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&

Poetas Brasileiros
 
Álvares de Azevedo/Augusto dos Anjos/Castro Alves/Gregório de Matos/Manuel Bandeira/Mario Quintana/Olavo Bilac/
PoetasLunas
 
 
 
O      som  se    r-o-m-p-e
 
MariaTherezaNeves
 
O      som  se    r-o-m-p-e
ex  plo  de
c   r   e   s   c  e
mer
          gu
                         lha
                                                abismos
apaga o medo de sonhar
renasce sementes
floresce poesias
 
 
O   som   se   r-o-m-p-e
ex   plo  de
 
c  r  e  s  c  e   emoções
corpos despidos
colorindo prados
enfeitando tapumes
 
 
O   som    se    r-o-m-p-e
ex   plo   de
s  o  p  r  a       v   e   n  t  o  s
resgata mundos
ao som das melodias!
 
 
TEIA AFRICANA
 
Elane Tomich
 
Do mundo,
O africano coração
Batuca em  ritmo de emoção.
Na submissão calada,
Onde se finda por nada.
A principesca altivez
De quem morre
Bem fundo,
Mas não vende a alma.
Uma voz grave e calma,
Traz a ordem do dia
Do lado de lá
Do mar  da Bahia!
A ordem da vez
Do sangue que escorre,
Não mais por remorsos,
Mas por olhos arregalados
Na perplexidade da  fome dos ossos
Crucificados em  dor de mercados .
Vida que nasce morta,
Incipiente à nossa porta.
Ó Xangô,  ó Deus, ó Zeus,
Ó deuses nossos
Anjos e Orixás
Criadores do incesto e perdão,
Perdoem-me os adjetivos meus!
Jazz olímpico,
Orixás angélicos
Partido alto,
Peito incauto.
No  fundo de quintal.
Tambor químico
De ventres bélicos
Ora bem,. ora mal...
Ternura  tão humana!
Meu sangue europeu
Dança em minhas veias
Dança!
E não se cansa...
Luz de estrela e candeias
O vinho da humanidade
Morre de saudade
Na via da teia africana.
 
solta...
líria porto

perdi-me pela noite
invoquei um poema
um verso
chamei pelos astros
nem a lua
nem as estrelas
nada
só a madrugada fria...
 
 
Álvares de Azevedo

Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em 1831
em São Paulo, e faleceu no Rio de Janeiro em 1852.
Acometido pela tuberculose, morre antes de completar
21 anos.

Sua obra não foi publicada em vida. É considerado o
melhor poeta desta geração, e maior representante da
poesia byroniana. Seus poemas expressam uma concepção
de amor que ora idealiza a mulher, identificando-a
como um anjo, ora representa-a envolvida por um grande
erotismo e sensualidade. Cultivou também o tema da
morte e do escapismo, quase sempre expressos num tom
triste e amargurado.

As poesias de Álvares de Azevedo constituem o melhor
exemplo do Ultra Romantismo brasileiro.

Quinto Elemento...

Lisieux

  Fogo queimando por fim
chama destruindo
tudo que há em mim

Onde a água fresca?
Onde o vento ameno?
Onde a terra fértil?

Onde jogo a semente:
terra árida

Onde sinto calor:
furacão

Onde sinto sede:
sequidão

Sobra-me o fogo
destruição...

Tudo porque me falta
meu quinto elemento
vital...
TU !!!
 
Meu barquinho
Myriam Peres

Meu barquinho vai em frente, singrando
Águas espelhadas, tranqüilas
Barquinho da ilusão, que estabelece sereno
As batidas de meu coração
Não há onda que o abale, nem maré que o atrapalhe
Segue sempre serenamente, para se ver de verdade
Toda a minha felicidade...

Barquinho do meu amor, segue forte com paixão
Vai mostrando sobre as águas que és feliz na ilusão
Vai balançando os temores, vai lançando fora as dores
Que afligem minha emoção, com o vento a cadenciar
Mil loucuras pra sonhar, afagando meu amor
E a ecoar os ritmos desta canção...

Se as águas ficam revoltas e insistem em balançar
Vai tranqüilo , deixa a maré te levar
Segue feliz cantando e jurando
Frases de amor soltando
Pois quem ama de verdade
Diz adeus às falsidades
Fala tudo e então
Enternece meu coração...
 
 
 
 
Amando-te
Fernanda Guimarães


As mãos tocam suavemente
A carícia que não te fiz
Em veludos de anseios
Sussurram na agonia da espera
Percorrem a fímbria do desejo
Espraiando-se na saudade
Que me conhece o ardor
Roço os meus lábios
No beijo que te imagina
São teus olhos a voz que me guia
Doces murmúrios a me desvestirem
Nua de segredos, revelo-me em ti
E entrego-me a todos os sons
Com os quais me fotografas
Na lente do teu corpo que me focaliza
Descansas as palavras em meu olhar
Nem sempre o amor precisa ser dito
Na leve pressão dos teus dedos
Silabando todos os meus caminhos
Compreendo enfim, os teus silêncios...


Poesias Álvaro de Azevedo

Pálida à Luz

Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d'alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! o seio palpitando
Negros olhos as pálpebras abrindo
Formas nuas no leito resvalando

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti - as noites eu velei chorando,
Por ti - nos sonhos morrerei sorrindo!

O DEPOIS DE MIM
Jane Lagares
 

Refugio-me em meu melhor,
escolho pedaços de verdes, cachoeiras,
pedaços de paz e de boas lembranças.
Faço de mim, morada do bem,
minha melhor estada.
Caminho entre paraísos,
entre lindos retratos pintados,
passado.
Busco o meu hoje de festa,
de roupa nova,
maquiagem leve,
alma quieta.
Almejo um outro momento,
o depois,
o depois de mim ontem e hoje,
o eu de amanhã,
nova mulher,
de cara  virada para a alegria,
para o brilho,
para a força de ser mais feliz.
 
Mulher Apaixonada
Mônica F.Camargo

 
 
Tem nas flores extensão da beleza
Do tempo intempéries não importam
No sorriso encanto é intensificado
Ardente mantém coração acelerado


Olhar emite certo feitiço irresistível
Desenvolta acentua respiração arfante
Corpo denuncia explosão de amor
Em calor que evidencia ligeiro rubor

 
Saudade invade e ausência confirma
Dos lábios fluem sons sussurrantes
Sensibilidade tem sutil provocação
É simpatia é tesão é toda emoção

 
Seu fascínio reflete singular esplendor
Detém um néctar inebriante e sedutor
É doce prisão e permanente liberdade
Carinhos vertem e somam graciosidade

 
Em devaneios é presença fascinante
Cada gesto envolve ternura cativante
É a existência do encanto permanente
Felicidade é quem a faz tão atraente

 
É perfeita nas imperfeições
Tem o fulgor das paixões
Por ideal é esperada
É a Mulher Apaixonada
 
Poesia por Encomenda:
 

Pálida À Luz
Na Minha Terra
Tarde de Outono
Lágrima de Sangues
Perdoa-me, Visão dos Meus Amores
Oh! Páginas da Vida que Eu Amava
Se Eu Morresse Amanhã
Meu Sonho
Lembrança de Morrer
Último Soneto
Soneto
Fragmentos de um canto em cordas de bronze
Minha desgraça
É ela! É ela! É ela! É ela!
Ai, Jesus!
Dinheiro
Cismar
Adeus, Meus Sonhos!
Namoro A Cavalo
Terza Rima
Por que Mentias?
Pálida Inocência
Meu Desejo
Amor
Trindade
A Lagartixa
Vagabundo
À T...
Anjos do Céu

LIBERDADE
Rubênio Marcelo



A Liberdade está dentro de você!
É uma força de expansão
que brota serena e agiganta-se
num furor bendito e verdadeiro!
A sua liberdade depende só de você.
Nesse barco do oceano da vida,
você é o próprio rumo e o timoneiro!

Por isso, solte as intrínsecas amarras
e, nos desvãos recônditos do inconsciente,
descubra a primazia dessa sublime decisão!

Chegou o esplêndido momento!
Já ecoa um canto novo no horizonte.
Contemple o cetro supremo da grã libertação!

Tome a atitude mais consciente.
Reinvente os desígnios da existência
e os seus eternos ideais!...
Nunca se detenha no caminho
e, qual passarinho,
voe, sempre buscando a paz!...

Deixe o Espírito inteiramente livre,
para comandar a sensibilidade e o corpo
com a mente aberta e sadia.
E, só assim, você sentirá
 o rebento fúlvido da Essência,
abrindo utópicas cortinas
e proclamando um novo dia.

Não olhe para trás,
levante a cerviz!
É o coração quem diz:
Viva a Liberdade!
Jamais é tarde
para ser feliz!

 

a diferença entre um representação obscura e outra clara é puramente lógica
e não se refere ao seu conteudo

Kant
==================
eram tantas vacas magras
quanto ternos bezerros
escastoados em aço

eram tantos cães de caça
quanto gatos tresmalhados
após três meses de cria

eram tantos lobos brandos
quanto ferozes pássaros
e andorinhas aos bandos

eram tantas faces planas
quanto sóis geométricos
na engenharia urbana

toco seco digital
no silêncio se repetem
 tais imagens e apelos
tanto quanto hiperbólicos
quanto feitiço e encanto
efeitos de um globo ótico

desses clips me acompanha
a forma daquele ipê
âmbar e enorme taça
em negra base craquelê
ao gosto e efeito excitante
de branco vinho frisante

quanto às vinte mil roucas cigarras
embebedadas e loucas
um poema sem amarras
=======
do meu livro ENÍGMA
helena armond


 

Augusto dos Anjos

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu no Estado
da Paraíba em 1884 e faleceu em 1914 aos 29 anos.
Publicou um único livro de poesias, intitulado "Eu".

Sua obra reflete a superação das velhas concepções poéticas
e a procura de um novo caminho. Utilizou em sua poesia um
vocabulário científico, e sua temática mais comum sempre
gira em torno da morte, da decomposição da matéria, dos
vermes e de uma visão trágica da existência
.

"Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga.
Escarra nesta boca que te beija!"

Devasso-me em tua procura
Lara Cardoso

 

Abro portas e janelas

 você não esta entrando por elas

mas sinto sua presença.

já aqui mora, sem minha aquiescência

 

Em todos os cômodos da casa

sua imagem vejo refletida assim,

mesmo te prendendo em mim,

sei que a reflexão se afasta e vaza

 

As paredes,  agora sem cores,

em silentes estertores

ampliam os ecos da solidão

únicos depoentes de uma paixão;

 

E eu aqui, vazia

o amor, uma utopia

que sorri condoído,  sem magia

um esgar da alegria....

 

Em ultimo esforço

fecho a entrada da saudade

minto, omito e deleto seu esboço

apago nossas verdades....

marcelo cramps
Por que procuras meu ardor sem par?
Por que escolhes meu corpo como troféu de parede?
Não me coloque cedo para congelar
Já é cedo demais o meu jeito de viver
E se me drogo é porque simplesmente não
Consigo dormir
Nem acordar como era antes
Mas já se passa uma nova fase
Onde acordo estéril, onde acordo inédito
Sem nada dentro
Sem nenhum momento
Mas já imagino uma vida triste
Onde estou só
E volto a imaginar um mundo triste
Do qual tentei fugir
E como uma surpresa
Ganhei de presente
Nesta vida que apenas
Repete uma dor que jamais
Deixará de existir.

 

Poesias Augusto dos Anjos

Versos Íntimos

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro da tua última quimera.
Somente a ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja,

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga.
Escarra nesta boca que te beija!
 

 

Delirios e loucuras
  zelisa camargo
 
 
Delirando sigo esse trato
selado sem palavras
apenas no sentir e desejar
teu corpo molhado
se esfregando no meu
numa dança cadenciada
onde o prazer é o almejado
e em devaneios vivemos essa entrega
de corpos que se unem e se entregam
na volupia total e do se permitir
todas as loucuras que o amor possa conter.
E o extase tomando formas imensuráveis
de sonhos sonhados e sendo realizados
no sentir profundo de todas as emoções
que nos levam a delirios e loucuras
nessa dança penetrante onde bailamos
no ritmo do amor e da busca
ao se realizar
sentir
plainar
gozar todas
beber e saciar com o néctar do amor
e adormecer
para sentirmos em mundos de sonhos
o nosso amor cada vez mais vibante.
sem trato sendo apenas  fato consumado

Versos Íntimos
Psicologia de um Vencido
Infeliz
Vandalismo
Vozes da Morte
Ceticismo
Amor e Religião
Soneto
Amor e Crença
Ave Libertas
Ave Dolorosa
Anseio
Budismo Moderno
Asa de Corvo
Contrastes
Aos meus filhos
Caput Immortale
Apóstrofe à carne
Ao Luar
Canto de onipotência
Anseio
As Montanhas
Apocalipse
Barcarola

De volta a poesia

queria ser filho do ar
nascer em brancas nuvens
voar nas tempestades!

não ser do barro
viver preso no chão
junto a criaturas rastejantes!

assis

Castro Alves

Antônio de Castro Alves nasceu em 1847 na fazenda
Cabaceiras, hoje cidade de Castro Alves, na Bahia.
Faleceu em Salvador em 1871. É considerado o
último grande poeta do Romantismo.

Suas poesias mostram a compreensão dos grandes
problemas sociais e expressam sua indignação contra
as tiranias e opressões. Mostrou também a confiança
no progresso e na técnica.

Sua maior realização é a poesia abolicionista, com
destaque para O Navio Negreiro e Vozes d´África.

Sua poesia amorosa é bem mais sensual do que se fazia
na época. A mulher aparece em toda sua beleza física
envolvida num clima de erotismo e paixão, sem as vagas
idealizações do Ultra-Romantismo.

Destacam-se as seguintes obras: Espumas Flutuantes (1870),
A Cachoeira de Paulo Afonso (1876), Os Escravos (1883).

                             Por agora,  deixe que adormeçam

              teus sonhos
              [ soam, suaves, os sinos ]
 
    Ao despertar da manhã, amanhã
              que realize o homem 
              o que sonhou o menino
 
 
                                     © Linda Maria

Poesias Castro Alves

Dedicatória

A pomba d'aliança o vôo espraia
Na superfície azul do mar imenso,
Rente... rente da espuma já desmaia
Medindo a curva do horizonte extenso...
Mas um disco se avista ao longe... A praia
Rasga nitente o nevoeiro denso!...
Ó pouso! ó monte! ó ramo de oliveira!
Ninho amigo da pomba forasteira!...

Assim, meu pobre livro as asas larga
Neste oceano sem fim, sombrio, eterno... 
O mar atira-lhe a saliva amarga,
O céu lhe atira o temporal de inverno...
O triste verga à tão pesada carga!
Quem abre ao triste um coração paterno?... 
É tão bom ter por árvore - uns carinhos! 
É tão bom de uns afetos - fazer ninhos!

Pobre órfão!  Vagando nos espaços
Embalde às solidões mandas um grito!
Que importa?  De uma cruz ao longe os braços
Vejo abrirem-se ao mísero precito...
Os túmulos dos teus dão-te regaços!
Ama-te a sombra do salgueiro aflito...
Vai, pois, meu livro! e como louro agreste
Traz-me no bico um ramo de... cipreste!

Paixão

Vyrena

 

Ah... se eu pudesse

Fazer de teus braços meu ninho...

Aconchegar-me entre eles

Render-te com meu carinho...

Nas frias noites de inverno

Aquecer-te com meu calor...

Estreitar-me a teu corpo

Contigo fazer amor!

 

Porém... isso é um sonho...

Apenas loucas fantasias

Bem fora da realidade

Que separa nossos caminhos!

 

Meu coração fica sofrendo...

Machucado pela saudade

Que a distância provoca em mim

Despojando-me da felicidade!

 

Tento retratar tua imagem

Com os olhos da mente...

Sombra e abstratos contornos

É o que encontro...somente!

 

Imagino teu olhar

Entre as estrelas brilhando

E nessa paixão desmedida

Até cismo que o calor do sol

São teus lábios me beijando!

 

Preciso de tua presença

De teus braços me apertando...

Da carícia de tuas mãos...

De teu beijo me queimando...

Quero aplacar o desejo...

Causado pela loucura

Dessa ilimitada paixão!

 

Dedicatória
O Laço de Fita
Mocidade e Morte
Quem dá aos pobres, empresta a Deus
A uma taça feita de crânio humano
Amemos Dama Negra

BONECA SAPECA

Cristina Pilan Oliveira
 
Se eu fosse uma boneca
Seria a mais sapeca
A noite toda, em uma rede de coberta
Pendurada no lustre, bem desperta
 
Muita água com xampu de mel
Faria um rio de espuma no quintal
Sairia num barquinho de papel
Rumaria para meu castelo de sal
 
Da janela para o jardim
Com o xale da vovó, tentando voar
Em correria sem fim
Na piscina da irmãzinha fui parar
 
Desta vez fui mais que levada
Mamãe se cansou de falar
Seu chinelo foi usar
Hoje só me sento com almofada...

Gregório de Matos

Gregório de Matos Guerra nasceu na Bahia em
1633 e morreu em Recife em 1696. Cultivou a
poesia lírica, satírica e religiosa.

Manifesta influências barrocas em sua obra.
Atualmente sua produção satírica é mais
valorizada, pois constitui um excelente
material sociológico e lingüístico, pois o
autor tem um vocabulário popular. Por suas
críticas à sociedade da época recebeu o
apelido de "Boca do Inferno".

Não teve nenhum livro publicado em vida.
Sua obra só foi publicada muito tempo após
a sua morte, o que coloca dúvidas sobre a
autenticidade de muitos versos que lhe são
atribuídos.

 LOUVADO SEJA !
(José Geraldo Martinez)

Não deixarei passar
absolutamente nada !
Falarei  tudo , se possível em teus ouvidos!

Que amo-te  muito ,
como nunca amei alguém !
Louvado seja  este amor amigo...
que antes de tudo ,
amou-me também !

Louvado seja teu colo,
teu ombro ...
Em cuja cabeça repousei  meus medos,
sonhei  meus sonhos !

Teu corpo seja louvado !
Em que pousaram meus lábios,
Teu ventre , meu rosto ,
depois do amor largado ...

Louvado sejam teus olhos,
que viram-me  em teu caminho...
Louvado  os meus ...
Que nos teus ,
depositaram  meu carinho !

Louvado sejam  as tuas palavras...
que nortearam  a minha vida !
Ergueram-me na queda ,
em suave guarida ...

Teu sono  louvado seja !
Nossa cama , ninho  e calor ...
Meus olhos que te guardam
e velam ...
no mais profundo amor !

Nosso amor  louvado seja !
É nossa religião , nossa fé ...
Tudo que dele vem !
Bendito será o fruto ,
mulher !

Poesias Gregório de Matos

A Umas Saudades

Parti, coração, parti,
navegai sem vos deter,
ide-vos, minhas saudades
a meu amor socorrer.
 
Em o mar do meu tormento
em que padecer me vejo
já que amante me desejo
navegue o meu pensamento:
meus suspiros, formai vento,
com que me façais ir ter
onde me apeteço ver;
e diga minha alma assi:
Parti, coração, parti,
navegai sem vos deter.
 
Ide donde meu amor
apesar desta distância
não há perdido constância
nem demitido o rigor:
antes é tão superior
que a si se quer exceder,
e se não desfalecer
em tantas adversidades,
Ide-vos minhas saudades
a meu amor socorrer.

Mote
Moacir et Selena
 
o vilão faz um papelão,
já o Lancelote faz papelote;
o primeiro incendeia Milão,
o segundo faz ruir Camelote;
 
Isolda tinha por Amado Tristão,
Helena trazia Páris pelo cogote;
modernamente é da Swiss Air o avião
que nos traz o europeu malote;
 
no Sul, gaiteiro faz dançar o salão
unindo a alemoa ao pelo-duro no xote;
mas se ele der a ela um apertão,
o peitudo acaba dormindo em caixote;
 
deixo dito aqui este meu mote
para que a peonada o anote.
 
Mitologia:
 

A umas saudades
Segundo Soneto à morte de Afonso Barbosa da França
Primeiro Soneto a Maria dos Povos
Inconstância dos bens do mundo
Confusão do Festejo do Entrudo
Descreve a vida escolástica
Desaires da formosura
A uma que lhe chamou "Pica-flor"
Aos caramurus da Bahia
Define a sua cidade
As cousas do mundo
À cidade da Bahia
Juízo anatômico da Bahia
Aos vícios

Manuel

Bandeira

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu
em 1886 em Pernambuco, e faleceu no Rio de
Janeiro em 1968. Foi membro da Academia
Brasileira de Letras. Na poesia tem as
seguintes obras: A cinza das horas (1917),
Carnaval (1919), Ritmo dissoluto (1924),
Libertinagem (1930), Estrela da Manhã (1936),
Lira dos cinqüent'anos (1940), Mafuá do
malungo (1948), Belo belo (1948), Opus 10
(1952), Estrela da tarde (1960).

As linhas temáticas do poeta são a saudade da
infância e da família perdidas, a presença da
morte, a fugacidade da vida e do amor. Conseguiu
expressar com muita sensibilidade os momentos e
emoções que marcam a existência humana.

No trecho abaixo, o próprio poeta descreve-se
como um poeta marcado pela doença:

"A história de minha adolescência é a história de
minha doença. Adoeci aos dezoito anos quando
estava fazendo o curso de engenheiro-arquiteto na
Escola Politécnica de São Paulo. A moléstia não me
chegou sorrateiramente, como costuma fazer, com
emagrecimento, febrinha, um pouco de tosse, não:
caiu sobre mim de supetão e com toda a violência,
como uma machadada do Brucutu. Durante meses,
fiquei entre a vida e a morte. Tive de abandonar
para sempre os estudos. Como consegui com os anos
levantar-me desse abismo de padecimentos e tristezas
é coisa que me parece a mim e aos que me conheceram
então um verdadeiro milagre. Aos trinta e um anos,
ao editar meu primeiro livro de versos, A cinza das
horas, era praticamente um inválido. Publicando-o,
não tinha de todo a intenção de iniciar uma carreira
literária. Aquilo era antes o meu testamento - o
testamento da minha adolescência. Mas os estímulos
que recebi fizeram-me persistir nessa atividade
poética, que eu exercia mais como um simples desabafo
dos meus desgostos íntimos, da minha forçada
ociosidade. Hoje vivo admirado de ver que essa minha
obra de poeta menor - de poeta rigorosamente menor -
tenha podido suscitar tantas simpatias.

Conto estas coisas porque a minha dura experiência
implica uma lição de otimismo e confiança. Ninguém
desanime por grande que seja a pedra no caminho. A
do meu parecia intransponível. No entanto saltei-a.
Milagre? Pois então isso prova que ainda há milagres."

 

O MEU PAÍS

MARIA PETRONILHO 


O meu país é o mar,
Tão cheio de lonjura!
De sol, de águas, de ondas
Saltando de além-ternura!

De aves brancas, brancas, brancas,
De ouro polido a luzir
E risadas a explodir
Na voz pura das crianças!

Meu coração, ele o fez:
Fado,
Má sina, talvez!
Mas no olhar,
Um riso de asa,
Ou não fora
Português!

 

Poesias Manuel Bandeira

A Estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.
Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alto luzia?
E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.

A Estrela
Arte de Amar
Belo belo
Comumente é assim
Dedução
Desencanto
Desesperança
Epígrafe
Estrela da Manhã
Madrigal
Madrigal Melancólica
Momento num café
Neologismo
O Impossível Carinho
Ou isto ou aquilo
Paisagem Noturna
Pneumotórax
Poética
Renúncia
Teresa
Velha Chácara
Versos escritos n'água
Vou me embora pra Pasárgada

Mario Quintana

Mario Miranda Quintana nasceu em Alegrete,
Rio Grande do Sul em 1906. É o poeta das
coisas simples. Despreocupado em relação à
crítica, faz poesia porque "sente necessidade",
segundo suas próprias palavras.

Em sua poesia há um constante travo de
pessimismo e muito de ternura por um mundo que,
parece, lhe é adverso. Obras: A Rua dos
Cataventos (1940), Canções (1945), Sapato
Florido (1947), poemas em prosa; Espelho
Mágico (1948), O Aprendiz de Feiticeiro (1950).
Em 1962 reuniram-se suas obras em um único
volume, sob o título Poesias.

Raio se sol pela janela

®Rick Steindorfer

Raios de sol pela janela
silêncio que se espalha pelo ar
canjica coberta com canela
e um cheio doce de amar.

Flores se espalham pelo chão
corpo coberto com caramelo
entregue ao poder da emoção
fortaleço ainda mais nosso elo.

Seguro teus cabelos qual crinas
de corcel entre ravinas disparado
misturando em nós nossas sinas
sob o céu de anil enluarado.

E nos suspiros de amor entrecortados
quando a força do prazer acontece
nos entregamos ‘a ternura dos fados
como se fosse este momento uma prece.

 

 

Poesias

Mário Quintana

Os Poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

A Rua dos Cataventos - I
A Rua dos Cataventos - XII
Canção de Barco e de Olvido
Obsessão do mar oceano
O Auto-Retrato
O Mapa
Os Degraus
Os Arroios
Os Poemas
A Canção da vida
Poeminha Sentimental
Eu escrevi um poema triste
Ah! Os Relógios
Inscrição para um portão de cemitério
O luar
Espelho
Tão linda e serena e bela
Puríssima
Clopt! Clopt!
Janelinha do trem

O AMOR PASSOU
Maria Teresa Albani
(Maytê)


quando meu coração te chamou
e o teu não se fez de rogado
 descuidada te confiei
o meu sonho mais antigo
esse - de viver  contigo
de duas, uma só vida

sem saber que dessas vidas
apenas a minha se dava
enquanto a tua se guardava
para tantas outras aventuras

numa adolescência tardia
ou imperiosa necessidade
de sentir-te confirmado
adulado, e tão "amado"

que de amar esqueceste
e meu amor relegaste
 como se nada valesse
como se não te bastasse

e de tanto buscar lá fora
o amor que fantasiavas
sem sequer cuidar direito
daquilo que tinhas cá dentro
o amor passou na tua vida
e tu nem o percebeste.

Olavo Bilac

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac nasceu
no Rio de Janeiro em 1865 e aí morreu em 1918.
Poeta parnasianista, apresenta várias temáticas
em sua obra. Escreveu sobre quadros da
Antigüidade, fatos da história brasileira e
expressou seu mundo interior através da poesia
lírica amorosa e pessoal.

Suas obras são: Panóplias, Via Láctea, Sarças
de Fogo, Alma Inquieta, As viagens e O Caçador
de Esmeraldas. Estes livros foram reunidos em
Poesia, lançado em 1902.

Poesias

Olavo Bilac

Língua Portuguesa

Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...

Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela,
Que tens o trom e o silvo da procela
E o arrolo da saudade e da ternura!

Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,

Em que da voz materna ouvi: "meu filho!"
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!

Os Rios
Pássaro Cativo
Língua Portuguesa
Fogo-Fátuo
Velhas Árvores
Sonata ao crepúsculo
Vila Rica

Transpondo Barreiras

Delasnieve Daspet



Vou trabalhar meus medos.
O temor do desconhecido.
De não mais existir.
Do primitivo homo sapiens
ao que cheguei ser.
Vou transpor minhas fronteiras.

Vou mudar.
Entregar-me ao fracasso e ao sucesso.
Vou amar. Ganhar. Rejeitar. Perder.
Vou trair. Ser traída. Ter prazer. Chorar.
Desbloquear meu modo de viver.

Vou matar quem me mata.
Manifestar emoções.
Não mais me assustar com as coisas
que abalam a existência.
Desbloquear meus sentimentos.


Vou mostrar o animal que sou
- no atropelo da vida - ,
lépida, faceira, mordaz, mel,
livre, correndo com o vento,
abelha, mulher.


 

Hoje um leve caminhar entre poetas brasileiros,
o inicio de uma longa jornada .
 
Juiz de Fora,  14 de maio de 2003
 
Maria Thereza Neves
 
TT:)
                                                         

Música: Sonata

 
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