HojeAconteceuLuna's

&

Florbela Espanca

 

O Tempo é Linear...
 
Delasnieve Daspet
 
 
Não é estranho que eu perca
tanto tempo em buscas
sabendo que és começo,meio e fim ?
 
Não encontro palavras para
descrever o que anseio dizer.
És minha canção, minha melodia,
tudo que quero e preciso.
 
És a pena, o papel, o sonho,
a saudade, a ausência, o silêncio,
a porta fechada, o perfume
que não me sai da cabeça.
 
Quero voltar e entrar...
Onde estás?
Receio que minha indecisão
tenha te cansado...
 
O tempo é linear,
isso faz perfeito sentido.
Rodo em volta de mim,
em louca subida e descida.
Não há lugar que não tenha buscado...
Mas estás do lado escuro da lua.
 
De tanta procura, de tanto
querer  dizer que te quero,
me perdi. E dentro de mim navegam
sonhos, alegorias, perdas...
 
Há alguém em minha cabeça.
E não sou eu. Mas ninguém ouve
o que ouço. Não choram meu pranto.
Não cantam meu canto.
Louco canto de encantos.
 
Lunática cabeça...nada em todos
os lados... rearrumo minha bagunça,
desafinada, sigo em frente.

 

Florbela de Alma Conceição Espanca (1894-1930) nasceu em Vila Viçosa e faleceu em Matosinhos. Estudou em Évora, onde concluiu em 1917 o curso liceal, matriculando-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. É por essa altura que publica as suas primeiras poesias. Tendo casado várias vezes e tendo sido em todas elas infeliz, começou a consumir estupefacientes. Só depois da sua morte é que a poetisa viria a ser conhecida do grande público, tendo contribuído para isso a publicação de Charneca em Flor (1930) pelo professor italiano Guido Batelli. Das suas obras destacam-se: Livro de Mágoas (1919), Livro de Sóror Saudade (1923), Charneca em Flor (1930), Reliquae (1931), A Máscara do Destino (1931) e Dominó Negro (contos, 1931).

Como magia
 
Como magia...
Pensei que pudesse ser
teu lado mais repleto
mais completo..
e mais bonito!
 
Como magia...
Achei que pudesse ser
a estrela que te guia...
a mão que te acaricia
o que sempre inicia!
 
Como magia...
sonhei que pudesse ser
o sol que te aquece
a lua que enlouquece
a semente que sempre cresce
 
Mas como toda
magia...
Não vi o truque
da ilusão
e se transformou
Em decepção!

Olga Fonseca

Uma das maiores poetisas de língua portuguesa, Florbela Espanca, dividiu a sua curta, mas admirável obra, entre poesia e prosa, completando uma produção escrita de extraordinária beleza, que evidencia a sua singularidade, como poetisa e como pessoa.

Êxtase

Quando a noite beija a minha face
E minhas mãos sem disfarces tocam a lua.
Estrelas de desejos nascem no meu peito.
Desenho , de todos os jeitos, carinhos no teu corpo.
Sigo os caminhos das tuas curvas
Faço travessuras de amor.
Adormeço no gozo do teu corpo.
Feliz, torporoso de prazer.


Roberto Passos do Amaral Pereira

Rosy Beltrão

O amor é qualquer coisa,
menos racional.
A formalidade não tem lugar
pulso acelerado: dispara o coração.
avermelha a face
brilham os olhos
a pele fica macia, aveludada.
Exala perfumes
de odores inigualáveis.
O sorriso largo,
o corpo leve e livre,
excepcionalmente saltitante.
Alma que teima em não parar no lugar.
Volita: suspensa no ar.
E o olhar?
Sempre brilhante,
como a luz do luar.
Sorriso largo,
passos lentos,
na lassidão do pensar
ou apressados:
para ver o ser amado passar.
o dia é noite
se não está ao seu lado
a noite é dia
ao vê-lo chegar.
Amor:
pode ser qualquer coisa,
menos racional!
Comanda o corpo,
que rejuvenesce,
ou amadurece.
Porque para amar,
só é preciso viver.

Mulher de temperamento único e escritora de sensibilidade muito rara, criou um universo temático próprio, alvo de críticas, e uma estética independente face a outros escritores e poetas. Contudo, é visível o cruzamento de diversas influências literárias, bem como uma grande capacidade de sintetizar o sentir dos poetas, como nos mostra em «Ser Poeta».

Mulher Sonhada

 mulher do sonho
alimenta o girassol
mitiga a sede do totem
apascenta o poeta
e conversa com a lua.
Como uma nuvem azul
ela desaparece
deixando como rastro
fios brancos de algodão.

 
Otávio Coral


Rota das Gaivotas

No encontro das palavras com meus rios,
as águas brincam versos transbordados,
colhidos das memórias de riachos,
bordados por clarões azuis sombrios.

Dormindo as pororocas nos estrados
das telas chuviscadas por fastios,
sigo pichando os brancos arredios,
pra descansar meus contos desgastados.

Nas pontas de soneto e galhas mortas,
surfo na onda azul da solidão,
buscando a nova praia da ilusão...

O sonho segue a rota das gaivotas,
no céu de abril que abre as suas portas
ao mar de sal e areias da paixão.

© Nathan de Castro

Bibliografia

 

 Lembranças de você

 Hoje acordei com saudade
lembranças de você...

Um ano já se passou...
E ainda custo a acreditar
Que tudo tenha ocorrido
Que você tenha partido
Sem deixar nenhum recado
 
Ainda sinto a sua falta
Ainda sinto saudades
De tudo que um dia existiu
Nossa amizade, cumplicidade
Nosso grande amor de amigo
 
Ainda sinto em certos momentos
sua presença bem do meu lado
seu carinho sempre constante
presente, quando eu mais precisava.
 
Seu perfume, seu hálito quente
quando meu rosto beijava
suas mãos estendidas pras minhas
aguardando que elas se abrissem
como uma flor, no amanhecer do jardim.
 
Muitas vezes, escuto em sonhos
Sua voz grossa, dengosa
dando aquela risada gostosa
quando ouvia uma piada
 
Muitas vezes escuto seu canto
sem derramar nenhum pranto
tentando arriscar na seresta
os boleros ou tangos de outrora
 
Muitas vezes penso ouvir você
falando baixinho, em sussurros
doces palavras amigas, de alento
me consolando agora...
 
A sua flor do icq que verde sempre ficava
nunca mais voltou a se abrir
mesmo que eu esperasse
que fosse tudo mentira
que um milagre acontecesse
que ela um dia quem sabe?
voltasse a sorrir pra mim
 
Sei que você está bem
Sei que você está feliz
mas a saudade insiste e persiste
em manter acesa sua chama
ainda queimando bem dentro de mim
 
E hoje, dói demais no meu peito
quando um ano se completa...
quando Deus te chamou pra bem perto
rompendo assim com meus sonhos
te levando amigo querido
para bem longe de mim.
 
©Neli Neto

O INFINITO DO POETA
Por toda parte
que o poeta anda,
deixa marcado
seu sentimento.
Solvendo tudo,
perde-se em devaneios:
é a própria vida,
retratada em si,
e intimamente fragmentada.
A sua arte é aquilo
que ninguém explica
ou entende.
O infinito é
um pulo só: sua poesia
brota dali..
.

Rubenio Marcelo

 


O Meu Impossível


      

Minh'alma ardente é uma fogueira acesa, É um brasido enorme a crepitar! Ânsia de procurar sem encontrar A chama onde queimar uma incerteza! Tudo é vago e incompleto! E o que mais pesa É nada ser perfeito. É deslumbrar A noite tormentosa até cegar, E tudo ser em vão! Deus, que tristeza!... Aos meus irmãos na dor já disse tudo E não me compreenderam!... Vão e mudo Foi tudo o que entendi e o que pressinto... Mas se eu pudesse a mágoa que em mim chora Contar, não a chorava como agora, Irmãos, não a sentia como a sinto!...

 

 Coração de Poeta
Paulo Izael


Eis que novamente surge a saudade
Mas não se trata apenas de solidão,
Mas sim, é uma agonia múltipla.
É algo mais intenso que sufoca,
É uma dor que machuca, corrói,
Tem o efeito de uma lâmina na carne.
É estar ausente quando presente.
É um rangir de dentes intermitente.
Dá-se a imoderada inquietação,
Todo o corpo lateja impaciente.
A mente vegeta sob a recordação.
O sangue ferve nas veias.
Magoado, o coração bate acelerado
E quando o véu negro da noite,
Abraça os noturnos corações carentes,
Quando toda a metrópole adormece,

Eu, somente eu, alimento a depressão.
Vejo as cenas do passado a passar por mim,
lembro dos bares que compartilhamos,
Choro pela união que não provamos.
Lamento ter sido culpado pela separação.
Tudo acabou tão friamente, sem despedidas.
Jamais imaginei como pesa um abandono.
E de repente ressurge as cenas.
Meu consolo é viver solitário.
Hoje eu sei o que é causar uma dor.
No coração de um poeta solitário,
Habitam vários paixões imaginárias.
Entretanto somente a você realmente amei.

Mas o que significa a saudade,
Senão um estado de ser que fascina o fraco?
As horas passam e a saudade caminha,
E o meu mundo sem você continua o
mesmo:Escuro, indiferente a tudo e a todos
Mergulhado no abismo a procura de nada,
Tentando prolongar o meu lamento.
Eis que novamente surge o desamor
Trazendo com ele a solidão doentia.
Mais uma vez encontro-me pasmo pelo amor,

vejo-me arrastado pelo encanto
De tua inesquecível beleza que,
há de sedar-me por toda a minha existência !


      

 

SAL DO CORPO, ÁGUA.
Josemir Tadeu



Salgar que se faz princípio.
Resquícios de cristais.
Sais.
Sois.
Carne que se aquece,
e libera água.
Poros.
Espólios.
Marcas, sinas, cicatrizes.
Sal que salga pele,
amarga o corpo?
Sal da matéria,
vem do que se evapora,
do que se torna etéreo.
E deixa o casulo.
O sal fica.
É seu destino.
Viver impregnado à matéria bruta.
Sem ver a alma.
Talvez senti-la,
percebê-la.
Mas jamais habitá-la.
Sal do corpo,
fragmentos de água que sublima.



Sal que faz rima.
Sal que se faz amaro.
Sal que escolhe sua sina,
e fica acoplado à pele.
feito amarra.
Feito feto que com garra,
supera as fraquezas,
de um útero frágil,
de mãe desenfreada.



Sal divino.
Substância que abunda,
pois é natureza da terra.
Sal que se solta,
de forma circunspecta,
arrebata, multiplica,
e fica.
Pois que da água vive.


 

Sonhos


      

Ter um sonho, um sonho lindo, Noite branda de luar, Que se sonhasse a sorrir... Que se sonhasse a chorar... Ter um sonho, que nos fosse A vida, a luz, o alento, Que a sonhar beijasse doce A nossa boca... um lamento... Ser pra nós o guia, o norte, Na vida o único trilho; E depois ver vir a morte Despedaçar esses laços!... ...É pior que ter um filho Que nos morresse nos braços!


      

 

Medo de te amar

Isaac Miguel I

 

Tudo passa na minha mente

Caricias e aconchegos

Nada é mais belo que teu rosto

A luz das velas do bar

 

Sou por ti caído de paixão

Meu lado covarde me esconde

Não dá o direito de te amar

Serei sempre teu Senhor

 

Porem o medo de me entregar

O prazer de só receber

Me faz um um ser incompleto

No ato e de fato te amar

 

De gole em gole penso

Porque não deixar a vida te amar

Tudo que quero é uma PAz

Interior ao teu lado meu amor

 
SE EU NÃO ACORDASSE

 
Se eu não acordasse
todas as manhãs
com vontade
de sentir teu suor
no meu corpo,
tuas mãos passeando
na minha pele,
teus cabelos sedosos
roçando meu peito desnudo,
teus lábios fecundando minha boca
com teu sabor,
na mistura da nossa saliva,
Se eu não acordasse,
todas as manhãs
com a renovada esperança
de possuir-te e ser teu,
confesso:
eu já estaria morto
de saudades de Ti!

©Sicouza


 
 
Poesias:
 
 Canção grata 
 
Ser Poeta
 Os versos que te fiz (13/2/95)
 
Charneca em flor
(13/2/95)
 Se tu viesses ver-me... (27/2/95)
 Amor que morre (13/3/95)
 Mais Alto (1/5/95)
 Tortura (4/5/95)
 Nostalgia(29/5/95)
 Inconstância (7/8/95)
 Tarde no mar (15/8/95)
 Princesa Desalento (19/2/96)
 Vaidade (25/3/96)
 Tarde de mais... (6/5/96)
 Teus olhos (8/7/96)
 Sem remédio (29/7/96)
 Lágrimas ocultas (26/8/96)
 Tarde de mais... (2/9/96)
 Minha culpa (16/9/96)
 Saudades (10/11/97)
 Árvores do Alentejo (16/3/98)
 Exaltação (27/4/98)
 Fumo (26/10/98)
 Volúpia (8/3/99)
 A vida (27/3/00)
 A nossa casa (12/6/00)
 
NÓS

Plínio Sgarbi

Nosso presente
Físicos ausentes
Distância, esperada chegada
Agora, vozes na madrugada
Ensejo, desejos
Amor, não tão somente
Brota semente
Em ritmo, intimo ardente
Nosso futuro
Fruto Maduro
Sem esquema, teorema infante
Olhar em seus olhos
nem que seja por um único instante !
Adorável momento
Perpetuei tu, em meu pensamento
 
"Eu Juro"
Nelim Monti

Eu juro, que vou te  esquecer!
Eu juro, por mim, e por tudo
quanto possa jurar.
Sei que não acredita
em meu juramento...
Mas eu juro, por tudo que
sou e que já fui.
Pelo que já passei,
e ainda passarei.
Juro pela minha vida ,
que é o que mais amo.
Eu juro...
Juro que estou jurando
falso.

 

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... é condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente!

 
Amor Transcendental

E quando entre as pedras
O sorriso surdo do vento no canavial
Parece até que o teu coração empedras
Quando falamos sobre a ida na catedral
Pois só desejas os prazer do amor
Sentir o meu corpo vibrando junto ao teu
Gostas de sentir prazer e dor
Juntos dos sussurros e carinhos meus!

E quando cessa o barulho do vento
E se faz aquele silêncio da noite
Posso então executar o meu intento
E desbravar teu corpo com meu açoite
Abraçando o teu corpo entrelaçado
Me entregando ao teu aperto tua alegria
Me sentindo feliz e cansado
E com o teu corpo em franca sintonia.

Me entrego aos teu arroubos de mais prazer
E me concentro nas curvas do teu corpo
Sou inteiro contigo no mais intenso do meu ser
E faço de ti, para a tristeza o anticorpo
Na busca do prazer transcendental
Aquele que se busca de dentro para fora
Fugindo de todo sentimento acidental
Fazendo valer nosso amor a toda hora.

By Rick Steindorfer

 
VOOU 


Voou um, depois outro,
Voaram todos
Como gavião solitário
Ou como andorinhas em bandos,
Os meus sonhos.
Procuro agarrar alguns
Até pego
E de tanto apertar para não fugirem
Os sufoco.
Fugazmente e de raro em raro
Algum volta a me rondar
Mas é tudo vão
Pois quando vem e depois se vão além
Dói uma dor doída
De ter perdido duas vezes
Um sonho que já não era.


Samuel Fernandes de Aguiar
 DÚVIDAS... 

by Sonia Pallone



"...Dores estranhas me assolam...
Dores de saudade, dores de inquietação...
Ensimesmada, aqui, neste canto me acho,
ou me perco, não sei.
As revelações no meu interior
chocam-se e vazam
através dos poros da minha consciência.
E tão trágica quanto a verdade,
é a minha impotência diante
do medo que isto me traz...
O confronto entre o certo e o errado,
cobram de mim a postura correta.
Não sei qual é, Deus!
A escuridão da sabedoria é cerrada.
Nenhuma luz vislumbro.
Durmo na minha ignorância..."


 
Este Livro...

Este livro é de mágoas. Desgraçados
Que no mundo passais, chorai ao lê-lo!
Somente a vossa dor de Torturados
Pode, talvez, senti-lo... e compreendê-lo.


Este livro é para vós. Abençoados
Os que sentirem, sem ser bom nem belo!
Bíblia de tristes... Ó Desventurados,
Que a vossa imensa dor se acalme ao vê-lo!


Livro de Mágoas... Dores... Ansiedades!
Livro de Sombras... Névoas e Saudades!
Vai pelo mundo... (Trouxe-o no meu seio...)


Irmãos na Dor, os olhos rasos de água,
Chorai comigo a minha imensa mágoa,
Lendo o meu livro só de mágoas cheio!...
 
Rio de minha vida
(Lhenrique Mignone)



Rio, por que ris e segues cantando, indiferente,
Entre pedras, flores, seguindo o rumo de teu leito,
Por que não te quedas sequer por um instante
E te lanças em quedas, cachoeiras, vezes dolente,
Da fonte rumo ao mar, nuvem, chuva, ciclo perfeito?

Rio, por que cantas em corredeira, se ouves o pranto
Que jorra de minh´alma triste e se funde a tuas águas,
Por que, rio, diga-me por que mais que eu me encante,
Não mais se ouve de meu peito a voz do suave canto,
Por que dele não lavas e levas contigo estas mágoas?

Rio, oh rio de minha vida, que é, a cada momento, assim,
Fonte, curso, remanso, cachoeira, mar, nuvem, chuva,
Em todas tuas fazes, infinitas faces, porém sempre rio,
Como eu, em busca de mim mesmo, sem início, sem fim,
Levado pela corrente da vida, ora límpida ora turva.

Rio, rio de minha vida, rio de mim mesmo, somente rio,
Ora ouço tua voz cantante e cesso meu infindo pranto,
Mergulho em tuas águas, me reencontro, menino vadio,
enlevado por teu encanto, canto contigo da vida o canto,
Sou fonte, oceano, chuva, sou rio. Não mais choro... só, rio!
 
" to dream the impossible dream"
à ternura de um pequeno menino
que dorme  e dorme mais cedo
em ossos de vidro
e trincas
dos ossos de vidro...
em olhos baços de porcelana 
e trinca dos ossos
não posso
" to dream the impossible dream"
porque
o
inimigo 
é
visível
e
bem maior
que o pequeno menino
de 
ossos de vidro...
===============
para Daiane (?)
que deveria chamar-se Maria
junho 2003
helena armond
EU

Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...


Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...


Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porquê...


Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo p'ra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Se tu viesses ver-me... 
Se tu viesses ver-me hoje à tardinha, 
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...
Quando me lembra: esse sabor que tinha 
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca, 
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri
E é como um cravo ao sol a minha boca... 
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...
Em noites assim,
ao mergulhar em meus pensamentos,
buscando respostas para o que vivencio,
sinto que só as encontrarei se for honesta.
Não adianta camuflar, esconder, ludibriar.
A verdade está ali...
...se a quiser alcançar.


Mas as perguntas doem...
e as respostas fazem sangrar.
É minha dor pessoal.
Fruto de minhas escolhas.
Quantas vezes me angustio
querendo conscientemente fugir....
e inconscientemente ficar.
É um círculo vicioso,
onde forneço as armas e a munição...
numa quase completa rendição.
Isso não deve ser forma de amar.
Deve antes, se tratar de um jogo,
Um doloroso jogo sadomasoquista...
que preciso acabar.


Porque será, que amor rendição,
Amor sublimação,
Amor doação...
é tão lindo em verso e prosa...
...e tão difícil de vivenciar?


Roselinndonna

 
JF,28 de junho de 2003
Maria Thereza Neves

Música: Sonata

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