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HojeAconteceuLuna's &Miguel Torga
Gosto do mar
desesperado Miguel Torga
Mar
revolto
Maria Thereza
Neves
ondas
seduzem
tocam
beijam
num
balé
de peles
alucinante
suave
vibrantes garras
de fogo
águas
a c a l
m a m
como querendo roubar todo o ardor
e s f r i a r o amor
rebatem com
força
reascendem
a paixão como
se fossem antenas
dança
de bocas
corpos
numa única
respiração
ao som da
música
sem conseguir acalmar a ânsia
contida
das inquietas entranhas
entre estrelas ou luas
mares ou
areias
no êxtase
supremo
a
fo
ga
mos
renascemos
Adolfo
Correia da Rocha - nasceu em S. Martinho de Anta -
Trás-os-Montes - em 1907. Foi também colaborador da Presença mas por pouco
tempo.
O seu pseudónimo, sugestivamente explicado por Clara Crabé Rocha em O Espaço Autobiográfico em Miguel Torga (e que os Poemas Ibéricos com Unamuno e Frederico Garcia Lorca - "Deixa um pobre poeta da montanha / Trazer torgas à rosa de granada!" -, veja-se igualmente Diário VI-A Garcia Lorca, em Granada, nos ajudam a compreender), parece-nos caracterizar o homem uno demais que o escritor diz ser em Diário III. NFalta Plínio Sgarbi__Jaú.SP Tenho fome, falta um grão de trigo em meu pão. Nesse copo, falta a gota d'água! E é por ela que ainda tenho sede Procuro, busco... Quero Achar a letra que falta em minha pronúncia palavra amor! Palavra que ainda hei de escrever nas tantas páginas, meu livro, vida! Por enquanto, tons imaginados, sons engasgados, melodia enganada, nota desafinada, música esperada, mulher desejada...
MIGUEL TORGA. (Poeta e prosador - 1907-1995). Rolando Galvão. EU ... OS OUTROS. "Camões fez versos a martelo" diz Miguel Torga. Entretanto ...
A
obsessão PietáVejo-te ainda, Mãe,
de olhar parado,
Da pedra e da tristeza, no teu canto, Comigo ao colo, morto e nu, gelado, Embrulhado nas dobras do teu manto. Sobre o golpe sem fundo do meu lado Ia caindo o rio do teu pranto; E o meu corpo pasmava, amortalhado, De um rio amargo que adoçava tanto. Depois, a noite de uma outra vida Veio descendo lenta, apetecida Pela terra-polar de que me fiz; Mas o teu pranto, pela noite além, Seiva do mundo, ia caindo, Mãe, Na sepultura fria da raíz. lisieux Incrusto o meu beijo no teu corpo... Beijo etéreo e invisível como o tempo... Ternamente, como do pássaro o roçar de asas leves, como vento ameno, como o cair suave do sereno... Incrusto no teu corpo o meu beijo, como uma marca tatuada do desejo e um selo eterno da nossa aliança... E ainda que não mais nos encontremos, não perco nunca, amado, a esperança, porque eu sei que nós nos pertencemos... Sei que um dia nos encontraremos, seja onde for, e seja quando ainda, no correr da nossa existência infinda, em outro espaço, em outra eternidade, onde não teremos nome nem idade... Onde seremos apenas almas gêmeas, ligadas pelo vínculo sem igual do amor... o dom maior... e IMORTAL. De facto é
estreita a união entre o homem, o artista e a terra onde viu a luz do dia, como,
em geral, toda a terra viva, rica de seiva onde ele se move e a que pertence,
reconhecendo o seu ser limitado em relação a outras criaturas, como o
pinheiro: - "duro / Conforme lhe mandou a natureza;", enquanto
ele, deitado no mesmo chão, sente que não pôde "... ser / Nada mais do que
um bicho anão / A gemer.", ou como o melro cantor que envergonha o
poeta, com a sua naturalidade - Diário X. Esta
aliança entre o homem e a terra vamos senti-la ao longo dos seus poemas, e
também em Novos Contos da Montanha.
ajusto a lente em
aumentos
gradativos
vendo claro
e
focalizo
o quarto
caminho
e ascendo
no filtro eterno dos "
acidentais"
único recurso usar o que
transmuta
acionar o sentir na relação
direta
d( a)
natureza
oferece a
ferramenta
nossos olhos
são regulaveis
nossas mãos são
setas
em
toda força nesse
estar
presente
e
atento
e
arguto
desdobrar-se
atingir vigoroso e
lento
a meta
o raio da
criação
o
absoluto...
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helena
armond
Projecto Vercial
Secções, Miguel Torga. ... Outras páginas sobre o autor: Algumas considerações sobre Portugal de Miguel Torga; A metamorfose em Vitorino Nemésio e Miguel Torga; ... Quisestes
assim.
Delasnieve Daspet Nas noites longas e silenciosas sou um som, sou um sonho, sou uma nuvem, sou um instrumento, sou uma estrela num céu. Quando penso que não posso enfrentar um novo dia tento vencer apenas a manhã, o instante, brotam em mim todas as cores, todas as vozes, todos os sonhos, os seres vivos, ( em cada lugar ) no firmamento que me cobre, testemunhando o amor numa oferta de paz. Para terminar a vida como se inicia. no silêncio da palavra, tão forte, por tanto tempo, lembrarei de dizer a quem amo, que amo! O vento sabe, os mares sabem, a brisa sente, sabem as gotas de orvalho vivas na rosa, quantas vezes por dia penso em ti. E correndo assim chegamos a lugar algum. E nas palavras choro as tristezas antigas e as novas recém-plantadas! Não posso desfazer o que está feito. Fostes tu quem quisestes assim... Ou quem sabe - ainda não pode ser tão tarde?! Pátria
Serra!
E qualquer coisa dentro de mim se acalma... Qualquer coisa profunda e dolorida, Traída, Feita de terra E alma. Uma paz de falcão na sua altura A medir as fronteiras: - Sob a garra dos pés a fraga dura, E o bico a bicar estrelas verdadeiras... Amor Inconseqüente
Iracema Zanetti Alço vôo ultrapassando barreiras intransponíveis quando me apaixono! Sonhos angelicais transformam-se em sonhos eróticos e meus instintos humanos levam-me à limites máximos de desejos insanos! A fúria de amar toma conta de meu ser e me expande... pra realização do ato supremo do amor! Mas ao te olhar vejo-te puro... quase indefeso... amedrontado entregando-te! Não é este amor tresloucado que em mim procuras! Tu me queres... mas como a um anjo! Acanho-me ante minha exuberância! Paro... respiro e penso: Qual a razão de amar tão loucamente? Arrependo-me de meus impulsos... tentando excitar-te à prazeres lúbricos! Tomo-te as mãos e abraço-te docemente! Sorris... Deixo-me conduzir retendo minha paixão ardente... pra voltamos ao amor de namorados... Fugaz... mágico... inconseqüente!!! A sua produção
literária é muito vasta e variada.
É grande o volume de poesia - sem contar aquela que tantas vezes surge nos Diários - onde, também em III, nos diz: "Preferi às vezes pôr um poema onde devia estar um insulto". Lista
já estás na minha Lista
quando eu for morar na Boa Vista; contei tudo isto pro meu analista o qual não me cobra à vista; passei meus Bens em revista o que me tornou otimista; logo mais voltarei à Pista... Moacir et Selena
2003
brilhe a vossa LUZ! ora, bem sei que és mulher formosa
à vista (Gênesis 12:11)
ESPIGUEIRO - Central de Informações
Regionais
... REPORTAGEM, MAILLING LIST, 03-04-2003, Miguel Torga. O singular autor transmontano. ... A capacidade criadora de Miguel Torga manter-se-á até próximo da morte. ... SEM RIGOR
Não há hora Não há tempo Não há nada Só o momento basta Quando se abre a porta Otávio Coral Ave da
Esperança
Passo a noite a
sonhar o amanhecer.
açoite
líria
porto
um vão um
vazio um oco
saudade em
profusão
recuso-me a
fazer verso
sou o inverso
da poesia
amargura aos
borbotões
deitei na cama
vazia
do lado que
não vieste
a falta que tu
me fazes
a tristeza que
me abate
a pena
que sinto de mim
e o sorriso da
lua
vinguei-me
nela
que surgiu
ontem no céu
dormiu do lado
de fora
e tal como tu
fizeste
não me aceito
não me quero
sou eu mesma o
meu flagelo...
Como poeta estreia-se com Ansiedade (1928), seguindo-se, entre muitos - O Outro Livro de Job (1936), Odes (1946), Alguns Poemas Ibéricos (1952) (nos quais se realça Sagres - História Trágico-Marítima - entre aqueles que celebrizam grandes figuras nacionais e peninsulares - aqui particularmente escritores e pintores - numa vaga reminiscência da Mensagem), Penas do Purgatório (1954) e Orfeu Rebelde (1958). War Game (Dirceu Walter Ramos) Bate o sol no chapadão a lua brilha no Japão com perdão do trocadilho sou Picasso, Aleijadinho jato sobre a ave negra o mesmo leite, a mesma teta faca sem gume luz de vaga-lume sou Dali, da Espanha de Madrid a perfeição do deformado a informação, trato e tratado um míssel da Otan, uma ogiva no cardápio Deus e Diabo dançando a dança do esparadrapo. Sou teu Atlântico, pacifico e carregado um porta aviões, um exército bem treinado teu afegão mal remendado americanizado errando a língua um judeu de sunga a mingua sou de tua palavra a saliva ao cuspir-me, talvez sobreviva ao engolir-me será uma rima sou parte de tua historia mesmo que não queiras fico dentro da memória como margem, como beira sem cerimônia ou retórica copulamos dentro das
veias.
Orfeu Rebelde Orfeu rebelde, canto
como sou:
POEMA MORTO O poeta não morre Nem a poesia Morrem os sentimentos Na maresia Antes motivo De tanta melodia Não morte literal Mas sentimental Foi-se o que se sentia Sente-se triste Melhor vazia Do que vadia Vadia de sentir... Por quem não sentia. (Marineide Miranda)
MIGUEL
TORGA Na obra de ficção que começa com Pão Ázimo (1931), é de distinguir A Criação do Mundo (1937), Bichos (1940) e, neles, tantos momentos de criação artística que não receia confronto com qualquer prosador da nossa literatura. Montanha (1941), Rua (1942), Contos da Montanha (1941), Novos Contos da Montanha (1944), são mais momentos da ficção em prosa, além de outros. Mudez Que desgraça, meu
Deus!
E em prosa tem um lugar de relevo o seu Diário - em dezasseis volumes - onde o poeta lírico da terra, do homem, do eu, caminha a par do prosador culto, cavaqueador, comunicativo, com o seu toque de ironia em tantos momentos de crítica; - Diário IV (96-99) e Diário V (158) - a propósito da poesia de Junqueiro, enuncia os seguintes juízos de valor: "Simplesmente a poesia verdadeira é outra. Depois da experiência de Cesário e de Nobre, fazer daquilo, já era trágico; mas depois de Pessanha, de Sá-Carneiro e de Pessoa, amar aquilo é imperdoável." Porque tão prolífero, se compreende que os vários tipos de discurso se misturem nesta obra de natureza autobiográfica tão longe do característico diário romântico, como diz em determinado momento do Diário III, embora fortemente marcada pelo seu eu, como se disse. Reconhece, porém, que no seu Diário "há muita literatura". Tanto em Diário como nas outras obras Torga revela-se tal
como se caracteriza no texto datado de Lavadores, 12 de Agosto, do Diário III -
"Mas a minha fraqueza maior é não poder desprezar ninguém, mesmo os próprios
inimigos... Sofro por eles... Somos todos elos de uma grande corrente, e é pelos
ferrugentos que ela pode quebrar..." - "afirmativo Como escritor dramático foram
publicadas três obras entre 1941 - Terra Firme e Mar e 1949 - O
Paraíso. Miguel Torga faleceu em Coimbra no dia 17 de Janeiro de 1995.
Vale a pena
esperar
Vyrena
Quando
puder
voarei até o
infinito...
buscarei o
brilho
da estrela mais
brilhante...
se um pouco
dele
a mim estiver
destinado.
Para mim...
o melhor
almejarei
porque...
merecedora...
sou... eu
sei!
De meus
sonhos...
por mais impossíveis
que
pareçam...
jamais
desistirei!
Não importa
o tempo ... a
demora...
saberei
esperar
até que chegue a
hora.
Estou certa de
que
num tempo
qualquer...
Num lugar
distante
onde jorram
fontes
de esperança e
felicidade...
embrulhados
em bonito papel de
presente...
estarão meus
sonhos...
anseios...
e desejos mais
ardentes!
Quando os
encontrar...
aí... então
saberei
que valeu a pena a
espera.
Valeu a pena....
sofrer...
chorar e
viver!
Miguel Torga
Corre, tempo!
Depressa! Sagres Vinha de longe o
mar... E a terra ouvia, de perfil
agudo, Era o resto do mundo que
faltava Sagres sagrou então a
descoberta
Mar Mar! Mar! Mar! Mar! Mar! in "Poemas Ibéricos" Juiz de Fora, 03 de julho de 2003 Maria Thereza Neves
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Música: Sonata
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