AconteceuLunas

&

 Espanha

(Imagem de fundo:Episódio dos moinhos de vento retratado num mural de azulejos em Sevilha

A imaginação e o delírio de um cavaleiro andante

 Dom Quixote/Miguel de Cervantes )
 
Miguel de Cervantes Saavedra,
 o mais importante nome literário da Espanha
 

"Só para mim nasceu Dom Quixote e eu para ele:
ele para praticar ações e eu para escrevê-las. Somos um só (...)"

Miguel de Cervantes

Miguel de Cervantes Saavedra nasceu em Alcalá de Henares, na Espanha, em 29 de setembro de 1547. Passou a Infância na cidade de Valladolid e estudou em Madri e também em Sevilha que, no século 16, era uma das maiores cidades do ocidente, capital financeira, comercial e artística da Europa. Em 1571, serviu ao exército do rei espanhol Filipe II, na batalha naval de Lepanto contra o império turco. Ferido, perdeu os movimentos da mão esquerda.

Quando voltava de outra expedição, Cervantes foi capturado por piratas argelinos e vendido como escravo ao rei de Argel, Hassaou Pacha. Tentou fugir pelo menos cinco vezes. Por fim, o monge Juan Gil pagou seu resgate. De volta à Espanha, em 1587, passou por dificuldades. Sua produção literária não obtinha sucesso. Conseguiu, no entanto, ser nomeado Corsário Real. Sua missão era coletar azeite e grãos para a Armada Invencível, esquadra criada por Filipe II para conquistar a Inglaterra. Por não saber matemática, foi enganado por outros corsários e preso sob acusação de roubo em 1592.

Com a publicação do livro Dom Quixote, em 1605, Cervantes, então com 58 anos, conseguiu juntar algum dinheiro e pôde se dedicar exclusivamente à literatura. A obra fez tanto sucesso que uma pessoa, usando um nome falso de Alonso Fernández Avellaneda, publicou uma segunda parte do romance. Revoltado com a falsificação, Cervantes publicou sua própria segunda parte em 1615.

Miguel de Cervantes, morreu em Madri no dia 23 de abril de 1616. Além de seu famoso romance, ele escreveu também poemas e textos para o teatro, que não tiveram tanta repercussão quanto Dom Quixote. Sua produção teatral está resumida no volume Oito comédias e oito entremezes. O espanhol escreveu ainda Novelas exemplares, considerado um dos mais importantes volumes de contos da literatura universal.

 

 

quero cremar todos os meus versos

Maria Thereza Neves

inacabada poesia
incoerentes idéias
tristes , vagas palavras
sem emoção
ou rimas 
 
quero cremar todos os meus versos
 
 
tom sombrio
triste
escalas, notas desafinadas
 
o que restou ?
 
  somente um frio túmulo
                            forrado de letras, espinhos
 
   quero cremar todos os meus versos
 
morbido amanhecer
sou sepultada todo os dias
entre cinzas  de cremados versos
 
 
O espelho e o tempo... 
delasnieve daspet 
 http://www.lunaeamigos.com.br/ 


Olho-me no espelho.
Um rosto desconhecido
fita-me.
Um rosto amedrontrado...
Fatigado...
Envelhecido...
É este o rosto que me
contempla!

Um rosto suspenso no tempo...
Com um sorriso nos lábios!
Sorrirá de que?
Se está pensando apenas
na partida!...

Ainda flutua na atmosfera,
O olhar perdido..
Parece que teve o espirito
extraido do corpo...
E o olhar vazio...
retrata o desespero
de não ter seu amado!

Mas...
Ouves?
Ao longe o mar...
A gaivota..
O barulho das ondas...?

Olho de novo no espelho...
Vejo refletido o silêncio!...
Um silêncio de sentir
na carne...
E o tempo!
Apenas o tempo enchendo o ambiente...

E recordo!
E o espelho me mostra,
que embora tenhas ficado no tempo,
não vou a ti...
Estou presente em ti...
Como no passado!!

Hoje...
quero, apenas,
que o tempo retorne...
pois o passado esta aqui!!! 
 
 
helena armond

poéticos elementos
os melhores
são 
encontrados
em frangalhos
presos em um catavento
 
-------------
recolhe-los
alinhava-los
(e fatal
momento de distração !)
de novo em um
catavento
 
Leia mais:
Apresentação | O engenhoso fidalgo e seu fiel escudeiro
Biografia de Miguel de Cervantes
 
Confluência
Fernanda Guimarães


Os olhos buscam-te
Como se possível fosse
Delimitar fronteiras
Quando é o pensamento
Ponte e travessia de desejos
Não cabem na margem da razão
Os anseios que navegam
No semicerrar das pálpebras
Velejando para o encontro
Que apenas se dá no horizonte
Onde dormem os sonhos

FEDERICO GARCÍA LORCA

"Yo vi dos dolorosas espigas de cera que enterraban un paisaje de volcanes
y vi dos niños locos que empujaban llorando las pupilas de un asesino".

Jorge Luís BorgesNasceu em Fuente Vaqueros, Granada, Espanha, em 5 de junho de 1898. Como poeta, iniciou com um livro finíssimo Canciones, 1927, com a mais bela estilização dos motivos de Granada, em que a água como um sortilégio de poesia é um motivo predominante Se me han caído los ojos - dentro del agua, El manantial besa el viento sin tocarlo. Mas sua reputação ganhou renome com o Romancero gitano (Madrid, 1928). 

Como dramaturgo, temos trechos românticos com implicações sociais como Mariana Pineda (Madrid, 1928) e a invenção cômica de La zapatera prodigiosa. Bodas de sangre, cujo intenso lirismo não enfraquece, e sim  destaca mais ainda sua vigorosa força dramática. 

Deve destarcar-se que, juntamente com Antonio Machado, é um dos maiores poetas que a Espanha produzui neste século, e Lorca é certamente o maior dramaturgo da Espanha desde a "Edad Dorada". 

Morreu perto de Granada, no dia 19 de agosto de 1936. García Lorca é o mais apreciado e venerado poeta e dramaturgo da Espanha. Seu assassinato pelos Nacionalistas no começo da Guerra Civil Espanhola deu a ele una súbita fama internacional, acompanhada por un excesso de retórica política que levou a una geração, mais tarde, a questionar seus méritos; depois da depressão inevitável, sua reputação foi recuperada. 

PARA NÃO FALAR DE SAUDADE
Maria Petronilho


EU, QUE SOU FILHA DAS ONDAS,
GRITOS DE MARÉS,
GAIVOTAS EM VÔOS RASANTES,
ESPUMAS,


A POUCO E POUCO ME ENTERRO


NOS NUS AREAIS
EM BRUMAS.


NOS MEUS OLHOS VAI MORRENDO
A LUZ QUE DELES DIZIAS...


A POUCO E POUCO ME PERCO
BUSCANDO TUAS MÃOS
SE VOLTO
TRAZENDO AS MINHAS VAZIAS.

NOCHE DEL AMOR INSOMNE

Federico García Lorca

Noche arriba los dos con luna llena,
yo me puse a llorar y tú reías.
Tu desdén era un dios, las quejas mías
momentos y palomas en cadena.
Noche abajo los dos. Cristal de pena,
llorabas tú por hondas lejanías.
Mi dolor era un grupo de agonías
sobre tu débil corazón de arena.
La aurora nos unió sobre la cama,
las bocas puestas sobre el chorro helado
de una sangre sin fin que se derrama.
Y el sol entró por el balcón cerrado
y el coral de la vida abrió su rama
sobre mi corazón amortajado.

Sonetos del amor oscuro

 

Cala-te Coração

Cora Maria

Reconheças que nada podes fazer
para viver esta paixão
Cala-te coração com estes versos inversos
a sensibilidade de outro coração.
Cala-te, compreenda que na vida,
nem sempre encontrarás tuas esperanças correspondidas.

Cala-te sentimento
que fala sozinho a todo momento
Sofrestes a dor e choras o desamor
Acorda coração...pare de sonhar...

Sintas que ainda tens muito amor para doar,
faça-o para quem sabe te agasalhar,
contigo se misturar,
sem medo de ser feliz,
sem medo de te amar

Acorda coração,
seca estas lágrimas com o lenço do esquecimento,
e se mesmo assim cair a última gota,
coloque-a ao vento
para evaporar este último tormento.
Vá coração...vá de encontro a um novo sentimento,
recordando que a vida se refaz a todo momento.

Vá coração, acorda...
Vá em busca de um novo recomeço...
Vá de encontro a um novo endereço!

Acorda coração!!!

Romance de la luna, luna

Federico García Lorca

[La luna vino a la fragua
con su polizón de nardos.
El niño la mira, mira.
El niño la está mirando.
En el aire conmovido
mueve la luna sus brazos
y enseña, lúbrica y pura,
sus senos de duro estaño.
—Huye luna, luna, luna.
Si vinieran los gitanos,
harían con tu corazón
collares y anillos blancos.
—Niño, déjame que baile.
Cuando vengan los gitanos,
te encontrarán sobre el yunque
con los ojillos cerrados.
—Huye, luna, luna, luna,
que ya siento los caballos.
—Niño, déjame, no pises
mi blancor almidonado

El jinete se acercaba
tocando el tambor del llano.
Dentro de la fragua el niño
tiene los ojos cerrados.

Por el olivar venían,
bronce y sueño, los gitanos.
Las cabezas levantadas
y los ojos entornados.

¡Cómo canta la zumaya,
ay, cómo canta en el árbol!
Por el cielo va la luna
con un niño de la mano.

Dentro de la fragua lloran,
dando gritos, los gitanos.
El aire la vela, vela.
El aire la está velando.

 

 
¡Ay!
Pequeño Poema Infinito
Muerto de Amor
Romance de la Luna

El Poeta Pide a su Amor que le Escriba
Llueve
 

Escute
Caio Lucas

 
Ouça por alguns momentos,
é como um canto de paixão,
no peito aquecido sobram carinhos,
as batidas fortes dão o compasso,
as frases parecem ser as mesmas,
mas é o coração que fala de amor.

 
Quero falar dos desejos que tenho,
não existem mais saudades do antes,
às vezes, sua ausência dói um pouco,
depois os carinhos vêm mais fortes,
os vazios são preenchidos com ternuras,
de tudo que restou, o amor aumenta.
 

Minhas palavras rompem o silêncio,
nenhum barreira bloqueia a paixão forte,
todos os amantes que se unam,
que mudem um para o coração do outro,
ainda há silêncios em alguns poucos,
gritem alto, grito o amor que tenho.
 
José Jiménez Lozano ganha prêmio Cervantes de literatura

Entre seus livros mais conhecidos estão História de um Outono (HGistoria de un Otoño), El Sambenito e A Salamandra (La Salamandra). Em 1989, Lozano conquistou o prêmio Nacional da Crítica pelo cojunto de ensaios O Grão de Milho Vermelho (El Grano de Maíz Rojo). Quatro anos mais tarde, foi laureado com o Prêmio nacional das Letras Espanholas. Lozano fez carreira também no jornalismo, tendo dirigido o jornal de Valladolid O Norte de Castilla até sua aposentadoria, em 1995.

 

POETA...
Tekasouza


Poeta, tu que tens a batuta,
Respondas a uma pergunta,
-Enfeitiçastes minhas mãos,
Ou colocastes amarras no meu coração?

Chegam teus versos desnudos,
Aspergindo emoção mais pura,
Chegam, remexe, acende,
Sentimentos encarcerados,
Quimeras atreladas à loucura...

Adornei tantos poemas...
Belos adereços, sons maviosos,
Às vezes, corrompi,
Outras, completei,
Noutras tantas, me perdi...

Paleta nas mãos,
Com todas gamas e matizes,
Algumas pinceladas de vernizes,
Tentando traduzir a emoção.

Passarinha nos campos primaveris,
Enfeitando com meu canto,
Expandindo o peito, soltando solfejos,
Traduzindo as letras num mundo de encanto.

Mas quando tento adornar teus versos,
As cores tornam-se invisíveis,
Afônica, impotente, confesso,
Enquadrar faz-se impossível.

Sabes qual é o segredo,
Que me impede de vestir-te?
Por sorte, jogaste-me feitiços,
Ou algum quebranto bem forte.

Sentimentos um tanto estranhos,
Desfilam, perfilam e abrigam,
Certezas de que adornar teus versos,
Transformaria o sacro em profano!
 
Sento-me Ao longo da margem...
Como um andejo, sem norte,
Pensamentos de toda sorte,
Vagueando neste viagem...

 

INTRODUÇÃO  Espanhola, Literatura, literatura da Espanha, escrita em espanhol, desde o século XI até nossos dias.

A literatura medieval espanhola se caracteriza pelo desenvolvimento, simultâneo, de temas profanos e religiosos em diversos gêneros literários. Nela há claras influências das culturas judaica e islâmica que floresceram na Península Ibérica durante este período.

OS SÉCULOS XI E XII  
Em língua espanhola, as obras mais antigas são algumas breves composições líricas de tema amoroso, escritas em língua românica, denominadas jarchas. Datam de meados do século XI e aparecem no final das moaxajas ou muwassahas, longos poemas escritos em árabe ou hebreu. Em seguida, surgem os poemas épicos compostos por jograis, cujo exemplo mais antigo é o anônimo Cantar de mío Cid (1140?) que narra as façanhas e adversidades de Cid, o Campeador. A lenda dos infantes de Lara, O Cerco de Zamora e O Poema de Fernán González são outras obras épicas importantes do período.

http://es.geocities.com/mundo_medieval/Fernan_gonzalez.html

 

 

O QUE FAZER

zelisa camargo

 

O que fazer quando tudo é silêncio e vazio?

Calar?

Procurar?

Não há respostas para nada.

É muito triste ser

Pior é não ser.

Eis o motivo de ser eu e sempre eu.

Só, mas sendo eu em cada minuto vivido.

A maneira não interessa.

O que importa é ser e sentir em profundidade.

 

DA POESIA

Rubenio Marcelo


1.
A poesia é um círio de eterna luz
que brota dos faróis nos périplos azuis
e guia-nos ao reino angelical das fábulas...
Ela vem com o sol-nascente das parábolas,
trazendo a ardentia de amores vesanos
e todos os alfanjes desses desenganos,
cortando a emergência das leis científicas.
2.
A poesia faz integrações pacíficas
em dobres transcendentes de mil clarinetes,
ostentando nas praças e nos minaretes
as flâmulas heróicas da grã liberdade.
3.
E a chama poética - taça de verdade -,
tecendo oferendas para plenilúnios,
suplanta os grilhões, quebra os infortúnios,
buscando, assim, fermata em alegorias...
No êxtase do verbo, grãos de poesias
alavancam o espírito (buscam o essencial
na commedia dell'arte sobrenatural)
e lançam seus jograis ao elan das noites...
4.
A poesia é o vento em sutis açoites,
polinizando nossos seres-flamboyants.
É a solidão das cercas de avelãs
nas madrugadas de geadas e outonos...
É o inflamável afã de sonhos/abandonos
guardados no silêncio dos desamanhãs.
5.
A poesia segue com as procissões,
levando seus archotes, semeando preces;
e vem com as pavanas em ditosas messes
ou com os ritornelos das melancolias...
Ela traz os enigmas das vãs travessias
e as epifanias dos anjos e mitos...
Seus soldados-clarins, reais-infinitos,
afastam basiliscos, faunos e dragões...
6.
Oh, a poesia é o cetro das sublimações
e a languidez do pranto que nos aterra...
Ante a expectação e o sinal de guerra,
é o Santo Graal dos nossos corações!

RUBENIO MARCELO
(Da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras)

OS SÉCULOS XIII E XIV  
No século XIII, os escritores cultos começam a produzir textos onde mesclavam a vida dos santos, lendas moralizantes e outros relatos em verso castelhano. Esta atividade poética, conhecida como Arte dos Clérigos, desenvolveu-se nos mosteiros, caracterizando-se, em oposição à Arte dos Jograis, por uma estrita observância métrica. O poeta mais representativo da Arte dos Clérigos é Gonzalo de Berceo.

Gonzalo de Berceo

http://www.hottopos.com/mp2/berceo.htm

Tela

 
Que será de mim
quando a lágrima cessar
e o vento parar?
 
Quando a paz
com o sorriso
retornar?
 
Saberei ainda quem sou?
Saberei ainda se sou? 
 
Lina.
Minh'alma

Vyrena


Minh' alma jaz entristecida
Meio morta... desfalecida...
Precisando de estímulo para sobreviver!
Para devolver-lhe a confiança...
O ânimo e a esperança...
Vou vesti-la com seda pura...
Adorná-la com jóias caras
Com safiras... rubis e diamantes.
Perfumá-la com essências raras...
Importadas de terras distantes.
Enfeitarei seus cabelos
Com belas e ricas tiaras...
Cravejadas de brilhantes.
Vou presenteá-la com um para de asas...
Dar-lhe toda liberdade
Para que possa voar...
Conforme sua vontade...
Realizando desejos
Quase sempre reprimidos
Por lhe serem proibidos.
Talvez...com tantos cuidados...
Ela saia de seu marasmo
E volte a ser feliz como antes!

 
Graças à intenção de compilar todo o conhecimento da época recorrendo a fontes islâmicas, judaicas e cristãs — e como resultado do trabalho de Alfonso X, o Sábio —, Castela torna-se um dos primeiros estados europeus a desenvolver uma literatura em prosa. Este trabalho alcança maturidade artística na obra de Don Juan Manuel. Por volta de 1305, aparece o primeiro livro de cavalaria em espanhol, O Cavaleiro Cifar.

Alfonso X, o Sábio

http://www.jogos.antigos.nom.br/alfonso.htm

Útero

                                   Angela Lara
 
Com a força do útero
e não há força maior
ela arrastou sua fantasia
sem gritos ou gemidos,
parindo idéias de liberdade,
plantando alusões de coragem
e
envaidecendo-se como um bicho...
 
A poesia de Juan Ruiz — ou Arcipreste de Hita, como também seria conhecido —, autor do Livro do Bom Amor, contém exemplos de, praticamente, todas as formas e temas poéticos da Idade Média.

O SÉCULO XV  
Durante o século XV, destacam-se os poetas Marquês de Santillana, Juan de Mena e, sobretudo, Jorge Manrique. As histórias dos poemas épicos foram reunidas nos romanceiros, coleções de romances que eram cantados com acompanhamento instrumental. Neste século, também floresce a literatura satírica e histórica. O humanista mais importante da época foi Antonio de Nebrija, autor da Gramática da língua castelhana (1492). Neste período, o romance de cavalaria espanhol conquista seu espaço de forma definitiva, sendo que o mais famoso e imitado foi Amadís de Gaula (1508).

La Celestina ou Tragicomedia de Calisto e Melibea (1499), escrita por Fernando de Rojas, é uma das obras mais significativas da literatura espanhola. A mais importante é, provavelmente, Don Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes.

 

O RENASCIMENTO E O SÉCULO DE OURO  
O Renascimento espanhol se expressa nas obras do filósofo Luis Vives, do teólogo Juan de Valdés e do historiador frei Antonio de Guevara. Outros historiadores importantes são Diego Hurtado de Mendoza e Juan de Mariana.

Os temas e ambientes da poesia pastoril — junto com formas métricas italianas como o soneto, a oitava, a canção, o terceto e o verso livre — foram utilizados, pela primeira vez, por Juan Boscán e Garcilaso de la Vega.

http://www.hispanista.com.br/revista/numero_atual.htm

http://www2.vo.lu/homepages/jfaria/rentr%C3%A9e2.htm

Acolhimento

(bel)

Há quem se aproxime, para acarinhar.

Que conhece os dias curtos, e as noites longas.

Há quem sabe da lágrima que cai, 

quando ninguém está perto e não há o que  falar.

Há quem sabe, 

E para quem não sabe, há o vento para contar.

Um novo estilo poético, marcado pela expressão espiritual (mística), aparece com frei Luis de León e São João da Cruz. Outro poeta importante é Fernando de Herrera, que cultivou o estilo barroco, característico do período seguinte personificado por Luis de Góngora e Francisco de Quevedo.

Ele em Tudo

E vem como um sonho

Envolto de silêncio e mistério

Destilando seiva essencial

Nutre meu corpo e alma

E permanece do ébano ao azul

E espreita-me no brilho da lua

Quando rasga o olhar da noite

Voa no profundo do sono

Ilumina a aurora de um sorriso

É quando os pássaros espalham alegria

Por entre o espanto e o verde

O orvalho desliza carícias

É este o sonho que consumo

É assim que morre o tempo

Ou a saudade já nem sei

Mas sei que por ele em tudo

Eu também vivo

 

© Clivânia Teixeira

 

Durante os dois últimos terços do século XVI, diversos autores místicos e ascéticos escrevem obras em prosa, destacando-se frei Luis de Granada e, principalmente, Santa Teresa de Jesus. O filósofo escolástico Francisco Suárez destaca-se como o teólogo mais importante do século.

Amor, Nunca se Esqueça

- Ana Maria -

Jamais esqueça,
Em mim sempre encontrarás:
O ombro amigo, para encostares.
O amor antigo, para desfrutares.
O carinho suave, para relaxares.
A palavra certa, para escutares.


Nunca esqueça,
Haja o que houver, aqui estarei.
Nas horas de angústia, para amparo te dar.
Nos momentos de aflição,poder te ajudar.
Nas tuas carências, minhas mãos te afagar.
Nos teus amargores, minha ternura te ofertar.

Não olvides,
Sou aquela que na vida mais te ama.
Aquela que sempre por ti chama.
Aquela que a Deus por ti roga.
Aquela que por ti sempre espera.
Aquela que só para ti o amor guarda.

Nunca, jamais esqueça !

Fazer Amor 

 Amaso Nib Nedal

Faço tudo com minha amante,
menos amor,
esse o faço com as letras,
quiçá com as palavras.

Na cópula...
entre tinta e papel;
telas e pichéis
tudo se revira
e vira verso

Da estrofe
vem o ato
da crase o beijo
da elisão o contato
da rima o gemido
da tonicidade o ritmo
em movimento...

A sonoridade vem
em nos hictos
pausa e hiatos
nas mãos que passeiam
escansão silábica
no tremer de veias
não tão poéticas
mas cheias de sangue
numa trama orgástica
de suor e lágrimas
Decassílabos heróicos
de um ser Sáfico
nos jogos eróticos

Oferenda Santa

Susana Mendes



Vem mais perto amor meu,
Chega mansinho
pois é dada a hora de
fazer amor.
Longa é a espera
até esta noite
pra sentir teu corpo
e sobre o meu
num deslizar de carícias
mesclarmos nossas águas quentes.
Na ardência desta entrega,
Te faço perceber em meu olhar
todo o meu fascínio,
e a minha grande paixão por ti...
Terás os meus longos cabelos,
negros fios de seda,
a escorrer-te ao peito nu.
Os lábios... ahh..
De um vermelho intenso carmim,
já entre-abertos,
numa oferenda santa..
Os olhos, qual estrelas,
a cintilarem,
denunciando só delírios,
quando então numa louca carícia,
entre tuas pernas másculas terei
dentro de minhas mãos aflitas,
o fogo que queima,
e a este meu desejo insano
dará eterna delícia.
Doi no peito
esta vontade de amar-te
Alucina-me a tua bela imagem.
Vir pra você...
ahhh..
Este meu corpo que arde,
Posso eu tão somente ter-te assim,
Sob esta saudade,
e ...
Esperar-te
que unem autor e leitor...


Por volta de 1550, surgem vários gêneros literários até então desconhecidos: o romance pastoril, do português Jorge de Montemayor; o romance mourisco, representado pelo relato anônimo El abencerraje (1598) e o romance picaresco, subgênero que apresenta uma rica produção, na qual destacam-se três obras: o anônimo El lazarillo de Tormes (1554), El Guzmán de Alfarache, de Mateo Alemán, e a História de la vida de Buscón, de Francisco de Quevedo. Em contraste a esta visão deformada da natureza humana, a obra de Miguel de Cervantes apresenta uma imagem completa da humanidade, refletindo tanto sua grandeza como sua debilidade.

Rota das Gaivotas

 

No encontro das palavras com meus rios,
as águas brincam versos transbordados,
colhidos das memórias de riachos,
bordados por clarões azuis sombrios.

Dormindo as pororocas nos estrados
das telas chuviscadas por fastios,
sigo pichando os brancos arredios,
pra descansar meus contos desgastados.

Nas pontas de soneto e galhas mortas,
surfo na onda azul da solidão,
buscando a nova praia da ilusão...

O sonho segue a rota das gaivotas,
no céu de abril que abre as suas portas
ao mar de sal e areias da paixão.

© Nathan de Castro

Amor virtual!

Fruta no prato
Fatia de manga
Sabor de magia
Fome real
Açucar no sangue
Imagens projetadas
Da ponta dos dedos
Para o fundo dos olhos!

assis
carlos assis

A influência de Don Quixote de la Mancha estende-se ao longo dos séculos. Outras obras de Cervantes também ganharam importância: os 12 relatos que compõem as Novelas Exemplares (1613) têm uma grande força narrativa e sua imaginativa novela Los Trabajos de Persiles e Segismunda (1619) é uma das obras-primas da prosa barroca espanhola.

Ah, Olhos meus!...

Celito Medeiros


Que felicidade a minha
matando a saudade
que nunca me matou...

Que sutileza eu sinto
vendo tanta beleza
que ainda restou...

Que velhos pagos
que tudo pago
e nada apago!!!

Que corpo ainda forte
dane-se a tal morte
a vida é minha sorte.

Ah, meus olhos!...
Que a tudo vejo,
a tudo percebo.

Quem bom ter sido gente
um pouco mais que apenas prudente
nem só contestador, contesto a dor!

Mas, a ninguém detesto
por ter muito
Amor.

As obras não narrativas representam alguns dos principais êxitos do século XVII: Empresas políticas (1640), de Diego de Saavedra Fajardo, a sátira Los sueños (1627), de Quevedo, e o romance alegórico El Criticón (1651-1657), de Baltasar Gracián, empregam o estilo denominado conceptismo (estilo literário que utiliza o jogo de conceitos, em detrimento do jogo de palavras, e se caracteriza pela concisão).

 FLORAL


         uma pétala

         tão somente

         uma pétala

                   me transubstancializa
          
                   me transcendentaliza

                   me metamorfoseia

                                   uma pétala...


Otávio Coral

Uma das figuras mais importantes é Francisco de Quevedo, cujos brilhantes escritos analisam males políticos, econômicos e sociais. Depois do declínio geral sofrido pelo país durante o século XVII, o único escritor de autêntico mérito, durante a primeira metade do século XVIII, foi Benito Jerónimo Feijoo.

Negativa

 

Cosmo Palasio de Moraes Jr.

 

 

Não me fale de amor

É tarde demais

Para as coisas da alma.

 

Guarda-me

no entanto

Dentro do carinho

Que tocando a pele

Pode acordar as pessoas

Para a vida.

 

Cante uma música

Que chegando aos ouvidos

Pode me levar a lugares

Onde eu sabia

O que era amar.

 

Declame baixinho

Quase que sussurrando

Um poema

 mesmo que velho

Mas que capaz seja

De fazer

com que me encante.

 

Me chame de namorado

Não quero mais ser amante

Tenho vontade de ser príncipe

E morrer como herói

De uma causa perdida

Como todos os grandes amores

Morreram um dia.

OS SÉCULOS XVIII E XIX  Durante o reinado do iluminista Carlos III, a influência francesa conduz à adoção de formas artísticas neoclássicas, introduzidas por Nicolás Fernández de Moratín e, mais tarde, por seu filho Leandro Fernández de Moratín acompanhado por Gaspar Melchor de Jovellanos e Juan Meléndez Valdés. José de Cadalso destaca-se tanto por sua poesia e obra dramática como por seus ensaios. Don Ramón de la Cruz continua a tradição com seus sainetes, peças em um ato de caráter popular.

ESPEJO...
             _Plínio Sgarbi


IMÁGENES
REFLEJOS
AVISO DE INSTANTES

ERRORES 

DEFECTOS
COMPLEJOS
O EL PERFECTO DISTANTE
ARCHIVOS OCULTOS
CAPSULA POROSA
VACÍO
ESPACIO
MATERIA
UNA MIRADA DE VUELTA
VERSE POR DENTRO
MUNDO CONFUSO
ARTERIA
PERFECTAS
ESPEJO
PORTAL
VENTANA
REFLEJOS DE VANIDADES
RECUERDOS 

NOSTALGIAS
PROCURAR

BUSCAR
CONSIDERAR 

EN QUE SE CORRIJA
EN LA CONCIENCIA
DESHACER DE LAS SOMBRAS
PERMITIR FLUIR EL BRILLO
LA LUZ

LA VERDAD INTERIRO
RESCATAR LAS FRANQUEZAS
IDENTIDAD

LA ENORME AVENTURA
DE VIVIRSE

CON EL GUSTO DE LA LIBERTAD

Os melhores poetas do primeiro terço do século XIX, como Manuel José Quintana, expressam atitudes românticas em obras de forma clássica. O romantismo foi introduzido e cultivado por Ángel de Saavedra, duque de Rivas, pelo poeta e dramaturgo José Zorrilla, por José de Espronceda e Gustavo Adolfo Bécquer que, possivelmente, compôs os poemas mais delicados da língua espanhola. A prosa romântica de maior qualidade encontra-se nos escritos dos costumbristas (narrador de costumes) e nos artigos de Mariano José de Larra.

     

A segunda metade do século XIX foi a época do realismo, que alcança seu máximo esplendor com a obra de Benito Pérez Galdós. Outros romancistas descrevem a vida em diversas regiões espanholas: José María de Pereda, Pedro Antonio de Alarcón, Juan Valera e Emilia Pardo Bazán.

Durante a última década do século XIX, a Espanha entra numa fase de inusitada atividade criadora com a Geração de 98, que inclui figuras tão díspares como Miguel de Unamuno, Ramón del Valle-Inclán e Pío Baroja.

Silêncio
          Jane Lagares
 
O silêncio grita em meu momento,
quero inventar barulhos ,
fazer excursões,
incursões.
Mas insiste,
dilacera,
penetra.
Passeia em meu corpo e pensamento,
mente que vai passar e continua.
Cria imagens, reais e distantes.
Busca o perdido,
aquilo que não mais quero.
Baralha silenciosamente,
no eu comigo.

O SÉCULO XX  O vigor literário que brota em 1898, arrefeceu no período que envolve a Guerra Civil Espanhola. No entanto, recuperou seu vigor depois da II Guerra Mundial (ver Literatura de exílio).

Destacados escritores do início do século são Juan Ramón Jiménez, José Ortega y Gasset, Ramón Pérez de Ayala, Ramón Gómez de la Serna — autor de As Greguerías — e o maior expoente do expressionismo na Espanha, Gabriel Miró.

Nas décadas de 1920 e 1930 floresce a Geração de 27, com Federico García Lorca como máximo expoente. Outros poetas destacados desta geração foram Jorge Guillén, Rafael Alberti e Vicente Aleixandre, que obteve o Prêmio Nobel de Literatura em 1977. Ao grupo que, em algumas ocasiões, faz-se referência como Geração de 36 pertencem Germán Bleiberg, Carmen Conde, Luis Felipe Vivanco, Leopoldo Panero, Luis Rosales, Dionisio Ridruejo e Miguel Hernández.

Nove poetas dominam a geração seguinte: Rafael Morales, Vicente Gaos, Carlos Bousoño, Blas de Otero, Gabriel Celaya, Victoriano Crémer, José Hierro, Eugenio de Nora e José María Valverde. Na poesia atual destacam-se José Manuel Caballero Bonald, Ángel Crespo, Jaime Gil de Biedma, Claudio Rodríguez e Félix Grande. Nos últimos anos surgiram Félix de Azúa, Pere Gimferrer, Antonio Martínez Sarrión e Leopoldo María Panero, entre outros.

O romance é o gênero mais próspero na literatura contemporânea, com autores como Max Aub, Francisco Ayala — que se destaca como crítico e sociólogo, além de romancista —, Carmen Laforet e Camilo José Cela, Prêmio Nobel de Literatura em 1989.

Brinde

Lágrimas de felicidade
Rolam  em minha face
Um sorriso brota nos meus olhos
Há poesia do ar.
Brindo de alegria o nosso encontro
Deixo o corpo falar
Expressar  as cores
Os sabores do  amor
Que mansamente  invade
E faz seu ninho
Na infância do meu coração.

Roberto Passos do Amaral Pereira.

Uma variante mais tradicional do Realismo aparece representada nas obras de Ignacio Agustí, José María Gironella, Miguel Delibes, Ana María Matute, Rafael Sánchez Ferlosio, Juan Goytisolo e Ramón J. Sender. Entre os autores mais importantes da narrativa atual é preciso citar Alfonso Grosso, Juan Marsé, Juan García Hortelano, Mercedes Salisachs, Eduardo Mendoza, Aquilino Duque, Lourdes Ortiz, Luis Mateo Díez, Julián Ríos, Mariano Antolín Rato, Adelaida García Morales, Arturo Pérez-Reverte, Almudena Grandes, Quim Monzó e Rafael Chirbes.

No ensaio destacam-se Julián Marías, Américo Castro, Dámaso Alonso e Joaquín Casalduero. Entre eminentes ensaístas contemporâneos encontram-se José Gaos, Pedro Laín Entralgo, José Ferrater Mora, María Zambrano, José Luis L. Aranguren, Francisco Ayala, Guillermo Díaz Plaja, Ricardo Gullón e Guillermo de Torre

...de muitas cabeças cortadas. De Espanha que chora Guernica, Picasso
e Dalí quanta vida escapou de cá - ! - sonhar de mouros e ...

 

"Como posso querer que meus amigos entendam as coisas loucas que passam pela minha cabeça, se eu mesmo, não entendo?"
http://geocities.yahoo.com.br/tetraides/Home/home.html
Salvador Dali

AlbertiA 28/10/99 faleceu, com 96 anos, um dos maiores poetas da Espanha do século XX: Rafael Alberti. Símbolo da luta contra o exército de Franco, além de poeta foi pintor, dramaturgo, político, historiador...

O seu nome está ligado a um dos grupos musicais espanhóis mais internacionalmente conhecidos (já lá vão uns anitos): os Aguaviva, que musicaram alguns poemas de Alberti -- Creemos el hombre nuevo, por exemplo. Ou o seu trecho musical (talvez) mais ouvido: Poetas andaluces, que o Retiro oferece, também em formato mp3 (à volta de 2MB).

 

 
 
       Juiz de Fora,27de abril de2003
                                                      MariaTherezaNeves

Música: Sonata

 
Aconteceu|poetas|especiais|busca interna|livro de visitas|e-mail|home 
 


Para receber nosso
Boletim de Atualizações
cadastre AQUI o seu e-mail


Envie esta página
para alguém especial