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No início dos
anos 60, quando emergiam e ganhavam força no
país diversos movimentos sociais e correntes
de pensamento não conservadoras, quando
havia um grau de politização enorme dos
estudantes, foi instaurada uma ditadura
militar no Brasil, cujas conseqüências
nefastas sofremos até hoje: despolitização
de praticamente duas gerações; uma timidez
na imprensa que só começa a ser vencida
agora, mas que ainda é muito forte;
endividamento externo; e a criação de uma
máfia política que até hoje parasita o
Tesouro Nacional, sufocando o povo
brasileiro.
Ao assumir a
Presidência no lugar de Jânio Quadros, que
renunciara ao cargo, o vice João Goulart -
Jango - ganhou a desconfiança dos militares,
que quase o impediram de tomar posse em
1961. Ex-aliado de Getúlio Vargas, ele tinha
estreitas ligações com o movimento
trabalhista. Por isso, Goulart era simpático
aos grupos que pediam reformas agrária,
política e bancária. Bateu de frente com os
grupos mais tradicionais e poderosos. Os
Estados Unidos apoiaram a Revolução contra
João Goulart, que supostamente era um
simpatizante soviético.
Vetado pelos
ministros militares, odiado pelos
conservadores, que o queriam ver longe do
governo, com seu poder dilacerado pela
emenda parlamentarista, e sem pulso
suficiente para conter os radicais da
esquerda, o presidente João Belchior Marques
Goulart foi vítima de múltipla conspiração,
desde sua posse, ocorrida em 7 de setembro
de 1961.
No princípio, eram movimentos ocultos,
contidos em certa parte, pela atuação
moderada do Gabinete formado pelo
primeiro-ministro Tancredo de Almeida Neves.
Mas, com a volta do presidencialismo,
recolocando todos os poderes de governo nas
mãos do presidente da República, e com o
recrudescimento da ação das esquerdas, a
conspiração se tornou aberta, num confronto
entre as forças conservadoras e aquelas
ditas revolucionárias, que disputavam o
mesmo espaço. Escreve Francisco de Assis
Silva, em seu livro "História do Brasil":
"Todo mundo conspira: direita e esquerda;
civis e militares; moderados e radicais;
operários e camponeses. Os governadores
Ademar de Barros (SP), Magalhães Pinto (MG)
e Carlos Lacerda (GB) conspiravam com a ala
militar antijanguista. O golpe estava em
andamento. A direita congregava-se em
organizações como o Instituto de Pesquisas e
Estudos Sociais (Ipes) e o Instituto
Brasileiro de Ação Democrática (Ibad),
financiados pelos Estados Unidos, e outras
tantas que se uniram para impedir as
reformas sociais."
Verdade é que o presidente João Goulart em
nada contribuía para baixar a temperatura
efervescente nos meios políticos e na
caserna: ignorava o Congresso e a ala
conservadora, procurando impor suas reformas
baseado no lastro da popularidade de que
dispunha, e na expressiva votação que
obtivera nas eleições, ocasião em que
quebrou a unidade partidária, fazendo-se
vice-Presidente pelas esquerdas, junto com
Jânio, que representava a ala mais
reacionária da política brasileira. Era a
dobradinha "Jan-Jan" (Jânio e Jango).
Embora dispersa em vários comandos civis e
militares, principalmente no Rio de Janeiro,
em São Paulo e Minas Gerais, a oposição ao
governo reconhecia a ascendência das
lideranças do Rio, onde se achava o general
Artur da Costa e Silva, e para onde, mais
tarde, foi removido o general Humberto de
Alencar Castelo Branco, que deixou o comando
do 4º Exército, em Recife, para assumir o
comando do Estado Maior do Exército (EMEx),
onde eram maior o poder de articulação.
Correndo por fora da raia, como um franco
atirador, estava o general Olímpio Mourão
Filho, com opiniões próprias, infenso a
qualquer orientação vinda de fora de seu
comando, ele mesmo capaz de desequilibrar o
plano integrado das demais forças que
participavam da conspiração anti-Jango. E
foi Mourão que, na madrugada de 31 de março
de 1964, por sua própria conta e risco, e
sem conhecimento dos demais, saiu de Juiz de
Fora com um punhado de jovens soldados
inexperientes para a derrubada do governo,
antecipando em pelo menos 20 dias o
movimento que deveria eclodir a partir do
Rio de Janeiro.
Em 01 de abril
de 1964 o Brasil acordou sob novo regime. Um
golpe, liderado por militares e os setores
conservadores da sociedade brasileira,
depuseram o presidente João Goulart (Jango)
que exilou-se no Uruguai e deram início a um
regime ditatorial que sufocou o país por 21
anos.
Com a deposição de João Goulart , o
presidente da Câmara, Ranieri Mazzelli,
assumiu formalmente a presidência e
permanece no cargo até 15 de abril de 64. Na
prática, porém, o poder é exercido pelo
comando Supremo da Revolução (formado pelos
comandantes-em-chefe do Exército, da Marinha
e da Aeronáutica), entre eles, o general
Arthur da Costa e Silva, da Guerra
Revolução ou golpe? Essa discussão até hoje
está em aberto. Para os militares que
participaram do movimento, foi uma revolução
objetivando exterminar o comunismo que
atentava contra as liberdades democráticas;
para a ala esquerda, não pairavam dúvidas de
que se tratava de um golpe bem articulado
para impedir a realização das reformas; para
Mourão Filho, teria sido uma revolução
legítima, partindo de Minas Gerais, a qual
chegou vitoriosa ao Rio de Janeiro, mas lá
encontrou o general Costa e Silva já
instalado no gabinete do ministro da Guerra,
e o general Castelo Branco virtualmente
empossado presidente da República. Era o que
ele próprio chamou de "golpe de 1º de
abril".
Há 40 anos os militares perpetraram um golpe
vitorioso responsável pela deposição de João
Goulart, representando o fim do populismo,
afastando as lideranças civis e o início de
um dos períodos mais obscuros da nossa
história, marcado por 21 anos de ditadura
militar.

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