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&

Cecília Meireles

 

 Poetisa brasileira. Nasceu no Rio de Janeiro, em 07de novembro de 1901. Diplomou-se na antiga Escola Normal. Ainda estudante, publicou os livros: Baladas para El Rei e Nunca mais, Poema dos poemas, depois, Crianças, Meu amor, livro para a infância. Diz ela própria que seu principal defeito é uma ausência do mundo e seu tormento desejar fazer o bem às pessoas que precisam de auxílio e não o aceitam. É a poetisa brasileira mais conhecida em Portugal. Suas obras completas foram publicadas em 1959, pela Editora José Aguilar. Em 1938 seu livro Viagem foi premiado pela Academia Brasileira de Letras, com elogios especiais de Cassiano Ricardo. Sua mais recente produção foi Vaga Música que assinala momento culminante em sua carreira literária. Cecília Meireles faleceu em 1965.

Piano

Maria Thereza Neves

Quero escrever sobre as teclas do piano

dar luz 

 alforrar as sílabas de cada nota

resgatar minha essência

algo do ser eterno

e no alento  continuar vivendo.

 

Quero  recuperar  a alma

Mozart, Straus, Bach, Bethoven ...

num fluxo de melodias constantes

suaves ou calientes

 tendo a música como último abrigo

ou deixar

o piano  tocar sozinho

em novas cores e timbres

em todos os espaços que ficaram vazios.

 

Cântico I

Não queiras ter Pátria.
Não dividas a terra.
Não dividas o céu.
Não arranques pedaços ao mar.
Não queiras ter.
Nasce bem alto.
Que as coisas todas são tuas.
Que alcançará todos os horizontes.
Que o teu olhar, estando em toda parte
Te ponhas em tudo,
Como Deus.

 

Por Um Minuto ou Para Sempre....
 
Delasnieve Daspet
 
 
Ficas olhando....
Superando o constrangimento desinibo-me.
Sou de extremos.
Deixo aflorar a sensualidade.
A flor da pela,
é como sinto todas as ocorrências....
 
Deixo-me levar pela correnteza,
quase me afogo num copo d'água
sem me dar conta de nada.
E o grito morre na garganta,
ninguém  vê a desdita, a derrocada.
 
Abro a janela.
A casa está cheia de sombras
Procuro tranca-las do lado de fora..
O futuro é incerto mas quero ir para frente
por um minuto ou para sempre.
 
No momento da saída, a porta
esta fechada, ligando o passado ao
futuro que nem imagino...
E assim  permaneço uma historia
que nunca acaba...

Cântico II  

Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontens...
não queiras ser o de amnhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabes que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.

 

É a tua eternidade.
És tu.

até aos vinte anos
de graça
inauguramos
o mundo desejando 
que nos observem
aos quarenta     experientes
do mundo
observamos
e pagamos
 o que experimentamos
a seguir em manobras
observamos o mundo
que nos observa e nos cobra
pelo que inauguramos
de graça
========
sórrindo
helena armond
junho
2003

 

Cântico VI

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acaba todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

E então serás eterno.

Cheirinho de Alecrim
 
Senhora do Céu, entregue-Lhe uma Rosa por mim,
e, Vos rogo, também, um Cheirinho de Alecrim;
sei que o Amor se eterniza na Lembrança, assim,
como sei, agora, que é Amor a Flor do Vosso Jardim.
 
Moacir et Selena
brilhe a vossa LUZ!
 
à minha Mãe Nair que fazia Aniversário em 23 de Junho

Cântico XIII

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

INCOERÊNCIA DE SENTIMENTOS
Vyrena
 
Digo que te odeio

quando te tornas ausente.

Tua presença

leva-me a amar-te

loucamente!

Quanto mais tento esquecer-te...

mais em mim te fazes presente!

Ah... essa incoerência

de sentimentos...

amando- te ou  odiando...

és dono

de meus pensamentos!

 

CANÇÃO MÍNIMA

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E,  no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta.  

 

E quando nada fazia sentido

pois um quase inverno minha alma sentia

uma imagem me fez pensamento

num olhar mais além

nas estrelas que cintilam numa lua bonita...

no mar de esperanças no universo infinito

e que ao sorrirmos não existem lágrimas enfim persistam...

Liane Niremberg

 

Poesias: 
 

 

O Tempo Voou

Iracema Zenetti


Ahhh... como venho através da vida me perguntando:
O que foi feito de mim...
desde o rolar dos dias alegres da minha infância?
Vejo nítidos os detalhes, como um filme antigo,
ora mudo, ora em terceira, quarta, ou qualquer outra dimensão!

Agradeço o poder da memória!
Mas quem sabe tivesse sido melhor o esquecimento,
que de mim não teria feito prisioneira da minha história!
Voltam à baila imagens de praias, me vejo correndo,
abrindo os braços como se pudesse neles sustentar altas vagas!

Ahhh... pensamento, como és veloz!
Levas-me do mar, à montanhas verdejantes!
Apartas-me dos peixinhos saltitantes...
e pões-me à frente de milhões de "farfalas!"
Do sol, viajo à chuva... e parto ao encontro da lua!

Nas estantes... meus livros de história!
Quantas decorei... e a meus filhos e netos contei!
Hoje, das saudosas primaveras, escrevo histórias encomendadas,
sem pensar em receber em troca o vil metal, pelos escritos
que tem a ver com os dias felizes de outrora!

Lembranças alegres... revivo... tristes, apaguei-as da memória!
Sou feliz de qualquer jeito, há tempos esqueci espelhos!
Sinto minha essência à flor da pele.
Agradeço à vida momentos vividos ao lado da tal felicidade...
Fugaz... todavia... ainda bate à minha porta!

Ahhh... Amores? Quantos tive?
Não lembro, deixei-os para trás, na escuridão do inconsciente!
Recordo-me apenas de dois, ou três
que marcaram minha vida para sempre...
Por ser poeta... de amor virtual me completo... e me contento!

Poesias:
 
 Mulher

 Princípio.

 Começo eu fui

 Eu sei, eu sou!

Em mim se abre
 
O mistério.
 
A mim o rio,
 
E eu fonte me abro.
 
Eu sou nascente e foz
 
E me dou 
 
Sendo.

De mim a vida flui.
 
De mim emana o ser
 
Que sou
 
E o que não sou.

Por minhas mãos se parte o pão.
 
E em silêncio me desdobro,
 
E em amor me consumo.

Em meu ser
 
A flor
 
O fruto
 
O ramo e raíz.
 
O céu.

O mundo.

Maria Petronilho

 

VIAGEM

No perfume dos meus dedos,

Há um gosto de sofrimento ,

Como o sangue dos segredos

No geme dos pensamentos

 

Por onde é que vou ?

 

Fechei as portas sozinhas .

Custaram tanto a rodar;

Se chamasse ,ninguém vinha,

Para que se há de chamar?

 

Que caminho estranho!

 

Eras coisas tão sem forma,

Tão sem tempo ,tão sem nada...

_ arco- íris do meu dilúvio

que nem podias ser vistas

nem quase mesmo pensada.

 

Ninguém mais caminhada ?

 

A noite bebeu –te as cores

Para pintar as estrelas .

Desde então,que é dos meus olhos?

Voaram de mim para as nuvens.

Com redes para prendê-las

 

Quem te alcançará?

Dentro da noite mais denso

Navegarei sem rumores,

Seguindo por onde fores

Como um sonho que se pensa.

Por onde é que vou ?

MEU CORAÇÃO

zelisa camargo

Meu coração é morada da sua

esperança

bate descompassado quando você chega

quando sinto sua presença

quando sua voz suave me acalenta

Ah! pobre coração que não sabe

nem como mais bater de tão apaixonado que se

encontra

e só sabe voar e ir ao teu encontro

tornou-se menino irresponsável

que nada mais faz

a não ser esperar

e sonhar todos os

sonhos

na minha maneira de te amar

dentro dessa impossibilidade

do momento

mas sentindo todos

os extases permitido

nesse tempo

sem tempo

apenas sendo

amor.

"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."

Lembranças de infância
 
Cia Paulista de Estrada de Ferro
: carro de segunda
 
O melhor vestido.
Saiote engomado.
Sapato de missa.
 
Já na estação, o trem apita.
 
Sujo de lenha e carvão
ele ficava sempre. Só.
O adeus cala meus ais
 
Na plataforma ele, meu pai.
 
 
Linda Maria

Auto-retrato

Se me contemplo,
tantas me vejo,
que não entendo
quem sou, no tempo
do pensamento.

Vou desprendendo
elos que tenho,
alças, enredos...

Formas, desenho
que tive, e esqueço!
Falas, desejo
e movimento
— a que tremendo,
vago segredo
ides, sem medo?!

Sombras conheço:
não lhes ordeno.
Como precedo
meu sonho inteiro,
e após me perco,
sem mais governo?!

Nem me lamento
nem esmoreço:
no meu silêncio
há esforço e gênio
e suave exemplo
de mais silêncio.

Não permaneço.
Cada momento
é meu e alheio.
Meu sangue deixo,
breve e surpreso,
em cada veio
semeado e isento.

Meu campo, afeito
à mão do vento,
é alto e sereno:
Amor. Desprezo.

Assim compreendo
o meu perfeito
acabamento.

Múltipla, venço
este tormento
do mundo eterno
que em mim carrego:
e, una, contemplo
o jogo inquieto
em que padeço.

E recupero
o meu alento
e assim vou sendo.

Ah, como dentro
de um prisioneiro
há espaço e jeito
para esse apego
a um deus supremo,
e o acerbo intento
do seu concerto
com a morte, o erro...

( voltas do tempo
— sabido e aceito —
do seu desterro...)

 

Catadora de Estrelas

                                        Fatima Dannemann


Sou
pensadora na janela
a contar estrelas...
Olho para a lua
e ouço o
Clair de Lune
dançando nas teclas
do piano...

Sou
pescadora de sonhos
deslizando no arco-íris
de meus pensamentos
onde cato estrelas.
E vejo
grãos de poeira cósmica
que brilham em minhas mãos
como purpurina...

Sou
viajante das idéias
deslizando nas palavras.
Faço das frases
meu tapete voador
e percorro...
Saio pelo mundo
a olhar para os astros...
Ouço um piano
e paro para escutar
a sutileza do silêncio.

Sou
ser errante,
sonhadora e voadora
a procura
de um porto tranqüilo
para pousar.

Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou
alegre nem sou triste: sou poeta. Sei que canto. E a canção é tudo. ...

Emoções...

Quando me veres passar
Feliz da vida, abraçada
A um novo amor, vais sentir
Saudades de mim, eu sei
Vou para me libertar da dor
Viver minha vida em flor
Tecer mil sonhos de amor...
 
Sorrindo, toda contente
Sentindo toda dor ausente
Num esgar de franca alegria
Vou jogando novas cartas
Vou cantando em serenatas
Sentindo plena emoção
Sustento do coração...
 
Quando me veres passar,
Vaidosa de braço dado
Com um novo amor ao meu lado
Com certeza vais chorar...
Vais até te desesperar
Sem poder te consolar
Da dor, da perda de amar...
 
Myriam Peres

Lua Adversa
Cecília Meirelles


Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

Ceia

Plínio Sgarbi

Meiga moça
que a chamo,
vem.

Leiga se faz,
levanta a saia e
me tem.

Finge ser minha amada
do jeito safada,
gosta e me atura
cheia de candura,
me leva as alturas,
agora, 
perdura,
uma noite e meia
será a minha ceia

SGarden(SongFromASecretGarden).wav

Esta página é sempre dedicada aos POETAS Lunáticos!

Uma  integração que Acontece todos os dias...

 

JF/  23 de   junho de 2003

Maria Thereza  Neves

Música: Sonata

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