AconteceuLunas
&
 Fernando Pessoa
 
Pessoa é tão grande, tão poeta, tão gente como a gente que se mistura, se integra aos poetas lunáticos, ao Lunas neste momento, neste agora e neste acontecer Tertúlia!
Maria Thereza Neves

 

 

Desde cedo, Fernando Pessoa inventara seus companheiros. Ainda em Durban, imagina os heterônimos Charles Robert Anon e H. M. F. Lecher. Cria também o especialista em palavras cruzadas Alexander Search e outras figuras menores. Mas seria no dia  8 de março de 1914 que os heterônimos começariam a aparecer com toda a força. Neste dia, Pessoa escreve, de uma só vez, os 49 poemas de O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro. Como resposta, escreve também os seis poemas de Chuva Oblíqua,  que assina com seu próprio nome. Logo, inventaria Álvaro de Campos e, em junho do mesmo ano, Ricardo Reis. Um semi-heterônimo de Pessoa, Bernardo Soares, só em 1982 teve sua obra, O Livro do Desassossego, composta por fragmentos de prosa poética, publicada.

 
p x
 
Tertúlia SP/Janeiro/2003
 

Neste encontro fecundo
Nos encontramos com amor.
Momento feliz e profundo
vividos com ternura e ardor.
Foi o dia da Tertúlia
um espaço a porfia
com alegria de trovador.

Rick Steindorfer
 

Tertúlia, encontro de paz e amor.
Amigos alegres irradiando felicidades,
sorrisos, lágrimas,
momentos inesquecíveis.
Abençoados sejam todos os amigos
por tão extraordinário acontecimento.

Mercedes Silva.
 

Um encontro de magia, poesia e carinhos.
Reunião de amigos que se conheciam apenas por uma tela.
Tela fria que nos manda energia que precisamos.
Estamos aqui - na emoção do primeiro encontro já na espera do vindouro.
Foi demais conhecê-los e já estão todos guardados no meu coração para sempre.

Carla Silva
 

Dia da fundação de São Paulo,
que comemoração melhor?
Encontrar amigos virtuais numa realidade chuvosa e
garoenta paulistana.
Que bom sentir pessoas, gente como a gente,
gente antes digitais e agora,
sorrisos francos, abraços amigos e amor fraterno!

Vera Lucia Diniz Luz
 

Não sei agradecer.
Sou um. Somos tantos.
Fui letra. Sou poesia.
Éramos sonhos. Ficamos realidade.
Para existir tenho de ser Homem. Homens.
Todos. Poetas.

Caio Lucas
 

1a. Tertúlia. A ela aconcheguei-me.
sem saber-me água, areia ou barco à deriva ou a navegar.
Depois de instantes nos encontramos com todo o afeto a
nos permear. Soubemo-nos, então, do mar,essencial,
soubemo-nos todos - SAL!

Linda Maria
 

Levada pelo acaso ou talvez pelo destino
vim parar neste universo de pluralidade infinitas.
Vi pessoas, emoções, historias e desatinos.
Vi a vida aqui brotar num encontro de espíritos
transformadores pelo toque da beleza em seus caminhos.

Geórgia Cristina Gonçalves Damião
 

Aos amigos unidos
novamente reunidos
rostos conhecidos
a surpresa no olhar
e a poesia livre e solta
esta no espírito,
esta no ar.

Carmem Ribeiro
 

Caros amigos lunáticos,
meus irmãos e camaradas
poetas de versos simples ou enfáticos!
Em nossa Tertúlia reina não só a poesia
mas também carinho, amizade e alegria...
Companheiros de idéias formatadas
somos todos um...
Sempre unidos, amigos queridos!

Carvalho Branco
 

Tanta gente
diferente
assim una?
Só no Luna
onde a alma
é uma só!

Dalva Agne Lynch
 

Bate papo vem
bate papo vai,
salinha, lista, varais,
poemas, páginas semanais,
site, tertúlia,
2004 - Porto Seguro,
Nós - ninguém segura!

Plinio Sgarbi
 

Se há frio e chuva em Sampa
no Flat poeta Drumonnd
há calor, amizade e poesia.
Poetas lunáticos se encontram
e saindo da net transformam-se
em corações que transbordam alegria
e em Sampa agora, a lua, brilha em pleno dia.

Leda Galvão
 

Temos o sonho
enfim realizado
rústico sentimento
tempo a tempo unificado.
Louco desejo infinito
amigos para sempre - decretados!

Arlete Maria
 

Poetas amigos
No Luna's abrigo
de vozes antes caladas e agora
botando pra fora sons de corações
na dança de emoções!

Elane Tomich
 

Amigos, pessoas, poetas,
dos quadrantes todos acorrem.
Olhos nos olhos, sentimentos, abraços,
corações que se sabem amantes.
Pulsam no mesmo toque, ao mesmo ritmo,
unidos emitem fraterno amor.
A poesia, ao tempo agora, ao tempo eterno - SEMPRE!

Francisca Hardy
 

Tantos fizeram
poemas cantigas
a convite de deuses
o céu promoveu
a grande ( a ) ventura
ao primeiro ano das graças
do nosso Tertúlias.

Helena Armond
 

Caminhei por solitárias poesias,
longe de casa nas noites frias
coração ardendo em nostalgia
saudoso dos queridos poetas da alegria.
Exausto gritei com fúria saindo da profunda angústia
num belo 25 de janeiro, reunido com amigos de todos os
cantos brasileiros numa bela Tertúlia!

Marcelo Coelho
 

Encontrando amigos sempre
parece tão bom pra gente.
Poder renovar a chama
que chama e não mais cessa
será muito bom a beça
para aquele que ama.

Celito Medeiros.
 

Amor este que começou
com calor, com simpatia,
que cresceu no decorrer do tempo.
E é o que senti aumentar a partir
do momento que tive oportunidade de
ficar junto de vocês na Tertúlia de 2003.

Nelson Vieira de Souza

Trampolim cultural, um salto ornamental.
Poesia gorjeado, fluindo densa, emotiva e real.
Almas queridas e fins ganhando forma
no instante que transforma.
Somos muitos. Muitas vozes, paixões e razões.
Surpresa percebo a unicidade na diversidade encontrada.
Somos lunáticos, somos poesia na Tertúlia Cultural.

Rose Linndonna
 

Vamos todos à Tertúlia
alegres nos irmanarmos.
Melhor coisa não existe
e vamos retemperar-nos.
Num encontro cordial
bem iremos divertir-nos
fazer cultura geral.

F. Silva Nobre
 

Encontro poético
amigos que se conhecem
falando uma mesma língua,
algo que o universo precisa.
Sinceridade no olhar, calor no abraço
e mais encontros poéticos.

Eunice Cardial
 

Um sonho sonhado e realizado.
Um encontro de amigos e poetas
no Flat Poeta Drumonnd o Luna's
encontrou amigos de todos os lugares,
de todos os credos, de todas as letras,
- fazendo e construindo o seu
momento, a sua história.

Delasnieve Daspet

 

Álvaro de Campos e Ricardo Reis, assim como o próprio Pessoa, consideravam-se discípulos de Alberto Caeiro, mas cada um seguiu os ensinamentos do mestre à sua forma, e chegaram até a travar uma polêmica muito interessante sobre o fazer poético.

A última frase de Fernando Pessoa foi escrita em inglês no dia de sua morte: "I know not what tomorrow will bring” ou “Eu não sei o que o amanhã trará."

p x

 
Edna Feitosa jan.2003
 
Abrem-se as cortinas...
Na platéia , um coração explode.
A pequena bailarina faz sua estréia.
E em minha anestésica sonolência
Apenas um sorriso de orgulho
Quebra o silêncio num aplauso mudo.    
Fernanda ou Nandinha
 escritora de mil faces....
Lembra
confidência
motivo
fidelidade
intimidade
Alvorada
adolescência
sedução
fragrância
balada
louvação
sintonia
encantamento
amor
Beija-me as faces
em cada poema
Faz-me sentir cheiro de mar
Barulho de chuva
Amizade fiel de meu cão
Traz poética de  Bandeira
Tristezas  de Augusto dos Anjos
Amor de  Bilac
Fidelidade  de Vinicius
A rosa de Cecília
Solidão de Florbela
Emergência de Quintana
Evocação de Drummond
Acalanto de Fernanda Guimarães
Guarda apenas o silêncio
e ouve o soluço de minha alma
sou o ser que se debate
surdo dentro de ti.
 
by Rick Steindorfer
Eu estou aprendendo
  Cosmo Palasio de Moraes Jr.
 
Eu estou aprendendo
Que fé sendo só uma palavra
É pequena demais
Sendo uma prática
É muito maior do que a vida
Que meus amigos que caem
Sabem levantar
E que nem todos meus amigos
Que correm
Sabem levantar.
 
 
 

O amanhã trouxe para Fernando Pessoa uma admiração crescente. Suas obras foram aos poucos sendo publicadas e ele é considerado hoje, ao lado de Camões, um dos dois maiores poetas portugueses de todos os tempos. Nenhum poeta, em língua portuguesa, obteve tanto prestígio em todo o mundo. O obscuro e modesto lisboeta tornou-se, assim, um nome importante em todo o mundo. Graças ao poder da palavra. Graças à magia da poesia.

p x
 
''Sua paixão criança faz meu amor adulto.''
Caio Lucas
 

Pai

Tua velhice é ilha,

cercada de memória,

por todos os lados.

Tuca

Crepúsculo com ar de poesia

Convidando a sonhar,

O medo apertando a garganta quase nos impedia

Nos cruzamos, não por acaso, mas marcados

Numa primeira vez de magia.

Marineide Miranda

tentAtiva
odeteronchibaltazar
 
Tentei de tudo:
desde valium a vodka,
meditação, tai chi...
mas não adiantou:
estou,
de novo,
aqui,
como uma Perestroika
rapel

de costas para as quedas da vida

solto meu corpo no espaço

sem medo, e encontro, ávida,

meus sonhos (desfeitos) em pedaços.

©Linda Maria
Silencio de Mulher
Rosaria Coc - Misty

Dispa-me do silencio que me faz calmarias
Atraca-me antes que eu parta sem nada dizer!
 Faça-me em seu pleno sonhar de viver !
 
OFERENDA SANTA  
Susana Mendes
 
Alucina-me a tua bela imagem.
Vir pra você...
ahhh..
Este meu corpo que arde,
Posso eu tão somente ter-te assim,
Sob esta saudade,
e ...
Esperar-te
 

Mais do que meros pseudônimos, outros nomes com os quais um autor assina sua obra, os heterônimos são invenções de personagens completos, que têm uma biografia própria, estilos literários diferenciados, e que produzem uma obra paralela à do seu criador. Fernando Pessoa criou várias dessas personagens. Três deles foram excelentes poetas e seus poemas estão nesta antologia, lado a lado com os que Pessoa assinava com seu próprio nome. Os estudiosos seguem discutindo por que Pessoa teria criado seus heterônimos. Seria esquizofrenia? Psicografia? Uma grande piada? Um genial jogo de marketing poético? De certo, sabemos que a genialidade de Fernando Pessoa é grande demais para caber em um só poeta.

p x

Sou uma bruxa malvada?

Sou um pavio apagado?

Sou vindo da escuridão?

Quem sou, não interessa não...

Myriam Peres

Amor além da cama
 
Quero o amor além da cama. Quero a essência
Do que se chama amor e não apenas os corpos.
Corpos rolam em camas muitas vezes sem amor
Bocas beijam outras bocas quase sempre sem amor
E ainda me dizem por aí que é no calor da cama
Que dois que se beijam e se rolam fazem amor.
Francisco Libânio
 
 

Como bem o sintetizou o seu heterônimo mais atribulado, Álvaro de Campos:
"Quanto mais eu sinta, quanto mais eu sinta como várias pessoas,
Quanto mais personalidades eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentemente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diverso, dispersadamente atento,
Estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completo serei pelo espaço inteiro fora."

p x

 

Acaso

tímido sorriso

ousa suave

no canto do olhar...

não sabe fascina

segue caminho

estrelas sorrindo...

LianeNiremberg

 

Azul Cristalino

Me encolho,
Sou uma concha
De louca paixão e
De desejos reprimidos!
Delasnieve Daspet
Estrelas
  gracias de lunna
  Antes do tempo
do crescimento, da maduração,
das sofrenças, do desamparo,
da rosa deflorada
Antes que me tornasse
traduzível
Antes do rosto açoitado
Antes da poesia...
Antes do fato consumado
Antes..Muito antes
Quando a inocência protegia-me
Sobre a cerca, olhar
contava estrelas
E meus dedos eram pássaros
que mordiscavam a luz
 
 

Além disso, Fernando Pessoa viveu durante os primórdios do Modernismo, uma época em que a arte se fragmentava em várias tendências simultâneas, as chamadas Vanguardas: Futurismo, Cubismo, Expressionismo, Dadaísmo, Surrealismo e muitas outras.

A arte, no momento da explosão das inúmeras vanguardas modernistas por todo o mundo, também se dividia e se multiplicava. Fernando Pessoa, introdutor das vanguardas modernistas em Portugal, ao se dividir, levou a fragmentação da arte moderna às últimas conseqüências.

p x
 
Mil Mulheres
 
Tu és uma, duas,..., mil Mulheres!
Tu és tal e qual Profecia Celestina.
Tu és Banquete de Mil Talheres;
Tu és a Fada que a mim se destina!
 
Tu és A que me deste a Maçã;
Tu lançaste mil navios contra Tróia.
Tu derrubaste minha última barbacã;
Tu és, do Amor, a mais bela Jóia!
 
Tu és a Senhora de Avalon, formosa;
Tu és a Rainha do Egito místico.
Tu és a Pitonisa délfica, famosa;
Tu és a Rima do meu dístico.
 
Tu és a minha derradeira Tule;
Tu és Quem minha sombra anule.
 
Moacir et Selena 
 
 
GAIVOTAS
EM TERRA BANDEIRANTE
Jan Muá
19 de janeiro de 2003

Elas são elegantes e tagarelas
Mulheres de coragem
Lutadoras, escritoras e poetas brilhantes
Atraídas pela história da aventura e do desconhecido

São adventícias brasileiras
chegadas a um ponto comum de destino
Como gaivotas em terra
vivas e inteligentes

Capazes de sobreviver às borrascas e zangas do mar
Que anulam as tempestades dos céus e os trovões de Zeus

São gaivotas que resolveram levar o sonho da poesia
Até às praças jardins e salões da paulicéia desvairada
Gaivotas dinâmicas mobilizadas de norte a sul
no rumo da capital bandeirante

Atraídas pelos espaços lunares de tantas seduções
Gaivotas preparadas para inocular
no entranhável bloco urbano
A leveza das penas brancas e prateadas da poesia
Gaivotas simbólicas de segredo que no bico adunco
mostram a costura da poesia tecida na voz da mulher
como mensagem de amor e de paz

Gaivotas embaixadoras que sonharam se unir
para deixar na megalópole bandeirante
o grito poético de humanização
representado pelo retorno à percepção da origem
e da necessidade de preservação da natureza e do homem

Gritando, unidas em congressual voz,
Estas gaivotas poéticas e elegantes sabem
que já estão muito além das gaivotas de D. João VI
Porque são gaivotas livres
Que conhecem a sutileza da poesia
E sabem levantar vôo independente

E porque aprenderam a mergulhar em lances precisos
E perigosos
Nas águas piscosas do mar brasileiro

São gaivotas especiais
preservadas pelo sonho e pelos espaços sadios da Lua
Mulheres reais de muita simbologia
E de muita capacidade!

p x

O artista como artista sente menos do que os outros homens porque produz ao mesmo tempo que sente, e nesse caso há uma dualidade de espírito incompatível com o estar entregue a um sentimento."

Fernando Pessoa

p x

 
TT:)
 
Música: Sonata

Aconteceu|poetas|especiais|busca interna|livro de visitas|e-mail|home 
 


Para receber nosso
Boletim de Atualizações
cadastre AQUI o seu e-mail


Envie esta página
para alguém especial