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Em 30 de
outubro de 1969, os parlamentares elegeram
Emílio Garrastazu Médici para a
presidência.Integrante da "linha dura",
Médici fez o governo mais violento do regime
militar. Adotou a prática da tortura e a
censura da imprensa como forma de silenciar
a oposição ao regime militar.
Seu Governo
ficou conhecido como "os anos negros da
ditadura". Estava então instalada a fase
mais violenta de uma ditadura terrorista, na
qual muitas prisões, torturas, assassinatos
e desaparecimentos de presos políticos foram
praticados em nome da segurança nacional
pelos DOI-CODIs, órgãos governamentais
responsáveis por anular os esquerdistas.
O movimento estudantil e sindical estavam
contidos e silenciados pela repressão
policial.
Quando o
general Médici assumiu a presidência, o
fechamento dos canais de participação
política levou a esquerda a optar pela luta
armada e pela guerrilha urbana. Dois tipos
de ações foram mais freqüentes: assaltos a
bancos, para conseguir dinheiro na luta
armada contra o governo, e seqüestro de
diplomatas estrangeiros, para trocá-los por
presos políticos.
Foi instalada
censura total nos jornais, periódicos, TVs,
rádios, etc. e só se veiculavam notícias
pró-governo. A campanha publicitária oficial
levantava slogans como "Brasil, ame-o ou
deixe-o" ou "Ninguém segura este país", numa
referência ao milagre econômico de 1970. Por
outro lado, escondia-se a face radical e
repressora do governo Médici (1969-1973). A
campanha do Tricampeonato de Futebol ofuscou
qualquer protesto político.
Caetano e Gil foram exilados, assim como
Vandré e muitas outras importantes figuras
da cultura dos anos 60. Todos os meios de
comunicação (imprensa, cinema, teatro,
música) foram amordaçados, esperando pela
“volta do cipó de arueira no lombo de quem
mandou dar” (Edu Lobo).
Nessa época
foram seqüestrados os embaixadores do Suíça,
da Alemanha e dos EUA. Ainda durante o
governo de Médici, o Partido Comunista do
Brasil, considerado ilegal pelo governo,
organizou uma guerrilha na região do
Araguaia conhecida como "Bico do Papagaio",
onde se tornaram freqüentes os conflitos
pela posse de terra. O governo militar
reprimiu durante a guerrilha centenas de
pessoas tanto no campo como nas cidades. Os
presos eram submetidos a cruéis torturas
para dizer o nome de seus companheiros de
luta e os planos de organizações que
pertenciam.
Inúmeros grupos armados de esquerda surgiram
em todo o país. Destacam-se a ALN (Aliança
Libertadora Nacional), liderada por
Marighella, a VAR-Palmares (Vanguarda Armada
Revolucionária), sob o comando de Carlos
Lamarca, o MR-8 (Movimento Revolucionário 8
de outubro - data da morte de Che Guevara na
Bolívia) e o PCdoB. (O PCB posicionou-se
contra a luta armada.) Na Guerrilha urbana,
teve papel de realce o seqüestro do
embaixador norte-americano Charles Elbrick,
pela ALN. Algumas guerrilhas interioranas
foram mais duradouras e sangrentas, entre as
quais a de Ribeira, a de Caparaó e
principalmente a Guerrilha do Araguaia. Esta
prolongou-se de 1972 a 1975.
1o. PND - O endurecimento político,
entretanto, foi mascarado pelo "milagre
econômico", crescimento extraordinário do
PIB (cerca de 10% ao ano), diversificação
das atividades produtivas e o surgimento de
uma nova classe média com alto poder
aquisitivo. Tudo isso repousando sobre o
aumento estrondoso da concentração de renda,
dando-nos o título de país mais injusto do
planeta. O crescimento deveu ao Plano
Nacional de Desenvolvimento, cujo artífice
era o então ministro Delfim Neto. Mas o
crescimento não se deveu a milagre:
iniciou-se um processo galopante de
endividamento (dívida em 1964=1,5 bi;
1970=14 bi; 1985=90 bi), a especulação no
Open Market com títulos do governo
prejudicou sobremodo a produção e a
concentração de renda e da propriedade
agrária agravou-se acentuadamente.
Para esconder da população facetas negativas
do governo, os índices oficiais de inflação
foram manipulados. Lamentável é saber que o
endividamento não se reverteu em
distribuição mais eqüitativa da renda, mas
serviu para custear obras faraônicas, de
necessidade duvidosa, tais como a Ponte
Rio-Niterói, a Transamazônica, a Usina de
Itaipu, etc.
Ao final do governo, as taxas de crescimento
começavam a declinar. Deveu-se tal fato
principalmente à Crise do Petróleo em 1973,
que nos atingiu profundamente, uma vez que,
nesse período, a maior parte do petróleo
consumido aqui era importada. Assumiu o
governo Ernesto Geisel, mais ligado à linha
Castellista (ou da Sorbonne) do que à linha
dura.

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