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&

 Affonso Romano de Sant'Ana

Affonso Romano de Sant'Anna, filho de Capitão da Polícia Militar de Belo Horizonte, Jorge Firmino de Sant'Anna e de D. Maria Romano de Sant'Anna, nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 27 de março de 1937, mas foi criado em Juiz de Fora, a "Manchester" mineira. Vindo de uma infância de menino pobre, pagou seus estudos de primário e ginásio, em Juiz de Fora, carregando marmitas, trouxas de roupas para lavadeiras, vendendo papel e balas no cinema. De bicicleta, vendia seus produtos de armazém em armazém; enquanto esperava ser atendido, lia os livros que conseguia nas bibliotecas do SESI e do SAPS. Filho de pais protestantes, foi criado para a igreja. Aos 17 anos chegou a pregar o evangelho em várias cidades de Minas Gerais. Através desse convívio com os crentes, entrou no universo dos pobres, fazendo culto e pregando em favelas, hospitais e cadeias. Sentado desde pequeno em bancos de igreja ouvindo a Bíblia, os sermões, absorveu uma batida profundamente poética, que acabou entrando em seus textos, dando-lhes um tom bíblico. 

Nenhum Elo.
Delasnieve Daspet
Um dia a certeza da solidão.
Nem amigos; nem  parentes, ou um amor.
Mas preciso falar, por isso escrevo,
e escrevendo, condeno-me mais e mais
à sozinhes, pois permaneço apenas espírito.
 
Escrevendo eu conto a minha fala,
não importa que ninguém ouça ou leia,
pois sou eu mesma quem precisa
ouvir, falar e compreender.
 
Ouvindo, falando, compreendendo
liberto-me dos costumes arraigados,
de hábitos desnecessários
que me tolhem o viver e o repensar.
 
Quebro-me contando o tempo que resta,
pensando na hora da partida...
Alguém chorará?
Alguém sentirá falta?
 
Como o botão de rosa arrancada
de sua haste partirei como cheguei -
sem deixar nenhum elo,
nenhum sopro de esperança....
Feneço  como a cigarra, cantei,
alimentei sonhos, ri e fiz rir,
palhaça de ilusões!

Cursou a faculdade de Letras de Belo Horizonte e trabalhou em Bancos e em Jornais para custear seus estudos universitários. Em 1956 coordenou movimentos de Vanguarda e no ano seguinte, engajou-se numa experiência diferente, o "Madrigal Renascentista", onde usou sua bela voz de barítono, regida por Isaac Karabtchevsky. No ano de 1962 lançou seu primeiro livro, o ensaio "O Desemprego da Poesia" colocando nele seu desencanto sobre a atuação do poeta de hoje, que não possui a força dos poetas do século XIX. Nesse ensaio analisou o desencontro do poeta no seu tempo e sua frustração pessoal. O poeta era tido como um ser boêmio, romântico, fora de época.

DOS BEIJOS

Fernando Tanajura Menezes


O beijo feriu minha boca,
O beijo foi puro desejo
Desejo outro beijo, desejo
Eu quero uma vida bem louca

Se é beijo de Judas, traição
Se é beijo de mãe, é amor
Se é beijo de morte, certo é dor
Um beijo de bem, coração

O beijo do adeus é saudade
Se chega, é um beijo, alegria,
Transforma a tristeza, magia,
Devolve a felicidade

O beijo rasgou minha vida
O beijo disse tudo que vejo
Faísca explodiu num lampejo,
Saudade foi logo vencida

Um resto de beijo deslumbra
Na boca uma doce secura
E fica a imagem mais pura
Do beijo dado em penumbra

Não quero um beijo de espanto,
Eu quero é um beijo ardente
Que deixe minha mente dormente
Que deixe na vida um encanto

Eu quero o beijo que embaça
E o corpo assim desfaleça
Por mais que não me obedeça,
E a minha paixão satisfaça

(1943)

(in Dos Beijos- Editora Blocos

Marcá/RJ- 1999 )

http://www.usinadeletras.com.br/exibelotextoautor.phtml?user=tanajura
***********

Bateu-me uma saudade da poesia

rolando pedras soltas nas encostas
do peito que conserva sob as crostas
uns versos recolhidos da sangria.
 
No espaço destinado às frases tortas,
um rego d’água fresca, e a ventania,
levam as folhas secas na folia
da vida de poeira e galhas mortas.
 
Bateu-me uma alegria azul de nuvens
no olhar dos meus mirantes indeléveis,
que teimam em voar nas intempéries...
 
Sonetos de asas brancas e viagens,
reescrevendo o sonho e as vertigens,
volvendo-me as paixões inexplicáveis.

  ©  Nathan de Castro

******************

Bela
 
Tarso Mady

Tu és bela,

muito bela, amada minha...

Não como a tão cantada lua

que se expõe, já toda nua,

para qualquer meio-olhar,

mas como a noite estrelada

tímida e tão sedutora,

que somente se revela

pouco-e-pouco,

paulatina,

para  quem nela atentar,

e, quanto mais só estiver,

mais se dá a revelar,

mostrando impensados segredos

e brilho jamais suspeitado

mais profundo e mais intenso

quanto mais eu me dedico

ao prazer de a contemplar,

sendo cada vez mais minha

quanto mais disposto eu

estiver a me entregar.

Sim, és bela, amada minha,

fascinantemente linda,

mais que ouso eu sonhar!


Em 1965, nasceu sua primeira filha, Fabiana. Casou-se em 1971 com Marina Colasanti, escritora e jornalista, sua melhor crítica e também sua inspiradora em diversos poemas. No mesmo ano lança seu primeiro livro de poesias "Canto e Palavra". Após dois anos lecionando Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia, volta ao Brasil,trabalha no Jornal do Brasil e retorna logo depois aos Estados Unidos como bolsista do International Writing Program, na Cidade de Iowa. Apresenta em 1969 sua tese de doutorado "Carlos Drumond de Andrade, o Poeta "Gauche", no Tempo e Espaço." que viria a ser publicado em 1972 e que lhe garantiu os quatro prêmios mais importantes no universo literário brasileiro.

 

Angústia
 
Maria Petronilho
 
Por vezes
sinto mesmo
a presença física
das lianas à minha volta
(estou sozinha na selva
mas própria selva me prende).
Sinto-as apertar-me o peito,
os braços e o pescoço.
Sufocar-me.
Em vão agito
os braços nus.
Em vão estendo
as mãos abertas
e ligadas.
Em vão grito.
Em vão espero.
 
Eu bem sei
que o único remédio
era mergulhar
num banho de morte
e voltar recém-nascida
 
******************
 
Quem é este homem?
 
Angela Lara
 
Quem é este homem
Que me acendeu a chama,
Que me acordou pra vida
E que diz me amar?

Quem é este homem
Que mexe comigo,
Que me põe em perigo
E que me faz sonhar?

Quem é este homem
Que me devolve aos poucos,
A vontade de viver
E de acreditar?

Quem é este homem
Que me acorda do sono,
Que passeia em meu corpo
Sem poder me tocar?

Quem é este homem
Que me molha inteira,
Que me rouba os sentidos
E tenta se aproximar?

Quem é este homem
Que me amortece os sentimentos,
Que me olha na alma
E me faz enternecer???

Nasce em 1972 sua segunda filha, Alessandra. No Rio de Janeiro, lecionou na PUC e na UFRJ. Durante 1973 e 76 dirigiu o Departamento de Letras e Artes da PUC/RJ. Lança seu segundo livro de poesias "Poesia sobre Poesia". Para a Pós-Graduação em Letras, realizada em 1976 na PUC/RJ, trouxe Conferencistas Internacionais, entre os quais Michel Foucault, sociólogo francês. Houve grande repercussão da visita de Foucault ao país, que se encontrava em pleno regime ditatorial. Em 1977, os Estados Unidos tornam a convocá-lo para lecionar Literatura Brasileira na Universidade do Texas. Em 1978, torna-se professor de Literatura na Universidade de Colônia, na Alemanha. Lança em 1980 o livro de poesias "Que país é este?" , cujo poema título foi publicado com destaque pelo Jornal do Brasil. Em 1981/1982, foi para a França lecionar como professor visitante em Aix-en-Provence. 

A VIDA SIMPLES DAS FAVELAS
Isabel Benedito dos Santos
 
 
E entre olhares verticais e confusos
Vê-se a estrutura desalinhada das favelas.
A multidão anônima que vive a vida
No ponto mais alto
E mais nítido ao preconceito e
Marginalização !
Área de risco total.
Todos são subjugados
Ao poder duplo ;
Dos traficantes e, ao dos governantes !
Trocas de tiros e assassinatos
São fatores do dia-a-dia !
A violência é assistida ao vivo,
Derramando corpos até a parte baixa.
Falar em guerra nas favelas
É como comer o pão de cada dia:
Normal !
A cada amanhecer
O noticiário é sempre o número de mortos...
Não precisamos ir tão longe para
Assistirmos a guerra
Ela faz-se presente em nós !
Mas relatar número de mortos
Em favelas, não dá audiência !
Esta realidade , geralmente,
Não é relatada, nem contestada
Apenas, marginalizada !
E, mesmo assim, estas pessoas não desistem
Sobrevivem sem nenhuma proteção.
Sem que os olhos da justiça
Se abram para elas.
O único motivo que ainda as anima
É a alegria de estarem perto do céu,
De Deus...
E terem a mesma visão
Que os ricos têm !
A natureza que é absoluta,
Para ricos e pobres !
E numa oração única
Este povo pede por um milagre,
Por dias melhores...
Sem guerras, sem injustiças ou preconceitos.
Mas, por um amanhecer sem corpos mutilados,
Por seus filhos sem armas nas mãos!
Por coisas tão essenciais
Que há tempos esquecemos...
O simples sonho
De poder deitar e levantar
E , ao abrir a porta e ver
Flores nos jardins
Só flores !
Este é o único sonho
Que almejam nossos irmãos
Que choram e rezam
Dia e noite
Nas favelas !
***************

Muitos amores
 
Myriam Peres

Amores existem muitos

Amores de todas as idades

São todos abençoados

Todos estão guardados

Na nossa recordação

Na nossa imaginação

Alicerces do coração...

 

Temos o amor profundo

Temos também o ligeiro

E o que já está moribundo

Querendo sumir do mundo

Temos também o amor brejeiro

Temos o amor tão pequenino

E o que leva a vida maneiro...

 

Amores de qualquer tipo

Amores até o infinito

Aqueles que são tão bonitos

Que cativam na emoção

Que confundem a razão

Que iluminam o coração...

 

Há amores em profusão

Amores de arrastão

São tantos que nem sei mais

Como dizer de verdade

Só vejo é muita emoção

De amores samba-canção...

 

Temos o amor maduro

Aquele que diz seguro

Que é o amor verdadeiro

Temos o que diz primeiro

Que na vida tudo passa

Passa que nem fumaça

Num vem-vai ligeiro...

 

Temos o amor falsidade

Aquele que é só maldade

São os amores fortuitos

São banais, são papeluchos

Que enganam só pra valer

Que só nos fazem padecer

Chorando endoidecer...

 

Temos o amor vingativo

Que vem nos atormentar

Que está só para usar

Querendo só maltratar

Amando só pra vingar

O que deixaram escapar...

 

Temos o amor safado

Aquele endiabrado

 Que corrompe a ilusão

É o amor bem temperado

É o que é desesperado

Amor em ebulição

Amor com sofreguidão...

 

Há o amor  vaselina

É o amor fala fina

Amor de embromação

É um amor traiçoeiro

Que não é amor verdadeiro

Que ruge que nem leão

Que engambela o coração...

 

Temos por fim o bonança

O amor de uma criança

De balbucios ligeiros

Que chama os companheiros

Pra felizes brincadeiras

Que durem a vida inteira...


Desde 1984, escreve, no Jornal do Brasil, coluna anteriormente escrita por Carlos Drummond de Andrade. O jornal teve uma iniciativa pioneira e insólita: publicar seus poemas na página de política, e não no suplemento literário. Diversas vezes seus poemas, sempre voltados para a realidade política brasileira, foram publicados em páginas inteiras. Foi um acontecimento sócio literário, de grande repercussão. Essa iniciativa do Jornal do Brasil de publicar seus poemas na página de política, fez com que mudasse seu conceito sobre o próprio emprego do poeta na sociedade. Percebeu mais claramente que a função do poeta está vinculada, primeiramente, ao fato de que ele precisa ter uma linguagem eficiente, ter domínio de todas as técnicas, falar sobre assuntos que interessem às pessoas em geral, sem narcisismo nem subjetivismo, e encontrar um veículo eficiente para projetar o seu trabalho, no caso o jornal. Considera o livro ainda muito elitista, sofisticado, de acesso impossível às camadas mais pobres de nossa sociedade. Saber que seus poemas, como:
"A Implosão da Mentira","Que país é este?" e "Sobre a atual vergonha de ser Brasileiro" , estavam sendo lidos nas casas, nas praias, nos clubes, por mais de um milhão de pessoas, em muito o gratificou e o ensinou que os poetas têm que re-achar o seu lugar existencial e estético dentro da sociedade. 

Série acrósticos 003
 
Poetisas de Minas
 
Poetisas de Minas quando escrevem atravessam
O mar que, se não existe no real, elas mesmas criam
E sendo criação fazem dele casa conhecida.
Têm um lirismo que se expande além do Grande,
Imaginação que nasce na Canastra e segue o leito
Singrando de Sul a Norte e cruza o Jequitinhonha
Aplainando com poesia e letras o dolorido peito
Sofrido de quem está longe das riquezas da capital
 
Dominam o dom da escrita e fazem deste seu canto
Explicação da beleza de Minas e um dos encantos
 
Mas além de poetisas são todas elas mulheres
Imbuídas de seu papel grandioso na vida humana
Não são aí só poetisas de Minas, mas de todo o País
A nos ensinar com cada vitória cotidiana e mostrar
Suas graças nos versos e suas mãos como exemplo
 
Francisco Libânio
*********
GirasSOL sempre SOL
 
 
Agora
Tudo é
Nada
Para sempre e
Nada é
Tudo
O que se tem e
O que se é
para sempre
Agora.
 
Mas, ainda
e assim,
  Agora,
também,  se
pode e deve
fazer como um
GIRASSOL.
que  SEMPRE
se ergue e
olha para o
SOL.
 
(Lourdinha Biagioni 11/04/03)
********
Eu e você
JAZINHA
 

Molho o lábio sensualmente no seu
Me torno desinibida
Você provocante
Eu insinuante
A febre interminente
A umidade de púbis
O aroma
O nosso sabor
Sinto você cultivar o prazer
Somos íntimos...cúmplices
Corpo e alma
Entrelaçados
Me incendeias
Em cada palavra uma ânsia
Temos o dom do mistério
O extremo prazer
Somos só emoção
Sou fada cálida e ávida
Serenamente te acolho
E dançamos entre
Delírios e delícias
Um só corpo
Uma só alma
Eu e você
Publica pela Editora Rocco seu primeiro livro de crônica "A Mulher Madura", em 1986. Em março do ano seguinte participou do Congresso "Les Belles Etrangères", onde foram reunidos dezenove escritores brasileiros em Paris e no mesmo ano publica com sua esposa a antologia "O Imaginário a Dois". Em 89 participou do "IV Encontro de Poetas do Mundo Latino", realizado no México. Em 1990, foi nomeado Presidente da Fundação Biblioteca Nacional, defrontou-se, na prática, com sua própria frase a respeito do país: "Nós estamos muito à frente, mas estamos ainda muito atrás de nós mesmos". Cronista do jornal "O Globo", teve também participação em programas na TV Globo onde criou um novo gênero, algo entre a literatura e o jornalismo. Durante a Copa do Mundo, a TV Globo encomendou-lhe dez textos sobre os jogos, que deveriam ser escritos num espaço de duas horas, ligados à imagem e inteligíveis pelo país inteiro. O mesmo aconteceu com relação à Fórmula I. Também, nesse mesmo gênero, escreveria um poema por ocasião da morte do Presidente Tancredo Neves. Na sua opinião, a televisão, ao contrário do que muitos dizem, não veio para acabar com a literatura. É um veículo moderno e eficiente de promoção da literatura. Foi Presidente da Fundação Biblioteca Nacional de 1990 a 1996. Ganhou o Prêmio Especial de Marketing - concedido pela Associação Brasileira de Marketing, pelo trabalho realizado na Biblioteca Nacional. Atualmente escreve colunas aos sábados para o JornalO Globo aos sábados e domingo no suplemento "Em cultura" do Jornal Estado de Minas.
 

BEIJO BEIJADO

 

como se não bastassem

agruras um mil dias...

ainda se fazem presentes

beijos e mais beijos.

ternos fraternos lembrados...

só sei se mostram chegados.

não importa a origem

se apenas siga em frente...

beijo é complicado.

quando inventa de escorregar...

como disfarçar-lhe as vontades?

ah esse simples carinho

nem sempre retorna

assim de jeito enviado...

não precisa se vir sempre

mas que se venha sincero

pronto pra ser sentido

como beijo beijado.

seja o danado resposta

escrito de leve  até tímido

mas que em se chegando

não se faça sentir distante...

 

LianeNiremberg

***********

Procuro o desabrochar da rocha-em-flor
de maciça-transpor

nalgum foco amolecido
deste meu corpo hirto

nalgum botão vaporoso
deste meu espírito sólido-decomposto.


Lina Carol.

 

************

O QUE SOMOS?

Josemir Tadeu.
 
Quem sou?
Quem és?
Qual a corrente.
que cerceia nossos passos?
Dementes,
ou sonhadores?
Covardes,
ou dissimuladores?
 
Se és.
Também sou.
Estamos.
Estagnamos.
Estancamos.
 
Medo ou ânsia?
Distância?
Talvez projetos.
Ou objetos?
Abjetos?
Não,
apenas uma esperança,
que não se cumpriu.
 
Josemir  (ao longo...)

Poesias

ainda mais bêbado
        Plínio Sgarbi
 
parece ainda tão perto
aquele ontem situação
era só o samba que descia o morro
coragem em peito aberto
no disfarce medida na avenida
desfilava seu enredo protesto
abrindo alas à liberdade de expressão
 
eu tinha um fusca e um violão
na marmita do aflito peão
tinha ovo frito, arroz e feijão
o Jorge tinha uma nega chamada Tereza
e com cuidado e esperteza
o Chico fazia sua construção
 
dos parágrafos do AI-5
tanta gente no rol
nos abrigos, telhado de zinco
rolavam sexo, droga e rock and roll
 
outros fugiram do batente
da mesada do pai
seguiram na viagem
opção estudar, protestar
um político vertente
nas passeatas paisagens  
profissão vadiar
nas barganhas de vantagens 
 
outros sistemas hoje cravados na tez
outras marias e clarices choram
por tanta gente que partiu
aqueles em que ser livres fingem
nas mãos o tremor, AR-15
tingem o caminhar de tantos pés
 
já não sigo a mesma canção
ainda mais bêbado no alto do viaduto
procuro aqueles que trajavam luto
para referenciarmos juntos a nação
a morte do irmão doentio
que sonhou por um Brasil
*********
 ATENTO


         ouvir o canto
         que vem de longe
         que advém de quando

         apurar o ouvido
         para não perder o caminho
         do som do pensamento
         do melífluo encantamento  
         que vem de lá, bem de trás...


Otávio Coral

*********************


    (Helena Armond)

    língua
    lambe
    lábios
    cantam
    mantra
    se
    repete
    em
    dança
    se
    repete
    a
    dança
    se
    repete
    a
    a dança
    em
    chamas
    línguas
    lambem
    cantam
    mantras
    a
    dança
    do
    fogo
    de
    RAVEL
    É MANTRA

    **********
    Parem! Pensem!
     
    Parem !
    Pensem !
     
    nas mãos calejadas  que tocaram a terra
     
    floresceram cores
    plantaram  esperança !
    Parem !
    Pensem !
    Nas Raízes  que escavaram  
     f
               u
                          n
                                    d
                                              o
    Nas  4 estações
    so-pran-do ventos
    sorrindo sois
    Enfeitando pomares
    de-sa-bro-chan-do  Primaveras !
     
    Parem !
    Pensem !
     

    replantem

    refloresçam o planeta
    esqueçam as guerras
    paralisem o medo
     
    arrisquem no sonho
    na PAZ-Esperança!
    na terra-coração
    no HomemEmoção!
     
    JF/11/04/2003
    MariaTherezaNeves

     Arte-final

        Não basta um grande amor
                       para fazer poemas.
        E o amor dos artistas, não se enganem,
        não é mais belo
                       que o amor da gente.

        O grande amante é aquele que silente
        se aplica a escrever com o corpo
        o que seu corpo deseja e sente.

        Uma coisa é a letra,
        e outra o ato,

                             ­ quem toma uma por outra
                                confunde e mente.

    • Affonso Romano de Sant'Ana
 
 
Juiz de Fora,  12  de abril de 2003
Maria Thereza Neves / TT:)

Música: Sonata

 

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