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&
Rimbaud
 
Marx pretendeu mudar o mundo. Rimbaud preferiu "mudar a vida". Uma parte da história do Maio de 68 é incompreensível sem considerar esta oposição. O militante contra o libertário, o estratega contra o sonhador. Os filhos de Rimbaud no Quartier Latin eram, pois, "Marx tendência Groucho" ("La vie est Ia farce à mener par tous"). E o rock and roll também. Pela energia que invoca, pela sua rapidez e espírito rebelde, o rock é eminentemente rimbaudiano: juventude, beleza, errância, revolta, menosprezo do perigo, comportamentos suicidários. Viver depressa e morrer jovem. Nico, Otis Redding, Brian Jones, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin, John Lennon, Sid Vicious, Janis Joplin, Keith Moon, Kurt Cobain, Buddy Holly, Syd Barrett, Jeff Buckley, mas também James Dean, Pasolini, Che Guevara, Fassbinder, todos filhos de Rimbaud. Todos cultivaram a imagem das "duas únicas coisas que não podem ser ridículas: um selvagem e uma criança" (Gauguin). Rimbaud será então isso: a ideia de uma pureza fundada na insolência da juventude e da revolta do primitivo. O seu aspecto desalinhado inventa muito antes do nosso tempo o culto actual do adolescente: rebelde, "mau rapaz", eternamente instável.
 
 
ENTRE ESTRELAS CAMINHO
                                                                      Maria Thereza Neves                                        
                                                                                                     
                                      
entre estrelas caminho

em acordes musicais

 

num gesto silêncio

leve como plumas

sentindo como se fosse vaga-lume

acendendo

apagando

neste caminhar ausente

em  aquarelas

 sol sorriso distante

 fragmentos entre luzes

ou sombra de vitrais

 

 

 

plantando sementes

como se fossem estrelas

nesta noite densa

de buscas incertas

margeando meu destino obscuro

emoções vazadas

surgidas do nada

ou do tudo

de cada estrela

uma descoberta

 

 

neste silencioso caminho

 

caminho entre estrelas


 

QUASE UMA BIOGRAFIA
Jean  Nicholas Arthur  Rimbaud: sua saga atormentada através da África deserta da segunda metade do século passado, sua rumorosa ligação com o também genial poeta Verlaine, sua infância repleta de livros e fugas. Do garoto-prodígio que fazia versos em latim na Charleville onde nasceu em 1854 ao hospital de Marselha, onde chegou mutilado e infeliz para morrer aos 37 anos, temos aqui as andanças, a vida e a obra do autor de Uma Estação no Inferno e Iluminações.

Por que este homem escreveu sua obra genial até os 19 anos e a partir daí jamais escreveu um verso? Por que a fuga dramática da Europa para uma vida de privações na África longínqua, amealhando dinheiro compulsivamente? Por que, quando perguntado se era parente de um poeta francês de nome Rimbaud ele dizia apenas: "Nunca ouvi falar"?

BASEADO EM TEXTO PUBLICADO NO SITE
http://www.lpm.com.br/c214_002.htm

 
 
 
 
VONTADE DE VIVER !
José Geraldo Martinez


Quanta alegria no
amanhecer do dia .
Quanta vontade de
viver, sem fim !
Até parece nascer um
novo homem ,
metamorfose de mim...
Abraçar-me ao vento,
ao calor do sol .
Perder-me no burburinho das pessoas e rostos ...
Tirar desta manhã todos os
gostos !
Quanta vontade de viver
que eu sinto neste dia ...
Que vem do fundo da alma
na mais sublime alegria !
Vontade de abrir todas as janelas
para o sol ...
Estampar um horizonte bonito .
O caminho de cada um ...
Alforria , bendito !
Para encontrar alegria, assim
no amanhacer do dia ...
Uma vontade de viver sem fim !




Rimbaud sempre foi difícil de entender, sua juventude foi uma das mais complicadas, revelou-se um poeta genial que em poucos anos de poesia figurou entre os maiores poetas da humanidade, embora tenha deixado toda sua obra poética apenas em uma fase de sua vida: A juventude.
Depois passou a maior parte de sua vida em grandes aventuras, por vários países, sendo que sua mais famosa aventura foi sua fuga inesperada para a África.
Jim Morrison, poeta e vocalista da lendária banda “
The Doors” fez uma grande homenagem a Rimbaud na música: “Wild Child” que está no álbum “The Soft Parade” de 1969, a qual você tem a letra traduzida logo a baixo:
CRIANÇA SELVAGEM


Criança selvagem/ cheia de graça/
Salvadora da raça humana/
Seu rosto frio


Criança natural/, criança terrível/
Não o filho de sua mãe ou de seu pai/
Nosso filho/, gritando selvagemente/


Uma antiga norma dos grãos/
E das árvores da noite/


Com fome nos seus calcanhares/
Liberdade nos seus olhos/
Ele dança de joelhos/
Com o príncipe pirata ao seu lado/
Olhando nos olhos vazios do ídolo/


“Se lembra de quando estávamos na África?”


The Doors (1969)
Cabelos Brancos
 
Delasnieve Daspet 
 
 
Sou vaidosa, gosto de andar arrumada.
Perfumada. Gosto de olhar no espelho
e ver a beleza madura que ele reflete.
 
Olho aqui. Olho ali. Olhos cansados,
sempre tristes ou sonhadores.
... mas eles sempre foram assim.
 
Conservo a tez morena que não desbota,
cor altaneira das mulheres do Brasil.
Agora, para somar, na fronte, a mais
perfeita e poética tradução física da
maturidade: cabelos brancos.
 
Os cabelos brancos traduzem
uma vida de experiências.
Uma vida bem vivida. Mas pode, também,
ser um pesadelo -, se pensarmos
no implacável tempo que
atenta contra o humano.
 
Já os tenho alastrados,
convenientemente disfarçados
na asa castanha da tinta... Mas existem uns
fios que teimam.... já não me
preocupam mais.
 
O importante, - disto não abro mão -,
é manter o meu coração jovem e amante.
Sorrir com olhar de arco-íris, porque
o amor nos mantém eternos.
Eternos, como a própria vida.
 
Quero ter tempo apenas de
encontrar e reconhecer o
que está diante dos meus olhos.
Apesar das desilusões,
continuar crendo nas pessoas.
 
Matar as células da tristeza,
fazer nascer as do sorriso.
Matar as da memória para
esquecer as lembranças de outrora
e sorrir sempre à espera ..
_______________________
 
 
 Cabelos Brancos"
=========
cabelos
" de las nieve "
serão
eternamente negros
pela força
" das "pet"
no sentido : " favorito "
pela dádiva divina
teu jeito sempre
menina
e coragem...
e sabe porque ?
só os loucos ( poetas ) e as crianças
dizem verdades....
===
helena armond
maio 2003
 
RIMBAUD, ARTHUR
poeta francês
 (1854-1891)
 

 

"Não vos posso dar uma morada, porque ignoro onde estarei pessoalmente nos próximos tempos, porque caminhos andarei, e por onde, e por quê, e como!" (Rimbaud aos seus, Aden, 5 de Maio de 1884)

 
Tentando Amar
               Tekasouza

Preciso de mais um  tempo,
Ainda restam alguns  vestígios
De uma caminhada claudicante,
Fantasmas e ilusão em litígio.

Quando penetro teus negros olhos,
Sinto promessas ternas e serenas,
Faz-me sentir menina pequena,
Segurando minha mão para caminhar.

Não desista de tentar...
Sei que logo poderei te amar,
Retribuir o teu carinho,
Dividir contigo teu caminho,

Dar-te meu amor com segurança,
De que és meu porto, sou teu ninho,
Viver  juntos uma história,
Traçarmos a mesma trajetória.

De qualquer mágoa liberta
Apagar antigos  caminhos,
Poder  entregar-me à ti, meu poeta,
Com toda paixão com que sou capaz de amar


Por favor, não desistas de esperar...

 

Rimbaud, o estranho

Caio Meira

 

Não, não acredito. É quase um ser imaterial e o pensamento foge apesar dos seus esforços. Às vezes pergunta aos médicos se eles vêem as coisas extraordinárias que ele percebe, e fala-lhes e conta-lhes com doçura, de uma maneira que eu não saberia repetir, suas impressões. Os médicos olham-no nos olhos, estes belos olhos que nunca foram tão belos e nem mais inteligentes, e dizem entre eles: "É estranho." Há, em Arthur, alguma coisa que eles não compreendem.

Carta de Isabelle Rimbaud à sua mãe, 28/10/1891

SAUDADE
                                  Marineide Miranda 
 
A
saudade é o sentir sem presença,
É sentir o cheiro, sem o cheiro estar...
É sentir o gosto, sem o gosto estar...


É sentir um tesão pensamental tão real
Como se estivéssemos num orgasmo
É sentir todos os dedos das mãos,
Das suas mãos, a textura dos cabelos...
 Dos seus cabelos

Sentir o gosto do beijo mesmo
A outra boca não estando...
Sentir o corpo todo ocupado,
Mesmo estando o outro corpo muito longe.
Saudade é pensar, pensar é estar.

Também vale lembrar do estranho caso de Rimbaud com o também grande poeta Paul Verlaine, uma relação homossexual de amor e ódio, numa discussão, Verlaine dá vários disparos em Rimbaud, que é atingido por sorte apenas no pulso.
Em 10 de novembro de 1891, em um asilo de Marselha, morria Arthur Rimbaud, ao final de uma longa e dolorosa agonia. Ele tinha trinta e sete anos e sofria de câncer nos ossos, o que o levou à amputação da perna direita em uma primeira hospitalização. Por mais breve que tenha sido, a vida de Rimbaud não deixa de constituir um dos grandes enigmas da literatura francesa.Gênio precoce, ele produziu entre os quinze e os dezoito anos uma obra poética de grande maturidade, fundadora da poesia moderna, antes de renunciar à escrita para se tornar explorador e traficante de armas na Abissínia (atual Etiópia).                                      
Rimbaud nunca mais escreverá e chegará mesmo a classificar a sua obra de outrora de “rinçures” (de má qualidade). Mais de cem anos após a sua morte, os pesquisadores e críticos literários continuam a se interrogar sobre as verdadeiras razões que puderam levar o poeta do Bateau Ivre (Barco embriagado) a rejeitar de maneira tão brutal a poesia e cortar as pontes com o mundo literário parisiense que antes ele queria tanto surpreender. O merecido reconhecimento, só veio várias décadas depois de sua triste morte e a imagem que fica é a do menino prodígio e inconseqüente, que chocou e encantou com sua indefectível personalidade.

 
Saudade de mim mesma...
 
Angela Lara
 
Antes sentisse no peito
o fogo que abrasa
as emoções estampadas
os sonhos gritantes dentro da alma
o brilho nos olhos
a alegria de estar por estar contente
a face rosada
a boca pintada
as mãos macias
por adivinharem um corpo
Antes chorar
pela doce ternura de um encontro
Do que esse coração vazio
esse olhar opaco
essas horas intermináveis
esse silêncio
esse equilíbrio
essa desesperança...


Teatro revê caso de Rimbaud e Verlaine

São Paulo - A atração pelo discurso moderno, com sua carga de rupturas e transgressões nos costumes e nas artes, motivou o dramaturgo Alcides Nogueira a criar uma trilogia teatral iniciada com Ópera Joyce - sobre o escritor James Joyce - e seguida por Gertrude Stein. Agora, o autor encerra a trilogia levando ao palco a vida e a obra de dois dos maiores poetas franceses do século 19, Arthur Rimbaud e Paul Verlaine.

 
Nós lutamos para sermos pobres e honrados
 
nós plantamos as sementes 
nós fazemos a colheita 
nós cuidamos da boiada
nós tratamos dos cavalos arabes
nós criamos os frangos para exportação
nós cortamos a grama das mansões
nós alimentamos os porcos!
 
sem estudo
sem dentes
sem médicos
sem moradias
sem justiça
sem circo nem pão!
 
é com nosso suor que o rico
bebe uisque contrabandeado
é com nosso dinheiro que o banqueiro 
se manda para a Monte Carlo 
é com nosso sangue que o politico
faz operação do coração!
 
nossas crianças
não ganham presentes
não falam inglês
não comem hamburgues
apenas choram
e andam descalças!
 
olhe para o alto
estamos balançando nos andaimes
olhe para o chão
estamos enterrados cavando buracos
olhe para  os discos de ouro
dos pagodeiros ,dos forrozeiros ,dos sertanejos
estamos sempre dançando e cantando!
 
nós lotamos a Igreja de São Judas Tadeu
nós fazemos novenas a Virgem Maria
nós compramos santinhos e imagens de São Jorge
nós fazemos romarias para Aparecida
nós jogamos flores para Iemanjá
nós fazemos promessas a Padre Ciço 
nós lemos a Biblia todos os dias!
 
somos nós nos volantes dos caminhões
somos nós nos botões das maquinas
somos nós nos gatilhos dos trinta e oito
somos nós nos serrotes e nos martelos
somos nós nas enxadas e nas picaretas
somos nós nas panelas dos restaurantes 
somos nós nos balções das padarias e bares! 
 
tentamos não aparentarmos cansaço
tentamos não sermos escravos
tentamos denunciar os capangas
tentamos comprar moveis e roupas a prazo 
tentamos e pagamos a luz e agua
tentamos não ser os votos em branco!
 
as prisões estão lotadas de homens desesperados
que não tiveram esperanças e apoio da lei
enquanto advogados em fiila
com suas Mercedes importadas
batem na porta do Supremo Tribunal Federal!
 
nossas costas doem
nossos corpos estão doentes 
nossos pulmões tossem
nossos calos deformaram as mãos
nossas pernas tremem cansadas
de andar pelas veredas deste país imenso!
 
nós lutamos para sermos pobres e honrados
trabalhando debaixo do sol
mas sempre temos tempo para ajoelharmos
e agradecer a Deus
pela graça divina da vida!
 
assis


Os poetas de sete anos

E então a Mãe, fechando o livro do dever,
Lá se ia satisfeita e orgulhosa, sem ver
Em seus olhos azuis, sob as protuberâncias
Da face, a alma do filho entregue a repugnâncias.


O dia inteiro ele suou de obediência; que
Inteligente! e entanto, uns tiques maus, um quê
Já demonstravam nele acres hipocrisias.
No escuro corredor, junto às tapeçarias
Mofadas, estirava a lingua, os punhos fundos
Nos bolsos e, fechando os olhos, via mundos.
Sobre a noite uma porta abria-se: na rampa da
Escada, a resmungar, o viam, sob a lâmpada,
Como um golfo de luz a pender do teto. E no
Verão, abatido, ar estúpido, o menino
Teimava em se trancar no frescor das latrinas
Para pensar em paz, arejando as narinas.


Quando o jardim de trás de casa se lavava
Dos odores do dia e, no inverno, aluarava,
Jazendo ao pé do muro, enterrado na argila,
Para atrair visões esfregava a pupila
E ouvia o esturricar das plantas nas treliças.
Pobre! para brincar só com crianças enfermiças
De fronte nua, olhar vazio que lhes erra
Pela face, escondendo as mãos sujas de terra
Nas roupas a cheirar a fezes, todas rotas,
Falando com essa voz melosa dos idiotas!
E quando o surpreendia em práticas imundas,
A mãe se horrorizava; o menino, profundas
Carícias lhe fazia, a apaziguar-le a mente.
Era bom. Ela tinha o olhar azul, - que mente!


Aos sete anos compunha histórias sobre a vida
No deserto, onde esplende a Liberdade haurida,
Florestas, rios, sóis, savanas! Recorria
A revistas nas quais, encabulado, via
Italianas a rir e espanholas bonitas.
Quando vinha, olhos maus, louca, em saias de chitas,
A filha - oito anos já - do operário ao lado,
A pirralha infernal, que após lhe haver pulado
Às costas, de algum canto, a sacudir as roupas,
Ele por baixo então lhe mordiscava as popas,
Porquanto ela jamais andava de calcinha.
- Cheio de pontapés e socos, ele vinha
Trazendo esse sabor de carne para o quarto.


Da viuvez infernal dos domingos já farto,
Junto à mesa de mogno, empomadado, a ter de
Recitar a Bíblia encadernada em verde
E a sofrer a opressão dos sonhos maus em que arde,
Já não amava Deus; mas os homens, que à tarde,
Via, sujos, chegando em suas casas baixas,
Quando vinha o pregoeiro, entre ruflar de caixas,
A ler seus editais entre risos e pragas.
- Sonhava as vastidões de prados onde as vagas
De luz, perfumes bons, douradas lactescências
Se movem calmamente e evolam como essências.


E como saboreava antes de tudo arcanas
Coisas, se punha, após baixar as persianas,
A ler no quarto azul, que cheirava a mofado,
Seu romance sem cessa em sonhos meditado,
Cheio de plúmbeos céus, florestas, pantanais,
Flores de carne viva em bosques siderais,
Vertigens, comoções, derrotas, falcatruas!
- Enquanto progredia a agitação nas ruas
Embaixo, - só, deitado entre peças de tela
De lona, a pressentir intensamente a vela!
 

DOMÍNIO DA PAZ

MARIA PETRONILHO

PROCURO
O DOMÍNIO DA PAZ.
DES-DIGO
AS PALAVRAS
MAL-DITAS
DES-FAÇO 
O ÓDIO E A RAIVA
APAZIGUO AS TEMPESTADES



RE-CLAMO
O AMOR E A CALMA
RE-FAÇO
A ALMA
EM PEDAÇOS
DES PE DA ÇA DA
E PEÇO À GUERRA QUE ACABE



E PEÇO QUE A MORTE
ME A-GUARDE,
PARA SEMPRE EM PAZ,
MINHA ALMA!

 

MARINHA

As carroças de cobre e prata -
As proas de prata e aço -
Espalmam espumas, -
Esgarçam maços de sarças.
As correntezas da roça,
E os sulcos imensos do refluxo,
Fluem em círculos rumo a leste,
Rumo às hastes da floresta, -
Rumo aos fustes do quebramar,
Cujo ângulo é ferido por turbilhões de luz.

 

[Sem palavras]

Eu tão prosa... e tu tão poesia
Murmuras orgias de cantos
a soltar o poema com intrigante magia —
e tu ainda acabas me descobrindo poeta!...

Te adoro, querido. Não fujas de mim
que estou sempre pronta para seguir tuas vias

Hum... eu fico a pensar sem palavras
por onde andam as saudades tardias...

Dá-me o caminho que me leve onde estão
Preciso de chão de clamor de estrelas
Minha fome precisa de pão!...
Não mos negue, me entregue


Olympia Salete Rodrigues 
&
                                                                                          
Fernando Tanajura Menezes
 

VAGABUNDOS

Irmão miserável! Quantas vigílias atrozes eu lhe devo! "Eu não me entregava com fervor a este negócio. Caçoava de sua doença. Por minha culpa voltaríamos ao exílio, à escravidão". Ele me achava um pé frio, e de uma inocência bizarra demais, e adicionava razões inquietantes.

Eu respondia rindo deste doutor satânico, e acabava ganhando a janela. Eu criava, além do campo atravessado por bandas de música rara, os fantasmas do futuro luxo noturno.

Depois dessa distração ligeiramente higiênica, me deitava numa esteira. E, quase toda noite, assim que dormia, o pobre irmão se levantava, boca podre, olhos esbugalhados,- como ele se sonhava!- e me arrastava pela sala, uivando o sonho de sua mágoa idiota.

Eu tinha prometido, de fato, do fundo do coração, recuperar seu estado primitivo de filho de Sol, - e vadiávamos, alimentados pelo vinho das cavernas e pelo biscoito do caminho, eu com pressa de achar o lugar e a fórmula.

 IDÍLICO


        Num som
        a alma atenta

        Num toque
        a pele ardente

        Num olhar
        um desmaio

        Num encontro
        o universo

        No sim
        a abismo sem fim


Otávio Coral

MOVIMENTO

RIMBAUD

O movimento oscilante nas margens das quedas do rio.
O abismo na popa,
A rapidez da rampa,
A passagem imensa da correnteza
Levam por luzes inauditas
E novidade química
Os viajantes rodeados pelas trombas do vale
E do strom.

Esses são os conquistadores do mundo
À procura da fortuna química pessoal;
Esporte e conforto viajam com eles;
Eles levam a educação
Das raças, classes e bichos, nesse navio
Repouso e vertigem
À luz diluviana
Nas noites terríveis de estudo.

pois entre os aparelhos, o sangue, as flores, o fogo, as jóias,
dos registros agitados dessa nave fugitiva,
- Se vê, rolando como um dique além da rota hidráulica motriz,
monstruoso, luz que não tem fim, - seu stock de estudos;
Impelidos ao êxtase harmônico,
E o heroísmo da descoberta.

nos acidentes atmosféricos mais imprevisíveis,
Um casal de jovens isola-se na arca.
- É permitida essa selvageria primitiva? -
E canta, se situa.

Escultura
           Plínio Sgarbi
Se desse nosso mundo
Eu pudesse ter em mãos
Um pouco do que é lindo
Como:
O canto de um pássaro
O desabrochar de uma rosa
O beijo da mulher amada
O olhar de uma criança sorrindo...
Se eu pudesse...
Talvez então
Com toda a convicção e firmeza
Conseguiria esculpir
Uma escultura de todos
Os sentidos de sua beleza

ALQUIMIA DO VERBO

RIMBAUD

A mim. A história de mais uma das minhas loucuras. De há muito que me gabo de possuir todas as paisagens possíveis e que acho ridículas as celebridades da pintura e da poesia moderna.

Amei pinturas idiotas, vãos de portas, bugigangas, panos de saltimbancos, estandartes, estampas baratas, literatura fora de moda, latim eclesiástico, livros eróticos sem caligrafia, romances antigos, contos de fadas, contos para crianças, velhas óperas, refrões ingénuos, ritmos simplicíssimos.

Sonhei com cruzadas, com viagens de descobrimento das quais não existiam relatos, repúblicas sem histórias, guerras de religião sufocadas, revoluções de costumes, movimentos de raças e de continentes: acreditei pois em todas as magias.

Inventei a cor das vogais! - A negro, E branco, I vermelho, O azul, U verde - Determinei a forma e o movimento de cada consoante, e, com ritmos instintivos, procurei inventar um verbo poético acessível, custe o que custar, a todos os sentidos. Guardei a tradução.

Era acima de tudo um esboço. Escrevi os silêncios, as noites. Anotei o indizível. Firmei vertigens

Mergulho no Azul

                                                                   Elane Tomich
 
DISSE-ME UM PESCADOR
VINDO DOS MARES DO SUL,
NUNCA MERGULHE NO AZUL
QUE O AZUL TEM TONALIDADES,
QUE VALEM MEIAS VERDADES.
ÀS VEZES TEM TOM DE AMOR,
ÀS VEZES TEM TOM DE DOR
 
NUNCA MERGULHE NO AZUL
QUE O AZUL É ESQUECIMENTO
LABIRINTO DE UM TORMENTO
AZUL NÃO TEM NORTE OU SUL
QUE O AZUL É MAIS  QUE O VERDE
É IGUAL A FIRMAMENTO
É ONDE  GENTE SE PERDE.
 
NUNCA MERGULHE NO AZUL
QUE LÁ NÃO HÁ CAIS  DE CORAIS
E TUDO VIRA JAMAIS.
O AZUL DEIXA-NOS  AO LÉU
QUE  O AZUL NÃO TEM NORTE OU SUL,
É ONDE MORREM AS BALEIAS
É ONDE CANTAM AS SEREIAS.
 
NUNCA MERGULHE NO AZUL
QUE O AZUL É MAIOR QUE O MUNDO
É ONDE A GENTE VAI FUNDO
NAS ÁGUAS DA EMOÇÃO
GRANDES ONDAS DA PAIXÃO
O AZUL NÃO TEM NORTE OU SUL
MAR E SANGUE SÃO AZUIS.
 
NUNCA MERGULHE NO AZUL
QUE É ONDE SE ESVAI A RAZÃO
SEM  O MAPA  DO CORAÇÃO.
É ONDE AS JANGADAS VIRAM,
BUSCANDO  UM ETERNO HORIZONTE
O AZUL NÃO TEM NORTE OU SUL
NADA QUE NOS APONTE.
 
NUNCA MERGULHE NO AZUL
QUE É ONDE VAGAM OS VULTOS
DE QUEM TEVE NADA OU TUDO,
PIRATAS E PESCADORES
O AZUL É UMA ARCA DE DORES.
O AZUL NÃO TEM NORTE OU SUL,
BUSQUE OUTRA COR, REDUTO!

SANGUE RUIM

De meus antepassados gauleses tenho os olhos azuis, a fronte estreita, a falta de jeito na luta. Penso que minha maneira de vestir é tão bárbara quanto a deles. Mas não unto os cabelos.

Os gauleses eram os esfoladores de animais, os queimadores de ervas mais ineptos de seu tempo.

Tenho deles: a idolatria e o amor ao sacrilégio;- Oh! todos os vícios, cólera, luxuria, - magnífica, a luxuria; - sobretudo mentira e indolência.

Tenho horror a todos os ofícios. Patrões e operários, todos são camponeses, ignóbeis. A mão que segura a pena vale tanto quanto a que empurra o arado. - Que mais a domesticidade conduz a muito longe. Os criminosos repugna-me como se fosse castrados: quanto a mim, estou intacto, e isto pouco me importa.

Todavia! quem fez minha língua de tal modo pérfida que ela orientou e protegeu até aqui minha indolência? Sem me servir de nada, nem mesmo de meu corpo, e mais ocioso que o sapo, tenho vivido em toda parte. Não há família da Europa que eu não conheça. - Falo, naturalmente, de famílias como a minha, que devem tudo a Declaração dos direitos do homem. Conheci cada filho de família...

Uma Temporada no Inferno e Iluminações
Tradução d
e Lêdo Ivo

 

Essa história...

 

Essa história nossa

apenas o olhar...

pele minha na tua

distraída a escorregar...

E esse desejo a sussurrar

loucuras ali mesmo

ou em qualquer lugar...

Olhar teu sim

 corpo inteiro no meu

 noite virada madrugada

amanhecendo estrelas...

Beijos dourados

a saborear dos lábios meus

gosto gemidos suores aflitos

 delirante cavalgada...

Ah essa história nossa

tua e minha

 apenas o olhar...

 

LianeNiremberg

 

A ETERNIDADE

RIMBAUD

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.
s
Tradução: Augusto de Campo

Procuro.

 Estranho mundo

de estranhas emoções,

onde nossas ilusões

marcam fundo

 nossos corações.

 

Meus olhos se perdem

pela imensidão deste céu;

Onde devo encontrar

o chamado de meu pai?

 

Em meio a tantos caminhos,

sinto-me desamparado;

procuro a casa de meu pai,

lá, sei que sou esperado.

 

Sabe? já andei tanto,

que me tornei indiferente

aos lamentos dessa gente.

 

Hoje quero apenas meditar;

Pensar em todos a quem amei,

em tudo o que plantei,

nos sonhos que enfeitei...

e, no caminho que tomei...

  Pai,Onde estás?

 Vivi a te procurar

num desespero sem fim,

em todos os caminhos em que andei...

Onde estás?

  Só restou te procurar em um lugar,

foi quando entrei dentro de mim

e... te encontrei !

  Pezente.

OS INICIADOS

RIMBAUD


Estranhos à nevasca e ao brumado,
Em torno do respiradouro aluminado,
Agrupados,

Ajoelhados, cinco petizes - miséria! -
Espreitam o Padeiro que fabrica a féria:
O Pão fulvo e pesado.

Observam o vigor do forte braço branco
Que introduz a massa branca
No forno brilhante.


E pressentem o bom pão que chia.
O Padeiro, sorrindo de alegria,
Bufa resfolegante.

Agora, acocorados, imotos semoventes,
Sentem o hálito do respiradouro, ardente
Como um colo fogoso.

Quando, na vigília da meijoada,
Tira-se a fornada modelada
Em brioche untuoso,

Quando, sob esfumaçados tetos,
Cantam grilos
E crostas perfumosas,

Quando, enfim, o forno quente despeja a vida,
Suas almas estão já tão seduzidas,
Sob vestes andrajosas,

E tanto se comovem vivendo,
Estes pobres Cristos na geada perecendo,
Que lá estão,

Colando suas carinhas afogueadas
À treliça - coisas cochichadas
Por entre vãos -

Todo animais, fazendo preces,
Recurvados tão intensamente para as luzes
Daquele paraíso artificial,

Que rasgam as calças
E suas camisas esvoaçam
Ao vento invernal.

A Voz das Minhas Mãos
Fernanda Guimarães
 

Pede-me moderação, a mão destra
Como se possível fosse emudecer
Os gestos que anseiam o toque
Dedilhado pelos caminhos da escrita
Quando são os versos precipício e refúgio
A canhestra emoção entorna dos dedos
Ignorando a vigília do comedimento
Ou a calma que me indica a ponderação
A palavra em mim é sempre exposta
Inquieta e nua, engolindo silêncios

Tenho na ponta dos dedos
O lado de dentro do peito
O verso e anverso do que não sei
Meu viés e reverso confessos
Sou de dizeres fartos e incontidos
Que se lançam impulsivos no papel
No abismo de linhas desconhecidas
Minha caligrafia não acalenta brisas
Descobre-se e sabe-se em ventanias
Escrevo sempre intensamente
Como se a última palavra fosse
E na voz de cada letra
Balbuciasse o derradeiro suspiro

Angústia

RIMBAUD (1854-1891)

 

Talvez Ela me faça perdoar as ambições continuamente esmagadas, - que um fim azado repare os tempos de indigência, - que um dia de êxito nos adormeça sobre a vergonha de nossa fatal inabilidade,

(Ó palmas! diamante! - Amor, força! - mais alto que todas as alegrias e glórias! - de qualquer modo, em toda parte, - Demônio, deus, - Juventude deste ser que sou eu!)

Que os acidentes da magia científica e os movimentos de fraternidade social sejam apreciados como a restituição progressiva da liberdade primeva?...

Mas a Vampira que nos faz gentis ordena que nos divirtamos com o quanto nos deixa, ou então que sejamos ainda mais palermas.

Rolar nas feridas, no ar exausto e no mar; nos suplícios, pelo silêncio das águas e do ar assassinos; nas torturas que riem, em seu silêncio atrozmente encrespado.

 

Suicídio
 
Será que escrevo poemas
porque me omito
ou porque desnudo?
 
Será bom o meu sentimento?
[Ou arma
contida
em linhas?
 
Eu escrevi tudo o que eu tinha.
Escrevi tua face,
teu corpo,
teu movimento.
E me arrependi.
 
Que as palavras mataram a mim.
 
E agora estou sozinha.
Ao meu lado,
meus poemas
[apenas.
 
- Como desfazer-me deles?
 
Lina.



 
Conheçam mais Rimbaud:
 
 

BALLET RIMBAUD

 
Poesias - Entrevista - R. Roldan-Roldan
... Poesias - Entrevista. R. Roldan-Roldan. O ... Deus. Rimbaud ébrio em teu
navio sulcas o inferno colorindo o infinito no oceano dos sentidos. ...
 
Noturno Vulgar

 

Rimbaud

Um sopro abre fendas operádicas nas paredes, - embaralha o eixo dos tetos podres, - dispersa os limites das lareiras, - eclipsa vidraças. - Pelas videiras, apoiando o pé numa gárgula, - desci nesse côche de uma época bem indicada pelos espelhos convexos, almofadas bojudas e sofás distorcidos.
Carro funerário do meu sono, solitário, casa de pastor de minha tolice, o veículo vira sobre o mato da grande estrada desaparecida: e num defeito no alto do espelho, à direita, giram pálidas figuras lunares, folhas, seios; - Um verde e um azul escuros invadem a imagem. Desatrelagem perto de uma mancha de cascalho.
- Aqui vão assobiar às tempestades, e às Sodomas, - e às Solimas, - e aos animais ferozes e aos exércitos,
- (Postilhões e animais de sonho vão voltar sob as matas mais sufocantespara me afogar até os olhos na nascente de seda)
- E a nos enviar, açoitados por ondas crispadas e bebidas derramadas, rolando entre latidos de dogues...
- Um sopro dispersa os limites da lareira.

parto
líria porto

muitas vezes eu encolho-me
tal como um feto
na placenta das cobertas
e fico grávida
gestando um verso...

na contração do meu quarto
quarto útero
é que brota o meu menino
de um jeito dolorido
seguido de grande alívio...

criança feinha
suja
rabiscada
eu embalo com carinho
e mantendo a tradição
nasce sempre em solidão
nestas longas madrugadas...

 


 

TERCEIRO SONETO DE "LES STUPRA"

Franzida e obscura como um ilhós
Violeta,
Ela respira, humilde,entre a relva
Rociada
Ainda do amor que desce a branda
Rampa das
Brancas nádegas até o coração da
Greta.

Filamentos iguais a lágrimas de leite
Choraram sob o vento atroz que os
Arrecada
E os impele através de marnas
Arruivadas
Até perderem-se na fenda dos
Deleites.

Beijando-lhe a ventosa, o meu
Sonho o freqüenta.
A minha alma, do coito material
Ciumenta,
Qual lacrimal e ninho de soluços
Usa-a.

É a oliva esvaída e é a flauta agreste,
O tubo pelo qual desce a amêndoa
Celeste,
Feminil Canaã em seus orvalhos
Reclusa.

MINHA BOÊMIA

(Fantasia) RIMBAUD



Lá ia eu,de mãos nos bolsos descosidos;
Meu paletó também tornava-se ideal;
Sob o céu, Musa, eu fui teu súdito leal,
Puxa vida! a sonhar amores destemidos!


O meu único par de calças tinha furos.
- Pequeno Polegar do sonho ao meu redor
Rimas espalho. Albergo-me à Ursa Maior.
- Os meus astros no céu rangem frêmitos puros.


Sentado, eu os ouvia, à beira do caminho,
Nas noites de setembro, onde senti qual vinho
O orvalho a rorejar-me a fronte em comoção;


Onde, rimando em meio a imensidões fantásticas,
Eu tomava, qual lira, as botinas elásticas
E tangia um dos pés junto ao meu coração!

LÁGRIMA

RIMBAUD



Longe de pássaros, pastores e aldeãs,
Eu bebia, de cócoras, nalgum ermo
Rodeado de bosques suaves de avelãs,
Na cerração de uma tarde morna e verde.

Que havia de beber desse jovem Oise,
Olmos sem voz, relvas sem flor, céu sem ar.
Que tirava à cabaça de colocásia?
Algum licor de ouro, insulso, que faz suar.

Terei sido, assim, má insígnia de albergue.
Depois o temporal mudou os céus e aos poucos
Fizeram-se em regiões negras, lagos, perchas,
Colunadas sob a noite azul, em docas.

Perdiam-se as águas em virgens recôncavos.
E flocos no charco o vento fez descer...
Ora! como um pescador de ouro ou de conchas,
Dizer que não tive anseio de beber!


Maio de 1872
 
OS CORVOS

Senhor, quando fria está a planície,
Quando no vilarejo diluto
O indolente Angelus é tudo...
Sobre a terra só apatia,
Fazei descer do firmamento
Os amados e voluptuosos corvos.


Estranho exército de gritos ásperos,
Ventos frios fustigam vossos ninhos!
Dispersai-vos e uni-vos,
Ao longo dos rios outonais,
Sobre rotas de antigos calvários,
Sobre grotas e valados.


Em multidão sobre os campos de França,
Onde repousam mortos ancestrais,
Iludi o inverno
Para que o passante reflita!
Sê, pois, o pregoeiro da faina,
Oh!nosso fúnebre pássaro negro!


Porém, divindades, no alto do carvalho,
Mastro perdido na noite enfeitiçada,
Deixai as toutinegras de maio
Para os que as prendam nos confins do bosque,
Na mata de onde não possam fugir

À evasão sem poir.

 
Arthur Rimbaud influenciou a todos; foram poetas de todos os estilos, principalmente os simbolistas, escritores, surrealistas, beatnicks e os hippies. A sua genialidade é reconhecida até hoje, e inclusive, um filme foi feito contanto a sua trajetória. A história de Rimbaud é o símbolo da perseverância, da vontade de vencer e de ser feliz . Os seus poemas e a pequena Charleville definitivamente não eram o limite.
 
 
 
 
TT:)
Como Rimbaud,
 
"Não vos posso dar uma morada, porque ignoro onde estarei pessoalmente nos próximos tempos, porque caminhos andarei, e por onde, e por quê, e como!"...
 
mas podemos caminhar /crescer cada vez mais no campo da poesia,
na vida, no sentir/viver dos escritores, artistas e
 a integração entre poetas  Luna's
numa volta ao mundo,
num sempre Acontecer!
 
Juiz de Fora,03 de maio de 2003
Maria Thereza Neves

Música: Sonata

 
   
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