> Aconteceu no Lunas - Màrio Quintana
 

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 &

Mário Quintana

 

LUNÁTICOS DE TODOS OS QUADRANTES!!

Hoje venho agradecer aos 170 assinantes do Luna&Amigos.
Pois estamos fazendo um ano.
Entre erros e acertos cá estamos. Crescendo e multiplicando os nossos sonhos.
Muitos amigos - com os quais iniciamos já não se encontram conosco, mas isso não nos impede de agrade-los pelos momentos que nos doaram.
Não vou nominar ninguém - do mais antigo ao mais novo,
do mais briguento ao mais doce, do mais presente  ao mais ausente, do mais sonhador ao mais pé no chão - cada um de vocês é o Luna´s.
Sozinha eu não poderia ter construído nada. Vocês dão combustão ao  sonho que gosto de sonhar.
Vejam:
Em doze meses estamos com mais de 490 mil visitas...
Em nosso site vocês navegam  e aprendem com o trabalho de nossos associados, tanto literário como em várias vertentes da arte.
Cada um deu de si para o nosso crescimento.
Todos que cá vieram - vieram para somar!
Logo teremos o lançamento da nossa primeira antologia.
Fizemos uma tertúlia em São Paulo - com muito sucesso.
Por onde ando - por este Brasil querido - deparo com um associado nosso.
Todos os dias chega alguém que quer vir ter conosco... Isso é gratificante e nos afirma que o trabalho que tentamos fazer caminha pela trilha correta com seriedade e segurança.

Em meu nome, no nome de minha família que sempre participa conosco, e em nome da nossa web designer Olga Fonseca e de suas auxiliares Neli Neto, Ana Beatriz, Malu, Susane Mendes, e de todos os nossos moderadores deixo  os agradecimentos esperando comemorar muitos outros em perfeita sintonia com todos os queridos amigos, lembrando(Frank Hall Crane:

"Que é um Amigo? É uma pessoa com quem nos atrevemos a ser o que somos verdadeiramente. Nossa alma pode se mostrar sem máscaras a ele. Um amigo é aquele que nos pede que nada ornemos, não simulemos e sejamos simplesmente o que somos. Ele não nos deseja nem melhor nem pior do que somos. Sentimos diante dele o que deve sentir o prisioneiro que acaba de ser reconhecido inocente. É desnecessário, com ele, estar precavido. Podemos dizer tudo quanto pensamos, exprimir todos os nossos sentimentos. Nada o surpreende, nada ofende, enquanto formos o que na verdade somos. Um amigo compreende as contradições de nossa natureza, que fazem com que os outros nos julguem mal. Com ele, respiramos livremente. Podemos nos pôr à vontade, retirar nosso casaco e desabotoar nosso colarinho, confessar nossas pequeninas vaidades, nossas invejas, nosso ódios e nosso ímpeto de má intenção, nossa mesquinhez e nossa práticas absurdas. A medida que nos abrimos com ele, tudo isso se perde, se funde no oceano puro da lealdade."

Delasnieve Daspet
www.lunaeamigos.com.br

 
BIOGRAFIA
Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem ! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas se idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.
Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu..

 

Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem ( ou souberam) , o que é a luta amorosa com as palavras.


SELEÇÕES:

A Rua dos Cataventos
I
XII

Canções
Canção de Barco e Olvido

O Aprendiz de Feiticeiro
Obsessão do Mar Oceano

Espelho Mágico
Da observação
Dos mundos
Das utopias
Dos milagres
Do amoroso esquecimento
Da discrição

 

Apontamentos de História Sobrenatural
O Auto-Retrato
O Mapa
O Morto

Baú de Espantos
Os Degraus
Os Arroios

Esconderijos do Tempo
Os Poemas
A Canção da Vida

Preparativos de Viagem
Poeminha Sentimental
Sempre que Chove

A Cor do Invisível
Eu Escrevi um Poema Triste
Ah! Os Relógios
Inscrição para um Portão de Cemitério

Caderno H
O Pior
Exame de Consciência
A Grande Surpresa
Evolução

 

Acervo Mario Quintana
Acervo Mario Quintana resgata a poesia

A vida e obra do poeta Mario Quintana nunca será esquecida. No segundo andar da Casa de Cultura Mario Quintana, ala Leste, encontram-se expostos painéis, quadros, e pôsteres com fotos de Mario Quintana além de uma mesa-vitrine, onde se renovam, a cada mês, poemas e ilustrações sobre o poeta. Em 1999 incorporamos aos nossos objetivos a importante divulgação da obra de Quintana. Para tanto, disponibilizamos um espaço para pesquisa de alunos e interessados, com livros que vão desde o primeiro "A Rua dos Cataventos" até publicações póstumas como "Sapato furado" (1994) e "Anotações poéticas" (1997). Também estão disponíveis cadernos, livros, álbuns sobre a vida e obra de Quintana e algumas traduções feitas pelo poeta como "Em busca de viver", de Lin Yutang.

Foto Dulce Helfer

    No local encontra-se um total de 172 fotos, uma coleção de 20 pôsteres, doados por agências de publicidade referentes a uma mostra de cartazes realizado no Acervo em 1992 e inspirados nos livros de Quintana, 12 quadros com ilustrações, pinturas, poemas gravados em fita K7, LP e CD, 13 fitas VHS (com depoimentos e entrevistas), além de uma coleção de 24 caricaturas. Entre as dezenas de declarações, destacam-se as de Paulo Autran, Antonieta Barone, Bruna Lombardi, Olga Reverbel, Vasco Prado e Moacyr Scliar. Existem ainda originais de poemas (em folhas de ofício e em blocos), notícias de jornais, e o mapa astral do poeta (com interpretação feita por Ricardo Lindermann).
O Acervo oferece a alunos de escolas palestras sobre as atividades realizadas por Mario Quintana durante sua vida. Estas atividades englobam o projeto Palavra Viva, as quais se realizam através de prévio agendamento pelo telefone 3221 7147, ramais 242, 203 ou 294.


    Além disso, um sonho foi realizado com a colaboração da sobrinha Elena Quintana: a recriação do último quarto do poeta, no Porto Alegre Residence Hotel, sua última morada. Este espaço fica na sala conjugada ao Acervo, podendo ser visto através de uma janela de vidro. Lá estão os móveis e objetos de Quintana dispostos da mesma forma como ele deixara. Na verdade, um ambiente que muito lhe serviu de inspiração. Definitivamente, o poeta está de volta ao lar.
 
 
 
Jornal de Poesia - Mário Quintana
... Mário Quintana. Mário Quintana, poeta gaúcho nascido em Alegrete, em 30 de julho
de 1906, e morreu em 5 de maio de 1994, em Porto Alegre. ... Mário Quintana. ...
 
 

A maior dor do vento é não ser colorido.

A amizade é um amor que nunca morre.

A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.

Nunca desprezes os teus amigos, por que se um dia eles te esquecerem, só teus inimigos se lembrarão de ti.

E um dia os homens descobrirão que esses discos voadores estavam apenas estudando a vidas dos insetos...

Maravilhas nunca faltaram ao mundo o que sempre falta é a capacidade de senti-las e de admirá-las.

A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.

O sorriso enriquece os recebedores sem empobrecer os doadores.

Quem não compreende um olhar tampouco compreenderá uma longa explicação.

Não te irrites, por mais que te fizerem... Estuda, a frio, o coração alheio. Farás, assim, do mal que eles te querem, Teu mais amável e sutil recreio...

Se as coisas são inatingíveis... ora! Não é motivo para não querê-las...

Que tristes os caminhos, se não fora a presença distante das estrelas!

Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.

Não desças os degraus do sonho para não despertar os monstros. Não subas aos sótãos - onde os deuses, por trás das suas máscaras, ocultam o próprio enigma. Não desças, não subas, fica. O mistério está é na tua vida! É um sonho louco este nosso mundo...

 

 

O MAPA

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse meu corpo!)
Sinto uma dor esquisita

Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita

Tanta nuança de paredes
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,

Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar

Pareça mais um olhar
Suave mistério amoroso
Cidade de meu andar (Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...

 

Terra - Almanaque - Mario Quintana
LITERATURA A poesia de Mario Quintana Autores como Proust, Balzac, Voltaire, Maupassant,
Virginia Woolf, Charles Morgan tiveram suas primeiras traduções no ...

 

 

Se eu fosse um padre

Mário Quintana

 

Se eu fosse um padre, eu, nos meus sermões,
não falaria em Deus nem no Pecado
— muito menos no Anjo Rebelado
e os encantos das suas seduções,

não citaria santos e profetas:
nada das suas celestiais promessas
ou das suas terríveis maldições...
Se eu fosse um padre eu citaria os poetas,

Rezaria seus versos, os mais belos,
desses que desde a infância me embalaram
e quem me dera que alguns fossem meus!

Porque a poesia purifica a alma
...e um belo poema — ainda que de Deus se aparte —
um belo poema sempre leva a Deus!

Texto extraído do livro "
Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 105.
1433

DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

Mario Quintana
 

 

 
 
EU ESCREVI UM POEMA TRISTE

Eu escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mario Quintana

Parabéns Lunas,
com carinho,
Maria Thereza Neves
 

    TT:)

Música: Sonata


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