40 anos depois

GAL. ERNESTO GEISEL
1974-1978

Em 15 de março de 1974, o General Ernesto Geisel assumiu a presidência, logo após a Crise do Petróleo, não foi um país pacificado, em que a ditadura não tinha mais oposição; recebeu um país sufocado, amordaçado, que não seria fácil controlar e dominar. Teve que enfrentar dificuldades econômicas e políticas que anunciavam o fim do "Milagre Econômico" e ameaçavam o Regime Militar, além dos problemas herdados de outras gestões: já no final de 1973, a dívida externa contraída para financiar as obras faraônicas do governo ultrapassava os 10 bilhões de dólares. Em 1974, a inflação chegava a 34,5% e dificultava a correção dos salários.

O clima de terror que o Brasil conheceu a partir da decretação do AI-5 teve seu ápice em outubro de 1975, quando o jornalista Wladimir Herzog foi morto na prisão, em São Paulo. Houve uma imediata reação dos setores democráticos do país, que se reuniram num ato ecumênico pela alma de Herzog na Catedral da Sé. Em janeiro de 76, a morte do operário Manoel Fiel Filho em circunstâncias semelhantes forçou o governo a apressar a liberalização do regime. O general Ednardo D'Ávila Mello foi afastado do comando do 2.º Exército, sediado em São Paulo. A partir daí teve início um processo que Geisel chamava de "abertura lenta, gradual e segura".

Este presidente percebeu a necessidade de liberar o regime (ditadura). Iniciou o processo de abertura política, pressionado pelos opositores e pela opinião pública. Durante seu governo houve as eleições para Deputados, Senadores, Vereadores, e essas eleições seriam diretas.

PND II - Geisel, surpreendentemente, ao invés de utilizar-se de uma política recessiva de maior contenção, se propôs a investir no crescimento econômico. O Brasil permaneceu, assim, com grande endividamento externo, mas direcionando os investimentos na indústria, para projetos que substituíssem importações. A meta era alcançar um crescimento industrial de 12% ao ano até 1979. Para isso desenvolveu o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), que visava a criar bases para a indústria (procurando reduzir a dependência em relação a fontes externas).

Com o objetivo de ampliar as fontes alternativas de energia para fazer frente à Crise do Petróleo, os investimentos se estenderam para o setor energético: iniciou-se um programa visando à implantação de um combustível alternativo à gasolina, o álcool. Surgiu então o Proálcool (Programa Nacional do Álcool), ao mesmo tempo que desencadeou um campanha de racionamento de combustíveis. Acompanhando isso, criou-se o Procarvão (Programa Nacional de Carvão), visando à substituição do óleo combustível. Ainda na área de energia, foi aprovado em 1975 o Programa Nuclear Brasileiro, uma aliança com os alemães que previa a instalação de uma usina de enriquecimento de urânio, além de centrais Termonucleares.

Esse programa, firmado com a Alemanha Ocidental, fez com que os Estados Unidos ameaçassem cortar o crédito pretendido pelo governo brasileiro, no valor de 50 milhões de dólares para fins militares. Geisel, não aceitando tal ameaça, adiantou-se, rompendo o acordo militar com os Estados Unidos. Houve também a preocupação com o aproveitamento do potencial hidráulico. Foram construídas as usinas de Tucuruí, no rio Tocantins, e de Itaipu, no rio Paraná, a maior usina hidroelétrica do mundo. No entanto, essas usinas excessivamente grande têm seu benefício questionado. Avalia-se que melhor teria sido a construção de várias pequenas hidrelétricas do que uma gigantesca.

A crise internacional do petróleo desencadeada em 1973 afetou o desenvolvimento industrial e aumentou o desemprego. Diante desse quadro, Geisel propôs um projeto de abertura política "lenta, gradual e segura". O plano de abertura é atribuído ao ministro-chefe do Gabinete Civil, general Golbery do Couto e Silva. Chama-se a Golbery de "eminência parda", pois era ele quem efetivamente planejava a maior parte dos atos do governo, sem contudo assumir o cargo de Presidente. Ainda assim, cassaram-se mandatos e direitos políticos.

Lei Falcão - Nas eleições de 1974, o crescimento das oposições mostrou-se patente. Em troca, em 24 de junho de 1976, o governo promulgou a Lei Falcão, que impedia o debate político nos meios de comunicação, particularmente no rádio e na televisão.

Em 20 de Janeiro de 1976, o General da linha dura Eduardo d'Ávila Mello foi afastado do comando do 2º Exército e substituído pelo General Dilermando Gomes Monteiro. A medida foi tomada em conseqüência das mortes do jornalista Wladimir Herzog, em 25 de outubro de 1975, e do operário Manuel Fiel Filho, em 17 de janeiro de 1976, no interior do DOI- Codi, órgão de repressão vinculado ao Exército. Quando de suas mortes, a nota do governo alegava que eles haviam se suicidado. Em 12 de outubro de 1977 foi também exonerado o ministro do Exército, o General Sílvio Frota, também da linha dura, por sua oposição à liberalização do regime. Geisel desmanchou, com isso, as articulações do ex-ministro para concorrer à presidência.

Pacote de Abril - Prevendo uma vitória da oposição nas eleições de 1978, Geisel fechou o Congresso por duas semanas e decretou em abril de 77 o "Pacote de Abril", que alterava as regras eleitorais: as bancadas estaduais da Câmara não podiam ter mais do que 55 deputados ou menos que seis. Com isso, os estados do Norte e do Nordeste, menos populosos, porém mais controlados pela Arena, garantiriam uma boa representação no Congresso, contrabalançando as bancadas do Sul e Sudeste, onde a oposição era mais expressiva, e o número de eleitores era muito superior.

O pacote mantém as eleições indiretas para governadores e criou a figura do senador biônico: um em cada três senadores passaria a ser eleito indiretamente pelas Assembléias Legislativas de seus estados. Em 15 de outubro de 1978 o MDB apresentou seu candidato ao colégio eleitoral, o general Euler Bentes, que recebeu 266 votos, contra 355 votos do candidato do governo, João Baptista Figueiredo. Nas eleições legislativas de 15 de novembro a Arena obteve em todo o país 13,1 milhões de votos para o Senado e 15 milhões para a Câmara; o MDB conseguiu 17 milhões de votos para o Senado e 14,8 milhões para a Câmara. Geisel conseguiu que a "distensão" seguisse nos seus moldes, lenta, gradual e segura. Obteve a eleição de Figueiredo, mas não impediu o avanço inconteste da oposição. Já ao final de seu mandato, em 1o. de janeiro de 1979, Geisel fez um ato louvável: extinguiu o AI-5.

 

Todas pesquisas sobre o assunto foram retiradas da internet nos links abaixo:
http://www.marighella.rg3.net/
http://www.culturabrasil.pro.br/ditadura.htm
http://www.terravista.pt/Enseada/1965/brasil.htm
http://elogica.br.inter.net/crdubeux/historia.html
http://www.conscienciapolitica.hpg.ig.com.br/ditadura.htm
http://www.resistenciabr.hpg.ig.com.br/1964%20Revolucao.htm
http://www.escolavesper.com.br/regime_militar_de_1964_pg_2.htm
http://planeta.terra.com.br/arte/mundoantigo/ditadura/index.htm
http://www.fem.com.br/historiabrasil/ditadura/ditadura_militar_no_brasil.htm

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