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Ferreira Gullar
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Ferreira Gullar é o pseudônimo de José Ribamar
Ferreira. Nasceu em São Luiz do Maranhão em 10 de setembro 1930. Aos vinte
e um anos já premiado em um concurso de poesias promovido pelo "Jornal de
Letras", e tendo publicado um livro de poemas - Um pouco acima do chão (1949) -, transferiu-se para o Rio de
Janeiro.
Opostos Sentires Não foram fantasias a sonharem alegrias constantes Nem os frágeis momentos brisando suaves carências Não foi a verdade encabulada num misto confusa realidade Nem as palavras distantes afastando o instante Foram opostos sentires brincadeira do acaso Pois de tudo nem mesmo lembranças somente descaso LianeNiremberg
COEFICIENTE
Elane Tomich
Um hoje tão evidente!...
O dia escandalosamente
Guarda em si tudo e nada!
Há muita dor confinada
Há muita vida assustada
No espaço redondo do dia
E a gente sem saber de nada
Do que o querer desafia.
Existe um existir com pressa
Um outro bem devagar
Que em vida igual, tropeça.
realidade
líria porto
a vida não é o sonho
catar estrelas no céu
pendurar nos olhos a lua
voar tal qual colibri
chorar lágrimas de cristal
fazer delas um colar
sair por aí...
a vida não é assim
ela arrebata-nos os sonhos
coloca-nos aquelas barreiras
e nas corredeiras da vida
perdemos-nos...
o meu amor tão bonito
trazia-me flores e beijos
palavras som passarinho
e num instante
sem que eu pudesse retê-lo
voou pra longe...
a vida é a vida...
6 Sete poemas portuguesesCalco sob os pés sórdidos o mito que os céus segura - e sobre um caos me assento. Piso a manhã caida no cimento como flor violentada. Anjo maldito, (pretendi devassar o nascimento da terrível magia) agora hesito, e queimo- e tudo é o desnoronamento do mistério que sofro e necessito. Hesito, é certo, mas aguardo o assombro com que verei descer dos céus remotos o raio que me fenderá no ombro. Vinda a paz, rosa-após dos terremotos, eu mesmo juntarei a estrela ou a pedra que de mim reste sob os meus escombros. Ferreira Gullar Imaginação... Somente no esquecimento Consigo te encontrar Na procura, no achar Nas palavras soltas ao vento Choradas neste lamento De um obscuro pensar...
Na amplidão das parreiras Transformaste uva em vinho Rutilante, sangue, espinho Na sedução dos desejos Na boca cheia de beijos...
Num passado , na distância Cascalhos, pedras deslizantes Surges sempre a seduzir Seqüelas de amor e dor Enredos que estão por vir...
Imagens de solidão Fragmentos de paixão Rajadas rápidas, rasteiras Fortuitos ares de aparição Semblantes de pura ilusão...
Já não me estremeço ao passares Fustigo todos meus cantares Nas lembranças de outrora Procuro enxergar os vestígios Das tuas passadas agora...
Ah! Sublime obsessão que vagueia Que resvala, que entremeia Num mundo que se acabou Retalhos, trapos, farrapos Da vida que não restou...
Se achares o tal caminho Se te encontrares sozinho Pensa nas poeiras passadas Nos atalhos, nas encruzilhadas Nos passos feridos de espinhos...
Rápidos flashes fragmentados Sibilantes, vagos, errantes Tortuosos patamares Procura os teus achares Nos rescaldos dos semblantes...
Myriam Peres momentos Plínio Sgarbi flagrantes vividos me lembrou sentimentos adormecidos sobe a cortina de um tempo que julgava acabou sob o ponto de vista de nossos olhares distantes nos encontramos e enxergamos que não há diferenças no fundo só existe a pureza de nossas almas que deixamos só a ternura falar a essência do estar que se manifesta na beleza existente em nossos momentos e é só o que importa e o tudo se transborda sobre a passarela de nossas verdadeiras intenções desfilam suavemente o nosso amor o nosso tocar trocar, carinho sentimentos perfume de um compasso que aquece e acontece no calor de nossos verões Anjo do Sol faz o barulho lá fora ser encoberto pelo som do pulsar de nossos corações e então por sugestiva razões criam raízes conscientes resistentes que por debaixo das sombras da ausência escondemos a aflição de nossos solitários outonos o triste frio da situação que por ora nos separou e por cima de nossas certezas e por tantas e todas as vezes que o destino deixar Minha Paixão temperamos o clima desse nosso ilimitado clímax momentos ancorados na plenitude do amor
Em Teus Braços
Delasnieve Daspet
Me chega perfeita a lembrança:
estavas em roupa de festa,
valsando ao luar.
E me descubro
rememorando cada
acorde da valsa que dançamos.
Éramos nós a rodar pelo salão,
e nos sonhos que não voltam,
lembro momentos junto
de ti.
Em teus braços,
amei as mãos que acariciavam
sob a fina seda;
amei os olhos que olhavam
dentro dos meus;
amei os lábios que beijavam
com suavidade.
Em teus braços,
amei o som de tua
voz que dava paz;
amei teus gestos que
me enlevavam;
amei teu sorriso que refletia
o meu.
Em teus braços,
amei-te todo.
Porque sabias e soubestes me
amar.
Amei-te como amo a mim mesma,
integralmente, sem reservas.
Em teus braços,
amei-te com a mesma
dança louca
da cavalgada que embriaga e
assusta,
que derruba sem vencidos ou
vencedores.
Em teus braços,
fêmea sensual, sou -fui toda
cheiro,
pêlos, menina-mulher, amor e
prazer!
Ferreira Gullar (1930)FilhosDaqui escutei quando eles chegaram rindo e correndo entraram na sala e logo invadiram também o escritório (onde eu trabalhava) num alvoroço e rindo e correndo se foram com sua alegria se foram Só então me perguntei por que não lhes dera maior atenção se há tantos e tantos anos não os via crianças já que agora estão os três com mais de trinta anos.
Oh, meu poeta!
Fases 413 - ABRAZO E LÁ VOU EU, POR ENQUANTO RETALHO...RS Josemir Tadeu
E lá vou eu, rs... Eu e Mariana. Ou será Poliana? Ora bolas! Eu e minha amada mulher. E se é minha, eu a chamo do jeito que quiser. Ai... Desculpem-me. Isso é lá jeito de conversar? Mas vou pela estrada infinda. Quem quiser me dar boas vindas, bem recebido será. Quem não me for simpático, também com amor receberei. Afinal que somos nós, além de trapos, que pra cá viemos, pra em uma colcha, se transformar. De retalhos. Pois que as de belo tecido, somente são assim nomeadas, através de trabalho e trabalho. Mas sigo com minha amada. Vou de cabeça erguida. Retalho pré-concebido. Quem sabe um dia colcha inteira? Josemir (ao longo...)
Há uma terra
Para cá do colorado Onde crescem os pinheiros, Que se apoderou De minha alma... Estou ausente de mim, Enquanto o Limay Esteja tão longe... Neuguén Mapuche canção Te entrego meu canto Nascido na cordilheira, E este sentimento, Vôo de condor Que não conheçe Distância... Autor: Lenine De Carvalho
Limite
Eunice
Cardial
Chegamos no
nosso limite
o amor
acabou.
Cada um
sentindo-se abandonado
orgulho
ferido auto-estima abalada.
Amarguras que
um adeus produz
um não saber
se fui amada,
ou
simplesmente usada.
Restos de um
coração vazio
o amor
acabou.
Vazia, sem
sua presença
dor, por
saber que já amas outra.
O silêncio
que incomoda
o olhar que
já não encontro.
A procura de
você até em outro corpo
na realidade,
vivo de lembranças.
Sei que
queres voltar
impossível,
hoje tudo está diferente.
Seus braços,
já não me conforta
em seu leito,
já tem outro corpo.
Nossos
lençóis foram manchados
pelo suor de
tantas.
Suas camisas
manchadas de batom
seus beijos
ficaram sem sabor.
Você e seus
novos amores
logo se
fizeram notar.
Era abandono
sem ir
foi melhor
assim
Ferreira Gullar(1930-)Poemas Neoconcretos Imar azul mar azul marco azul mar azul marco azul barco azul mar azul marco azul barco azul arco azul mar azul marco azul barco azul arco azul ar azul . Pérola Minha fantasia em pedra bruta Lapidada por teu amor Minha alma, meu ser, em paixão pura... Cristina Pilan Oliveira Vontade de Oceanos
Para
dormir na praia dos meus planos
com gestos de marolas furiosas,
abraço o medo, a dor e os desenganos
como se fossem pétalas de rosas.
Co’ uma vontade imensa de oceanos,
aceito o mar, os rios caudalosos
e inundo os meus castelos com insanos
sonetos de trovões tempestuosos.
Atraco a solidão nas enseadas,
cercadas pelos pântanos da noite,
para escrever luares e jangadas...
Salvar a letra, o verso naufragado
e amanhecer pingado pelo açoite
do olhar que sabe um
sonho apaixonado.
Ferreira Gullar(1930-)SubversivaA poesia quando chega não respeita nada. Nem pai nem mãe. Quando ela chega de qualquer de seus abismos desconhece o Estado e a Sociedade Civil desrespeita o Código de Águas relincha como puta nova em frente ao Palácio da Alvorada. E só depois reconsidera: beija nos olhos os que ganham mal embala no colo os que têm sede de felicidade e de justiça E promete incendiar o país. Senão com a Mente e com a mão fazes a tua Construção. mas, cuidado com o senão se ela for obstrução. enganosa é a sedução, mas formosa a Ação quando quer o Coração. Moacir et Selena 2003brilhe a vossa LUZ! contudo não caiu, porque estava fundada sobre a rocha.(Mt 7:25) Atriz quando você partiu, chorei cataratas - niágaras falsas. Tuca Especialmente hoje (Mellíss) Não ...Não me perguntes as razões que me trouxeram até aqui ... Apenas deixa-me entrar e ficar ao teu lado, aninhada no aconchego dos teus braços, refém da magia dos teus olhos ... Deixa que a lua atravesse esses vitrais coloridos, desenhando arabescos pelo chão coberto de sombras prateadas , enquanto a noite dança por trás das janelas, enfeitada de brilhos nos véus estrelados ... Ouve as canções que os anjos entoam harmoniosamente na voz desse silêncio, sente o palpitar das emoções que revelam meus segredos, observa as pétalas entreabertas dos meus lábios sedentos, ansiosos pelo orvalho dos teus beijos ... Não ... Não me perguntes as razões que me trouxeram até aqui , pois, muito antes de eu chegar ao teu castelo, meu coração já habitava em ti . TRADUZIR-SE Ferreira Gullar Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem. Traduzir uma parte na outra parte _ que é uma questão de vida ou morte _ será arte? a todos os poetas todo o poema é feito de alma na tela na torre que se ergue ao céu na figura descoberta tirado o excesso de pedra de madeira que a escondia todo o poema é voz que vivia escondida e se lança irreprimível solta canta canta e voa da mão da voz poeta sofredor sê o instrumento da poesia flama! para Gullard, para todos os poetas seja qual for a sua forma de sofrer e cantar! o meu inteiro amar o amor a vós de mim maria petronilho chão s u m i n d o MariaTherezaNeves
JF,10 de março de 2003 Maria Thereza Neves |
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