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Clarice Lispector
 
Um Conto de Clarice Lispector...
 
 

Clarice Lispector nasceu a 10 de dezembro de 1920, em Tchetchelnik, Ucrânia. Recém-nascida veio com os pais, em 1921, para Maceió. Em 1924, mudou-se com a família para Recife e, em 1935, estavam no Rio de Janeiro. Em 1943, tornou-se aluna da Faculdade de Direito. Nesse período escreveu seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem. Casou-se com o embaixador Maury Gurgel Valente. A seguir, morou em Nápoles, Berna, Torquay (Inglaterra) e Washington.

Em 1959, separou-se do marido e fixou residência no Rio de Janeiro. A partir daí, colaborou para a revista Senhor, fez entrevistas para a revista Manchete, colaborou em colunas para o Jornal da Tarde, Correio da Manhã e, anos depois, para o Jornal do Brasil, além de manter a coluna "Só para mulheres", no Diário da Noite.

Em 1962, recebeu o prêmio Carmem Dolores pelo romance A Maçã no Escuro. Em 1967, recebeu o prêmio Calunga, da Companhia Nacional da Criança pela publicação de O Mistério do Coelho Pensante. Em setembro, desse mesmo ano, provoca, acidentalmente, um incêndio em seu apartamento, queimando gravemente sua mão direita.

Em 1968, junto com outros intelectuais, participou de uma manifestação contra a ditadura militar. Em 1976, recebeu o prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal pelo conjunto de sua obra. Em 1977, publicou seu último livro, A Hora da Estrela [ver Antologia]. Faleceu, no dia 9 de dezembro, desse mesmo ano, devido a um câncer no útero.

 

Encruzilhada

Maria Thereza Neves

 

Difícil caminhar caminhos

só encontrar paralelas

tropeçar em tantas pedras.

 

Difícil tentar regar sementes

não conseguir o brotar das flores

perfumes, amores.

 

Difícil escrever letras pretas

frias

não conseguir expressar sentimentos

ousar escrever poemas !

&

Itinerários

Maria Petronilho

 

Difícil deslindar caminhos

difícil seguir a linha do arco Íris

no meio das nuvens negras

 

Difícil desatar os nós

do destino que ameaça

em laças desesperadas

afogar nossas esperanças

 

difícil entrar em guerras

pela pacificação das almas

de mãos nuas, desarmadas

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

Com seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem [ver Antologia], Clarice desperta estranhamento e surpresa em alguns críticos, precisamente porque sua obra não se enquadrava em qualquer programa dos modernistas, nem dos regionalistas do período anterior.

 

Adeus, folhas secas!
Delasnieve Daspet


Chega a primavera
colorindo e dando vida.
Além de trazer um pouco
mais de chuvas.

Acabaram-se os dias secos,
plantas sem vida,
folhas secas.

O cenário da vida se assemelha a um jardim.
Há momentos em que impera o inverno,
estamos sem viço.
Parece que nada voltará
a embelezar a vida!

Mas chega a primavera!
E mudanças são possíveis.
O despertar de uma nova etapa
que vai nos tirar da letargia

Adeus, folhas secas!
Com uma tesoura pequena,
vou podando as arestas,
limpando os arbustos,
tirando - da vida - os fungos!

Vou replantar os sonhos...
A época é agora!
Terei tempo suficiente para adaptar
ao novo, a raiz plantada.

Cortarei algumas situações
para que outras surjam com mais força.

Vou imprimir à vida
a renovação da primavera!

O trabalho da escritora é complexo e identificado como o ponto mais alto da segunda fase do Modernismo. O tema dominante versa sobre a necessidade que o homem tem de amparar-se na linguagem para suportar o desamparo diante do universo, recoberto pelo silêncio intraduzível.

Varal Poético

Ele é o mais Igual entre os iguais;
Ele monta a Cavalo; os outros, baguais;
Ele está nas colunas de todos os jornais,
comuns as dos outros; as Dele, especiais;
aparece nos suplementos dominicais,
nas edições extras, e noutras que tais;
Ele é o Varal póetico dos Portais...

Moacir et Selena 2003
brilhe a vossa LUZ!

e cavalos eram trazidos a Salomão (II Crônicas 9:28)

A tarefa da escritora é aprisionar esse silêncio e dar-lhe sentido. Esse trabalho exige contínuas retomadas que vão criando um discurso paradoxal, transitório, assim definido por Benedito Nunes: "o sentido erra entre o exprimível dos significantes e o inexprimível do significado".

 
"A Viagem"
Nelim Monti


 O sinal é dado...
É dada a largada.
O caminho é longo e sinuoso
Muitos são os que descem...
Outros sobem...


Sentada perto da janela,
posso observar o tempo correndo
passando...
Procurando...


Lugares, pessoas, rostos
desfilando.
Alguns transfigurados
gemendo pela dor que os
aflige.
Outros flutuando
Sorrindo
Amando
Cada um é herdeiro
de si mesmo


Espírito imortal que somos,
evoluimos de etapa em etapa.
Em cada estação dá-se o prosseguimento
ao interrompido em outra.


Cada passageiro trás o destino
que organizou para si.
Uma oportunidade evolutiva...


O presente... é resultado do passado.
O futuro... depende de Deus
A viagem é sua.
 

Nas obras de Clarice se destacam: o emprego intenso da metáfora, o fluxo da consciência e o rompimento com o enredo. No conjunto, essa técnica colabora para a visitação do mundo interior das personagens, sempre manifestado pela subjetividade em crise. A memória serve de elo condutor entre o subjetivo e o "real", favorecendo à auto-análise, numa espécie de "um contínuo denso de experiência existencial".

Poetrix
Amor

Um pouco de paixão
Um pouco de sedução
Muito de coração


Sentimento indivisível
Acontecimento Imprevisível
Contaminação irreversível

Amor fascinação
uma atração fatal
com  fogo de paixão


Tahyane 2003

Essa experiência resulta em despersonalização das personagens, diante da impossibilidade da representação do mundo e do quotidiano, enquanto buscam o centro de si mesmas. É, pois, uma queda no vazio, provocadora de horror, como em A Paixão Segundo G.H. [ver Antologia]. Seus temas mais comuns são: a relação entre o bem e o mal, a culpa, o crime, o castigo e o pecado.

Em Tuas Mãos
Mônica F.Camargo
 
 
Há muito és minha estação
Seja primavera inverno verão
Patamar de intensa emoção
Alicerce do amor no coração
 
Verdade sentimento assevera
No carinho que embala amor
Pôr do sol te traz até mim
Nas asas do tempo é assim
 
Saudades acaricia sonhos
Mas não apaga linda manhã
Nas rimas de estima imensa
Amor de quem em ti pensa
 
Sem por ti ser esquecida
Na extensão do meu amor
Deixo a imaginação voar
E o desejo ir te buscar

 
Liberdade ao amar encontrei
Trilha de sonho contigo andei
Se teu amor for igual ao meu
Futuro dirá o que aconteceu

 
Presente acarinha emoção
Por tua chegada apaixonada
Me faz sentir enamorada
Ouso dizer até amada
 
 
A sensualidade cristalina
Leva amor alma feminina
Esse querer que aproxima
Acima é de mera estima
 
Posso ser
mais que ilusão
dentro do teu coração
ou
um simples instante
sem deixar raiz
Se assim for
a
sensibilidade
da tua razão
doure nas lembranças
o amor
que
na poesia e canção
esteve perto
e
Em Tuas Mãos

Sobrevida...

 

Não há nada

que se faça mais presente
do que esta vida,

sobrevida ausente
que insiste

em debulhar sementes
das dores todas

que por ora sente
um coração cansado,

em alegria aparente
dos amores todos,

derrotados sempre...

 


Angela Lara

 

"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

MOMENTOS
                       Tekasouza

Às vezes é preciso destravar tramelas,
Abrir todas as janelas,
Deixar correr livre nossa criança
Sonhar, acreditando que a vida pode ser bela.

Correr livre pelos parques,
Com os cabelos soltos ao vento,
Dançar sob a chuva, sentar nos barrancos,
Colher uma flor, brincar com cata-vento.

Comer pipocas, chupar picolé,
Tirar os sapatos, rolar na grama,
Escrever no barro, com os dedos do pé,
Correr atrás das borboletas, escorregar na lama.

Pular amarelinha nas pontas das estrelas
Planar e rodopiar sobre nuvens
Viajar por outros planetas
Debruçada no rabo de um cometa.

Às vezes é preciso ficar só...
Com um papel e uma caneta
Fechar todas janelas, travar tramelas,
Abrir no escuro nossas gavetas...

"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.
Que tem que ser vivido até a última gota.
Sem nenhum medo. Não mata."

Colheita

 

Plantei sementes verdes... A ampulheta

jorrou areia e estrelas de saudades

e pra acalmar o peito, o meu poeta,

me ensina as estações de insanidades.

 

Caminho nos pomares de um planeta,

sem árvores frutíferas. As grades

dos arados rejeitam a caneta,

mas sigo perseguindo as claridades.

 

Colhi dois belos filhos nas viagens,

um grande amor nas luas de Luana,

alguns amigos loucos e as miragens...

 

Feliz eu sou, e a letra não me engana:

-Sentença de um poeta: apenas vagens

de uma colheita pobre, doce e ufana.

 

  © Nathan de Castro

 

CRÔNICAS
Obras:

Para não esquecer
A descoberta do mundo
Diversos

QUE DEUS ME LIVRE...
josemir tadeu

sombras não clarejam
luzernas não enegrecem
os seios que alimentam aviventam
jamais dão frestas à morte...

que venham os amores em desvario
que surjam os cantares, pesares, azares
mas que se mantenha aromal o cio do rio
que se nivelem os prazeres e os falares

que se harmonizem as odes liriformes
que se arralentem as vontades das mentiras inteiras
que sejam avoadas as intempéries disformes
que as clastomanias se esparjam na poeira

que o amor faça-me viver do vislumbre
e que o arrasto dos intentos de arregaços
possam fazer-se destoantes perante aos puros timbres,
que alimentam beijos, agrados e abraços.

e que Deus me dê força e paciência
para mergulhar no dadivoso mundo divino que nos habita
que eu jamais perca do claror a leniência
que minha paz seja clara e infinita

e que cada ser procure pioneiro
clarejar-se como a cristalina cor do encanto
que o vigor do claror faça-se inteiro
assim como inteiras se fazem as notas do canto

e que minha vida seja protegida
não pelo envilecido algor da amargura
que me lancem pedras pra em mim brotar feridas
mas que retirem de mim,
a sensação danisca e escura
que se faz presente
nas rugas que abruptamente
mudam até a cor de nossa pele

faz-nos perigosos
por vezes cordeiros
por vezes venenosos

josemir (ao longo...)

CONTOS
Obras:

Felicidade clandestina
Onde estivestes de noite
Laços de família

SER
Jane Lagares

Somos lua clara,
estrela brilhante,
céu  sem nenhum enfeite, por vezes.
Somos mistos de sentimentos,
mistos de lamentos,
     de brilho  e escuridão..] S
Somos digitais únicas,
único existir.
Somos guerreiros fortes,
frágeis,
apáticos,
cansados de luta.
Somos tudo que se pode ser,
porque assim é ser humano,
caminhante, que erra,
acerta,
aprende ou não..
Opção de valores,
busca de tantas coisas.
Somos dilema e decisão.

        Uma mulher simples e inatingível

 

  • Viver, morrer

     

  • A pintora: imagens que buscam a alma

     

  • Sites interessantes

     

  • Crononogia: a trajetória de Clarice
  •  
    pele pedra
    abro-me cadabra
    espelho espelho
    meu
    rosto
    é
    mámore rosada
    de ec-pro-toplásmas
    minha alma
    vem de Gasa
    de bruxa-ria entendo eu?
    minha imagem
    é
    D´amor-cega
    em
    noturnos  e negrura
    meus olhos
    esmeraldas
    leem pergaminhos
    arcáicos
     mapas 
    em tramas  bíblicas
    todo fibra
    e
    d´água filtro
    em
    pedras
    tento  e tento harmonias
    e não descubro
    o que seja
    poesia...
    arbitrária
    acredito francamente
    ser
    panfletária
    ==============
    o que posso fazer né?
    helena armond
    Sê tembro
    sete
    2003
     
    Clarice Lispector: a plenitude das palavras
     
    http://www.estado.estadao.com.br/edicao/especial/clarice/clari1.html
     
     
    nave da palavra - Clarice Lispector e A Hora da Estrela
    "O que me atrapalha a vida é escrever.".
     
     

    A LUCIDEZ PERIGOSA
     

    Estou sentindo uma clareza tão grande
    que me anula como pessoa atual e comum:
    é uma lucidez vazia, como explicar?
    assim como um cálculo matemático perfeito
    do qual, no entanto, não se precise.

    Estou por assim dizer
    vendo claramente o vazio.
    E nem entendo aquilo que entendo:
    pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço.
    Além do que:que faço dessa lucidez?
    Sei também que esta minha lucidez
    pode-se tornar o inferno humano
    - já me aconteceu antes.

    Pois sei que
    - em termos de nossa diária
    e permanente acomodação
    resignada à irrealidade -
    essa clareza de realidade
    é um risco.

    Apagai, pois, minha flama, Deus,
    porque ela não me serve
    para viver os dias.
    Ajudai-me a de novo consistir
    dos modos possíveis.
    Eu consisto,
    eu consisto,
    amém.

     

    Nada detém os ciclos da vida nem a alternância dos dias e das noites.
     
    É inútil cultivar a ansiedade pelo amanhã ou a melancolia pelo que já passou.
     
    Mantenha sua mente relaxada e VIVA cada instante com alegria e prazer.
     
    E se for um momento difícil, lembre-se que ele também passará...
     
    Confie na VIDA porque ela está
    manifestada em VOCÊ.
     
    Daniel

     

    MAS HÁ A VIDA

     

    Mas há a vida 
    que é para ser 
    intensamente vivida, 
    há o amor. 
    Que tem que ser vivido 
    até a última gota. 
    Sem nenhum medo. 
    Não mata.

     

    Clarice Lispector - Menu
     

     

    Pátria Amada Brasil!!! 
    Iracema Zanetti
     


    Ahhh... Meu DEUS...
    Como sou brasileira, como amo meu Brasil,
    Nossa bandeira, nosso Hino Nacional! 

    Como amo o céu que tem mais estrelas,
    O céu que tem mais anil,
    O céu mais lindo da minha Pátria Brasil!

    Como amo os rios, as cachoeiras,
    As flores, as borboletas!
    Como amo o sol da nossa Terra,
    O dourado do ouro das nossas jazidas,
    Maculadas por tantas mãos aventureiras!

    Como amo as matas verdes, o pantanal,
    A selva amazônica, mesmo detonada
    Pela ganância dos poderosos,
    Do vandalismo e ignorância do bicho homem!  
    Será que ainda nos pertence alguma folhinha
    Do seu famoso verde que há tempos não é mais selva?
      
    Será que podemos ainda dizê-la brasileira,
    Ou já venderam-na inteira?
     
    E, nós, brasileiros, calamos, sem saber
    O que  se passa à nossa volta!
    Pois transações entre governos são tramadas
    À portas cerradas e sob o pano da mesa! 

    Ah... Deus, estou aqui digitando, ouvindo Nosso Hino...
    E chorando de dor no coração, ao ver nosso país
    Ser destruído sem guerras, mas pela violência,
    Pela corrupção dos governantes  e seus asseclas
    Que perderam o brio e o respeito pelo povo brasileiro... 
     
     Sem que "As Forças Armadas Brasileiras,"
    Esquecidas do juramento de servir a Pátria,
    Honrá-la e Amá-la em tempo de Guerra ou Paz...     
    Tomem as rédeas nas mãos, sem despotismo,
    Sem degradantes ditaduras, mas cuidem com amor
    E carinho da pátria que os sustenta como filhos...
    Não permitindo desonras e falcatruas em nosso país.

    Do País que despenca a nossos olhos,
    Aos olhos de um povo que sofre, espera e crê
    Na volta dos anos dourados que há tempos
    O vento levou!

    Dói, está doendo um coração que feliz já bateu
    Por esta nação, mas que ao passar do tempo,
    Marca passo, impedida por forças ocultas,
    De galgar sequer um degrau, para chegar ao topo,
    Saindo do desprezível terceiro mundo,
    Tratada como lixo por estrangeiros que se beneficiam
    Com o poder do dinheiro, comprando-a
    Sob nosso nariz... e o governo nos diz: 
    O Brasil vai bem......... Obrigadooooooo!!!

    A sina dos brasileiros realmente está ligada à samba,
    carnaval e futebol.
    Nosso governo segue à risca a política
    Da Antiga cidade de Roma:
    Aos Homens... Pão e Circo...
    E basta!
     
    Para o governo, é um prato feito, quando
    festivos eventos nacionais se realizam desviando
    A atenção do povo, pelo menos por alguns dias,
    Da tragédia ameaçadora despencando sobre nossas cabeças. 

    Brasil em ritmo de Copa, nos leva à profundas
    Emoções sentimentais, nos arranca do peito
    O brado retumbante, ao cantarmos o Hino Nacional
    Frente à TV, de pé, mão levada ao peito em sinal de respeito
    A nossa amada nação!
    Nos envolvemos em oração, pedindo à Padroeira
    Que nos dê a alegria de o Brasil ser penta campeão... 
    Confesso que também peço,
    Mas, sinceramente...
    Acho isso muito pouco à nos e a nossa nação!
     
    Dou meu colo e meu ombro à minha pátria e a ela digo:
    Brasil... não chores somente por mim...
    Mas por todos os teus filhos!!!
     
     
    Frases/Pensamentos

    Não se preocupe em "entender".  Viver ultrapassa todo entendimento.

    Renda-se, como eu me rendi.

    Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.

    Eu sou uma pergunta.

    O jogo de dados de um destino é irracional ?   É impiedoso.

     Sobre um livro que lhe emprestaram quando era criança...

    Chegando em casa não comecei a ler.  Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter.

    Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.

     Acho que o processo criador de um pintor e do escritor são da mesma fonte. O texto deve se exprimir através de imagens e as imagens são feitas de luz, cores, figuras, perspectivas, volumes, sensações.

     Estou tentando abrir um túnel na rocha bruta. Eu sei, sei que é penoso. Mas qual é a busca que em si mesma não traga sua pena?

     Se uma pessoa perguntar durante meia hora a palavra 'eu', essa pessoa se esquece quem é. Outras podem enlouquecer. É mais seguro não fazer jamais perguntas - porque nunca se atinge o âmago de uma resposta. E porque a resposta traz em si outra pergunta.

     Quero pintar uma tela branca. Como se faz? É a coisa mais difícil do mundo. A nudez. O número zero. Como atingi-los? Só chegando, suponho, ao núcleo último da pessoa.

     ...A vida é curta demais para eu ler todo o grosso dicionário a fim de por acaso descobrir a palavra salvadora.

     Me justificar mais do que a vida? No mundo das coisas, quando sei que elas vão acabar, começo a fruí-las. Tenho medo de estar viva.

     O mundo inteiro teme a própria vida. A morte é coisa que não é nossa. Mas a vida, a vida é, e eu morro de medo de respirar.

     

     O Que Machuca Mais

                do Que o Silêncio?
     
                     ©Sicouza
     
     
             Quisera eu,ser um gato
             para trepar as escondidas,
             no seu mundo
             e do telhado
             saber das coisas do seu dia,
             como tem passado...

     

    Não é fácil escrever. É duro quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados.

    Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.

    Minha liberdade é escrever. A palavra é o meu domínio sobre o mundo.

    Escrevo porque encontro nisso um prazer que não consigo traduzir.  Não sou pretensiosa.  Escrevo para mim, para que eu sinta a minha alma falando e cantando, às vezes chorando...

    A vida é igual em toda a parte e o que é necessário é a gente ser a gente.

    Como é ruim ser paciente, como eu tenho medo de ser uma "escritora" bem instalada, como eu tenho medo de usar minhas próprias palavras, de me explorar...

    Fiquei com vontade de chorar mas felizmente não chorei, porque quando choro fico tão consolada...

    Não se pode falar de silêncio como se fala de neve.  Não se pode dizer a ninguém como se diria da neve: Sentiu o silêncio desta noite ?  Quem ouviu não diz.

    Tenho que falar pois falar salva.  Mas não tenho uma só palavra a dizer.

    Há três coisas para as quais nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos.

    Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.

    Sou brasileira naturalizada, quando, por uma questão de meses, poderia ser brasileira nata. Fiz da língua portuguesa a minha vida interior, o meu pensamento mais íntimo, usei-a para palavras de amor. Comecei a escrever pequenos contos logo que me alfabetizaram, e escrevi-os em português, é claro. Criei-me em Recife.

    O ato criador é perigoso", disse numa entrevista, "porque a gente pode ir e não voltar mais. Todo artista sofre um grande risco. Até de loucura.

    Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.

     

    MEA CULPA

     

     

     

    Fogueira de exibição,

    Teorema, corolário,

    Verso que é verso

    Tem de ser ordinário,

    Por favor, não me digam

    Que não!

     

    Que me vale ser versado,

    Ter selo polifórmico

    Na parede a adornar,

    Se meço o que verso,

    Nem verso nem meço,

    Fico afónico,

    Com um poema por castrar.

     

    Ah, mas poeta, não quer elogio,

    Dêem-lhe antes o que comer,

    Sentem-no à vossa mesa,

    E a perguntar destas coisas

    Da vida,

    Porque diz ele do sol o frio,

    Ou da tormenta a bonança,

    Façam-no sem concordância,

    Que poeta que é gente

    Também anda como nós ao arrepio.

     

    Não! Antes a indiferença,

    Que poeta sem presença!

     

     

    Jorge Humberto

     

    Clarice Lispector por Portinari
     
     
    Texto de Clarice Lispector
     

    Preste atenção neste texto de Clarice Lispector.

    "Não te amo mais.
    Estarei mentindo dizendo que
    Ainda te quero como sempre quis.
    Tenho certeza que
    Nada foi em vão.
    Sinto dentro de mim que
    Você não significa nada.
    Não poderia dizer jamais que
    Alimento um grande amor.
    Sinto cada vez mais que
    Já te esqueci!
    E jamais usarei a frase
    EU TE AMO!
    Sinto, mas tenho que dizer a verdade
    É tarde demais..."

    Agora leia de baixo para cima... É fantástico o senso criativo da poetisa!!!

    Autor: Clarice Lispector - Sugestão de Nilton Haruo Saito

    Amor Distante!!!!

    Cora Maria

    Não torture este amor que nasceu da
    mais pura ingenuidade.

     

    Te transmito amor puro, te amo em um amor nobre, porém sem carinho, e sem sua presença...

     

    Acreditar que só em sonhos poderemos nos amar, é pedir demais para um amor que só quer se entregar.

     

    No abraço apertado revelar a falta que sinto de me envolver, de deixar o amor dizer aos seus ouvidos a grandeza do meu bem querer...

     

    Vou tentando sobreviver apenas da promessa de um dia nos rever...
    E no silêncio da madrugada vou enfeitando o dia em que este reencontro venha acontecer.
    Muitas vezes duvidando que esta alegria ainda eu possa ter...

     

    Espera cruel...

    Amor de ilusão, sem toque, sem palavra, sem ação...

     

    Apenas viver de amar a distância e só com o coração...
    Quando estarás ao alcance de minhas mãos?

     

    Quando vou te-la por inteira, sentir teu cheiro, teu sabor, o calor do seu amor?

     

    Perdoa, este meu desabafo, eu só desejo estar novamente em seus braços...

     

    Vem pra mim!

     Nem que seja pra dizer que nosso amor chegou ao fim.

     Mesmo assim...

     

    Vem pra mim!

     

     
    "Não quero ter a terrível

    limitação de quem vive apenas

    do que é passível de fazer sentido.

    Eu não: quero é uma verdade inventada.

    Sou um ser concomitante: reúno

    em mim o tempo passado, o presente e o

    futuro, o tempo que lateja no

    tique-taque dos relógios."
     

    Estado Amor

    Plínio Sgarbi



    Mulher
    semi nua
    seu jeito
    provoca pecados
    insinua
    me chama
    invoca um trato
    aceito
    meus desejos animal
    fico
    em seu corpo
    fêmea
    amasso
    num tal
    traço
    no intimo total
    finco
    em
    fenda
    regaço
    nuança
    jorra seivas
    amores escorre
    sublime
    alcance
    prazeres

     Uma vez irei. Uma vez irei sozinha, sem minha alma desta vez. O espírito, eu o terei entregue à família e aos amigos, com recomendações. Não será difícil cuidar dele, exige pouco, às vezes se alimenta com jornais mesmo. Não será difícil levá-lo ao cinema, quando se vai. Minha alma eu a deixarei, qualquer animal a abrigará: serão férias em outra paisagem, olhando através de qualquer janela dita da alma, qualquer janela de olhos de gato ou de cão. De tigre, eu preferiria...

     

    INDEPENDÊNCIA, MINHA VISÃO...

    7 de setembro 1822.
    Às margens do Rio Ipiranga a Independência de nossa Nação é proclamada.
    Muito fala-se sobre as reais circunstâncias que cercaram este momento histórico, mas o fato é, tornamo-nos uma Nação Livre!
    Brasil de tantos encantos e enganos...
    Brasil do seu povo humilde, e seus sofrimentos silenciosos.
    Brasil das crianças que colorem as ruas e praças, enchendo de alegria, o coração.
    Independência ou Morte! O grito fiel, saído de um peito arfante.
    Para muitos o " irreverente ", que vivia fora do seu trono, ao alimentar sonhos de liberdade.
    Vivia fora de sua hierarquia e assim caminhava contrariando aos conceitos e preconceitos de sua época.
    Independência ou Morte!
    Livres...Até onde amplia-se então esta dimensão de liberdade?
    1822...2003...
    Tantas e tantas sansões atravessamos neste tempo.
    Tantos governos, tantas moedas, tantas mazelas...
    Firme como a bandeira no mastro, permanece este País especialmente belo.
    Tantos nasceram neste berço abençoado. Esplêndido!
    Tantos morreram e à esta "Terra Mãe" retornaram...Mãe gentil !
    Tantos sofrem desilusões sem no entanto o abandonarem. Pátria Minha!
    Brasil do futebol na praia, da mulata e mistura das raças...Filhos deste solo!
    Da favela que estampa nas manchetes de jornal sua realidade.
    Do intercâmbio cultural e interação lingüística...
    Dos meninos e meninas de rua vendendo chicletes no sinal de trânsito.
    Dos nordestinos, áridos em seus êxodos...
    Dos pantaneiros e das garças que cortam os céus.
    De tantas riquezas apoderadas no passado...
    Do Acarajé, do chimarrão, do pato com tucupi.
    Da Amazônia e seus seringais...
    Brasil da ciência...E consciência?
    Passamos pela Independência.
    Livres...Seremos?
    Como cada um vê dentro de si sua corrente?
    Ser "brasileiro(a)" e receber como legado esta Terra linda!
    Que cada um cidadão deste País, possa manter este grito de independência, gravado na memória, e o ouça como um eco que reverberou por séculos.
    E que este nosso Brasil, possa talvez um dia, conquistar a verdadeira liberdade como jamais a teve, mesmo passados tantos tempos desde 7 de setembro de 1822. Desta "independência" que nasceu e que talvez tenha morrido não se sabe quando, nem onde e nem porque!

    Pátria amada...Brasil!

    Dayse Maria Moraes

     

     

    Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: pelo menos entender que não entendo.

    Clarice Lispector
     
     
     
    http://www.lunaeamigos.com.br/
     
    Pesquisas vários sites da net / formatação / TT:)

     

    JF/ 07/ 09/2003

    Maria Thereza Neves

    Música: Sonata

     
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