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HojeAconteceuLunas & CoraCoralina
Breve biografia de Cora Coralina
Cora Coralina (Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretãs) nasceu em Goiás, no
ano de 1889. Começou a escrever muito cedo, mas publicou seu primeiro livro
quando contava 76 anos de idade e somente quando já estava com 90 sua obra
foi apresentada ao mundo literário por Carlos Drummond de Andrade, que desde
logo notou nela um talento ímpar. Cora Coralina cursou somente o Antigo
Curso Primário Viveu por vários anos no interior de São Paulo e depois na
Capital deste Estado, tendo retornado para Goiás em 1954, onde se tornou
doceira. Conquistou os seguintes prêmios:
Prêmio Juca Pato, em 1983, concedido pela União Brasileira de Escritores,
quando foi eleita Intelectual do Ano.
6° Prêmio de Poesia no 1° Encontro das Mulheres na Arte. Troféu Cora Coralina - Coordenadoria de Moral e Civismo da Secretaria de Educação do Rio de Janeiro (1982).
Grande Prêmio da Crítica - Associação Paulista de Críticos de Arte
Foi membro da Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás.
Doutor Honoris Causa pela Universidade de Goiás. Faleceu a 10 de abril de 1985, em Goiânia, Goiás. Publicou: Estórias da Casa Velha da Ponte, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, Os Meninos Verdes, Meu Livro de Cordel, O Tesouro da Velha Casa, Becos de Goiás (1977); e Vintém de cobre: meias confissões de Aninha (1983). ..........
NÓS
_Plínio Sgarbi
Nosso
presente
Físicos
ausentes
Distância,
esperada chegada
Agora, vozes
na madrugada
Ensejo,
desejos
Amor, não tão
somente
Brota
semente
Em ritmo,
intimo ardente
Nosso futuro
Fruto Maduro
Sem esquema,
teorema infante
Olhar em seus olhos
nem que seja
por um único instante !
Adorável
momento
Perpetuei
em meu pensamento
Palavras de Carlos Drummond de Andrade sobre Vintém de Cobre. Minha
querida amiga Cora Coralina: Seu
Vintém de Cobre é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que
não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e
comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência
humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com O
beijo e o carinho do seu Drummond.”“. ..........
VIVENDO O
AMOR!
Elane Tomich
Não adianta,
meu amor!
Nossas
almas se abraçaram
E desde então
misturaram,
Nossos
espaços e horas
Nossas
esperas , demoras
Em distância
carcereira,
De uma ilusão
feiticeira.
Não tentes
fugir da dor
Nem busques fáceis
atalhos
Do amor,
mapas tão falsos
Do
desejo, atos falhos.
Que a ilusão
traiçoeira
Faz do vazio,
erosão
No centro do
coração
Se
um amor alugado,
Entra sem
ser chamado
Por
seu verdadeiro nome.
A vida
não queima etapas,
Ou fica à
vida devendo.
Estrada feita
sem-pressa,
Que trilhamos
às avessas.
E, ainda que
morrendo,
Persistirá
o hiato,
O
vazio, a lonjura,
Horizonte
indo embora
Num amar,
verbo abstrato
Ferida que não
tem cura
Ficando ao
tempo, aberta
À espera de
tempo e hora
De
viver em vida certa.
Amar, verbo
abstrato,
Da vida
apenas roteiro.
Seja drama ou
comédia
Só se vive
amor de fato
Conjugando-se
estratégias
Ou na comunhão
do ato.
Com ar não
se mata a fome
Amor
tem do amor, um só nome...
"Versos...
não Poesia...
não um
modo diferente de contar velhas histórias ““. (Ressalva, extraído do livro Poemas dos Becos de Goiás e estórias mais).
..........
Momentos
Eunice Cardial
A sombra de um grande
amor
momentos únicos,
minha primeira
ousadia,
ilusão
achei que eras jóia
não passou de
bijuteria,
te amei,
verdadeiramente
o que mais você
queria,
te dei alma,
te dei todo meu
querer,
te dei cada minuto dos
meus dias,
todos dedicados à você,
com toda minha alegria,
sombra de um
lindo querer
que se prendeu só ao
ter,
você não confiou,
não se entregou
em nenhum momento,
insaciável, só via a
si
só contava o prazer,
o amor passou,
te olhou nos olhos
e você não viu,
o amor passou,
te tocou
e você não sentiu,
o momento foi perdido,
o amor não foi
vivido,
menino
como te quis,
mas vivemos só a
sombra
de um grande amor,
que um dia
por nós passou.
..........
Antiguidades Quando
eu era menina bem
pequena, em
nossa casa, certos
dias da semana se
fazia um bolo, assado
na panela com
um testo de borralho em cima. A humildade com que Cora encara a si mesma e como se coloca diante da vida é uma das características que nos salta aos olhos, em versos como os que podem ser lidos abaixo - extraídos do poema Minha Cidade, humildade e simplicidade essas que tornam sua figura e sua obra estrelas ainda mais reluzentes das nossas Letras. .......... Clave do sol
pardais nos fios compõem canções de alta-tensão
Tuca
.......... Eu sou
aquela menina feia da ponte da Lapa. Eu sou
Aninha. Eu sou
aquela mulher que ficou
velha, esquecida, nos teus
larguinhos e nos teus becos tristes, contando
estórias, fazendo
adivinhação. Cantando
teu passado. Cantando teu futuro.
O amor...
O silêncio cala meu
peito
Em preces
desesperadas
Lágrimas toldam meu
olhar
Saudade sufoca
minh'alma
Em nada consigo
calma
Pois penso só em te
amar...
Dizem que o amor nos
sufoca
Nos causa tamanha
dor
A mim só penso que
seja
Aquele sofrer tão
querido
Que me põe
embevecida
Com as baladas
cantadas
No doce vai vem do
amor...
Se a angústia corre
no peito
Sem saber se é pra ficar
Peço licença a
ela
Que me deixe
sossegar
Que vá correr
pra outro lugar
E em outro
terreiro baixar...
Felicidade é um
estado de ser
Também é um
estado de estar
É a fruta mais pura
que encontro
O sabor do mais
lindo canto
Do gostoso sabor de
amar
Que me põe logo a
sonhar...
Se mil vidas eu
tivesse
Mais mil sonhos me
embalassem
E em meu colo
permanecessem
Gostaria que tu
estivesses
Ao meu lado pra
falares
Das flores, dos teus
cantares...
Por que só falar na
dor
Quando se fala de
amor?
Amar é coisa
sublime
Tão difícil de
encontrar
Fala-se à boca
pequena
Que tudo que vem difícil
É mais fácil se
desejar...
Amor é complementar
As ilusões de ficar
É tudo para se
gostar
Pois é na ginga de
um ioiô
Que se conhece bem
perto
Sem sofrer, o que é
o amor...
Ah! Sonhar não
ocupa espaço
Viver só nos dá
esperanças
Quem puder que cante
fácil
As venturas que o
amor alcança
Sonhando, vivendo
acordado
Nas asas das suas
lembranças...
Myriam Peres
.........
Minha
pena (esferográfica) é a enxada que vai cavando,
é
o arado milenário que sulca.
Meus
versos têm relances de enxada, gume de foice
e
o peso do machado.
Cheiro
de currais e gosto de terra.
(...)
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