
É uma pretensão que me faz bem.
Talvez seja esta alegria sempre incerta
Que me faz sonhar e escrever também...

Sensíveis, todas estas criaturas
Transmitem com recato e pudor
Imagens belas, emoções tão puras
E as mais diversas formas de amor

Sendo assim, a todos eles eu me rendo
Numa homenagem carinhosa e emotiva
Na intenção de que fiquem sabendo
Que quanto mais os leio... Mais me sinto viva!

Simbolismo

-
Preliminares
- Características Gerais
- Momento Histórico - Europa

SONHOS DE MENINA
 
josemir tadeu
 
Meus sonhos de quintais.
Meus risos e meus ais.
Minha alma que voava,
pelas tardes ao por do sol.
Imagens de postais.
Nas fotos dos jornais,
a quebra...
 
Sonhava-me bailarina,
cumprindo a sina,
de bailar mundo adiante...
Mais tarde me domina,
o sonho de encontrar,
um principe galante...
 
Sentada na orla,
do que se fazia pensamento,
então voante,
meu querer altivolante,
dominava os instantes,
desprendendo o meu querer...
 
Janelas e vitrais.
passagens por locais,
antes revistos...
Mistérios que pintavam,
em telas esboçadas,
as vezes por meu pranto,
as vezes por meu encanto...
 
Cresci entre as impressões,
das batidas vivas,
de eternos corações,
que sonhadores,
feito trovadores,
entoavam líricas canções,
perpetuando em mim,
um prosseguir sem fim.
uma infinda busca...
 
E quando adentro,
meus recônditos,
 mexo nos alfarrábios,
do diário que minha alma,
escreveu.
 
E sinto,
que cresci,
como o sonho também cresceu,
e ainda não vivi,
metade que sonhei...
 
Portanto,
caminhar com o pensamento,
eis minha lida pelo tempo,
tentando decifrar do vento,
as novidades que por certo,
ele ainda trará...
Dentro da geladeira glacial
assis

Vou fazer
Vou pensar
Vou imaginar
Vou escrever
Vou descriar
Vou desconstruir!

Um poema binacional
Com duas fronteiras
Com duas bandeiras!

Eu e voce
Homem e mulher
Anjo e demônio
Desejo e satisfação
Sintese e solução
Protese e ilusão!

Talvez eu seja bem racional
Como noticia urgente
Em telejornal!

Um acordo
Um tratado
Um acerto
Um contrato
De imediato
De ambito nacional!

Numa cidade no vale azul
Vão todos aplaudir
Vaiando o final sensacional!

De pele morena
Olho vidro multicor
Animal social
Pareço neanderthal
Mas sou homo transgênico
Uso pasta dental!

Viva o pecado original
E a doença terminal
Conceito não é cura!

Vou fazer
Vou pensar
Vou imaginar!
 

Espaços vazios

by-Caio Lucas

Encontro espaços em branco nos meus versos,
divido alguns,
outros, como os amores,
escondo dentro do peito,
espero uma alma que cuide
ou só um sorriso para aliviar.

Sou o sol, a lua, a terra,
sou parte de tudo um pouco,
tem dias que não sou nada,
mesmo que os olhos sequem,
as lágrimas brotam salgadas e frias,
falta alguém só meu em mim.

Minha vida é uma folha em branco,
escrevo palavras sem nexo,
choro, até que a vida volte,
ouço barulhos, mágoas, lamentos,
falta tinta, falta talento, falta paixão.

Quando a montanha de solidão cair,
ganho amor,
sem crenças, sem ameaças,
preciso da luz, dos sons em meus dias,
nas noites quero um corpo quente
com uma paixão que me estremeça,
então serei alguém no mundo,
venha, me ame, é meu último pedido.


 

Vagueiam Suavemente Os Teus Olhares...

Vaguei suavemente os teus olhares
Pelo amplo céu todo franjado em linho:
Comprazem-te as visões crepusculares...
Tu és a ave que perdeu o ninho.

Em nichos doirados, em que altares
Repoisas, anjo errante, de mansinho ?
E penso, ao ver-te envolta em véus de luares,
Que vês no azul o teu caixão de pinho.

És a essência de tudo o quanto desce
Do solar das celestes maravilhas...
- Harpa dos crentes, cítola da prece.

Lua eterna que não tivesse fases,
Cintilas branca, imaculada brilhas,
E poeiras de astros nas sandálias trazes...

Alphonsus de Guimaraens

 

Minhas noites de verão

Myriam Peres

 

Calor! Brasas do coração

Centelhas de pura emoção

Amor pecado, amor fascinação

Dilue, em noites, meu eterno namorar

Fagulhas de meu íntimo versejar

Que enriquecem toda vida, a sonhar...

 

Alinhavos, costuras de desvarios

Chuleados de intensa sensação

Que salpicam minhas noites de verão

Noites quentes, suadas, maliciosas

Alvoroçadas pelo estímulo do calor 

Gotejam, transformando-se em amor...

 

Noites violentas, como aves de rapina

Em ânsias ferozes, descontroladas

Abocanham sedutoras imagens

Num fervilhar de volúpias terrenas

Atraem sensações intensas, plenas

Frenesis sôfregos, carícias cobiçadas...

 

Adoro intensas noites de verão

Convites a abraços, a tirar os pés do chão

Verão, avivando cores ao nosso redor

Cores quentes, sabores estimulantes

Vendaval de ânsias, solfejos em profusão

Calam imensos desejos no meu coração...

 

Noites sufocantes, alucinadas

Carícias, intensamente, ousadas

Relaxam minhas palpitações

Segredos obscuros, revelados

Olhos estonteantes, esgazeados

Céus, em fuzarca, espalmados

Delícias incontidas, desencontradas...

 

O que mais me fascina nessas noites

São os eternos convites de poder viver

Querer tudo, sobreviver a só fazer

Olhos nos olhos, querências atrapalhadas

Jocosas, sinceras, amadas, desinformadas

Que me fazem vibrar de intensa emoção

Uma noite linda desse meu eterno verão...

 

O poeta e a noite

(maria rosa salvati martins)

 

Noite da lua minguante,

Noite da vaca profana,

Calma!

Estou chegando...

É que dessa vez venho devagar,

Quebrei o pé naquele balaco baco...

Noite da festa,

Noite do sono,

Estou chegando,

Já vamos conversar...

Noite do orvalho,

Noite das cores adormecidas,

Eu também estou com saudades...

Noite da pedra,

Noite do litoral,

Estou chegando...

Com o pé quebrado e o coração aceso.

Noite amiga,

Noite flor,

Noite do Ramo Roubado de Neruda...

Calma!

Estou chegando...

Prepare a grama, as estrelas e o vento

Que o meu verbo vai chegar...
 
 

Portugal
-
Momento Histórico
- A Literatura
- Cronologia

Palávrea

Gustavo Dourado

Encanta com o canto
No recanto da Palavra
Pássaro-Sol
Homem-Flor..

O Sol lavra a obra
A palábora elabora
A cobra cria
O labor da Poesia...

Pá...Lavra o Solo
O Sol lavra a poesia
A Pa-lavra...

Lavra-a-dor


A língua enrosca
Feito cobra
Na Obra
Do Criador:..

AMOR
Marineide Miranda
 
Amor, 
Um acaso, ou um esboço no Universo traçado?
 
Um daqueles assim inesperado 
Acenando  como que revivido e reencontrado  
 
Deve ser mesmo amor de aconchêgo
Aquilo de perder o folêgo e tirar o sossêgo
 
O amor acontece, amanhecemos mais vivos 
Ele vem sem credo, sem medo, sem crivos
 
Magia, sonho, sedução, entrega, alumbramento 
O amor não preenche o espaço, não cabe no tempo 
 
E o tempo do amor é outra dimensão
Outra viagem, a luz da alucinação 
 
Vem amor,  
Que as noites agora são como a eternidade 
Vem,
Que importa as luzes da cidade, 
 
Se a ausência da tua luz
É tão somente aquilo que me arde.

   
"Como um Poeta"
Nelim Monti

Sonharei...amarei...
enquanto me for permitido
Embora sabendo,
ser tudo quimera,.
Como o perfume que evapora.
Quiça o desengano
seja meu troféu...
Que certamente não aceitarei.
Assim vou vivendo
vou sonhando sempre.
Sonhando, amando como um Poeta
.

Rosas

Rosas que já vos fostes, desfolhadas
Por mãos também que Já foram, rosas
Suaves e tristes! Rosas que as amadas,
Mortas também, beijaram suspirosas...

Umas rubras e vãs, outras fanadas,
Mas cheias do calor das amorosas...
Sois aroma de almofadas silenciosas,
Onde dormiram tranças destrançadas.

Umas brancas, da cor das pobres freiras,
Outras cheias de viço de frescura,
Rosas primeiras, rosas derradeiras!

Ai! Quem melhor que vós, se a dor perdura,
Para coroar-me, rosas passageiras,
O sonho que se esvai na desventura ?

Alphonsus de Guimaraens

Timidez Poética

 

Na timidez de nós

Timidamente

Chegamos a vós

Simplesmente

Somos nós

Amigos Poetas

Que na sua altivez

De verso em verso

Frases e reversos

Somamos dias e dias

De amores,

Carinhos e alegrias

Transformados

Em poesia...

© Arlete Maria

 
Ser Poeta
Vyrena

É extravasar  sentimentos
que surgem do fundo da alma...
passeiam pelo universo...
transformam-se em estrelas
e caem em forma de versos!

Ser poeta é
deixar fluir o pensamento...
enlaçar a saudade
daqueles sonhos perdidos...
que estavam escondidos
dentro de nossas lembranças!

Ser poeta é
conversar com a lua...
que das noites é rainha...
entregar-se ao seu feitiço...
transformá-la em poesia!

Ser poeta é
sentar-se na varanda...
para...sob o brilho das estrelas...
tomar  banho de lua...
deixar-se levar pelo sonho
de flutuar junto com elas!

Ser poeta é
velejar pelos mares da fantasia...
pedir carona à inspiração
para espalhar...ao mundo...
O que lhe vai no coração!
 
Minha infância

Belvedere

Minha infância
tinha ares
de cidade de interior
em pleno Rio de Janeiro.
Dos três filhos
fui quem nasceu
primeiro.
Criativa,
armava cenários
teatrais nos quintais
da vizinhança,
pobre de distração.
Minhas idéias eram
 a atração
esperada.
Havia alegria
no ar,
dignidade na pobreza,
talvez fato comum
naquela época
hoje longínqua
já que sou
uma senhora.
Guardo esses fatos
indeléveis
na memória.
Nostalgia
 me envolve.
Penso nas crianças
 de agora.
Quisera tivessem
um pouco
 daquela hora.
A poesia,
o encanto
num subúrbio esquecido
que hoje,
infelizmente
virou  curral
de bandidos


Brasil
-
Momento Histórico
- A Literatura

  Promessa de Amor!

                    
Um dia ele chegou de mansinho,
Entrando com carinho,clamando por meus versinhos,
Abrindo a janela de meu coração foi me conquistando
Chegou com a noite,
Chegou me abraçando,
Chegou dizendo me amar,
Seus braços ainda que distantes abraçaram os meus,
Sua luz me envolveu,
Meus encantos, foram de encontro aos encantos seus
Minha alma comungou, e amou...
Ele chegou de mansinho,
 Descobriu meu ninho,
Agasalhou-me de amor,e pelo seu beijo sonhando estou,
Promessa...
Promessa de amor


Por:
Cora Maria

Mundo do Lua

Silvia Saraiva

No mundo da lua
lá se vai o poeta
caminhos de sonhos
 paixão secreta .

Vida de magia
cheia de ilusão
triste coração
procura a alegria.

 Expõe sentimento
sofre da dor de amar
  vive o momento
até se acabar.

Poeta não mente
apenas sente
este sentir tão sentido
por vezes sem sentido
mas que se faz entendido
quando se faz lido.


Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
 
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
estava longe do mar...
 
E como anjo pendeu
as asas para voar...
queria a lua do céu,
queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu,
rufaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
seu corpo desceu ao mar...
Alphonsus de Guimaraens
Alphonsus de Guimaraens.
w ww . noventodotempo . cjb . net. Casa de Alphonsus de Guimaraens.
Museu Alphonsus de Guimaraens, em Mariana-MG. ...
Ser Poesia

Maria Petronilho
/ Maria Thereza Neves



É vocação, a Poesia
                               Que seja eu Poesia
Poetas nascem cingindo
                            Desenhando
O âmbito da palavra
                                    No Infinito Universo


 
colectam de  sua lavra
                                
entre estrelas e sonhos
Fazendo novo do velho
                                 Libertando todas as amarras
Novos frutos, mesma terra
                       Do ventre, a palavra


 
Produz-se no tear a manta
                                     lentamente
Obra feita que acalanta
                                    sonha
Mas não possui vida própria


 
Que compor é recolher
                               Pôr ao abrigo
Com a força e o labor
                                a alma que canta
O Verbo do seu altar

 

Poesia incendeia a  pessoa
                                          entre chamas, labaredas ou chuvas
Que canta  e ademais sonha
         Germina
É dom, manancial  esteio
            É VIDA!

 
gozo  inato e sofrido
                               
extase profundo, sentido
De tudo quanto nos  circunda
                     
cingindo Criaturas
Ao âmago de nós mesmos!
                   
Ao SER POESIA!
 
Sabem-me as Mãos
 © Fernanda Guimarães 

Sabem-me as mãos
Quando, amiúde
Ensaiam vôos de letras
Suspensas em suspiros
Entrecortados versos
De segredos e precipícios
Mãos que transbordam
Rasuras, oceanos e desertos

Sabem-me as mãos
Quando anoitecidas
Bocejam a angústia
Do olhar insone
Que não se reconhece
No espelho que o espreita
Pará cá do que se permite ver
Apenas a vida branda
Em enganadora sensatez

Sabem-me as mãos
Quando se deixam pendidas
Estendidas em nuvens
Parindo-me novos horizonte
Ou a navegar nas águas turvas
Onde os olhares mergulham
Em cicios, dissonâncias e sussurros
Confrontando a solidão da alma
Atravessada em indagações
Sobre o respirar da vida

Sabem-me as mãos
Quando vem do gris a palavra
Que se dissimula em quietudes
E o eco é a dor que cala
O frio corte da solitude
Em que se rasga o sentir exangue

Sabem-me as mãos
Que me alforriam algumas palavras
E me amordaçam outras tantas
Estancando a chaga dos lábios
Com torniquetes de silêncios
Contendo a caligrafia
Que sangra o teu nome, a saudade
 
 
A VIDA É POESIA 
 
Na poesia  busco 
a calma do rio manso,
em seu leito sereno
sem pedras e sem cascatas.
 
Na poesia encontro 
a luz das estrelas,
que  refletem intensamente 
dentro do meu coração !
 
Na poesia vivo 
a emoção de momentos,  
que retratam magicamente
o passado e o presente.
 
Na poesia vejo o sorriso 
da criança inocente, 
quando penso na 
esperança do amanhã .
 
Na poesia sinto 
o mar revolto,
quando a maldade se manifesta 
neste mundo turbulhento.
 
Na poesia vivencio 
o deslizar de uma lágrima, 
quando a saudade aperta 
com a lembrança de meu amado ! 
 
Na poesia caminho 
por alamedas floridas,
passarela perfumada do amor,  
que me encanta a cada dia !
 
Na poesia  me deleito 
com  a transparência da alma, 
em versos construídos, 
na sensibilidade de viver a vida ! 
 
OlhosDe£in¢e
Curitiba,19/10/2003

VERSOS 
(Susana Mendes)

Versos sibilantes em minh'alma
Não poderiam por certo serem chamados de ...
" Poesias "
Se neles estão contidos todos os meus sentires
e não poderiam assim serem corrompidos
só prá acarinhar-te o âmago

Versos titubeantes de minha consciência,
gritam clamando em obstinada liberdade
mas qual demente guarda em si
abstinência da própria palavra
e ela assim não dita,
 chega a ser malditamente interpretada

Versos em reversos d'um coração malogrado,
choramingando letras prosta-se humilhado,
recolhe cacos silábicos..
Um corpo ... resta então inerte... amuado,
pois é debalde a tua inspiração

E as palavras sem união então,
adormecem, mudas retraídas
gemem insuladas em abstração...
Morre em mim o verso etéreo
Secam em minh'alma,
 e .... Calo

 
A Catedral

Entre brumas ao longe surge a aurora,
O hialino orvalho aos poucos se evapora,
Agoniza o arrebol.
A catedral eburnea do meu sonho
Aparece na paz do ceu risonho
Toda branca de sol.

E o sino canta em lugebres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
O astro glorioso segue a eterna estrada.
Uma aurea seta lhe cintila em cada
Refulgente raio de luz.

A catedral eburnea do meu sonho,
Onde os meus olhos tao cansados ponho,
Recebe a benção de Jesus.
E o sino clama em lugebres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"

Por entre lirios e lilases desce
A tarde esquiva: amargurada prece
Poe-se a luz a rezar.
A catedral eburnea do meu sonho
Aparece na paz do ceu tristonho
Toda branca de luar.

E o sino chora em lugebres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
O céu é todo trevas: o vento uiva.
Do relâmpago a cabeleira ruiva
Vem acoitar o rosto meu.

A catedral eburnea do meu sonho
Afunda-se no caos do céu medonho
Como um astro que já morreu.
E o sino chora em lugebres responsos:
"Pobre Alphonsus! Pobre Alphonsus!"
Alphonsus de Guimaraens
 
Momentos e nada mais ...
Maria Thereza Neves
 
 
Momentos e nada mais ...
ilusão que o verso embarca , f l u t u a
mirante que o poeta atinge
 se deixa jorrar
expelindo
a alma do próprio ventre
 
 
sentidos e realidades confusas
em que o nada absoluto se exprime como criação
das trevas vislumbra estrelas
metáforas da luta entre o amor e a paixão 
 da vida ou morte das entranhas
 
 
um céu sem par
a imensidão em que pisa
visão do que não volta
do eterno crepúsculo agora em apagadas cinzas
restos do nada mais que momentos ...
 
 
 
 
TODO DIA É DIA DE POESIA
 
Salve 20 de Outubro!
Em homenagem
A todos/as Poetas
Em seu dia-a-dia...
 
Todo Dia-a-Dia
É Dia
De Poesia...
 
Poeta
P(r)o(f)eta
Poemagia
 
Poeme
Poete
Poesie
 
Poiesis:
Arte de fazer
Phantasia...
 
Esculpir Mar.cor-Íris
ArTecer Alegorias
Elaborar Palávreas
TransConstruir Sonfonias
 
Kamasutrear Cosmologias
Genamorar Estreluas
Orgasmorreviver Utopias...
 
Gustavo Dourado
 
O ANDEIRO
 
O passo torto
do poeta andejo
desperta sua visão
para o belo oculto
das coisas simples.
 
Um esqueleto de folha.
A sombra da gaivota.
Uma nuvem rosada.
Uma pedra quebrada.
Um vulto de mulher.
 
Ele, um semeador,
segue poetando,
num ciclo renovado,
as coisas sem valor,
dentro de seu ritmo,
com a certeza plena
de tocar o improvável.
 
Otávio Coral
O HOMEM DO REALEJO
Camões Filho
 
Na velha praça de minha cidade, 
Carregando penosamente sua idade, 
Segue jubiloso o Homem do Realejo. 
Com seu instrumento executa uma canção
Que ternamente invade-me o coração, 
No mais belo quadro que na praça vejo. 
 
Nos ombros um papagaio do Norte, 
Tira com o bico o cartão da sorte, 
Que com cuidado o ancião preparou. 
Moleques vadios, pássaros humanos, 
Magricelos meninos de poucos anos, 
Rodeiam o velho que ora chegou. 
 
Eu fico ao longe, apenas olhando, 
A mocidade sorrindo, o velho cantando, 
Na pequena cidade em que fui nascer. 
De barbas brancas qual Papai Noel, 
Que passa longe, não desce do céu, 
É o velho a expressão do bem-querer. 
 
O velho não sabe, não sabe não, 
Que o menino descalço, pés no chão, 
Naquele momento é quase seu filho. 
De rosto sujo, com falta de amor, 
Numa procura atroz de calor, 
Pertence-lhe aquele ser maltrapilho. 
 
Mas o realejo não pára de tocar, 
É preciso a vida conquistar, 
Levando música, sorte, alegria. 
A cidade continua em compasso lento, 
A música segue a brigar com o vento, 
E o velho já ganhou seu dia.
 
Mil, novecentos e noventa e dois, 
Uns trinta e poucos anos depois, 
O homem do realejo morreu. 
Eu, o menino maltrapilho de outrora, 
Volto à minha cidade e, agora, 
Choro ao rever o realejo que emudeceu. 
 
Pesquisas/formatação/TT:)
(Imagem de fundo Ouro Preto/MG)
JF/ outubro/2003
Maria Thereza Neves
 
Música: Sonata


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