|
Nos anos sessenta,
quando o homem atingiu o espaço, as imagens
fotográficas do Planeta Terra ficaram gravadas em
nossa mente. Visto do espaço, nosso Planeta
comovia por sua beleza e solidão, mas esta imagem
deixou claro, que "nosso lar" afinal de contas é
um planeta pequeno, autônomo, mas de certa forma
frágil.
A partir dessa imagem o homem percebeu que a Terra
é um sistema unificado, e que seu solo, seus
oceanos, sua atmosfera e as comunidades biológicas
interagem, se mesclam, permutam entre si. Surge
então uma nova ciência que estuda as relações e
interações entre os seres deste sistema e suas
conseqüências: A Ciência Ambiental ou Ecologia.
Na natureza, todos
os seres vivos mantém relações entre si e com o
meio ambiente. Essas relações provocam uma
contínua movimentação de energia: os seres vivos
retiram da natureza os nutrientes necessários para
o seu desenvolvimento, e essa energia retorna ao
solo quando esses seres morrem. Essa energia
poderá ser reaproveitada por outros seres vivos.
Assim, existe um equilíbrio entre o que é retirado
e o que retorna ao ambiente: é o chamado
equilíbrio ecológico.
O aparecimento das
sociedades humanas foi marcante como um novo
elemento de transformação da natureza, devido às
mudanças que elas passaram a provocar em toda a
biosfera. Essas mudanças têm efeitos positivos
para os homens, isto é, trazem benefícios para a
sociedade.
A produção de
alimentos e de bens industrializados, a melhoria
das condições de moradia (fornecimento de água
tratada e encanada, instalação de redes de esgoto)
são exemplos de efeitos positivos, assim como todo
o desenvolvimento tecnológico nos ramos da
medicina, dos transportes, das comunicações -
enfim, tudo aquilo que auxilia as sociedades
humanas em suas atividades.
O resultado da ação
humana sobre a superfície terrestre nos conduz à
idéia de tecnosfera. Todo o desenvolvimento
tecnológico e todos os benefícios que vêm das
novas tecnologias são conseguidos à custa da
transformação da natureza.
A energia utilizada para transformar
matérias-primas em produtos vem da natureza, assim
como as próprias matéria-primas. Se, por um lado,
isso se reverte em efeitos positivos, por outro
gera efeitos negativos.
A exploração dos recursos naturais sem nenhum
controle, o ritmo atual das transformações e a
realização dessas transformações em nível global
causam problemas ambientais pra o próprio meio
ambiente e também para o homem, que faz parte
desse conjunto.
O planeta Terra passa por grandes transformações
em seu ambiente natural, que se não contornadas e
mitigadas, colocarão em risco a qualidade de vida
das gerações futuras. Ações do ser humano desde os
primórdios da humanidade, tais como a caça e a
agricultura, e mais recentemente a atividade
industrial, e o uso intenso de combustíveis
fósseis, vêm impactando o meio ambiente de forma
irreversível.
Essas ações podem levar ao aumento da temperatura
da Terra (efeito estufa); esgotamento dos recursos
naturais não-renováveis (petróleo, carvão);
esgotamento dos recursos hídricos, destruição da
camada de ozônio; perda de biodiversidade;
contaminação e esgotamento dos recursos dos
oceanos; acidentes ambientais; degradação dos
solos; supercrescimento da população humana;
proliferação de doenças.
Como o setor industrial é um dos principais atores
na degradação do meio ambiente, tem sido
pressionado a tomar ações no intuito de minimizar
este processo e assumir suas responsabilidades
ambientais nos processos produtivos, desde a
obtenção da matéria-prima até a disposição final,
dentro do conceito "do berço ao túmulo".
Estamos vivendo um período de transição histórica,
no qual a consciência dos conflitos entre
atividades e meio ambiente está literalmente
explodindo. Jamais em nossa história tivemos tanto
conhecimento, tecnologia e recursos. Em nenhum
outro momento tivemos tantas capacidades. O tempo
e as oportunidades vieram romper com as tendências
negativas do passado.
Nossa vida está intimamente ligada aos recursos
que o nosso planeta oferece: ar, água, terra,
minerais, planta, animais. A extensão do impacto
humano sobre a Terra depende do número de pessoas
existentes e da quantidade de recursos utilizados.
O uso máximo de recursos que o planeta ou uma
determinada região pode sustentar define a sua
capacidade de provisão. Esta capacidade pode ser
aumentada pela agricultura e pela tecnologia, e
geralmente isto ocorre à custa da redução da
diversidade biológica ou da perturbação de
processos ecológicos. A capacidade de provisão é
limitada pela capacidade da natureza de se
recompor ou absorver resíduos de modo seguro. As
nossas civilizações estão hoje ameaçadas porque
utilizamos mal os recursos e perturbamos os
sistemas naturais. Estamos pressionando a Terra
até os limites de sua capacidade.
Desde o início da
era industrial, o número de seres humanos
multiplicou-se e esse aumento na quantidade de
seres humanos e de suas atividades teve um grande
impacto sobre o meio ambiente. A diversidade de
vida na Terra diminuiu. Em menos de duzentos anos,
o planeta perdeu seis milhões de quilômetros
quadrados de florestas. Há uma grande quantidade
de terras desgastadas pela erosão e o volume de
sedimentos nos rios cresceu três vezes nas
principais bacias e oito vezes nas bacias menores
e mais utilizadas. Os sistemas atmosféricos foram
perturbados, gerando uma ameaça ao padrão
climático; a poluição invadiu nosso ar, nossa
terra e nossa água e tornou-se uma ameaça
crescente à saúde.
Centenas de milhões de pessoas lutam na pobreza,
privadas de uma qualidade de vida tolerável. A
cada ano, milhões de pessoas morrem de desnutrição
e de doenças que podem ser evitadas. Esta situação
não é apenas injusta, ela ameaça a paz e a
estabilidade de muitos países e do mundo.
Se tantas pessoas padecem hoje de uma qualidade de
vida inadequada, como farão tantos bilhões a mais
para conseguir a comida, a água, os cuidados
médicos e o abrigo de que necessitam? Como
poderemos sustentar este enorme aumento no número
de seres humanos sem causar danos irreversíveis à
Terra? Com certeza não será continuando a viver
como fazemos hoje. É preciso encontrar novas
maneiras de viver e se desenvolver, maneiras que
preservem a vitalidade da Terra e que sejam,
portanto, sustentáveis a longo prazo.
Os recursos naturais são a base do desenvolvimento
econômico; proteção ambiental e desenvolvimento
econômico são inseparáveis. Pode parecer que a
economia dos países industrializados está
dissociada da agricultura, ou que parou de
depender dela. Não há uma sociedade ou economia
pós-agrícola. Economia sem pronto acesso à
adequação ou uso apropriado de recursos naturais
tende a ser frágil e pouco sólida.
O desenvolvimento
não pode ser sustentado com uma base de recursos
naturais deteriorados, e o meio ambiente não pode
ser protegido quando os projetos teimam em não
levar em consideração o preço da destruição
ambiental e em dispor de recursos para preveni-la.
Para que as economias nacionais cresçam e sejam
promissoras, os recursos naturais devem ser
conservados.
Este objetivo pode ser alcançado através do
desenvolvimento sustentável, um programa que
satisfaz hoje as necessidades dos indivíduos, sem
destruir os recursos que serão necessários no
futuro, baseado em planejamento a longo prazo e no
reconhecimento de que, para manter o acesso aos
recursos que tornam a nossa vida diária possível,
devemos admitir os limites de tais recursos.
Desenvolvimento sustentável é, em essência,
integrado. Integra a preocupação em proteger a
base dos recursos naturais com a preocupação em
reduzir a pobreza, de modo que as pessoas não
sejam forçadas a, destruir o solo e as florestas
para sobreviverem. Ele integra a necessidade do
uso sustentável e eficiente de energia para
conservar as fontes de energia, com a necessidade
de cidades despoluídas e ecossistemas globais
preservados. Ele integra o valor da saúde humana
com a importância dos recursos humanos para as
economias nacionais.
O desenvolvimento sustentável apóia-se no
reconhecimento de: a) qualidade ambiental e
desenvolvimento econômico estão ligados, e o
desenvolvimento e a economia devem estar
integrados desde o início dos processos de
formulação de decisões; b) desgastes ambientais
estão inter-relacionados como, por exemplo, a
derrubada de árvores que implica não apenas
destruição de florestas, mas, também, uma
aceleração da erosão do solo e assoreamento de
rios e lagos; c) problemas econômicos e ambientais
estão relacionados a muitos fatores sociais e
políticos e o rápido crescimento populacional, que
causa um profundo efeito no desenvolvimento e meio
ambiente em muitas nações, é ocasionado, em parte,
pela posição inferior das mulheres em tais
sociedades; d) ecossistemas, poluição e fatores
econômicos não respeitam fronteiras nacionais,
tornando críticas a comunicação e cooperação
internacionais.
Tal integração deve também ser refletida em uma
mudança institucional nas agências e organizações
que criam programas que afetam o desenvolvimento.
Elas devem unir desenvolvimento e meio ambiente;
bem como atar os fatores sociais e políticos à
indústria, agricultura e comércio. Elas devem
contribuir ainda para a união de todos os países.
A força geradora de cooperação internacional para
iniciar de maneira global a transição para o
desenvolvimento sustentável não se fundamenta
apenas no reconhecimento ético de como estão mal
repartidos os problemas e os meios para
enfrentá-los. No plano ético, a transformação se
afigura mais profunda: nossas sociedades, ou pelo
menos alguns setores sociais importantes, estão
começando a propor novas normas para determinar
não somente nossas relações mútuas, individuais ou
grupais, como também as que nos vinculam ao mundo
natural.
À medida que sejam efetivamente implantadas, na
sociedade, essas novas formas e a bioética, por
elas configurada, tenderiam a transformar atuais
formas de ação depredadoras sobre o mundo físico e
biológico, mediante a incorporação de três
princípios básicos: a) a interdependência de todas
as formas de vida; b) a complexidade e a
diversidade dos ecossistemas como garantia de sua
estabilidade; c) o caráter finito dos recursos
biofísicos como fator que limita a intensidade e a
escala de sua exploração.
Só se pode compreender o mundo atual como uma
conjugação de processos múltiplos interconectados.
A consciência de uma interdependência ecológica.
Os ciclos biogeoquímicos que se integram no
funcionamento da biosfera nunca reconheceram
fronteiras. Tanto a própria humanidade como as
espécies que lhe são de utilidade imediata
evoluíram conjuntamente com microorganismos cuja
dinâmica, determinante de epidemias, não respeitou
tampouco as demarcações culturais nem as linhas
divisórias político-administrativas.
O fenômeno da poluição foi um dos primeiros a
suscitar a necessidade de negociações
internacionais no tocante ao manejo de resíduos e
foi um dos primeiros problemas que deram origem à
Conferência sobre Hábitat Humano, realizado em
Estocolmo em 1972, antecessora imediata da
Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente
e Desenvolvimento.
A percepção de novos fenômenos globais vem
reforçar a necessidade de encarar a nossa biosfera
por um prisma sistêmico, um mecanismo de ligação
entre processos econômicos, ecológicos e
culturais.
Se uma atividade é sustentável, em termos
práticos, ela pode continuar para sempre.
Desempenhar uma atividade de modo sustentável
agora não irá pôr em risco esta mesma atividade no
futuro.
Uma sociedade sustentável é aquela que não coloca
em risco o ar, a água, a terra, a vida vegetal e
animal dos quais o nosso bem-estar depende.
Para que uma sociedade seja de fato sustentável, é
necessário estabelecer os Princípios da Vida
Sustentável tais como: respeitar e cuidar da
comunidade; dos seres vivos; melhorar a qualidade
de vida humana; conservar a vitalidade e
diversidade do planeta Terra; permanecer nos
limites da capacidade de suporte do planeta Terra;
modificar atitudes e práticas pcssoais; permitir
que as comunidades cuidem de seu próprio meio
ambiente; gerar uma estrutura nacional para
integração de desenvolvimento e conservação;
construir uma aliança global.
Desenvolvimento sustentável refere-se, assim, à
melhoria na qualidade de vida humana,
respeitando-se ao mesmo tempo os limites da
capacidade de provisão dos ecossistemas nos quais
vivemos. Uma economia sustentável, por sua vez, é
o produto do desenvolvimento sustentável, ela
conserva sua fonte de recursos naturais, mas
consegue se desenvolver pela adaptação e pelo
aprimoramento no conhecimento, na organização, na
eficácia e, não menos importante, na sabedoria.
Quando uma atividade é definida como sustentável,
ela o é com base no que se sabe na ocasião. Os
julgamentos devem ser feitos com base no
conhecimento mais apurado à disposição.
Entretanto, não é possível dar garantias longas de
sustentabilidade; erros podem ocorrer, ou as
informações disponíveis podem ter sido
inadequadas.
Disto tudo podemos extrair uma lição: é preciso
estar atento ao tema da conservação em ações que
podem afetar o meio ambiente, estudar
cuidadosamente os efeitos destas ações e aprender
rapidamente com os erros. Para diminuir o
sofrimento e o risco de crises ambientais, o
desenvolvimento deve tomar outro rumo. As pessoas
e a sociedade podem progredir, estando atentas aos
cuidados com a Terra.
A mais alarmante de todas as investidas do homem
contra o meio ambiente é a contaminação do ar,
terra, rios e mares com materiais nocivos ou até
mesmo letais.
Essa poluição é, em grande parte, irrecuperável ;
a cadeia do mal que ela induz não apenas no mundo
que mantém a vida, mas nos tecidos vivos, é quase
que totalmente irreversível.
Nessa atual contaminação universal do meio
ambiente, os produtos químicos são os companheiros
sinistros e pouco reconhecidos da radiação na
mudança da natureza do mundo, da natureza da vida.
O meio ambiente,
tema muito em voga no final do século passado e
início deste, foi objeto de inúmeras conferências
de âmbito global (Estocolmo em 1972, Rio de
Janeiro em 1992, Kyoto em 97, para não citá-las
todas), uma vez que é de vital importância que
seja preservado.
No mundo desenvolvido de hoje, não é raro a falta
de preocupação com a exploração indiscriminada dos
recursos naturais renováveis, ocorrendo
freqüentemente a socialização do prejuízo
ambiental e a monopolização do lucro da
exploração, onerando os contribuintes,
consumidores e membros da coletividade.
Demais disso, é garantia constitucional, sem
parâmetro em nenhum outro país, a qualidade de
vida e a proteção ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado para as presentes e futuras gerações
(conforme o teor do artigo 225 da Constituição
Federal).
|