Cântico
I
Não queiras ter Pátria. Não dividas a
terra. Não dividas o céu. Não arranques
pedaços ao mar. Não queiras ter. Nasce bem
alto. Que as coisas todas são tuas. Que
alcançará todos os horizontes. Que o teu olhar, estando em
toda parte Te ponhas em tudo, Como
Deus.
Por Um Minuto
ou Para Sempre....
Delasnieve
Daspet
Ficas
olhando....
Superando o
constrangimento desinibo-me.
Sou de extremos.
Deixo aflorar a
sensualidade.
A flor da
pela,
é como sinto todas
as ocorrências....
Deixo-me levar pela
correnteza,
quase me afogo num
copo d'água
sem me dar conta de
nada.
E o grito morre na
garganta,
ninguém vê a
desdita, a derrocada.
Abro a
janela.
A casa está cheia de
sombras
Procuro tranca-las
do lado de fora..
O futuro é incerto
mas quero ir para frente
por um minuto ou
para sempre.
No momento da saída,
a porta
esta fechada,
ligando o passado ao
futuro que nem
imagino...
E
assim permaneço uma historia
que nunca
acaba...
Cântico
II
Não sejas o de
hoje. Não suspires por ontens... não queiras ser o de amnhã. Faze-te
sem limites no tempo. Vê a tua vida em todas as origens. Em todas as
existências. Em todas as mortes. E sabes que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem. Ela prossegue: É a passagem que
se continua.
É a tua
eternidade. És tu.
até aos
vinte anos
de
graça
inauguramos
o
mundo desejando
que nos
observem
aos
quarenta experientes
do mundo
observamos
e
pagamos
o que
experimentamos
a seguir em
manobras
observamos
o mundo
que nos
observa e nos cobra
pelo que
inauguramos
de
graça
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sórrindo
helena
armond
junho
2003
Cântico VI
Tu tens um
medo:
Acabar.
Não vês que acaba todo o
dia.
Que morres no
amor.
Na
tristeza.
Na
dúvida.
No
desejo.
Que te renovas todo o
dia.
No
amor.
Na
tristeza.
Na
dúvida.
No
desejo.
Que és sempre
outro.
Que és sempre o
mesmo.
Que morrerás por idades
imensas.
Até não teres medo de
morrer.
E então serás eterno.
Cheirinho
de Alecrim
Senhora do
Céu, entregue-Lhe uma Rosa por mim, e, Vos rogo, também, um Cheirinho de
Alecrim; sei que o Amor se eterniza na Lembrança, assim, como sei,
agora, que é Amor a Flor do Vosso Jardim.
Moacir et Selena brilhe a vossa LUZ!
à minha
Mãe Nair que fazia Aniversário em 23 de
Junho
Cântico XIII
Renova-te. Renasce em
ti mesmo. Multiplica os teus olhos, para verem
mais. Multiplica-se os teus braços para semeares
tudo. Destrói os olhos que tiverem
visto. Cria outros, para as visões
novas. Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher. Sê
sempre o mesmo. Sempre outro. Mas sempre
alto. Sempre longe. E dentro de
tudo.
INCOERÊNCIA DE SENTIMENTOS
Vyrena
Digo
que te odeio
quando te
tornas ausente.
Tua
presença
leva-me a
amar-te
loucamente!
Quanto
mais tento esquecer-te...
mais em
mim te fazes presente!
Ah...
essa incoerência
de
sentimentos...
amando-
te ou odiando...
és dono
de meus
pensamentos!
CANÇÃO
MÍNIMA
No mistério do
sem-fim
equilibra-se
um
planeta.
E, no planeta,
um jardim,
e,
no jardim, um canteiro;
no
canteiro uma violeta,
e,
sobre ela, o dia
inteiro,
entre o
planeta e o sem-fim,
a
asa de uma
borboleta.
E quando nada fazia
sentido
pois um quase inverno minha
alma sentia
uma imagem me fez
pensamento
num olhar mais
além
nas estrelas que cintilam numa
lua bonita...
no mar de esperanças no
universo infinito
e que ao sorrirmos não existem
lágrimas enfim persistam...
Liane
Niremberg
Poesias:
O Tempo
Voou
Iracema
Zenetti
Ahhh... como venho através da vida me
perguntando: O que foi feito de mim... desde o rolar dos dias
alegres da minha infância? Vejo nítidos os detalhes, como um filme
antigo, ora mudo, ora em terceira, quarta, ou qualquer outra
dimensão!
Agradeço o poder da memória! Mas quem sabe tivesse
sido melhor o esquecimento, que de mim não teria feito prisioneira da
minha história! Voltam à baila imagens de praias, me vejo
correndo, abrindo os braços como se pudesse neles sustentar altas
vagas!
Ahhh... pensamento, como és veloz! Levas-me do mar, à
montanhas verdejantes! Apartas-me dos peixinhos saltitantes... e
pões-me à frente de milhões de "farfalas!" Do sol, viajo à chuva... e
parto ao encontro da lua!
Nas estantes... meus livros de
história! Quantas decorei... e a meus filhos e netos contei! Hoje,
das saudosas primaveras, escrevo histórias encomendadas, sem pensar em
receber em troca o vil metal, pelos escritos que tem a ver com os dias
felizes de outrora!
Lembranças alegres... revivo... tristes,
apaguei-as da memória! Sou feliz de qualquer jeito, há tempos esqueci
espelhos! Sinto minha essência à flor da pele. Agradeço à vida
momentos vividos ao lado da tal felicidade... Fugaz... todavia... ainda
bate à minha porta!
Ahhh... Amores? Quantos tive? Não lembro,
deixei-os para trás, na escuridão do inconsciente! Recordo-me apenas de
dois, ou três que marcaram minha vida para sempre... Por ser
poeta... de amor virtual me completo... e me
contento!
Poesias:
Mulher
Princípio.
Começo eu
fui
Eu sei, eu sou!
Em mim se abre O
mistério. A mim o rio, E eu fonte me
abro. Eu sou nascente e foz E me
dou Sendo.
De mim a vida flui. De
mim emana o ser Que sou E o que não
sou.
Por minhas mãos se parte o pão. E em silêncio me
desdobro, E em amor me consumo.
Em meu
ser A flor O fruto O ramo e
raíz. O céu.
O mundo.
Maria
Petronilho
VIAGEM
No perfume dos
meus dedos,
Há um gosto de
sofrimento ,
Como o sangue
dos segredos
No geme dos
pensamentos
Por onde é que
vou ?
Fechei as
portas sozinhas .
Custaram tanto
a rodar;
Se chamasse
,ninguém vinha,
Para que se há
de chamar?
Que caminho
estranho!
Eras coisas tão
sem forma,
Tão sem tempo
,tão sem nada...
_ arco- íris do
meu dilúvio
que nem podias
ser vistas
nem quase mesmo
pensada.
Ninguém mais
caminhada ?
A noite bebeu
–te as cores
Para pintar as
estrelas .
Desde então,que
é dos meus olhos?
Voaram de mim
para as nuvens.
Com redes para
prendê-las
Quem te
alcançará?
Dentro da noite
mais denso
Navegarei sem
rumores,
Seguindo por
onde fores
Como um sonho
que se pensa.
Por onde é que
vou ?
MEU CORAÇÃO
zelisa camargo
Meu coração é morada da sua
esperança
bate descompassado quando você
chega
quando sinto sua presença
quando sua voz suave me acalenta
Ah! pobre coração que não sabe
nem como mais bater de tão apaixonado que se
encontra
e só sabe voar e ir ao teu encontro
tornou-se menino irresponsável
que nada mais faz
a não ser esperar
e sonhar todos os
sonhos
na minha maneira de te amar
dentro dessa impossibilidade
do momento
mas sentindo todos
os extases permitido
nesse tempo
sem tempo
apenas sendo
amor.
"...Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que
não há ninguém que explique e ninguém que não
entenda..."
Lembranças de infância
Cia Paulista
de Estrada de Ferro
: carro de
segunda
O melhor
vestido.
Saiote
engomado.
Sapato de
missa.
Já na
estação, o trem apita.
Sujo de lenha
e carvão
ele ficava sempre. Só.
O adeus cala
meus ais
Na plataforma ele, meu
pai.
Linda
Maria
Auto-retrato
Se me
contemplo, tantas me vejo, que não entendo quem sou, no tempo do
pensamento.
Vou desprendendo elos que tenho, alças,
enredos...
Formas, desenho que tive, e esqueço! Falas, desejo e
movimento — a que tremendo, vago segredo ides, sem
medo?!
Sombras conheço: não lhes ordeno. Como precedo meu sonho
inteiro, e após me perco, sem mais governo?!
Nem me lamento nem
esmoreço: no meu silêncio há esforço e gênio e suave exemplo de mais
silêncio.
Não permaneço. Cada momento é meu e alheio. Meu sangue
deixo, breve e surpreso, em cada veio semeado e isento.
Meu
campo, afeito à mão do vento, é alto e sereno: Amor.
Desprezo.
Assim compreendo o meu
perfeito acabamento.
Múltipla, venço este tormento do mundo
eterno que em mim carrego: e, una, contemplo o jogo inquieto em que
padeço.
E recupero o meu alento e assim vou sendo.
Ah, como
dentro de um prisioneiro há espaço e jeito para esse apego a um deus
supremo, e o acerbo intento do seu concerto com a morte, o
erro...
( voltas do tempo — sabido e aceito — do seu
desterro...)
Catadora de Estrelas
Fatima Dannemann
Sou pensadora na
janela a contar estrelas... Olho para a lua e ouço o Clair de
Lune dançando nas teclas do piano...
Sou pescadora de sonhos deslizando no arco-íris de meus
pensamentos onde cato estrelas. E vejo grãos de poeira cósmica que
brilham em minhas mãos como purpurina...
Sou viajante das idéias deslizando nas palavras. Faço das
frases meu tapete voador e percorro... Saio pelo mundo a olhar para
os astros... Ouço um piano e paro para escutar a sutileza do
silêncio.
Sou ser errante, sonhadora e voadora a procura de um
porto tranqüilo para
pousar.
Eu canto porque
o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou
triste: sou poeta. Sei que canto. E a canção é tudo. ...
Emoções...
Quando
me veres passar
Feliz
da vida, abraçada
A um
novo amor, vais sentir
Saudades de mim, eu sei
Vou
para me libertar da dor
Viver
minha vida em flor
Tecer
mil sonhos de amor...
Sorrindo, toda contente
Sentindo toda dor ausente
Num
esgar de franca alegria
Vou
jogando novas cartas
Vou
cantando em serenatas
Sentindo plena emoção
Sustento do coração...
Quando
me veres passar,
Vaidosa
de braço dado
Com um
novo amor ao meu lado
Com
certeza vais chorar...
Vais
até te desesperar
Sem
poder te consolar
Da dor, da perda de amar...
Myriam Peres
Lua Adversa Cecília Meirelles
Tenho
fases, como a lua Fases de andar escondida, fases de vir para a
rua... Perdição da minha vida! Perdição da vida minha! Tenho fases de
ser tua, tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e que vêm, no
secreto calendário que um astrólogo arbitrário inventou para meu
uso.
E roda a melancolia seu interminável fuso! Não me encontro com
ninguém (tenho fases, como a lua...) No dia de alguém ser meu não é dia
de eu ser sua... E, quando chega esse dia, o outro
desapareceu...
Ceia
Plínio
Sgarbi
Meiga
moça que a chamo, vem.
Leiga se faz, levanta a saia e me
tem.
Finge ser minha amada do jeito safada, gosta e me
atura cheia de candura, me leva as
alturas, agora, perdura, uma noite e meia será a minha
ceia
SGarden(SongFromASecretGarden).wav
Esta página é
sempre dedicada aos POETAS Lunáticos!
Uma
integração que Acontece todos os dias...
JF/ 23 de junho de
2003
Maria
Thereza Neves
Música: Sonata |