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Hilda Hilst
Por sugestão do Plínio Sgarbi vim a conhecer Hilda Hilst !
Nasceu em Jaú, São Paulo, aos 21 de Abril de 1930. Em 1948, entrou para a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Largo São Francisco), formando-se em 1952. Em 1966, mudou-se para a Casa do Sol, uma chácara próxima a Campinas (SP), onde ainda reside. Ali dedica todo seu tempo à criação literária. Poeta, dramaturga e ficcionista, Hilda Hilst escreve há quase cinqüenta anos, tendo sido agraciada com os mais importantes prêmios literários do país. Participa, desde 1982, do Programa do Artista Residente, da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP. Seu arquivo pessoal foi comprado pelo Centro de Documentação Alexandre Eulálio, Instituto de Estudos de linguagem, IEL, UNICAMP, em 1995, estando aberto a pesquisadores do mundo inteiro. Alguns de seus textos foram traduzidos para o francês, inglês, italiano e alemão. Em março de 1997, seus textos Com os meus olhos de cão e A obscena senhora D foram publicados pela Ed. Gallimard, tradução de Maryvonne Lapouge, que também traduziu Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. |
Livre
para fracassar...
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Hilda Hilst
Rosa Desfolhada
delasnieve
daspet
Quero voar.
Quero sair de mim.
Quero não me preocupar
Com o mundo que me cerca.
Quero ter coragem.
Coragem de rasgar.
De quebrar.
De reiniciar.
De encher de vozes o vazio.
De dobrar em laços as recordações.
Quero derrubar as sombras.
Do profano ao sagrado,
Santificar o profano!
Quero não me preocupar
Com a vida.
Quero amanhã
Sonhar como hoje.
Quero não fazer o que é preciso.
Quero apenas voar.
Como as borboletas.
Como uma rosa,
Desfolhada,
Com pétalas voando,
Voando - com a força
Do meu querer,
Pequeno beija-flor!
EU TENHO UM SONHO
Moacir et Selena
Eu tenho um Sonho...
Pode ser, talvez, bisonho.
De não ver ninguém tristonho,
Sem nenhum destino medonho.
Eu tenho um Sonho, talvez...
De ver o mundo sorrir outra vez.
Sem distinção da cor da tez.
Sem orgulho, sem altivez.
Eu tenho um Sonho, ainda...
De ver a Natureza linda
Inundar-se de Luz infinda
Na espera da Paz bemvinda.
Eu tenho um Sonho, real...
De compor o soneto ideal,
De ver a amizade leal,
De aguardar o suspiro final.
Eu tenho um Sonho, sim...
De cheirar rosa, jasmim,
Nas Tuas mãos em mim.
Do Teu Amor sem fim.
Abro a folha da manhã
Por entre espécies grã-finas
Emerge de musselinas
Hilda, estrela Aldebarã.
Tanto vestido enfeitado
Cobre e recobre de vez
Sua preclara nudez
Me sinto mui perturbado.
Hilda girando boates
Hilda fazendo chacrinha
Hilda dos outros, não minha
Coração que tanto bates.
Mas chega o Natal
e chama a ordem Hilda.
Não vez que nesses teus giroflês
Esqueces quem tanto te ama?
Então Hilda, que é sab(ilda)
Manda sua arma secreta:
um beijo em morse ao poeta.
Mas não me tapeias, Hilda.
Esclareçamos o assunto.
Nada de beijo postal
No Distrito Federal
o beijo é na boca e junto.
Onda
Rosa Pena
Difícil está de entender o mundo...mais difícil está, deu me entender.
Particularmente, sinto-me uma pessoa honesta e generosa.Adoro alegrias compartilhadas, mas tristezas, isoladas.Tenho algumas características que por vezes incomodam,para alguns quase um defeito.Uma delas é de tentar não sucumbir a depressão.Sinto quando ela vai chegando de mansinho e busco no cotidiano,situações que me lembrem um sorriso.E me seguro nelas.Mas tenho outra característica, que maltrata a mim própria.Vou do riso ao pranto, rapidamente.Hoje em 60 minutos, chorei, sorri e novamente chorei.Se sentir que machuquei alguém, a ferida dói mais em mim.É Rosa Pena, fecha o micro e dá um tempo..Amanhã, quem sabe, teu choro secou... teu riso voltou.Depois, tudo recomeça... como uma onda.
ANJO ALEIJADO
Sonia Pallone
Foz
Eclipse
de esconde-esconde
brincam...
o sol, a lua e eu.
Ânsia
Espera-me!
Sou um sonho...
que ainda vais ter.
Árido
as águas deste mundo
não saciam minha sede:
preciso da tua chuva!
O (ap)ego
servir ou servir-se,
na relação de dois,
eis a questão.
Tento
Entregar-te minha alma
pra te dizer em gestos
o amor com que te amo
Talvez
todo dia
espero o dia
que não seja...um dia
Faxina
sob o tapete da saudade,
na sala do meu coração,
escondo lembranças.
Boicote
cheia
o sol deita
a lua levanta
Minimidade
Separas as gotas do mar?
Do deserto os grãos de areia?
Então creia: te amo!
Mãe
Abraça-me...Conchega-me a ti!...
Dize-me ainda:
"Deus te abençoe!..."
Transmutação
Cristina Pilan Oliveira
Amparada por um braço
de mar...
Ensaio um canto com os golfinhos.
Aconselhada por sereias.
Vejo meu futuro em uma pérola...
Mergulho mulher.
Renasço para o céu.
Arcanjos ditam-me as normas...
Apenas amor, amor e amor...
Em minha imagem refletida.
Vejo a face de um anjo.
A seda das asas
em carícia pelas costas.
No livro do meu destino,
a caligrafia da luz.
Embalada pelas ondas.
Encorajada pelos pássaros.
Aprendo a voar...
HILDA HILST, Adorável Transgressora
HABITANTES DE MIM
Jane Lagares
Conheço( e desconheço) várias mulheres
que habitam em mim...
cada uma com uma cara diferente,
com um querer diferente,
Com uma cor também diferente.
Existe em mim, a mulher calma,
serena, como brisa que é bálsamo.
A outra?
A mulher brava que se faz mar inquieto,
que se faz corredeira.
Existe a mulher tão amorosa,
em vários segmentos do amor.
A outra?
A mulher que teve que aprender a não amar.. Fizeram-me assim.
Existe em mim a mulher amiga,
que se dá,
que escuta,
que compartilha viver.
Habita também, a mulher do cio de vida,
da fêmea em busca do prazer.
que fala, que se permite,
que perde a linha,
que desalinha...
Que mulher sou eu, enfim?
Muitas.
Assim como você.
Habita em mim, como reflexo do céu,
a mulher lua..
Tão cheia e bela,
tão crescente e encantadora,
tão minguante e triste.
De repente ,nova lua se faz,
renascendo.
Existe também a mulher sol,
única, brilhante, que emite raios,
que aquecem,
que queimam,
que clareiam,
que amanhecem.
Existe a mulher céu,
tão azul quanto o dia da mulher sol.
Tão negra quanto a noite da mulher lua.
Tão infinita quanto o céu das duas.
Habitam em mim todas as formas,
todas as histórias,
todo o viver,
todo o ser:
Mulher.
DEVANEIOS
Melliss
Ordem do Mérito Cultural
Hilda Hilst
1997
A quem possa interessar
LianeNiremberg
Nada mais a escrever
Nas linhas as palavras não se encaixam
Sempre as mesmas expressando o mesmo sentir
Escrevam vocês poetas
Mas por favor falem da lua, das estrelas
Falem da esperança, da alegria de ser
Se quiserem falem até do amor
Da fraternidade, do bem ou mal, da fé ou o que se equivale
Mas continuem a escrever afinal palavras perduram
Apenas deixo sim essas lágrimas teimosas
Inconformadas acordadas que foram
Fora de hora não queriam comparecer
Também não importa mais
Importam sim as linhas pois elas irão permanecer
Cantem bem altas as suas verdades
Mas as suas próprias não somente as do poeta
Que existe em vocês
Cantem ao menos uma vez para que eu ouça
E assim talvez compreenda
Um pouco só desse além névoa que a mim chegou-se
Fazendo-me emudecer
Impressões de Fernanda Guimarães
No silêncio dos lábios
O pensamento busca no olhar
A margem acessível
A palavra possível
Que me leve até mim
Nem sempre me vêem
As planícies ou lagos plácidos
Vejo-me também no inexato
Na escarpa, no sal, na bruma
Que me refazem os passos, o olhar
Vive-se outrossim, no incerto
Na imprecisão do que se pensa saber
À guisa de alguns ventos
Porque seguir em frente
É muitas vezes ter que retornar
Sinto-me no difuso, no indefinido
No espelho baço que acha refletir
O rosto que nem sempre me reconhece
Viver talvez seja não bastar-se
Ser incontido, sonhar e delirar
Mesmo se só nos resta
A memória da esperança...
Vida,
que esse fio de aço nunca se estilhace, liga-me ao teu nervo..."
Hilda Hilst está lá pra quem quiser ver. Se você nunca ouviu falar dela, não
se preocupe, é normal. O Brasil não fala em Hilda Hilst. Por que, eu nunca vou
entender. Eu soube dela por amigos que, aliás vou passar o resto da vida
agradecendo por terem me falado sobre ela, por terem atiçado minha curiosidade
a respeito da maior escritora do Brasil. Sim, se não for a maior pra você, será
com certeza "uma das". Dê uma olhada em "Cascos e Carícias"
ou então, "Estar sendo, Ter sido". Até 4 de fevereiro de 2001 você
poderá ver, ouvir, sentir e respirar Hilda Hilst na Área de Convivência do
Sesc Pompéia em São Paulo.
Corpo e Espírito
®Rick Steindorfer
Sou
atemporal e ilimitado
a nada pertenço e nada sou
caminho pelo tempo e espaço
mas a eles não me ligo
pois a minha consciência
está ligado ao alto.
Sou
a força do amor
e cubro todas as distâncias
nada temo e jamais me perco
sou eterno em mim mesmo
e sou o meu próprio futuro
por que sei quem eu sou.
Só saudades...
Myriam Peres
Se me sinto em solidão
Que nada me acalma a razão
Procuro em meu coração
Os teus beijos na emoção...
Se sinto um dia ao alvorecer
Ânsias imensas de te rever
São as saudades de ti, meu bem querer
Que abrasa ainda o meu viver...
Saudades desesperadas
Saudades de quase nada
Que um dia aconteceu
Saudades escravizadas
De um mundo que era só teu...
Saudades que discriminam
Saudades que só fascinam
Todo meu acontecer
Saudades que me alucinam
Que me envolvem só pra te ver...
Saudades do muito que ofereci
Saudades do que não pedi
Só saudades desesperadas
Que sinto muito de ti...
Fui
a esta exposição que comemora os 70 anos de vida muito bem vivida da poeta
sorridente e iluminada e voltei completamente extasiada. Desculpe, leitor, mas
este texto é sim, um lambe-saco explícito, para a poeta, dramaturga e
ficcionista brasileira que o Brasil não conhece, mas deveria.
A partir de "Presságio"- o livro publicado em 1950 até os dias de
hoje - tudo na Mostra te leva pelo universo da Hilda e resgata as mesmas sensações
que ela provoca em seus escritos.
Mirante IV
Nathan de Castro
"...e
tudo é tão redondo e completo na hora da morte, pois aí sim é que estás
completamente acabado, inteirinho tu mesmo, nítido nítido, preciso, exato como
um magnífico teorema..."
A arquiteta Gisela Magalhães reuniu textos, fotos, objetos e histórias da
Hilda. Brilhante! As pessoas precisam saber dela. As pessoas não precisam saber
do filho do Ronaldinho, da plástica da Xuxa ou da mais nova banda de pagode...
É preciso saber sobre a mais nova descoberta que eu fiz na literatura
brasileira. Por isso estou aqui, contando sobre a filha de Apolônio, cuja vida
inspira e alimenta a alma.
"Se
não fosse a morte, quem sabe não teríamos o nosso sexo assim como ele é,
nosso sexo seria uma flor azul belíssima sobre a fronte."
Ah, já sei. Você não curte poesia. Você acha um saco essa masturbação
intelectual repleta de palavras difíceis e expressões dessoterradas do dicionário..."dessoterradas",
gostou dessa? Bom, tudo bem. Então dê só uma olhada, por exemplo, em
"Cronista: Filho de Cronos com Ishtar" e morra de rir com os sinônimos
que ela cria para palavras como: semântica: antologia do sêmen; Ku: lua em
finlandês; democracia: poder do demo - e por aí vai. Delícia! A mulher sabe
tudo, juro. Não cansa, mas sim relaxa, estimula, inspira. Tudo o que os
artistas deveriam fazer.
Opaco
Entre a dor
e o nada,
não escolho.Encolho...
Tuca
Eu
espero sinceramente ter conseguido mexer um pouquinho com a sua curiosidade.
Pelo menos o suificiente pra te fazer procurar um livro da Hilda Hilst (o que é
meio difícil de achar) ou dar um pulinho até o Sesc Pompéia em São Paulo pra
conferir pessoalmente tudo sobre uma vida de liberdade e poesia. Infelizmente
ela não vai estar lá em pessoa, isso foi pra poucos privilegiados (como eu e
meus amigos) que estiveram no evento na noite de abertura. Emoção total vê-la
ao vivo e ainda poder conversar com Lygia Fagundes Telles, que também estava lá!
Estas são as fotos que eu consegui. Não deixe de ir (ou lê-la).
Você não vai se arrepender!
Ave Hilda!!!!
E tudo me são memórias...
Linda Maria
O homem era um grande contador de
causos!
Misturava verdade com imaginação sem que ninguém se apercebesse onde começava
uma e acabava a outra.
O que espantava era como sabia limitar a imaginação aos parâmetros da
verdade.
Se dizia que havia pescado um jaú de 20kg- verdadeira mentira, porque jaú,
por aqueles lados era impossível de ser encontrado- o fazia com tal
destreza do palavreado e com tal magia no relato que todo mundo jurava que
era a mais pura verdade!
Sentado na guia da calçada, nas noites de verão, passava horas contando
causos para as crianças que moravam por toda aquela região.
De tardinha já iam chegando e chamando seu nome.
De lado de dentro de casa, ele saía, as vezes com o rosto ensaboado pra
fazer a barba e gritava: " que bom que chegaram cedo! esta madrugada me
aconteceu uma!!!!! ".
Pronto! A criançada já trabalhava o imaginário: " fantasma",
palpitava um! " cobra" sugeria o outro. " Não! no mínimo
foi ladrão" dizia o maiorzinho.
E o pior - ou melhor, não sei- é que junto vinham os pais da molecada. As
mulheres traziam cadeira e os homens ficavam de cócoras, pitando cigarro de
palha enrolado na hora. O fumo, picado também na hora pelo canivete marrudo
e amolado de cabo de osso.
E quando ele chegava, o cenário estava pronto para mais uma noitada.
Era pigarrear pra todo mundo se calar, suspense solto no ar.
Hoje, quando passei por lá, cheguei a sentir o cheiro do cigarro
Continental que ele fumava. Cheguei a ouvir-lhe a voz, a gargalhada. Cheguei
a sentir dor no peito, tamanha era a saudade que apertava.
E lamentei nunca ter tido a idéia de anotar os causos todos que ele
contava.
Era um grande contador de causos, meu pai.
Zeca Baleiro já deu o start na pré-produção
da gravação do disco "Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé",
que conta com 10 poemas de
Hilda Hilst. Musicados por Baleiro, os poemas serão interpretados por 10
cantoras. Duas já estão confirmadas no projeto: Verônica Sabino e Ná
Ozzetti.
Mar revoltoondas seduzemtocambeijamnumbaléde pelesalucinantesuavevibrantes garras de fogoáguas a c a l m a mcomo querendo roubar todo o ardore s f r i a r o amorrebatem com forçareascendema paixão como se fossem antenasdançade bocascorposnuma única respiraçãoao som da músicasem conseguir acalmar a ânsia contidadas inquietas entranhasentre estrelas ou luasmares ou areiasno êxtase supremoafogamosrenascemosMariaTherezaNeves