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Pablo Neruda
 

Poeta chileno, Neftalí Ricardo Reyes nasceu em 1904. Faleceu em 1973. Considerado um dos mais importantes literatos do século XX. Seu pseudônimo foi escolhido para homenagear o poeta tcheco Jan Neruda. Sua obra é lírica, plena de emoção e marcada por um acentuado humanismo. Em seu livro de estréia, com apenas 20 anos, Crepusculário (1923), já se assinou Pablo Neruda que, em 1946, passou a usar legalmente. Sua fama tornou-se maior com a publicação de vinte poemas de amor e uma canção desesperada (1924). 

Alternando a vida literária com a diplomática, Pablo Neruda era o embaixador chileno na França quando ocorreu o golpe de Estado que depôs o presidente Salvador Allende. De volta ao Chile, sofreu perseguições políticas e morreu pouco depois, sendo enterrado em sua casa de Isla Negra, ao sul do Chile. Em sua obra destacam-se Residência na Terra (1933), España en el corazón (1937, inspirado na Guerra Civil Espanhola), Canto Geral (1950), Cem sonetos de amor (1959), Memorial de Isla Negra (1964), A espada incendiada (1970) e a autobiografia póstuma, Confesso que vivi (1974), um emocionante testemunho do tempo e das emoções de uma grande poeta. 

Em 1971, Neruda recebeu o Prêmio Nobel de Literatura e o Prêmio Lênin da Paz.

 

Fases 359 - Liberdade
by-Caio Lucas

 
Dobro sobre seu corpo
para descobrir sua alma,
revelo algumas partes escondidas,
mostro-lhe o espelho refletindo rostos
e dores guardadas.
 
Sinta nas linhas do rosto o plural do riso,
invista em suas tramas
e voe para fora de sua gaiola.
 
Não deixe ser engolido pelo medo
ou por um simples conjugar do verbo.
 
Se amar, ame, livre, antes do outro.
05/02/2003

 

" .... Deixa que o vento corra, coroado de espuma, que me chame e me busque galopando na sombra, enquanto eu, mergulhado nos teus imensos olhos, nesta noite imensa, descansarei, meu amor..."

 
Pablo Neruda
 

...Madrugada antiga... eu acampava sozinho nos confins do Mato Grosso, conversava com estrelas e vaga-lumes e tentava decifrar os murmúrios do rio.

Então, apareceu um Lobo Guará... subiu sobre uma pedra, ergueu a cabeça para a noite e emitiu um longo e doloroso uivo... contra a luz da madrugada ele parecia "Azul"... a imagem ficou, para sempre...a imagem do Lobo Azul...

Essa imagem depois, transformou-se em nick de rádio amador, a conversar pelo mundo, com pessoas que eu ia descobrindo igualmente "Azuis"...

A Estação Lobo Azul, sempre em "QAP" à escuta, reconhecendo e identificando-se com tanta gente "Azul"... em vários idiomas, mas sempre através da mesma linguagem, mescla de interrogação e angústia, sensibilidade e emoção...

O dolorido e solitário uivo, a atravessar madrugadas, rios, montanhas, florestas, cidades, almas...

Depois, por mágicos acontecimentos, Lobo Azul se tornou um nick literário, ainda hoje obscuro e quase desconhecido, mas cumprindo sua missão de metabolizar emocionalmente através da escrita, sentimentos, acontecimentos, sonhos e cósmicas madrugadas que às vezes trazem em si, todas as mais intensas cores do Universo...

Agora, Nick da Internet onde ao reunir-me com pessoas tão especiais como vocês eu percebo cada vez mais e mais, que formamos uma estranha alcatéia, tímida, esquiva, quase sempre incompreendida, espalhada pelo mundo.

Mas, quando se encontram, esses solitários Lobos-Poetas se reconhecem...

Um abraço "Azul" para todos...

Lenine

 
Eu faço poesia
no sentimento de plenitude
principalmente, na essência do amor
na alegria da vida
na fé e no conhecimento de Deus.
 
Pouco falo da dor
por considerá-la um impulso
que o universo me empresta
para que eu cresça mais um pouco...
 
Não penso em poesia
como se fosse ela, filha do sofrimento
pois ela é muito mais do que isso,
é a conexão com a alma
com a energia da calma
e a ternura de viver.
 
®Rick Steindorfer
 
“ Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em taltal não amanhece ainda a primavera.
Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.
Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações
tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.”
 
Neruda
 
FOI-SE EMBORA O MEU AMOR
Carmem Ribeiro
 
Foi-se embora o meu amor.
Perdeu-se nas palavras não ditas,
palavras que tanto esperei
na ilusão de ser amada.

Foi-se embora o meu amor.
Perdeu-se nos seus medos,
na sua forma limitada de querer
insistindo em não ver
que eu queria só você.

Foi-se embora o meu amor,
perdeu-se na sua insensibilidade,
nos carinhos dados sem receber,
nas dores da sua ausência.

Foi-se embora o meu amor.
Perdeu-se no sangue das feridas,
no tanto que me machuquei
até entender e me libertar.
E agora não amo mais você.

A noite na Ilha

Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha.
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono,
entre o fogo e a água.
Talvez bem tarde nossos
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam.
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado
e teus olhos buscavam o que agora - pão,
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos,
porque tu és a taça que só esperava
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira,
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos,
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura.
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida,
e recebi teu beijo molhado pela aurora
como se me chegasse do mar que nos rodeia .
 
Neruda
 
SAGRADO AMOR...
Cristina Pilan Oliveira
 
Que a cadência do vento, te embale.
Meu sagrado amor...
Envolto em sinfonias de celeste luz.
Afago teu rosto...
Meus dedos em tua pele...
Carícia em flor.
Desfolhando pétala por pétala.
Abro meu coração, em formato de caixinha de música.
Danço para ti, doce melodia.
Te protejo...
Com um beijo, elimino o teu sofrer.
Plenitude de almas.
Simetria de sentimentos.
Ideal maior do meu viver...
 
  Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.

Neruda
Amor?...

sinto o amor como
se um todo fosse
como pequeninos pedaços
desse todo seriamos

o sentiríamos e viveríamos
a procurar
aquele outro pedacinho
para casar

que vai se encaixar
e comungar
formando seu par,
pois juntos... o par

é que pode captar
o sentimento de amar
e no todo, o par
no amor se integrar

GEORGE ALVES - JOE
 
  Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre...
...A se olharem...
Pensar talvez:
“ Paralelos que se encontram no infinito...”.
No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.
 
Neruda
Vestida de Anjo
Iracema Zanetti

Sou poeta de palavras poucas...
Só falo de amor...
Carrego-o na alma...
Levo-o por onde eu for!

Meus olhos te vêem
À longa distância...
Longe de minha cidade, da minha vida...
Do meu eu tão comum!
Fazes parte do que de mim te diz respeito!

Te amo de um jeito delicado,
terno, puro, que somente aos anjos
é dado o direito de amar assim!

Torno-me anjo quando penso em ti!
Fica onde estás,  não chegues perto...
não te aproximes, por favor...

Ao te ver, de mim me perderei,
esquecerei quem sou!
Pára... te peço!
Não faças pecar um anjo!
Fica aí!

Sinto tua presença se aproximando... 
Um não sei quê de suave e lindo,
toma conta de mim...
arrepiando-me a pele... envolvendo-me
em perfumes que exalam de ti!

Pedi!
Implorei para não te aproximares de mim...
Conheço meu jeito quando estou apaixonada...
Entrego-me de corpo e alma...
Mesmo Vestida de Anjo!

lá pras bandas
Plínio Sgarbi
 
nos meios espaços
dos lugares escuros

nas veias correm
o sangue imundo
que clareiam a sujeira
do submundo

cheiros de fumaça
nos bordéis
a puta inalou e sonhou
buquê de flores de laranjeira
com o sim na beira do altar
prazeres lascivos, vacilou
barriga ganhou
filhos com coronéis

no fio de velhas calçadas
descartam suas crias
gabrielas de Amado
crianças e mendigos
se fazem herdeiros
direitos adquiridos
nos quartos dos puteiros

ossos do oficio
formam
cafetinas
gigolôs
contos, cantos, copos
e jagunços ganham
nas pontas das facas
garrafas em garrafas
bebem corpos

esperam um
próximo trem
para mandar alguém
a estação além
em nome do pai
amém

O Som do Silêncio
© Fernanda Guimarães

  Por trás dos meus silêncios
Estão teus olhos postos em mim
Sorrateiros em respiração contida
Percorrendo na ponta dos pés meus pensamentos
Lapidam-me serenos na penumbra
Tocando palavras não ditas, emoções secretas
Que visto no enigma dos meus lábios

Por trás dos meus silêncios
Existem tuas mãos que me desnudam
Feito girassóis a desabrochar em jardins vulcânicos
Acariciando a primavera que eclode em meu corpo
E no vozerio dos matizes que se abrem
Arco-íris cintilam bordando tuas cores
Que flutuam em cascatas de desejos floridos

Por trás dos meus silêncios
Assalta-me a fotografia dos teus abraços
Que revelam arrepios em minha pele
E quando ao céu da tua boca me entrego
Beijo as estrelas que fazes em mim brilhar
Abstraem-se os sons do universo, rendidos que são
À ternura que grita na mudez dos nossos lábios

Por trás dos meus silêncios
Existe um coração que fala, pulsando-te...
 
Para: Alberto
De:Elane
Assunto: de amor, poesia.
 
Como em versos nos amamos!
E em ti me vejo
sem medo, dúvida ou pejo
neste beijo de poesia.
Ai de nós,
poetas  que estamos
juntos ...Mesmo a sós...

Frágeis, sempre propensos
às desmedidas delícias
de breves , profanos dias,
em vôo de amor , suspensos
em  despedidas e atalhos,
em  sazonais prazeres, 
primaveris desdizeres
ou juvenis atos falhos.

E em dores  frias de inverno
o teu canto terno,
eterno encanto
minha proteção,
meu manto.
monossilábico pranto
alegria feita senão ,
incerta intenção de verão,
amor de frente, de proa
inquieta emoção à toa!

Saudades...
(Uma Carta ao Amor)

Obrigada por ter voltado a minha vida.

Quis te escrever uma carta para falar melhor deste momento.

Uma carta de amor, daquelas que fazíamos... constato, entristecida, que perdi o jeito.

Tenho estado assim, meio cá, meio lá. Acho que sabes do que falo.

Fico feliz quando te posso ter, e lamento as horas que perdemos em nosso querer.

Se mudei? Não! não mudei muito. As pessoas não mudam na essência.

Claro esta que o invólucro se desgastou com o tempo, mas ainda esconde nos olhos semicerrados a danadeza de antes.

Nunca fui a mulher fatal dos jogos lúdicos, aqueles eram personagens que inventava para te impressionar.

Lembra-te? Houve uma época que o sol nascia e se punha pela nossa existência. Já fui tua estrela. Fostes meu sol.

Verdade seja dita, continuo a mesma romântica que ama o amor!

Os amores hoje já não são iguais. Já não se cuida de uma conquista. Já não se joga o jogo, as pessoas já não sabem que amar é escolha!

Já não dão rosas. Não escrevem bilhetes. Os olhos já não brilham..

Perderam a chave do coração.

Já não dizem: eu amo! - a nesga de sol fechou-se.

E meu tempo agora é passado, já é hora de seguir em frente.

Mas chove. Chove forte. Chuva vertical e gelada, num céu negro de corvos.

Vou esperar um pouco.

Aproveito e vou tirando os sapatos, a maquiagem, escovando os cabelos, uma ducha gelada para tirar o cansaço, percebo que saímos antes da relação...

Queria ter tido tempo de dividir contigo os chinelos, as escovas, e a cama,altos e baixo, e aconchegada em teus braços expulsar todos os medos que me abraçaram em teu lugar.

Sabe, não quero mais que me aches inatingível, forte, olhe-me como uma pequena flor carente de cuidados.

Agora, cá estou, - che añomi, sentada, quase meia noite te lembrando...

A visita ao passado me fez bem, recordei-te em toda tua plenitude.

Delasnieve Daspet

VEM VENTO   
JAZINHA
 
VEM  VENTO  FORTE,  ENGANA  O  TEMPO, 
PASSA NA  FRENTE!  CHEGA  LOGO...
CORRE  BRAVO!
PRA  VARRER  MINHAS  TRISTEZAS 
QUE  A SAUDADE  ESPALHA  NO  PEITO, 
ESCRAVO...
 
VASSALO  DE  AMOR   PERDIDO
QUE  PASSOU  À  GALOPE,  AVENTUREIRO
PÔS  NA  GARUPA  MEUS  SENTIMENTOS
LARGOU  AS  RÉDEAS  DO  TEMPO... SUMIU...
O  BANDOLEIRO...
 
SONHEI  QUE  HAVIA  ENCONTRADO
O  MEU  CAVALEIRO  ANDANTE
QUE  EM  SEU  CORCEL  ME  LEVARIA...
 
PORÉM... FOI  SÓ  TOMBO...
CORAÇÃO  DESESPERADO...
PEDE  AJUDA  AO  PRIMEIRO  PASSANTE:
VEM...VENTO  FORTE...ME  LIBERTA...
FAZ  DE  NÓS  DOIS  VENTANIA
MOLEQUE SAFADO
NALDOVELHO

Moleque safado
Virado do avesso
Escreve um poema
Tu tens o endereço
Assina teu nome
Seduz teu apreço
Arromba a porta
Ou pula a janela
E toma de assalto
Quem te desespera
Moleque safado
De pele orvalhada
Plantou madrugadas
Colheu sentimentos
Na beira do dia
Feitiço e magia
Poesia vadia
Custou quase nada
Num simples momento
Bebeu da saudade
E das tramas da vida
Herdou nostalgias
Moleque safado
Teu nome é desterro
Cidade nublada
Não tem cabimento !
Tu tens um segredo
Guardado no peito
Quer ter uma musa
Amante e nua
Quer ter novamente
Um sorriso abusado
E andando de lado
Compor um chorinho
Tocar cavaquinho
Fumar um cigarro
Tomar um conhaque
Fazer serenata
Moleque abusado
Poeta é o teu nome
Não tem sobrenome
Nem tem moradia
Mas tem um amor
Segredo escondido
Que eu vou respeitar.
Me gustas cuando callas  
Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
Déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto

Neruda

pelo caminho

mágoas
não escrevo
estanco
lágrimas dos olhos
dores do peito
ânsias da saudade
não posso descrever
o que não compreendi
somente
destravar pensamentos

pedaços anônimos
que ficaram em mim
pelo caminho...

MariaTherezaNeves

 

Obra de Neruda
 
 
Música: Sonata

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