40 anos depois

1964 - REVOLUÇÃO OU GOLPE ?
A QUEDA DE JOÃO GOULART

No início dos anos 60, quando emergiam e ganhavam força no país diversos movimentos sociais e correntes de pensamento não conservadoras, quando havia um grau de politização enorme dos estudantes, foi instaurada uma ditadura militar no Brasil, cujas conseqüências nefastas sofremos até hoje: despolitização de praticamente duas gerações; uma timidez na imprensa que só começa a ser vencida agora, mas que ainda é muito forte; endividamento externo; e a criação de uma máfia política que até hoje parasita o Tesouro Nacional, sufocando o povo brasileiro.

Ao assumir a Presidência no lugar de Jânio Quadros, que renunciara ao cargo, o vice João Goulart - Jango - ganhou a desconfiança dos militares, que quase o impediram de tomar posse em 1961. Ex-aliado de Getúlio Vargas, ele tinha estreitas ligações com o movimento trabalhista. Por isso, Goulart era simpático aos grupos que pediam reformas agrária, política e bancária. Bateu de frente com os grupos mais tradicionais e poderosos. Os Estados Unidos apoiaram a Revolução contra João Goulart, que supostamente era um simpatizante soviético.

Vetado pelos ministros militares, odiado pelos conservadores, que o queriam ver longe do governo, com seu poder dilacerado pela emenda parlamentarista, e sem pulso suficiente para conter os radicais da esquerda, o presidente João Belchior Marques Goulart foi vítima de múltipla conspiração, desde sua posse, ocorrida em 7 de setembro de 1961.

No princípio, eram movimentos ocultos, contidos em certa parte, pela atuação moderada do Gabinete formado pelo primeiro-ministro Tancredo de Almeida Neves. Mas, com a volta do presidencialismo, recolocando todos os poderes de governo nas mãos do presidente da República, e com o recrudescimento da ação das esquerdas, a conspiração se tornou aberta, num confronto entre as forças conservadoras e aquelas ditas revolucionárias, que disputavam o mesmo espaço. Escreve Francisco de Assis Silva, em seu livro "História do Brasil":

"Todo mundo conspira: direita e esquerda; civis e militares; moderados e radicais; operários e camponeses. Os governadores Ademar de Barros (SP), Magalhães Pinto (MG) e Carlos Lacerda (GB) conspiravam com a ala militar antijanguista. O golpe estava em andamento. A direita congregava-se em organizações como o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes) e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad), financiados pelos Estados Unidos, e outras tantas que se uniram para impedir as reformas sociais."

Verdade é que o presidente João Goulart em nada contribuía para baixar a temperatura efervescente nos meios políticos e na caserna: ignorava o Congresso e a ala conservadora, procurando impor suas reformas baseado no lastro da popularidade de que dispunha, e na expressiva votação que obtivera nas eleições, ocasião em que quebrou a unidade partidária, fazendo-se vice-Presidente pelas esquerdas, junto com Jânio, que representava a ala mais reacionária da política brasileira. Era a dobradinha "Jan-Jan" (Jânio e Jango).

Embora dispersa em vários comandos civis e militares, principalmente no Rio de Janeiro, em São Paulo e Minas Gerais, a oposição ao governo reconhecia a ascendência das lideranças do Rio, onde se achava o general Artur da Costa e Silva, e para onde, mais tarde, foi removido o general Humberto de Alencar Castelo Branco, que deixou o comando do 4º Exército, em Recife, para assumir o comando do Estado Maior do Exército (EMEx), onde eram maior o poder de articulação.

Correndo por fora da raia, como um franco atirador, estava o general Olímpio Mourão Filho, com opiniões próprias, infenso a qualquer orientação vinda de fora de seu comando, ele mesmo capaz de desequilibrar o plano integrado das demais forças que participavam da conspiração anti-Jango. E foi Mourão que, na madrugada de 31 de março de 1964, por sua própria conta e risco, e sem conhecimento dos demais, saiu de Juiz de Fora com um punhado de jovens soldados inexperientes para a derrubada do governo, antecipando em pelo menos 20 dias o movimento que deveria eclodir a partir do Rio de Janeiro.

Em 01 de abril de 1964 o Brasil acordou sob novo regime. Um golpe, liderado por militares e os setores conservadores da sociedade brasileira, depuseram o presidente João Goulart (Jango) que exilou-se no Uruguai e deram início a um regime ditatorial que sufocou o país por 21 anos.

Com a deposição de João Goulart , o presidente da Câmara, Ranieri Mazzelli, assumiu formalmente a presidência e permanece no cargo até 15 de abril de 64. Na prática, porém, o poder é exercido pelo comando Supremo da Revolução (formado pelos comandantes-em-chefe do Exército, da Marinha e da Aeronáutica), entre eles, o general Arthur da Costa e Silva, da Guerra

Revolução ou golpe? Essa discussão até hoje está em aberto. Para os militares que participaram do movimento, foi uma revolução objetivando exterminar o comunismo que atentava contra as liberdades democráticas; para a ala esquerda, não pairavam dúvidas de que se tratava de um golpe bem articulado para impedir a realização das reformas; para Mourão Filho, teria sido uma revolução legítima, partindo de Minas Gerais, a qual chegou vitoriosa ao Rio de Janeiro, mas lá encontrou o general Costa e Silva já instalado no gabinete do ministro da Guerra, e o general Castelo Branco virtualmente empossado presidente da República. Era o que ele próprio chamou de "golpe de 1º de abril".

Há 40 anos os militares perpetraram um golpe vitorioso responsável pela deposição de João Goulart, representando o fim do populismo, afastando as lideranças civis e o início de um dos períodos mais obscuros da nossa história, marcado por 21 anos de ditadura militar.

 

Todas pesquisas sobre o assunto foram retiradas da internet nos links abaixo:
http://www.marighella.rg3.net/
http://www.culturabrasil.pro.br/ditadura.htm
http://www.terravista.pt/Enseada/1965/brasil.htm
http://elogica.br.inter.net/crdubeux/historia.html
http://www.conscienciapolitica.hpg.ig.com.br/ditadura.htm
http://www.resistenciabr.hpg.ig.com.br/1964%20Revolucao.htm
http://www.escolavesper.com.br/regime_militar_de_1964_pg_2.htm
http://planeta.terra.com.br/arte/mundoantigo/ditadura/index.htm
http://www.fem.com.br/historiabrasil/ditadura/ditadura_militar_no_brasil.htm

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