|
A água é um bem precioso e cada vez mais tema de
debates no mundo todo. O uso irracional e a
poluição de fontes importantes (rios e lagos),
podem ocasionar a falta de água doce muito em
breve, caso nenhuma providência seja tomada.
Dados fornecidos pela ONU, com a colaboração de
governos e entidades ligadas ao assunto, dão conta
de que mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não
têm sequer acesso a água potável. Já a água que
utilizamos (nós, os privilegiados) provém de
processos de tratamento e purificação que são
necessários devido aos altos índices de poluição a
que são submetidos os nossos mananciais hídricos,
provocados pelo despejo de dejetos de residências
e indústrias.
A poluição que assola principalmente os grandes
centros urbanos constitui problema tão grave que
cerca de 5 milhões de pessoas morrem por ano em
decorrência do consumo de água contaminada. A
dificuldade dos órgãos públicos em relação ao
saneamento básico está se tornando insustentável.
Ao mesmo tempo, o acesso à água potável e em
quantidade suficiente para o consumo é um direito
fundamental garantido pela constituição (Lei de
Águas – 9433/97), porém o cumprimento desta lei
depende de todos nós. Criar hábitos no sentido de
racionalizar o uso, evitar o despejo de dejetos
diretamente nos rios e riachos, a elaboração e
execução de projetos educacionais, urbanísticos e
em áreas construídas, são formas de atingir o
objetivo de valorizar o bom uso da água. Na
verdade, mais do que uma obrigação social,
preservar a qualidade da água é uma questão de
sobrevivência.
Nos debates e discussões promovidos pela mídia, os
meios acadêmicos, governamentais e em toda a
sociedade organizada, estão sendo expostos
números, estatísticas de mortalidade por
contaminação, falta de acesso, entre outros
fatores, mas infelizmente muitos não se dão conta
que, nesse processo, os seres humanos são parte
deste mundo e não o centro dele. Os animais e
vegetação não estão sendo levados em conta. Não há
até o momento uma profunda reflexão que objetive a
busca pela harmonização, pois, se isto acontecer,
será necessário rever de maneira radical todos os
nossos conceitos e práticas sobre desenvolvimento
em todas as áreas. Seria, quem sabe, necessário
dar vazão a utopia da permacultura.
Não faz parecer, mesmo com toda a importância que
a água têm para nossas vidas, que estejam sendo
tomadas medidas eficazes para defender o problema
da poluição dos mananciais hídricos. Quantas
pessoas não possuem em sua memória momentos de
descontração à beira de um rio ou em uma
cachoeira! E a pergunta que fica: quem se
arriscaria a tomar banho atualmente nestes locais
sem pensar na poluição, de onde vêm esta água,
qual o seu estado e quais os efeitos para a saúde?
Neste milênio, apresenta o grande desafio de
evitar a falta de água. Um estudo da revista
Science (julho de 2000) mostrou que
aproximadamente 2 bilhões de habitantes enfrentam
a falta de água no mundo. Em breve poderá faltar
água para irrigação em diversos países,
principalmente nos mais pobres. Os continentes
mais atingidos pela falta de água são: África,
Ásia Central e o Oriente Médio. Entre os anos de
1990 e 1995, a necessidade por água doce aumentou
cerca de duas vezes mais que a população mundial.
Isso ocorreu provocado pelo alto consumo de água
em atividades industriais e zonas agrícolas.
Infelizmente, apenas 2,5% da água do planeta Terra
são de água doce, sendo que apenas 0,08% está em
regiões acessíveis ao ser humano.
As principais causas de deteriorização dos rios,
lagos e dos oceanos são: poluição e contaminação
por poluentes e esgotos. O ser humano tem causado
todo este prejuízo à natureza, através dos lixos,
esgotos, dejetos químicos industriais e mineração
sem controle.
Em função destes problemas, os governos
preocupados, tem incentivado a exploração de
aqüíferos (grandes reservas de água doce
subterrâneas). Na América do Sul, temos o Aqüífero
Guarani, um dos maiores do mundo e ainda pouco
utilizado. Grande parte das águas deste aqüífero
situa-se em subsolo brasileiro.
Estudos da Comissão Mundial de Água e de outros
organismos internacionais demonstram que cerca de
3 bilhões de habitantes em nosso planeta estão
vivendo sem o mínimo necessário de condições
sanitárias. Um milhão não tem acesso à água
potável. Em virtude desses graves problemas,
espalham-se diversas doenças como diarréia,
esquistossomose, hepatite e febre tifóide, que
matam mais de 5 milhões de seres humanos por ano,
sendo que um número maior de doentes sobrecarregam
os precários sistemas de saúde destes países.
Com o objetivo de buscar soluções para os
problemas dos recursos hídricos da Terra, foi
realizado na Holanda, no começo do ano 2000, o II
Fórum Mundial de Água. Políticos, estudiosos e
autoridades do mundo todo aprovaram a Declaração
de Haia sobre Segurança da Água no Século XXI.
Este documento, reafirma que a água doce é
extremamente importante para a vida e saúde das
pessoas e defende que, para que ela não falte no
século XXI, alguns desafios devem ser urgentemente
superados: o atendimento das necessidades básicas
da população, a garantia do abastecimento de
alimentos, a proteção dos ecossistemas e
mananciais, a administração de riscos, a
valorização da água, a divisão dos recursos
hídricos e a eficiente administração dos recursos
hídricos.
Embora muitas soluções sejam buscadas em esferas
governamentais e em congressos mundiais, no
cotidiano todos podem colaborar para que a água
doce não falte. A economia e o uso racional da
água deve estar presente nas atitudes diárias de
cada cidadão. A pessoa consciente deve economizar,
pois o desperdício de água doce pode trazer
drásticas conseqüências num futuro pouco distante.
Certamente o problema já bate à porta de todos
nós, e por isso devemos sempre nos lembrar
que o futuro é o resultado das nossas atitudes no
presente. Falta de água gera fome pela falta de
alimentos e a fome gera mortandade em massa.
É bom sempre pensarmos assim e evitar de promover
a poluição em nossos rios, lagoas e oceanos.
|