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&
Monteiro Lobato
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Haroldo de
Campos (São Paulo SP 1929) formou-se em Direito pela Universidade de São
Paulo em 1952, mesmo ano em que fundava, com Augusto de Campos e Décio
Pignatari, o Grupo Noigandres, de poesia concretista. Em 1956 e 1957
participou do lançamento oficial da Poesia Concreta na I Exposição
Nacional de Arte Concreta, no MAM/SP e no saguão do MEC/RJ. Em 1958,
publicaria o Plano-Piloto Para Poesia Concreta, com Augusto de Campos e
Décio Pignatari. Nos anos seguintes trabalhou como tradutor, crítico e
teórico literário, além de Professor Titular do curso de pós-graduação
em Comunicação e Semiótica da Literatura na PUC/SP. Em 1992 foi laureado
com o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano; em 1999 o Prêmio
Jabuti de Poesia foi conferido para seu livro Crisantempo: No Espaço
Curvo Nasce Um (1998). Considerado o "mais barroco" dos concretistas,
Haroldo de Campos tem sua obra poética intimamente ligada ao movimento.
A crença em uma “crise no verso” o levou ao experimentalismo, à busca de
novas formas de estruturação e sintaxe, em curtos poemas-objeto ou
longos poemas em prosa. |
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Todo mundo
já ouviu falar da boneca Emília. Ou leu sobre suas aventuras no
Sítio do Picapau Amarelo, criado por Monteiro Lobato e agora de
volta à Rede Globo. O que talvez nem todos saibam é que, ao lado
de histórias para crianças
e
adolescentes, ele deixou também uma obra para os adultos. Mas
Lobato não era só um, era vários... Fazendeiro, jornalista e
pintor, além de proprietário de uma importante revista de cultura,
revolucionou nossa indústria editorial, fazendo livros bonitos e
gostosos de ler. Sempre à frente do seu tempo, tinha o sonho como
matéria-prima e procurou transformar o Brasil num país moderno e
desenvolvido. Audacioso, empreendedor e criativo: este é o
Monteiro Lobato . |
Frente a Frente.
Delasnieve Daspet
Eis-nos. Frente a frente.
O mundo é redondo.
Um
dia poderia acontecer.
Te fitei de longe.
Ao teu lado, em teus
braços,
outros braços, não os meus;
Outro corpo, não
eu!
Até este momento não tinha me dado conta
de como é
desconcertante olhar alguém
que que já havia sido paixão.
Estavas bem à minha frente
- alheio a minha pessoa -
sem
perceber minha emoção.
E eu te adivinhava.
Teus pensamentos.
Teus gostos.
Teu cheiro. Teu hálito.
Tiques.... sabia tudo de
ti!
Eis-nos!
Tu, eu e ela.
A uma curta distância,
tão
longe e tão perto.
Tudo em ti ocupado:
o coração e o lugar ao
lado!
Sempre pressenti que nada havia
mas pensei que poderia
mudar
o curso da história.
Continuei fitando sem
ver...
Buscava respostas que não existiam:
Porque não tinha dado
certo?
Porque - nuvens negras?
Porque - o impedimento?
Porque -
a indiferença?
Te encontrar fez-me recordar
das saudades e do
querer - outra vez....
Vi que os fantasmas ainda estão
insepultos!
...Talvez não tenha havido um grande amor...
QUANDO TUDO ACONTECEU...
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O maior escritor infantil brasileiro de todos os tempos, José Bento Monteiro Lobato, nasceu em 18 de abril de 1882, em Taubaté (SP). Cresceu numa fazenda, se formou em direito sem nenhum entusiasmo, já que sempre quis ser pintor! Desenhava bem! Quando estudante, participou do grupo "O Cenáculo" e entre risadas e leituras insaciáveis, escreveu crônicas e artigos irreverentes. - Em 1907 foi para Areias como promotor público, casou com Maria Pureza com quem teve três filhos. Entediado com a vida numa cidade pequena, escreveu prefácios, fez traduções, mudou para a fazenda Buquira, tentou modernizar a lavoura arcaica, criou o polêmico "Jeca Tatu", fez uma imensa e acalentada pesquisa sobre o SACI publicada no Jornal O Estado de São Paulo. - Em 1918 lançou, com sucesso, seu primeiro livro de contos URUPÊS. Fundou a Editora Monteiro Lobato & Cia, melhorando a qualidade gráfica vigente, lançando autores inéditos e chegando à falência. - Em 1920 lançou A MENINA DO NARIZ ARREBITADO, com desenhos e capa de Voltolino, conseguindo sua adoção em escolas e uma edição recorde de 50.000 exemplares. - Fundou a Cia Editora Nacional no Rio de Janeiro. Convidado pra ser adido comercial em New York ficou lá por 4 anos (de 1927 a 1931) fascinado por Henry Ford, pela metalurgia e petróleo. Perdeu todo seu dinheiro no crash da bolsa. - Voltou para o Brasil, se jogou na Campanha do Petróleo, fazendo conferências, enviando cartas, conscientizando o país inteiro da importância do óleo. Percebeu, então, o quanto era conhecido e popular. Foi preso! Alternou entusiasmo e depressão com o Brasil. - Participou da Editora Brasiliense, morou em Buenos Aires, foi simpatizante comunista, escreveu para crianças ininterruptamente e com sucesso estrondoso, traduziu muito e teve suas obras traduzidas. - Morreu em 4 de julho de 1948 dum acidente vascular. - Suas obras completas são constituídas por 17 volumes dirigidos às crianças e 17 para adultos englobando contos, ensaios, artigos e correspondência. |
CANTAR DE
PASSARINHOS
Wanderlino Arruda
É uma sensação de alívio imensamente feliz,
a
certeza de estar vivendo,
num mundo feito por Deus,
um mundo natural,
que ainda existe
mesmo quando não podemos ver
o vizinho do outro
lado.
Gosto do cantar dos passarinhos,
bem entendido, dos
passarinhos livres,
que podem voar e sobrevoar,
aqui, ali, em toda
parte,
e onde se sintam bem,
donos do ar, do vento, do céu.
Um
trinado de passarinhos
faz de uma manhã a sedução,
mais do que humana,
quase divina,
azul, celestial, solo de claridade.
Canto de
passarinho não tem só música:
tem luz, tem movimento,
tem cor, tem
brilho,
diria mesmo que é perfumado,
de cheiros silvestres do meu
sertão.
A TURMA DO SÍTIO DO PICAPAU AMARELO
Recomeçar
Volto
Passo à passo
Ao começo
Antes ainda da luz
Do renascer da esperança
Para além da palavra
Dos passos trôpegos
E de qualquer desamparo
Que avante clame por
mim
Elevo-me na claridade
Que leda floresce
Sem esperar a aurora
São os meus olhos
Ilhas de sol despertas
Amanhecendo-me
Aos
movimentos do mundo
Nada lamento
Abraço-me ao tempo
Aquele que
virá
Olhares estrelados
Refletidos na imensidão
Mais que céu e
chão
Volto, apenas volto
Ao aconchego
Rumo a mim
Fernanda Guimarães
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A figura do negro em Monteiro
Lobato
Negros e negras em Monteiro Lobato. Marisa Lajolo. ... Azevedo, Carmen Lúcia; Camargos, Márcia; Sacchetta, Vladimir Monteiro Lobato, furacão na Botucúndia . ... SEU AMOR ME
FAZ FELIZ
Quando o seu
olhar me despe,
seu
sorriso fica maroto...
Suas
mãos, são o calmante
que o
meu corpo precisa.
Sua boca, é
o prêmio
com o gosto de amor.
Nossos
momentos de amor,
recende o
cheiro do prazer,
carícias nos
elevam e
arrepios
incontroláveis,
buscam nossos
desejos de amar.
Seu peito
tornar-se o meu remanso...
A paz de nosso término do prazer,
nos faz
felizes e nos instiga,
a sonhar
o nosso amanhã.
O amor
que você me dá,
me faz
viver em meio as estrelas,
na
espera de novo
encontro,
entre os
lençóis perfumados
do nosso
ninho de amor !
OlhosDe£in¢e No decorrer de 1998, o Projeto Memória reverenciou Monteiro Lobato nos cinqüenta anos de sua morte. Autor de nossa melhor literatura infanto-juvenil, responsável por uma das maiores revoluções editoriais no país e promotor de memoráveis campanhas nacionais em prol da modernidade, Lobato foi homenageado com a edição de uma premiada biografia, uma exposição itinerante, um videodocumentário, um site na internet, duas exposições didáticas permanentes, uma cartilha, uma edição fac-similar de seu livro O Sacy Pêrerê -, Resultado de um Inquérito, informatização da Biblioteca Infanto-Juvenil Monteiro Lobato (São Paulo), reforma da Chácara do Visconde, em Taubaté (São Paulo) e doação do acervo da exposição itinerante para a Chácara. http://www.projetomemoria.art.br/MonteiroLobato/ PERCEPTO
"Quantos elementos cá da roça encontro para uma arte nova! Quantos filões! E muito naturalmente eu gesto coisas, ou deixo que se gestem dentro de mim num processo inconsciente, que é o melhor: gesto uma obra literária que, realizada, será algo nuevo neste país vítima de uma coisa: entre os olhos dos brasileiros cultos e as coisas da terra há um maldito prisma que desnatura as realidades." (Literatura do Minarete, apud AZEVEDO, Carmen Lúcia de: Monteiro Lobato: furacão na Botocúndia. São Paulo, Ed. SENAC, 1997, p. 54) © Monteiro Lobato, Todos os direitos reservados VOU NA ESPERANÇA
RODEIANDO O DESESPERO
SE ABRAÇA
"Vossa Senhoria tem o seu negócio montado,
e quanto mais coisas vender, maior será o lucro. Quer vender
também uma coisa chamada "livros"? Vossa Senhoria não precisa
inteirar-se do que essa coisa é. Trata-se de um artigo comercial
como qualquer outro; batata, querosene ou bacalhau. É uma
mercadoria que não precisa examinar nem saber se é boa nem vir a
esta escolher. O conteúdo não interessa a V.S., e sim ao seu
cliente, o qual dele tomará conhecimento através das nossas
explicações nos catálogos, prefácios etc. E como V. S. receberá
esse artigo em consignação, não perderá coisa alguma no que
propomos. Se vender os tais "livros", terá uma comissão de 30 p.
c.; se não vendê-los, no-los devolverá pelo Correio, com o porte
por nossa conta. Responda se topa ou não topa". (MATTOS, Ilmar
Rohloff de: "No sítio de José Bento". Relatório do Projeto
Integrado de Pesquisa Modernos descobrimentos do Brasil.CNPq,
1997, p, 16.)
Haroldo de Campos se
"À medida que o
progresso vem chegando com a via férrea, o italiano, o arado, a
valorização da propriedade, vai o caboclo refugindo em silêncio,
com o seu cachorro, o seu pilão, a picapau e o isqueiro, de modo a
sempre conservar-se fronteiriço, mudo e sorna. Encoscorado numa
rotina de pedra, recua para não adaptar-se." (Urupês, p. 235 Apud
AZEVEDO, Carmen Lúcia de: Monteiro Lobato: furacão na
Botocúndia. São Paulo, Ed. SENAC, 1997, p.
58) "Escrever para crianças é semear em terra roxa
virgem - e não praguejada. Cérebro de adulto é solo já
praguejado". (Carta a Otaviano Alves de Lima, 13 de agosto de
1946. Apud MATTOS, Ilmar Rohloff de: "No sítio de José Bento".
Relatório do Projeto Integrado de Pesquisa Modernos
descobrimentos do Brasil.CNPq, 1997, p,
16.) 2000
Haroldo de
Campos
"Como esta cidade
mente à terra! E como se empenham em extirpar do seio dela
as derradeiras radículas da individualidade! Tendes sede? No bar
só há chopps, grogs, cocktails. Tendes fome? Dão-vos
sandwichs de pão alemão e queijo suíço. Lá apita um trem: é
a Inglesa. Tomais um bonde: é a Light. Cobra-vos a passagem um
italiano. Desceis no cinema: é Íris, Odeon, Bijou..." (O
saci-pererê: resultado de um inquérito, p. 12 Apud AZEVEDO,
Carmen Lúcia de: Monteiro Lobato: furacão na Botocúndia.
São Paulo, Ed. SENAC, 1997, p. 64)
"Dizem que o
Brasil não lê! Uma ova! A questão é saber levar a edição até o
nariz do leitor, aqui ou em Mato Grosso, no Rio Grande do Sul, no
Acre, na Paraíba, onde quer que ele esteja, sequioso por
leituras... Livro cheirado é livro comprado, e quem compra, lê. Se
o Brasil não lia é porque os velhos editores, na maior parte da
santa terrinha, limitavam-se a inumar os volumes nas poeirentas
prateleiras das suas próprias livrarias, e quem quiser que tome o
trem, ou o navio, e vá ao Rio comprá-los. Umas bestas! O Brasil
está é louco por leituras. Só os editores é que não sabiam
disso!". (MATTOS, Ilmar Rohloff de: "No sítio de José Bento".
Relatório do Projeto Integrado de Pesquisa Modernos
descobrimentos do Brasil.CNPq, 1997, p, 17.) "A nossa ordem social me é
pessoalmente muito agradável mas eu penso em mim mesmo se acaso
houvesse nascido esterco. Esta visão da realidade brasileira
sempre me preocupou e sempre me estragou a vida. Nada mais lógico,
pois, do que o meu interesse pelo homem que não conheço mas
acompanho desde os tempos em que com um punhado de loucos lutava
contra o poder do governo." (Apud AZEVEDO, Carmen Lúcia de:
Monteiro Lobato: furacão na Botocúndia. São Paulo, Ed.
SENAC, 1997, p. 338)
"Esta minha saída serviu
para me revelar uma coisa: o que é a pátria. Pátria é a língua,
nada mais. O sair fora da língua nos deixa aleijados -
"despatriados"- expatriados. Viver é sobretudo conversar, e como
conversar em pátria estranha, isto é, em língua estranha? A grande
coisa que há no Brasil para os brasileiros não é o Duque de
Caxias, nem o general Dutra - é a língua". (Apud MATTOS, Ilmar
Rohloff de: "No sítio de José Bento". Relatório do Projeto
Integrado de Pesquisa Modernos descobrimentos do Brasil.CNPq,
1997, p,25)
"E desta arte, sempre vivo, evoluindo
sempre, o saci que povoou de sonhos a filharada de Tomé de Souza
chegou até nós; e... ainda convive com as nossas crianças nas
cidades e com o sertanejo na roça" (O saci-pererê: resultado de
um inquérito, p.20 Apud AZEVEDO, Carmen Lúcia de:
Monteiro Lobato: furacão na Botocúndia. São Paulo, Ed.
SENAC, 1997, p. 66) "O meu livro de contos... Cá entre nós:
não sou literato, nem quero ser, porque João do Rio o é. Mas,
morando na roça, e, "curioso", muito amigo de carpintejar,
experimentei um dia aplicar às letras a arte do carapina. E mede,
serra, aplaina, encaixa, embute, entrosa, lixa, enverniza, fiz uns
contos para a "Revista do Brasil" como faria móveis se o material
fosse madeira." © Monteiro Lobato, Todos os direitos reservados
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Gilberto Gil # O Sítio do Pica Pau Amarelo |
Cássia Eller # A Cuca te pega |
Cidade Negra # Quindim |
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Rabicó |
Pesquisas, outras referências: |
Que eu seja como 1 sonho a multiplicar-se
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