40 anos depois

GAL. EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI
1969-1974

Em 30 de outubro de 1969, os parlamentares elegeram Emílio Garrastazu Médici para a presidência.Integrante da "linha dura", Médici fez o governo mais violento do regime militar. Adotou a prática da tortura e a censura da imprensa como forma de silenciar a oposição ao regime militar. 

Seu Governo ficou conhecido como "os anos negros da ditadura". Estava então instalada a fase mais violenta de uma ditadura terrorista, na qual muitas prisões, torturas, assassinatos e desaparecimentos de presos políticos foram praticados em nome da segurança nacional pelos DOI-CODIs, órgãos governamentais responsáveis por anular os esquerdistas.  O movimento estudantil e sindical estavam contidos e silenciados pela repressão policial.

Quando o general Médici assumiu a presidência, o fechamento dos canais de participação política levou a esquerda a optar pela luta armada e pela guerrilha urbana. Dois tipos de ações foram mais freqüentes: assaltos a bancos, para conseguir dinheiro na luta armada contra o governo, e seqüestro de diplomatas estrangeiros, para trocá-los por presos políticos.

Foi instalada censura total nos jornais, periódicos, TVs, rádios, etc. e só se veiculavam notícias pró-governo. A campanha publicitária oficial levantava slogans como "Brasil, ame-o ou deixe-o" ou "Ninguém segura este país", numa referência ao milagre econômico de 1970. Por outro lado, escondia-se a face radical e repressora do governo Médici (1969-1973). A campanha do Tricampeonato de Futebol ofuscou qualquer protesto político.

Caetano e Gil foram exilados, assim como Vandré e muitas outras importantes figuras da cultura dos anos 60. Todos os meios de comunicação (imprensa, cinema, teatro, música) foram amordaçados, esperando pela “volta do cipó de arueira no lombo de quem mandou dar” (Edu Lobo).

Nessa época foram seqüestrados os embaixadores do Suíça, da Alemanha e dos EUA. Ainda durante o governo de Médici, o Partido Comunista do Brasil, considerado ilegal pelo governo, organizou uma guerrilha na região do Araguaia conhecida como "Bico do Papagaio", onde se tornaram freqüentes os conflitos pela posse de terra. O governo militar reprimiu durante a guerrilha centenas de pessoas tanto no campo como nas cidades. Os presos eram submetidos a cruéis torturas para dizer o nome de seus companheiros de luta e os planos de organizações que pertenciam.

Inúmeros grupos armados de esquerda surgiram em todo o país. Destacam-se a ALN (Aliança Libertadora Nacional), liderada por Marighella, a VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária), sob o comando de Carlos Lamarca, o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro - data da morte de Che Guevara na Bolívia) e o PCdoB. (O PCB posicionou-se contra a luta armada.) Na Guerrilha urbana, teve papel de realce o seqüestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick, pela ALN. Algumas guerrilhas interioranas foram mais duradouras e sangrentas, entre as quais a de Ribeira, a de Caparaó e principalmente a Guerrilha do Araguaia. Esta prolongou-se de 1972 a 1975.

1o. PND - O endurecimento político, entretanto, foi mascarado pelo "milagre econômico", crescimento extraordinário do PIB (cerca de 10% ao ano), diversificação das atividades produtivas e o surgimento de uma nova classe média com alto poder aquisitivo. Tudo isso repousando sobre o aumento estrondoso da concentração de renda, dando-nos o título de país mais injusto do planeta. O crescimento deveu ao Plano Nacional de Desenvolvimento, cujo artífice era o então ministro Delfim Neto. Mas o crescimento não se deveu a milagre: iniciou-se um processo galopante de endividamento (dívida em 1964=1,5 bi; 1970=14 bi; 1985=90 bi), a especulação no Open Market com títulos do governo prejudicou sobremodo a produção e a concentração de renda e da propriedade agrária agravou-se acentuadamente.

Para esconder da população facetas negativas do governo, os índices oficiais de inflação foram manipulados. Lamentável é saber que o endividamento não se reverteu em distribuição mais eqüitativa da renda, mas serviu para custear obras faraônicas, de necessidade duvidosa, tais como a Ponte Rio-Niterói, a Transamazônica, a Usina de Itaipu, etc.

Ao final do governo, as taxas de crescimento começavam a declinar. Deveu-se tal fato principalmente à Crise do Petróleo em 1973, que nos atingiu profundamente, uma vez que, nesse período, a maior parte do petróleo consumido aqui era importada. Assumiu o governo Ernesto Geisel, mais ligado à linha Castellista (ou da Sorbonne) do que à linha dura.

 

Todas pesquisas sobre o assunto foram retiradas da internet nos links abaixo:
http://www.marighella.rg3.net/
http://www.culturabrasil.pro.br/ditadura.htm
http://www.terravista.pt/Enseada/1965/brasil.htm
http://elogica.br.inter.net/crdubeux/historia.html
http://www.conscienciapolitica.hpg.ig.com.br/ditadura.htm
http://www.resistenciabr.hpg.ig.com.br/1964%20Revolucao.htm
http://www.escolavesper.com.br/regime_militar_de_1964_pg_2.htm
http://planeta.terra.com.br/arte/mundoantigo/ditadura/index.htm
http://www.fem.com.br/historiabrasil/ditadura/ditadura_militar_no_brasil.htm

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