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Luís Vaz de Camões|
Poeta português (1525-1580). Luís Vaz de Camões é autor de Os Lusíadas , considerada uma das obras mais importantes da Literatura portuguesa. De família da pequena nobreza, ingressa no Exército da Coroa de Portugal e participa da guerra contra Ceuta, no Marrocos, durante a qual perde o olho direito. Boêmio, de volta a Lisboa freqüenta tanto os serões da nobreza como as noitadas populares. Embarca para a Índia em 1553 e para a China em 1556. Em 1560, o navio em que viaja naufraga na foz do Rio Mekong. Camões salva os originais de Os Lusíadas nadando até a terra com o manuscrito embaixo do braço. Nove anos depois, retorna a Lisboa com a intenção de publicar o poema, o que só acontece em 1572, graças a um financiamento concedido pelo rei Dom Sebastião. Os Lusíadas funde elementos épicos e líricos e sintetiza as principais marcas do Renascimento português: o humanismo e as expedições ultramarinas. Sua base narrativa é a expedição de Vasco da Gama em busca de um caminho marítimo para as Índias. Nela, mescla fatos da História portuguesa a intrigas dos deuses gregos, que procuram ajudar ou atrapalhar o navegador. Morre em Portugal, em absoluta pobreza |
Eu cantarei de amor tão docemente
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Eu cantarei de amor
tão docemente, Farei que amor a todos
avivente, Também, Senhora, do
desprêzo honesto Porém, para cantar de
vosso gesto Luís de Camões
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Leda serenidade deleitosa
| Leda serenidade
deleitosa, Que representa em terra um paraíso; Entre rubis e perlas doce riso; Debaixo de ouro e neve cor-de-rosa; Presença moderada e
graciosa, Fala de quem a morte e
a vida pende, Estas as armas são com
que me rende Luís de
Camões |


No Mundo poucos anos, e cansados
| No Mundo poucos anos,
e cansados, Vivi, cheios de vil miséria dura: Foi-me tão cedo a luz do dia escura, Que não vi cinco lustros acabados. Corri terras e mares
apartados, Criou-me Portugal na
verde e cara Me fez manjar de
peixes em ti, bruto Luís de
Camões |
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Babel e Sião
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No mundo quis um tempo que se achasse
| No mundo quis um
tempo que se achasse o bem que por acerto ou sorte vinha; e, por experimentar que dita tinha, quis que a Fortuna em mim se experimentasse. Mas por que meu
destino me mostrasse Mudando andei costume,
terra e estado, Mas (segundo o que o
Céu me tem mostrado) Luís de
Camões |


O fogo que na branda cera ardia
| O fogo que na branda
cera ardia, Vendo o rosto gentil que eu na alma vejo, Se acendeu de outro fogo do desejo, Por alcançar a luz que vence o dia. Como de dous ardores
se incendia, Ditosa aquela flama,
que se atreve Namoram-se, Senhora,
os Elementos Luís de
Camões |
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| Um mover de olhos,
brando e piedoso, Sem ver de quê; um riso brando e honesto, Quasi forçado; um doce e humilde gesto, De qualquer alegria duvidoso; Um despejo quieto e
vergonhoso; Um encolhido ousar;
uma brandura; Esta foi a
celeste fermosura Luís de Camões
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Amor é fogo que arde sem se ver
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de CamõesQuando de minhas mágoas a comprida
Quando de minhas mágoas a comprida
Maginação os olhos me adormece,
Em sonhos aquela alma me aparece
Que pera mim foi sonho nesta vida.
Lá nu~a saudade, onde estendida
A vista pelo campo desfalece,
Corro pera ela; e ela então parece
Que mais de mim se alonga, compelida.
Brado: -- Não me fujais, sombra benina! --
Ela, os olhos em mim c'um brando pejo,
Como quem diz que já não pode ser,
Torna a fugir-me; e eu gritando: -- Dina...
Antes que diga: -- mene, acordo, e vejo
Que nem um breve engano posso ter.
Luís de CamõesAlma minha, da minha alma!
Ferro, fogo, frio e calma,
Todo o mundo acabarão;
Mas nunca vos tirarão,
Alma minha, da minha alma!
Não vos guardei, quando vinha,
Em torre, força ou engenho;
Que mais guardado vos tenho
Em vós, que sois alma minha.
Ali nem frio nem calma
Não podem ter jurdição;
Na vida sim, porém não
Em vós que tenho por alma.
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Alma gentil
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente
E viva eu cá na terra sempre triste.
Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos meus olhos tão puro viste.
E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa sem remédio de perder-te,
Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te
Quão cedo de meus olhos te levou.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Continuamente vemos novidades, O tempo cobre o chão de verde manto, E, afora este mudar-se cada dia, Luís Vaz de Camões Pesquisas Maria Thereza Neves http://www.jf.directlink.com.br/~mtneves/ e-mail : mtneves@nextwave.com.br com carinho, ao Luna´s, TT:) |
Música: Sonata
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