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A
palavra fome é derivada de fame, do latim, e esta,
de famulus ou escravos ou servos, também do latim,
e na língua portuguesa vai ser conhecida como
fâmulo, famulentos, famélicos ou que têm fome.
Famulus, mais tarde terá o mesmo significado que
família, para distinguir o termo gen ou tribo, da
linhagem semita. Fome e família combinam-se, na
origem de suas expressões fundantes, à servidão,
escravidão e pobreza. A fome, nesses dias atuais,
continua literalmente relacionada aos pobres e
suas famílias pelo modo como estão inseridos no
processo produtivo.
Falar de pobreza é sempre lembrar subnutrição,
analfabetismo, exclusão social, perda da
cidadania, o não atendimento de necessidades
básicas tais como habitação, transporte,
saneamento, saúde, emprego, etc. Pobreza, se
traduz em fome em todos os seus sentidos: fome de
alimentos, fome de saber, fome de conhecimentos,
de liberdade, de lazer. Nada portanto, distingue
tanto os homens como ter ou não ter o que comer.
A palavra fome usada num sentido amplo, refere-se
a qualquer falta de elementos nutritivos
necessários à formação do organismo humano,
abrangendo, assim, a fome quantitativa ou penúria
aguda, e a fome qualitativa, causada por
deficiências específicas na dieta cotidiana. Ou
seja, o termo fome também significa doença
carencial, ou desnutrição. Esse conceito dado pela
clínica, expressa a deficiência de micro
(vitaminas e minerais) e macro nutrientes
(proteínas e calorias) nutrientes. São essas
doenças de fome (as carências nutricionais) que
predispõem o corpo a outras enfermidades como por
exemplo: tuberculose, tracoma, lepra, verminoses e
parasitoses gastro-intestinais, presentes
preferencialmente em populações que vivem na
pobreza. Embora estas doenças possuam um agente
patogênico específico, suas manifestações
mórbidas, sua propagação e sua evolução dependem,
enormemente, do estado de resistência orgânico
propiciado pela nutrição.
Verdadeiro tabu na sociedade ocidental, a fome foi
excluída durante muitas décadas dos discursos e
relatórios oficiais, ainda que seja um fenômeno
freqüente no cotidiano de milhares de brasileiros.
Com o crescimento da pobreza, a fome, a violência
e outros sintomas são as produções mais perversas
da degradação social observada nos setores mais
pobres da sociedade brasileira. Ou melhor, o
crescimento do desemprego e a ausência de projetos
políticos para os setores populares constituem-se
na sustentação de uma espécie de vazio de
expectativas para as pessoas, fortalecendo a
desesperança dos que sobrevivem sem qualquer
garantia de uma permanente alimentação cotidiana.
Esta desesperança é marcada sobretudo, pela
desocupação e, conseqüentemente, pela expansão da
criminalidade. Desse modo, a fome se relaciona com
o desemprego, a violência e tantos outros flagelos
sociais. Em suma, podemos dizer que a fome povoa
os horizontes de quem vive em degradados contextos
sociais, e por isso, pode ser sentida como uma
ameaça à vida.
A
fome tem sido através dos tempos, a mais perigosa
força política.
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