HojeAconteceuLuna's

&

 Grécia

Você fez uma incrível viagem! Voltou aproximadamente 2500 anos no tempo e conheceu os gregos, seus costumes e crenças religiosas. Você acha que o que aprendeu já é suficiente? Se você fosse um filósofo grego, certamente a sua resposta seria não. Os filósofos sempre diziam saber ainda muito pouco sobre o mundo a sua volta. Por isso, eles se dedicavam à análise detalhada da natureza e do ser humano.

E assim, iniciamos esta viagem entre gregos e poetas Lunáticos!

Juiz de Fora,18/06/2003

Maria Thereza Neves

Eros e Psique
 
Eros, Cupido ou Amor,
um dia apaixonou-se.
à Psique, em pleno esplendor,
o arqueiro venusiano dobrou-se.
já não comia a ambrosia divina,
tampouco bebia o néctar vital.
mas Vênus, sua mãe, logo atina
com o que acomete o Filho imortal.
chama Hermes, o Mensageiro Celestial,
e encarrega-o de uma missão impossível.
não quer o romance do Filho, afinal,
pois que o Amor deve ser impassível.
Hermes, rapta a Ninfa Psique, inocente,
e deixa o Amor procurar sua semente.
 
Moacir et Selena 2003
brilhe a vossa LUZ!
 
nem só de néctar vivem os deuses
Uma busca maior que a captura...

Idéias

Platão foi o aluno mais esperto de Sócrates. Ele acreditava que todo conhecimento morava em um lugar especial, chamado reino das idéias. Acreditava ainda que os seres humanos eram formados por duas partes: o corpo e a alma. Para ele, antes de uma criança nascer, sua alma visitava o reino das idéias e adquiria todo o conhecimento que lá morava. Mas, quando a alma se juntava ao corpo e a criança nascia, todo esse conhecimento era esquecido. Agora, muita atenção! Esquecido não significa perdido para sempre: o conhecimento pode ser recuperado! Segundo Platão, quando você vai à escola, por exemplo, não está aprendendo coisas novas e sim relembrando temas que sua alma já conhecia.

Aristóteles foi aluno de Platão, mas não concordava com várias idéias de seu professor. Não acreditava no reino das idéias e afirmava que corpo e alma não podiam ser separados. Segundo o filósofo, o bebê nasce sem nenhum conhecimento. Com o passar do tempo, a criança vai descobrindo o mundo que a cerca. Assim, tudo o que um adulto sabe depende de suas experiências no mundo.

No mundo antigo, não havia um país chamado Grécia. Havia apenas as póleis (plural de pólis), cidades gregas que viviam completamente independentes umas das outras. Elas funcionavam como minúsculos países localizados em campos férteis, separados por montanhas difíceis de atravessar. Por isso, o principal contato entre as póleis se estabelecia pelo mar.

Uma busca maior que a captura...
Delasnieve Daspet
 
Transpor para o papel toda a gama
de amor e sonhos de que somos capazes
...É a  emoção dominando  a palavra.
 
Buscar no interior toda a poesia
que se encontra guardada esperando
ser descoberta, lançá-las ao mundo
em forma de versos... é a emoção de
desnudar-se, despir-se, descobrir-se
sem medos, sem pejo, sem corar,
expondo  as fraturas  da alma e dos sonhos.
 
Gostar de escrever é gostar de sonhar.
E exercer sem parcimônia a arte de  fingir.
Preencher os espaços vazios com palavras,
uma busca maior que a captura...
Esse é o barato de quem escreve.
 
Sonhar de olhos abertos,
fingir que é outra pessoa,
viver outra vida,
que é de outro espaço,
de outro momento.
É estar pronto para voltar mesmo
sem saber o caminho a seguir....
 
Escrever é dizer as coisas que pensa,
coisas que não diria no real.
O escritor nada mais é do que um fingidor,
e chora e ri de suas desditas como se
o fosso que vive  fosse de outro...
E a infelicidade que conta seja d'outro
e não de si próprio...
 

Grécia Antiga

Introdução à poesia épica

"Epopéia" ou poesia épica é o gênero dos poemas homéricos (a Ilíada e a Odisséia), as mais antigas obras literárias européias conservadas.

Sua origem remonta talvez a antiquíssimos cantos e declamações em festivais religiosos e outras festas populares; pela alta qualidade literária, são a culminância de uma longa tradição de composições poéticas orais. Embora retratem em grande parte a sociedade micênica foram, provavelmente, compostos somente no século -VIII, no fim da Idade das Trevas.

Para nós, os dois mais importantes autores de epopéias (poemas em versos épicos) foram Homero (c. -750) e Hesíodo (c. -700). A maioria de suas obras chegaram completas aos nossos dias e, além disso, tanto os comentadores da Antigüidade como os de hoje apontam sua superioridade sobre os demais.

Vale a pena citar, dentre os demais poetas épicos, os que escreveram sobre a Guerra de Tróia ("Ciclo Troiano"):

  • Arctino de Mileto (séc. -VIII?)
    A Etiópica
    O Saque de Ílion

    Estásino de Chipre (séc. -VII?)
    Cantos Cípricos

    Lesques de Mitilene (c. -660)
    A Pequena Ilíada

    Êugamon de Cirene (c. -568)
    A Telegonia
  • Versos Estrelas

    Doída de saudade...

    Nem mesmo o tempo

    senhor de todo e qualquer sentimento

    afasta-me dos sentires dela...

    Dôo-me somente em saudade

    saudosa de um sentir só meu...

    Saudade que nem tem razão

    sentida em um só coração.

    Vontade de uma carícia surpresa...

    Ah, se saudade me tornasse poeta

    o céu estaria coberto de versos e estrelas...!

    LianeNiremberg



    Temos um resumo dos Cantos Cípricos, da autoria do filósofo Proclos (410/485). Restaram, também, fragmentos de poemas épicos anteriores ao século -VI; a autoria e a data, porém, são incertas e eram contestadas já na Antigüidade.


  • Os livros gregos
    Poesia épica
    Poesia lírica
    Tragédia clássica
    Comédia antiga
    Oratória
    Literatura helenística
    Literatura greco-romana


A música grega

 

TEXTOS

• Introdução
Música e mito
Instrumentos
• Harmonia e ritmo
• Notação musical
Melodias

Postado

 

A alma corre no aberto,

se não está certo...

Chegou bem perto.

 

Intenção em perverter:

O que pode acontecer?

-              Te perder?

 

Tuas companhias,

lâmpadas frias,

silencias.

 

Ave, fêmur trincado,

no muro lascado

ficou gravado.

 

Pezente.

A Tragédia Grega


Dionísio, o deus do teatro

Comumente, entre nós, modernos, a palavra "tragédia" tornou-se uma aplicação costumeira para designar um acontecimento doloroso, catastrófico, acompanhado de muitas vítimas, ou ainda para descrever o desenlace de uma paixão qualquer que redundou num horrível assassinato. Para os gregos, entretanto, tragikós era outra coisa. A tragédia definia acima de tudo uma forma artística, ou algo que somente ocorria entre os grandes. Na visão de Aristóteles, um dos primeiros a estudar o impacto dos espetáculos teatrais, a tragédia seria "uma representação imitadora de uma ação séria, concreta, de certa grandeza, representada, e não narrada, por atores em linguagem elegante, empregando um estilo diferente para cada uma das partes, e que, por meio da compaixão e do horror provoca o desencadeamento liberador de tais afetos."

Resistência ...
(Mellíss)
 
Hás de compreender, ao longo do caminho,
que eu não sou fruto das manhãs serenas,
mas que nasci numa das noites mais escuras,
embora em minha alma fosse aurora...
Hás de entender, nos passos da jornada,
que eu não carrego o sol dentro do peito,
mas que há em mim a bênção de uma estrela
capaz de iluminar meus pensamentos ...
Hás de encontrar, no fundo dos meus sonhos,
minhas asas feridas pela tua vaidade,
e então  vais descobrir,na minha resistência,
que eu aprendi  a voar nas tempestades ... .

A tragédia como catarse


Aristóteles criou o conceito de catarse

Aristóteles não preocupou-se em estabelecer qualquer teoria sobre a tragédia nem concentrou-se nos aspectos técnicos do espetáculo mas no comportamento do público. Concluiu que o espetáculo trágico para realizar-se como obra de arte deveria sempre provocar a Katarsis, a catarse, isto é a purgação das emoções dos espectadores. Assistindo as terríveis dilacerações do herói trágico, sensibilizando-se com o horror que a vida dele se tornara, sentindo uma profunda compaixão pelo infausto que o destino reservara ao herói, o público deveria passar por uma espécie de exorcismo coletivo. Atribui-se à concepção de Aristóteles, que associa a tragédia à purgação, ao fato dele ter sido médico, o que teria contribuído para que ele entendesse a encenação dramática como uma espécie de remédio da alma, ajudando as pessoas do auditório a expelirem suas próprias dores e sofrimentos ao assistirem o desenlace.

QUE RUA É ESTA ?

 

José Geraldo Martinez

 

 

Que rua é esta, entre tantos labirintos,

do pobre menino faminto ?

Dos viadutos empoeirados

 e de um povo mal amado

que mendiga um pão,

 ou um alimento jogado?

Que abriga os marginais ,

executivos e generais ...

Num grande terreiro imundo !

Onde Jesus caminhou 

 no amor profundo ...

Que rua é esta movimentada ,

a miséria humana ignorada ?

Que carrega os políticos com motorista ...

Com tantas  fraudes e  golpistas !

O homem trabalhador ...

Que rua é esta ?

Entre sinaleiros iluminados ,

mendigos chorando um trocado!

Quantas diferenças !

Errada distribuição ,

 nem de rendas...

De compaixão !

De tão poucas mãos ,

estendidas ao infortúnio ...

Que rua é esta?

Onde as pessoas tem medo !

Com uma legião de descrentes ...

Entregues à própria sorte

  do amor ausente !

De um povo massacrado,

aos planos de algum Senado ...

Rua de um filme triste ,

com vivas cores pintado !

Onde o dublê  é o pobre ,

livrando o latifundiário ...

Dos riscos de qualquer ordem ,

sobre qualquer desordem !

Sobre qualquer dor .

Que rua é esta sem amor ,

do menino flanelinha ,

das prostitutas sem sonhos !?

Onde caminha a corrupção,

da alma e coração ...

Vende-se a dignidade !

Rua, da grande e pequena cidade, contaminada .

Rua que todos passam por ela !

Marginais , avenidas , ruelas,praças .

Onde o amor foi deixado em desgraça...

Pedindo  socorro nelas !

 

O Herói Trágico

O centro do espetáculo teatral gira em torno do destino infeliz do herói, tema comum a maior parte das narrativas e das sagas antigas. Nelas ele é apresentado como uma figura radiante, um vencedor que está no esplendor da vida, usufruindo dos feitos das suas armas, envolto numa auréola de glória quando, repentinamente, vê-se vítima de uma alteração brusca do destino. Um acontecimento sensacional, terrível, sufoca as suas alegrias, conduzindo-o à desgraça, arremessando-o ao mundo das sombras. Assim é que Édipo é rei de Tebas, onde casou com a rainha viúva e com a qual teve quatro belosfilhos (dois varões e duas moças), quando tudo deu para desabar ao seu redor. Em outra peça, Agamemnon, o rei de Micenas, ao retornar para casa vitorioso depois de ter pilhado Tróia, sucumbe pelo golpe assassino de Cliptemnestra, sua mulher, e do amante dela. Prometeu, o titã que trouxe do Olimpo o fogo dos céus para os homens, banido, termina preso e encadeado no alto das montanhas do Cáucaso.


Agamemnon retorna para morrer

 
 

*Suavidade*

Queria poder sentir de novo,

Outra vez o toque suave das tuas mãos

De novo mais uma vez

As batidas forte do teu coração

Num  pulsar acelerado

Dizendo da necessidade

Do meu corpo restelado

Frágil, embriagado

De pura emoção

Exalando tesão...

 

Queria, sentir mais uma vez

O teu olhar me queimando

A alma, e nos resquícios do tempo

Que nos sobra me fusionar

Em teu ser e adormecer

Imersa no teu prazer!

 © Arlete Maria

Homero e a tragédia
Os poemas de Homero, tanto a Ilíada como a Odisséia, oferecem vários desses momentos de infelicidade pelos quais os grandes passam: o desespero de Aquiles quando perde o seu amigo Pátroclo num combate; o encontro de Ulisses com Aquiles na morada dos mortos; a desgraça de Heitor, o bravo guerreiro morto num duelo pela defesa da sua cidade; a humilhação de Príamo, o velho rei de Tróia, que é obrigado a suplicar a Aquiles pela devolução do corpo do filho. O objetivo do poeta porém não é exatamente o mesmo do autor dramático. Esses episódios da "Ilíada" e "Odisséia" fazem parte da narrativa geral cuja intenção é enaltecer a bravura e os feitos dos combatentes e não provocar a compaixão ou qualquer outro sentimento piedoso nos leitores ou ouvintes. Segundo Albin Lesky "a epopéia homérica é para a objetivação do trágico na obra de arte somente um prelúdio."


Orestes, o vingador (escultura de Simart)

 
 
Reviver

Iracema Zanetti
 

Não sabes por que meu olhar te encanta?
Ingênuo...!!!
Não tentes esconder o amor que sentes por mim!
Não te cales, solta tua voz, canta para mim!
 
 Ah... saudade das nossas primeiras madrugadas,
Onde eu nada sabia,
Madrugadas plenas de magia,
Guiavas mãos, bocas e nossos corpos,
Ao encontro do divino,
Ao longo do mais belo mistério da vida!
 
Eu apenas escutava tua voz, tua canção,
Sentia-me dona de teu coração
Ao ouvi-lo bater descompassado de emoção!
 
O amor tudo nos ensinou e lentamente
Em seus laços nos aprisionou!
Fez desvanecer a tristeza
Que consumia nossas vidas vazias,
Sem cor, sem alegria, sem o amor que tudo cria!
 
Odiávamos a vida, inimiga que nos castigava
Sobremaneira!
Desmoronando sonhos, negando-nos escolhas
Que aconteciam a nossa frente!
Hoje... tudo é diferente...
 
Teus sentidos se perdem em meu corpo!
Tuas mãos deslizam sobre mim
 Sentindo a maciez da minha pele,
 Com textura de seda pura, de macio veludo,
de escorregadio cetim!

É esta a fala mansa, é este o corpo suave
E perfumado da mulher que te ama, 
de um jeito humano, etéreo, sem fim!!!

Os postulados do trágico

Para poder-se dizer que um espetáculo é uma tragédia é preciso que ele apresente certas características facilmente identificadas pelo público. Em primeiríssimo lugar, deve revelar a dignidade da queda. O herói é sempre uma figura reconhecidamente grande, importante, que consegue manter a integridade moral quando as coisas desandam ao seu redor. É pois, um estóico. Depois, há de verificar-se a importância da altura da queda, transmitindo a idéia da caída de um mundo de segurança e felicidade, que se vê ilusório, para as mais profundas das misérias. Queda, diga-se, que o herói deve aceitar em sua consciência. Não se entende como tragédia o caso da vítima ser alguém sem vontade, conduzido como se fosse um surdo-mudo para a desgraça, um marionete inconsciente dos deuses. E, por último, a tragédia resulta de uma falta absoluta de solução. Não há outra saída do que aquela determinada pelos acontecimentos que vão se descortinando frente ao herói.

ALEPH

        Não se surpreende o Aleph
        Naquela penumbra pintada
        Cheia de tons estranhos

        Seus múltiplos olhares
        Buscam o inusitado
        O instante do susto

        E quando a Beleza surge
        Aqueles olhos que tudo percebem  
        Se pasmam na fixidez do espanto


Otávio Coral

Estoicismo e tragédia


Sêneca, o romano que compôs tragédias (tela de Rubens)

 
Minha luz brilhou
 de repente
nesse preciso instante
descobri que tinha a sorte
de ver além do pequeno
do fútil, do quotidiano
 
 
 e senti-me tão contente
de me ver e sentir
Gente!
 
Maria Petronilho 

A tragédia também tornou-se uma inspiração para a filosofia estóica que, desde os seus princípios, estava determinada a demonstrar os terríveis estragos que a paixão humana provocava. O sábio estóico Sêneca (4 A.C.- 65) serviu-se de peças com urdidura trágica como uma admoestação e advertência para mostrar o desespero que acomete aqueles que se deixam guiar por elas ao não saberem impor limites ao ardores do coração, submetendo-o aos poderes da lógica (esta, comumente, foi a interpretação da tragédia que chegou a nós no Ocidente com força bem maior do que aqueles que os grandes autores dramáticos da Ática lhe davam).

 

Retalhos da vida

 

Vyrena

 

Revirando meus guardados

no baú da memória...

doída de tanta saudade

encontrei ... meio mofados...

retalhos de minha vida:

 

Restos de felicidade...

partículas de antigos amores

que ali permaneciam esquecidos...

perdidos... já fora da realidade!

 

Entre as páginas amareladas

do romance preferido...

um amor perfeito amassado...

quiçá...presente de um namorado!

 

O sabor de um beijo roubado

num retrato que foi tirado

num cantinho do jardim ...

onde as flores curiosas espiavam

entre a folhagem escondidas.

 

 

Ali também esquecidos...

senti o sufoco do abraço apertado

e o sabor salgado  das lágrimas...

Que rolavam nas despedidas

e encharcavam o lenço bordado

com que... disfarçadamente...

as tinha enxugado.

 

Em meio a essas lembranças...

Com o coração apertado...

despedi-me da juventude

que já pertence ao passado!

 

Cristianismo e tragédia

Para alguns autores cristãos a tragédia é um gênero que pertence exclusivamente ao mundo pagão. O cristianismo teria banido a tragédia por que ela simplesmente não se enquadra na idéia da alma pecadora que atinge sua redenção por uma graça de Deus, pois não há salvação nem perdão para o herói trágico. Ela, a tragédia, só seria possível na cultura pré-cristã que desconhecia os princípios do arrependimento e da absolvição, ou o gesto inesperado e miraculoso da graça divina (o artificio do Theos ex machiné, largamente utilizado por Eurípides, foi interpretado por muitos como um recurso teatral, não pertinente à essência da concepção grega da tragédia). Pode-se até conjeturar ter sido a própria vida de Cristo uma tragédia definitiva, uma catástrofe moral de tamanha dimensão que superou todos os possíveis dramas, não deixando espaço emocional para que nada mais pudesse emparelhar-se ao sofrimento do Salvador. A representação popular da paixão e do martírio de Jesus, que até hoje é encenada nos autos religiosos, inibiu para sempre a dramaturgia cristã.

MEU DOCE ANJO

ANGELA LARA

Dorme meu doce Anjo...
Imaginando os meus braços a tua volta
E os meus olhos pousados em ti
Dorme meu menino
Sentindo minhas mãos
Segurando tuas mãos para você me sentir
Dorme o sono dos sensatos
Porque na insensatez e loucura da vida
Haverá sempre uma infinita espera
Dorme para se aconchegar em meu corpo
Como teu abrigo e teu alimento
Para a tua, a nossa solidão de séculos
Dorme para que em sonhos
Eu também te encontre
Já que estamos tão longe, agora.

Originalidade do teatro

Sabemos que os poetas da Grécia Antiga exploraram outros gêneros, tais como o drama satírico e a comédia, mas nenhum deles teve a transcendência alcançada pela tragédia, fazendo com que o espetáculo trágico fosse o que mais profundamente se enraizou na tradição cultural moderna.

Muitas das contribuições culturais que nos chegaram pela mãos dos gregos, tais como a Filosofia, a Geometria, a Pintura Cerâmica, a Arquitetura, a Música, a História, a Medicina, a Literatura Épica e Lírica, a Mitologia, etc., com certeza eram de origem Oriental. O mesmo, porém, não se deu com o Teatro. Se Pitágoras e Platão abeberam-se da filosofia e da geometria egípcia ; se Heródoto inspirou-se nas crônicas anatólicas, persas e egípcias; se mesmo Homero inspirou-se em narrativas épicas de outros povos, tal não pode dizer-se dos autores trágicos. A Tragédia é a mais pura criação da cultura grega antiga e, quando transplantada para outras culturas, não encontrou a mesma receptividade.

O mapa físico do teatro grego

 

AIS  DE INFÂNCIA
 
Elane Tomich
 
 Muitos longes tem a espera.
 Desabonos da inocência,
 Em compridos abandonos
De morte curta em seqüência.
  Um pedido sem socorro,
 Grito pasmo de revolta
 Que bate na pedra e volta
Ecos de urros de fera
 Espalham-se à boca pequena
Como é que ela sonha
 Se traz no brinquedo, a vergonha?
Ela tem pele serena
 Corpo e canto de menina
Cabelos de  seda pura
 Boca de goiabada
Curiosidade sem cura
No corpo, cicatriz rosada
Sem vãos, uma estrada lisa
 E a sedução precisa
De quem não pode saber
 O que seduz sem querer.
Ele é grande e desce o morro
Tem jeito de lobo e monge
É de perto e é de longe
Come à mesa do jantar
E traz  uma dor planejada
Preparada e desejada.
Que da caça  há de fartar. 
A cena que se encena
 Repete teatros de esquina.
Há uma esperança rasgada
 Numa criança negada.
Aquele tão vivo vermelho
Não é tintura de chita,
Não é  pintura bonita...
Mas lava-se em água fria
Na cachoeira que ria...
Não se reflete no espelho.
Que  o sangue escondido,
Virou uma flor  no vestido.
Sempre do mesmo jeito
Estupidamente estática
A brutalidade apática.
***               
Quem pode acolher no peito
Quem guarda tanto segredo
Tanto ataque por defesa,
Feiúra  em tanta beleza
E  o arrepio do medo?
Houve um anjo que   morreu...
 E ela desde menina
Cheia de dor e pecado,
Por quem mutilou o afeto
E  esculpiu o  querer,
Refaz e reconta a sina
 E sem limite e sem teto
 Do que pode , dá o recado
 De outro anjo à espera 
Que encontre em seu medo a calma
E em seu corpo ache alma
 Domando-lhe a dor do desejo
Da raiva, pressa  do beijo
Num abraço que aquece
Na carícia  doce  que cresce

Os concursos trágicos

As encenações trágicas, tais como as conhecemos, tiveram início com a institucionalização da chamada Dyonissia, os "Concursos Trágicos", no governo do tirano ateniense Pisístrato (cerca 536-534 a.C.). Famoso por ter sido "hábil e bonacheirão", o autocrata rapidamente compreendeu a potencialidade política do Teatro, dele lançando mão para popularizar o seu regime. Sólon (668-559 a.C.), o mais famoso legislador ateniense, ao dar-se conta disso, certa vez abandonou em pleno andamento, uma representação que assistia em protesto contra a manipulação política das artes. O velho sábio, desiludido, retirou-se do teatro sentindo-se vencido.

cantiga de roda rosa
minha casa era quadrada
face rente a calçada
via  fuga impossivel 
 me voltava
a um um jardim bem no meio
dessa casa quadrada
espaço às minhas façanhas
espiar caracóis
e a pensar como pode?
serem tão devagar?
e estranhos?
ou...olhava ...a exaustão
formigas trabalhadeiras
e  pensava... e pensava...
como podem carregar
peso maior que...?
eternamente incapaz
à calcular...intuia
criativa...
e espiava
ordeiras  formigas...ordeiras...
circulavam voltas e voltas
de  um jardim 
de roseiras
eu vivia o centro rosa
em vestido rosa e rosa
face rosa...
e a via circular...
impossivel
naquela casa quadrada...
via fuga impossível...
vivia meu eu    formiga ...
criativa carregava ...
esse bem  saber sublimar
nunca aprendi  calcular...
pesos   medidas...  
foda-se Freud se pensa
que não sou feminina...
minha arte é circular
feminilidade pura
e  prazer absoluto
de me fazer par a machos
cantigas de roda rosa das rosas
que meu pai cultivava
naquele jardim
no centro
de uma casa quadrara 
face rente a calçada...
--------------
helena armond


O teatro grego, um espetáculo de massas


Uma "persona"

Naquela época a encenação teatral ainda dava seus primeiros passos e seu apogeu só se deu no século seguinte, no século V a.C., ao surgir a trindade dos soberbos autores trágicos: Ésquilo, Sófocles e Eurípedes. O ciclo da tragédia só encerrou-se quando, à época de Aristóteles, no século IV a.C., o jovem teatrólogo Agaton compôs peças cujos elementos não se inspiram mais na tradição, e sim resultam da sua própria criação. O período abarca mais ou menos uns cento e cinqüenta anos, mas o seu apogeu concentrou-se do início das guerras persas (490-480 a.C.) até encerrar-se com a morte de Eurípedes em 406 a.C. (dois anos antes da capitulação de Atenas perante Esparta), isto é uns 70 ou 80 anos. Literariamente seus marcos seriam a primeira apresentação de "Os Persas" de Ésquilo, que se supõe tenham ocorrido em 472 a.C., e as "As Troianas" de Eurípedes em 415 a.C.

Em cada uma delas, concorriam apenas três poetas, escolhidos pelo Honorável Arconte, o patriarca da cidade. A inscrição era voluntária, cabendo ao autor apresentar três tragédias e um drama satírico, - uma tetralogia. Cabia ao Estado (Theorica) a premiação dos poetas e a manutenção, durante a temporada, do sustento dos hypocrites (os atores). Os integrantes do coro por sua vez eram mantidos por patrocinadores privados, em geral atenienses ricos que procuravam ganhar o respeito da sociedade e o reconhecimento público com a prática do mecenato. Feita a escolha dos três autores, o nome deles era submetido a uma votação por uma comissão de 500 juízes (50 de cada um dos demos da cidade) que colocavam o nome do seu preferido escrito numa pequena esfera que, depois, era depositada numa das dez urnas existentes no Pártenon. A obra daquele que foi indicado começa a ser representada a partir do horário matutino, sendo que as dos outros preencherão os dias restantes até que o festival se encerrasse. O poeta escolhido tinha o seu nome anunciado pelo heraldo e, em seguida, ele era coroado pelo Honorável Arconte com uma coroa de hera, a planta sagrada de Dionísio.

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/tragedia_grega5.htm

Chega!!!!
 
Chega de lagrimas
 lamentos
prantos da terra
choros  do mar
 
 
Chega de frustrações
ilusões
precisamos preservar
nossas ilusões
 
 
Chega de misérias, torturas
gente brutal
 que nega comida
a boca faminta
 
 
Chega de hipocrisia
falsas promessas
cabeças sem tetos
abrigos de vida
 
 
Chega de muros
" navalhas na carne "
almas que gemem
num triste tormento
 
 
Chega de lágrimas
lamentos
prantos da terra
choros do mar !!!!
 
Maria Thereza Neves
 
 
 
TT:)
 

Música: Sonata

 
Aconteceu|poetas|especiais|busca interna|livro de visitas|e-mail|home 
 


Para receber nosso
Boletim de Atualizações
cadastre AQUI o seu e-mail


Envie esta página
para alguém especial