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Luís Vaz de Camões 
 
 
 
 
 Biografia
 
 
Uma homenagem ao Luna's 
 do Luna's
 ao Dia do Escritor !
JF/25/julho/2003
Maria Thereza Neves
 
 
 
 
 

Poeta português (1525-1580). Luís Vaz de Camões é autor de Os Lusíadas , considerada uma das obras mais importantes da Literatura portuguesa. De família da pequena nobreza, ingressa no Exército da Coroa de Portugal e participa da guerra contra Ceuta, no Marrocos, durante a qual perde o olho direito. Boêmio, de volta a Lisboa freqüenta tanto os serões da nobreza como as noitadas populares. Embarca para a Índia em 1553 e para a China em 1556. Em 1560, o navio em que viaja naufraga na foz do Rio Mekong. Camões salva os originais de Os Lusíadas nadando até a terra com o manuscrito embaixo do braço. Nove anos depois, retorna a Lisboa com a intenção de publicar o poema, o que só acontece em 1572, graças a um financiamento concedido pelo rei Dom Sebastião. Os Lusíadas funde elementos épicos e líricos e sintetiza as principais marcas do Renascimento português: o humanismo e as expedições ultramarinas. Sua base narrativa é a expedição de Vasco da Gama em busca de um caminho marítimo para as Índias. Nela, mescla fatos da História portuguesa a intrigas dos deuses gregos, que procuram ajudar ou atrapalhar o navegador. Morre em Portugal, em absoluta pobreza

 
 
 

Eu cantarei de amor tão docemente

Eu cantarei de amor tão docemente, 
Por uns têrmos em si tão concertados, 
Que dois mil acidentes namorados 
Faça sentir ao peito que não sente. 

Farei que amor a todos avivente, 
Pintando mil segredos delicados, 
Brandas iras, suspiros magoados, 
Temerosa ousadia e pena ausente. 

Também, Senhora, do desprêzo honesto 
De vossa vista branda e rigorosa, 
Contentar-me-ei dizendo a menor parte. 

Porém, para cantar de vosso gesto 
A composição alta e milagrosa, 
Aqui falta saber, engenho e arte.

 Luís de Camões

 

 

 

 

Leda serenidade deleitosa

Leda serenidade deleitosa,
Que representa em terra um paraíso;
Entre rubis e perlas doce riso;
Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa;

Presença moderada e graciosa,
Onde ensinando estão despejo e siso
Que se pode por arte e por aviso,
Como por natureza, ser fermosa;

Fala de quem a morte e a vida pende,
Rara, suave; enfim, Senhora, vossa;
Repouso nela alegre e comedido:

Estas as armas são com que me rende
E me cativa Amor; mas não que possa
Despojar-me da glória de rendido.

 Luís de Camões
 

 
 
 

Poesia Lírica
Sonetos
Endechas
Voltas
 
 
 

No Mundo poucos anos, e cansados

No Mundo poucos anos, e cansados,
Vivi, cheios de vil miséria dura:
Foi-me tão cedo a luz do dia escura,
Que não vi cinco lustros acabados.

Corri terras e mares apartados,
Buscando à vida algum remédio ou cura;
Mas aquilo que, enfim, não quer Ventura,
Não o alcançam trabalhos arriscados.

Criou-me Portugal na verde e cara
Pátria minha Alanquer; mas ar corruto,
Que neste meu terreno vaso tinha,

Me fez manjar de peixes em ti, bruto
Mar, que bates na Abássia fera e avara,
Tão longe da ditosa Pátria minha!

 Luís de Camões

 

 

Babel e Sião

Poema Babel e Sião

Salmo que inspirou o poema

 

 

No mundo quis um tempo que se achasse

No mundo quis um tempo que se achasse 
o bem que por acerto ou sorte vinha; 
e, por experimentar que dita tinha, 
quis que a Fortuna em mim se experimentasse. 

Mas por que meu destino me mostrasse 
que nem ter esperanças me convinha, 
nunca nesta tão longa vida minha 
cousa me deixou ver que desejasse. 

Mudando andei costume, terra e estado, 
por ver se se mudava a sorte dura; 
a vida pus nas mãos de um leve lenho. 

Mas (segundo o que o Céu me tem mostrado) 
já sei que deste meu buscar ventura, 
achado tenho já, que não a tenho. 

 Luís de Camões


 

Estudos sobre Camões:
 
    
 

O fogo que na branda cera ardia

O fogo que na branda cera ardia,
Vendo o rosto gentil que eu na alma vejo,
Se acendeu de outro fogo do desejo,
Por alcançar a luz que vence o dia.

Como de dous ardores se incendia,
Da grande impaciência fez despejo,
E, remetendo com furor sobejo,
Vos foi beijar na parte onde se via.

Ditosa aquela flama, que se atreve
A apagar seus ardores e tormentos
Na vista de que o  mundo tremer deve!

Namoram-se, Senhora, os Elementos
De vós, e queima o fogo aquela neve
Que queima corações e pensamentos.

 Luís de Camões
    

 

 
 

 

 

 

 

 
Um mover de olhos, brando e piedoso
 
Um mover de olhos, brando e piedoso,
Sem ver de quê; um riso brando e honesto,
Quasi forçado; um doce e humilde gesto,
De qualquer alegria duvidoso;

Um despejo quieto e vergonhoso;
Um repouso gravíssimo e modesto;
Uma pura bondade, manifesto
Indício da alma, limpo e gracioso;

Um encolhido ousar; uma brandura;
Um medo sem ter culpa; um ar sereno;
Um longo e obediente sofrimento:

Esta foi a celeste fermosura
Da minha Circe, e o mágico veneno
Que pôde transformar meu pensamento.

 Luís de Camões

 

 
 
 

 

 

 

 

 
Amor é fogo que arde sem se ver

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

                           Luís de Camões
 
 
Quando de minhas mágoas a comprida

Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece
Que pera mim foi sonho nesta vida.

Lá nu~a saudade, onde estendida
A vista pelo campo desfalece,
Corro pera ela; e ela então parece
Que mais de mim se alonga, compelida.

Brado: -- Não me fujais, sombra benina! --
Ela, os olhos em mim c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser,

Torna a fugir-me; e eu gritando: -- Dina...
Antes que diga: -- mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.

                         Luís de Camões
                      
 
Alma minha, da minha alma!
Ferro, fogo, frio e calma,
Todo o mundo acabarão;
Mas nunca vos tirarão,
Alma minha, da minha alma!
 
Não vos guardei, quando vinha,
Em torre, força ou engenho;
Que mais guardado vos tenho
Em vós, que sois alma minha.
 
Ali nem frio nem calma
Não podem ter jurdição;
Na vida sim, porém não
Em vós que tenho por alma.
 
 
   
   
 
 
Alma gentil
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
 
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos meus olhos tão puro viste.
 
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa sem remédio de perder-te,
 
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te
Quão cedo de meus olhos te levou.
 
 

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís Vaz de Camões

Pesquisas Maria Thereza Neves

http://www.jf.directlink.com.br/~mtneves/

com carinho, ao Luna´s,
TT:)



Música: Sonata
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